O pagador de Promessas

Devo não nego, pago quando puder.

Devo não nego, pago quando puder.

Olá pessoal, depois de um bom tempo ausente do blog, venho aqui contar as novidades.  Ano passado, presenciamos o ocaso da blogosfera, com a morte de grades blogs, mudanças de formato de outros e por aqui, como não poderia deixar de ser, seguimos a modinha do colapso. O Pensotopia também foi abalado por todos os dano que acometeram  o demais. Mas mudamos de servidor, nos livramos dos trojans e todo o material de anos atrás está de volta, que é mais importante do que uma aparência arrojada. Como os integrantes sobreviventes não são da área artística, então acostumem-se com um com muita testosterona.

O que fiz nesse período? Devido a acomodações de ordem familiar, parei um pouco com Lajedos & Lagartos, mas estou voltando com ele este ano, então aguardem novidades, basicamente falta um capítulo para finalizar o livro de uma vez e trabalhar na parte artística do livro, para ficar à altura do texto. Continue reading

Lajedos & Lagartos – Cavalhada

Esse conto é ambientado no Nordeste Fantástico de Lajedos & Lagartos.  Continuação do conto Poento Vermelho.


Dona Honorina estava aperreada. Tinha ficado viúva faz nem três anos e ter o filho único correndo perigo era mesmo que matá-la de vez. Uma viva de corpo e morta de alma. Seria o mesmo que eu perdesse Inácia, antes de me casar.

Icó era longe que só a peste para chegar numa carreira. Vesti minha véstia. Montei em Trovão e escolhi as montas dos outros. Estrela, para Da Luz, e o manso Janeiro para Seu Ernesto. Pilora, gostava do burro Sereno, mais devagar que os cavalos, mas de passo firme.

 Estavam os três me esperando, ali perto do curral das vacas. Da Luz me passou a munição e as armas, guardadas no quartinho de ferramentas da casa grande. No ombro de Pilora, estava Jerônimo, o papagaio inseparável, que ele trouxe da Bahia quando foi visitar a mãe dele. Diziam que a mãe dele batia bumbo e que o papagaio sabia alguns catimbós. Nem sei se levá-lo era sinal de sorte ou de azar, mas eu tinha mais no que me atarefar.

 - Vamos galopando até os cavalos não aguentarem e adispois vamos correndo? – ingadou-me Da Luz, com aquele jeito de menina.

- Para chegar em Icó e cair com a língua de fora, que ideia mais aprumada, Da Luz – disse Pilora. – Graciliano deve de tar escondido pelos matos, carece dessa pressa não!

- Se ele mandou aquele telegrama, mesmo que esteja escondido, Pilora, não deve estar seguro. Quanto tempo um homem aguenta sem comer nem beber, pelos matos, temendo até os vultos? – ponderou Ernesto, segurando o crucifixo, colocando-o por dentro da roupa.

- Eita povinho sem fé? Seu Graciliano é vivo, deve ter encontrado uma saída. Ele não é tão mole quanto vocês estão pensando. O aperreio dele deve ter sido grande. Vocês sabe que esse povo da Coluna quando chegam o que fazem. São como cangaceiros – falei.

- Piores, Firmino Seridó. Da outra vez demos sorte. Eles tem muita bala, tem treinamento do exército – Da Luz montou Estrela e continuou falando, prendendo os cabelos – se pegarmos eles de calças arriadas de novo, botamos eles pra correr. Dou um tiro no meio dos olhos do mais bem fardado e o resto corre três dias e três noites.

- Sem querer desmerecer tua mira, Da Luz, dessa vez eles já vão estar instalados e nós que estaremos chegando. Teremos que ter a força de Gideão para passar por eles – falou Ernesto, ainda atrapalhando para subir no cavalo.

- Pode ser que Da Luz ainda possa usar o plano dela – Firmino ajudou a Ernesto montar. – Eu não quero ir pela estrada, vai estar muito visada por aquele povo. Ninguém é besta de não proteger as entradas da cidade. Essa Coluna anda ligeiro e não tem nada de besta. Agora se a gente for pelos matos, vai cortando caminho seguindo a trilha do Sol, dá pra gente chegar na fazenda também.

- Tu é doido Seridó? – Gritou Pilora, que chega Jerônimo se espantou, batendo as asas. – Nunca que vamos chegar por dentro. É mais fácil esbarrar com cangaceiros ou pisar em cobra.

- Pode ficar sossegado. Eu conheço bem essas terras. Muito fazendeiro de Icó vem com o gado bem pertinho daqui. A rota é bem conhecida pelos vaqueiros e também pelos romeiros. Dizem que há um poço sagrado no meio do caminho da duas cidades. Se não chegarmos lá a tempo, não é por falta de milagres. – disse, tomando a frente da cavalhada.

- Já conversamos demais, eu já estou é montada. Avia, Seu Firmino! -ela ria, mas tinha nos olhos castanhos inequívocos sinais de preocupação.

Nós despedimos de Dona Honorina antes de partir. Ela nos deu a bênção. Quando galopamos olhei para trás, vi que ela estava parecendo que ia cair, mas se firmava. Tinha o coração na mão. Jurei para mim mesmo proteger o filho dela com a minha vida. Aquela santa mulher já sofrera demais nos últimos anos. Não merecia mais um desfecho trágico na vida.

Mirei o sol virando e corremos pelas caatingas. Me orientava pelas serras na paisagem. As serras de longe são todas azuis, sinal de que o céu e terra sempre estão próximos. Quando chegamos perto, as serras retomam sua cor. As serras são tão misteriosas quanto os céus. E só as serras, tão altas, que azulam, sabiam que o ocorria depois daquelas sete léguas.

Lajedos & Lagartos – Poente Vermelho

Esse conto é continuação do conto Caetana, e iniciado em Coluna de Fogo. Uma mini-série de contos ambientados no Nordeste Fantástico de Lajedos & Lagartos.


 Como previmos, Icó fora um alvo fácil. Quando souberam da nossa chegada, a polícia fraca desabou acovardada ante nosso destacamento; foram os primeiros a sumir. As elites, fugiram pelas estradas, e muitos esconderam até os móveis nos temendo.

O padre, depois do que disseram que fizemos em Piancó, não levantou uma palavra contra nós. Temos água e jabá, conseguido na cidade, graças às doações do proletariado. Dinheiro será questão de tempo encontrar, revirando os casarões abandonados.

Mandei derrubar as fiações, não quero que alertem os soldados desse regime corrupto. Grupos de camaradas estão vigiando cada uma das estradas. Do centro, aproveitei para vigiar a cidade do alto do teatro, que nos dá privilegiada posição, e é iluminado por eletricidade. Posso me orgulhar de dizer que nunca errei um tiro. Quem se atrever a vir até aqui, estará em desvantagem.

O Camarada Sérgio, encontrou um fio de telégrafo, paralelo ao que havíamos derrubado. Mandei que fossem investigar, de onde viria o fio. Poderia haver um telegrafista. Poderia uma mensagem de socorro ter sido mandada e encurtar a nossa estada nessa acolhedora localidade. O Tenente Prestes não apreciaria essa obstrução nos planos.

Precisei me certificar. Destaquei um grupo investigatório composto de oito homens. Sete simpatizantes da causa. Sérgio, para comandá-los.

O sol morria no horizonte, nada dos homens voltarem. O tempo que estavam usando nessa simples missão era superior ao tempo que levamos para capitular a cidade inteira.

Os moradores diziam que andam feras antigas por essas capoeiras. Crendices. Eram oito homens. Um deles era Sérgio, segundo tenente, melhor da turma. Devem ter se perdido, ou encontrado alguma jovem atraente.

Anoiteceu. As luzes das casas iam se apagando. Sentia o cheiro do medo vindo dos moradores. Seria outra assalto fácil. Carregar as mulas e retornar para a Coluna. Afinal, quem nos faria frente?

Meu encontro com Ariano Suassuna

Todos já estão carecas de saber que estou desenvolvendo Lajedos & Lagartos, o RPG Cabra da Peste. Quem acompanhou desde o começo ou baixou a versão rascunho sabe que um dos pilares do jogo é a obra do Ariano Suassuna. De minha parte é uma audácia sem tamanhos ousar compilar toda a cultura nordestina assim na caradura e transformá-la num jogo de contar histórias. Como saber se estava realmente no caminho certo? Só consultando o criador da obra: Ariano Suassuna.

Foi uma honra sem tamanho encontrar a lenda viva.

Ariano foi de uma gentiliza encantadora. Certamente foi a pessoa mais velha que eu tive que explicar o que era RPG! Ele ficou muito interessado no jogo que usou a Pedra do Reino como um dos livro de base.  Ele folheou o meu humilde rascunho. Leu a introdução do texto e corrigiu os versos que eu tinha feito para o jogo, explicando o que era RPG, para que ficassem fiéis à métrica das sextilhas dos cantadores.  Ariano aperfeiçoou o meu texto, cantou o meu poema, o que mais eu poderia querer?

Ariano folheando a nova versão 0,2 de Lajedos.

Aproveitei a oportunidade para tirar dúvidas em alguns conceitos que me utilizo no jogo, pois quero que fiquem fiéis a nossa cultura. Após  explicar o que pensava, ele ficou muito encantado com o caminho que estava seguindo e me disse que eu estava indo no caminho certo. Ele inclusive brincou que quem estava aprendendo era só ele, já que ele não sabia o que era RPG até o momento.

A maior lição que aprendi foi de simplicidade

Recebi as bênçãos de um Imortal  que inclusive me contou detalhes secretos do seu livro! E de quebra, Ariano ainda me confidenciou algo que fiquei quase em lágrimas: ele adorou o nome do jogo. Para Ariano, Lajedos & Lagartos casou perfeito com a obra dele. Ele me disse que um lagarto em um lajedo era simplesmente a cena de abertura da primeira adaptação da peça O Auto da Compadecida para o cinema e que aquilo tinha muita carga para o que eu estou construindo. Muitas pessoas criticaram a escolha do nome do jogo. Agora o nome escolhido está sacramentado.

Aguardem pessoal, a versão seguida está sendo feita com muito carinho.

Café Imaginário 7- Lajedos & Lagartos

Neste sétimo episódio, o Café Imaginário traz como tema o RPG Lajedos e Lagartos, e conta com a presença dos pensadores  Danielfo ,  Marcos Silva e  Luiz RGF, além do convidado, Otávio Gadelha.

LINKS RELACIONADOS

-Lajedos & Lagartos

 

-Lajedos & Lagartos-Cavaleiros da República Velha

 

-Lajedos & Lagartos: Primeira légua

 

-Lajedos & Lagartos: 2ª Légua

 

-Lajedos & Lagartos; 3ª Légua

 

-Lajedos & Lagartos: 4ª Légua

 

Duração: 49:17 min

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INFORMAÇÕES

Aperte o botão PLAY abaixo ou clique em DOWNLOAD (clique com o botão direito do mouse no link e escolha a opção Salvar Destino Como) o arquivo no formato MP3 . Aproveite!

Lajedos & Lagartos-Cavaleiros da República Velha

Conforme prometido, estou disponibilizando a versão em pdf da aventura de Lajedos & Lagartos, intitulada Cavaleiros da República Velha, que mestrei no HQ- PB. A aventura é didática e serve para pegar o clima do jogo, testando regras do sistema, ainda em desenvolvimento.

Cavaleiros da República Velha trás elementos dos cordeis, das estórias de Trancoso e causos políticos, tudo misturado, como é a proposta do jogo. Esta é uma aventura que pode ser jogada por personagens iniciantes de quaisquer Carreira (entre o 1º e o 4º Degrau). Recomendo entre 4-5 jogadores.

Sem mais delongas, segue o link para baixar:

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Lajedos & Lagartos: Passando a limpo

Duas semanas depois de disponibilizado o Rascunho de Lajedos & Lagartos, cuja intenção era fazer com que as pessoas conhecerem o Nordeste Fantástico, chegou o tempo de produzir a versão 0,2.

 Quem teve coragem de baixar o jogo para ler- foram mais de duas centenas – deve ter percebido que, como  jogo, ele ainda estava muito cru(como livro está mal passado). Não foi falta de aviso, pois foi disponibilizada a versão inacabada e não revisada. Creio que com algum esforço seja possível mestrar, mas acredito que o Conversador terá algumas dúvidas com a versão disponibilizada.

  No corre-corre daquelas 7 semanas de produção, deixei bastante coisa escapar, perdoável para uma versão de divulgação, mas não é o esperado para uma versão final. Estou, agora em equipe, realizando a revisão do texto (erro tem de moi) e da redação do jogo (víixe). Não se preocupem senhores, dessa vez vou dar os merecidos créditos a quem está comigo.

 Eu já realizei dois testes de jogo, o último ainda em andamento, usando a Aventura Cavaleiros da República Velha (que em breve disponível). Percebi  e foi alertado dos seguintes pontos:

  • Thiago Massari – webmaster do Pensotopia – já havia me alertado, logo no princípio, que o jogo deveria ter, bem fáceis, as tabelas para rápida consulta. Fiz? Fiz não… No combate, isso fez uma falta enorme. Na versão 0,2 vai ter.
  • A amiga Beltaverneira do Blog O Clérigo(um salve para toda a equipe de lá)- me alertou de um erro bestíssimo: faltou a numeração das páginas. Ela derrubou as folhas no chão e penou para montar o quebra-cabeça. No manuseio de livro, na versão impressa, a numeração fez falta tremenda. Achei que capítulos numerados também podem ser úteis.
  • Na revisão, notamos que a regra fundamental do jogo, A regra da Soma, não está tão clara assim, principalmente para quem não joga baralho. Ficou dúbio o que é o valor da carta (quanto ela vale no jogo) e a numeração da carta ( o valor que está impresso na carta). Isso pode atrapalhar bastante.
  • Um dos colegas do último playtest reclamou de um possível desequilíbrio entre as Proteções Pinote e Providência. É melhor não ser acertado, do que evitar parte do dano. Logicam ente isso implica que Pinote é melhor do Providência. O que deveria reequilibrar isso seriam os ataques de bolo, que acertam em área, mas não está bem assim. Na versão 0,2 este ponto estará revisto.
  • Marcos Silva, do Pensotopia, apontou uma omissão no Auto dos Degraus, na hipótese de haver poucos jogadores. Será algo que será revisado, mas não do jeito que Marcos quer. Se achou ruim Fuja ou se Vingue.
  • Faltaram alguns equipamentos que julgo essenciais, por pura falta de tempo: animais fieis. Cão, jumentos e cavalos estarão na versão 0,2. No Nordeste, os animais domésticos são mais importante que gente.
  • Antagonistas. Na minha análise prévia, já cataloguei mais de 100, entre monstros, espíritos e gente mais ruim de que merda. Por isso, só colocarei alguns no livro básico, deixando o resto para o Manual dos Coisa Ruim – o bestiário de Lajedos & Lagartos.
  • A ficha ficou quase 100%. Mas ainda não está perfeita. Na parte onde o jogador anota o dano, a cruz será usada para distinguir o que é dano real, de dano temporário.
  • Estamos trabalhando na arte do jogo, para que a versão 0,2 tenha pelo menos alguns desenhos dos personagens e novas ilustrações.

 Para não falar só de defeitos técnicos, preciso falar também dos elogios. Independente das pessoas gostarem ou não do jogo, a ponto de o jogarem, creio que atingi meu objetivo principal: despertar o rpgista para o riqueza da cultura nacional.  É possível sim, transformá-la em algo divertido sem que ela perca a própria identidade.  O melhor foi que recebi elogios em relação ao produto, e não a minha pessoa.  Como não tenho uma vida virtual agitada, sei que quem falou, foi mais sincero do que os amigos, que tendem a nos proteger.

 Um dos meus objetivos secundários também foi atingido. Boa parte dos Nordestino que entraram em contato comigo, ou eu com eles, meio que desencantaram. Todo mundo apareceu com uma história fantasiosa de um parente, ou com uma sugestão de autor, ou causo pra contar. Outros relembraram expressões que usavam, mas devido à educação formal recebida abandonaram, mas agora sabem que podem. O tom Armorial do jogo deu uma enaltecida nos nossos costumes e  cultura popular.

Os relatos que tive foi que a ideia louca do jogo provocava risadas. Mas não uma risada de zombaria. E sim um riso de uma criança adormecida. Aquela risada que criança dá, quando faz algo merecedor de uma grande surra , mas apenas se fosse pega (quem é do tempo que menino danado apanhava sabe o que eu digo).  Durante os testes, o riso correu frouxo. O jogo foi divertido para os presentes.

 Lajedos & Lagartos é isso: uma grande travessura. Quem joga merece até uma surra, por deixar de estar jogando um jogo grandioso e respeitado. Sou traquina, sou treloso,  para esquentar meu couro, vão ter que me pegar. E eu quero ver quem me pega, seus rpgs de …

A Ficha de Lajedos & Lagartos

Depois de sair a versão 0,1 de Lajedos & Lagartos,  disponibilizo também no blog, a ficha de L&L (finalização feita pelo meu amigo Diósthenes do Grupo Arena). É a mesma versão  que já estava dando bandeira no twitter do blog e no meu Orkut+. Mas agora resolvi fazer algumas considerações de preenchimento.

Lajedos & Lagartos tem uma ficha de fácil preenchimento, porém com diversos detalhes, que não vão assustar quem está acostumado com D&D, GURPS ou Storyteller (ing), mas pode amedontrar os jogadores de outros sistemas. Eu acho que ela tem um ar de escola velha. Os fãs do movimento me digam. Podem baixar logo no link abaixo:

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Pia a ficha.

Preenchendo a Ficha

A ficha é dividida em quatro partes.

Cabeçalho – informações descritivas do Personagem.Nome: é o nome do personagem, não é o teu, tá danado que alguém vá esquecer o próprio nome?

Tendência: Se é Direito, Sonso ou Ruim.

Carreira, Degrau, Raça, Estado: tá na cara o que são.

Aparência: São informações detalhadas (para o Nordestino) acerca da sua forma física e idade.

ABC: é o grau a de alfabetização do personagem.

Sequelas: incialmente em braco, aqui você vai colocando as cicatrizes que a vida te dá.


Lado Esquerdo – onde ficam os atributos.

É só preencher com a carta que você escolheu para cada um dos seis atributos. Escreva qual foi  a carta no quadrado, e rachure o naipe.


Meio da Ficha – bônus de ataque, defesas, vantagens, fuleragens e antecedentes.

Na tabela, do lado esquerdo, estão as Cartadas do Jogo: Peleja, Raiva, Tapia e Mistério. Ao lado, o atributo que tem  a ver com elas. Você escreve o bônus que tem ao lado, para cada cartada.

Na tabela, do lado direito, estão os valores de Proteção, que é quanto é preciso tirar para afetar seu personagem de cada forma.

Vantagens e coisa e Tal: é para vantagens e outras anotações importantes.

Fuleragens: É para as fuleragens que você tem.

Antecedentes: Marque, conforme as cartas que você descartou no processo de criação. Cada um dos quatro antecedentes, está associado a um naipe. É só rachurar a bolinha, nem precisa escrever.


Lado  direito -Relação de perícias, armas, equipamentos e marcador de ferimentos.

Perícias Lá de Nós: Você marca nos parênteses, quais dos quatro grupos você tem acesso e marca, preenchendo as bolinhas, as perícias que você tem.  O nível dois na perícia é só pra quem pode, não pra quem quer.

Sangue cheio: Você escreve quanto sangue tem, e vai anotando quanto perde quando apanha.

Armas: São as armas carregadas e quanto dano provocam.

Troços: São os bregueços que você carrega.


Qualquer pitaco que acharem útil podem sugerir. Vou lá.

Lajedos & Lagartos + HQPB

Olá pessoal, já cadastrei a minha mesa no 5º HQPB (dias 8 e 9 de outubro), que entre uma das muitas atrações, terá também  um  encontro de RPG.

Sob a organização e apoio  dos:  grupos Arena e  Confraria_RPG, editoras Redbox e  Retropunk e do blog Paragons - e nenhum apoio do Pensotopia - o encontro promete e está muito mais estruturado que o do ano passado.

O local será o mesmo da edição anterior:  Espaço Cultural José Lins do Rêgo.

Minha mesa de Lajedos & Lagartos está cadastrada, olhem o cartaz.

A primeira esprimentada será de 08/10, às 15h.

Veja a sinopse da aventura:

“Um dragão véio do fucinho encarnado invadiu Cajazeiras e roubou a chave da prefeitura.

Agora tá todo mundo sem receber o salário e o Prefeito tá com medo de não conseguir mais eleger o sobrinho como deputado estadual.

Para que essa desgraça não ocorra com a família, o Prefeito chamou os melhores correligionários dele para puxar o dragão pelo rabo e tomar a chave de vorta.”

E é por enquanto isso. Os paraibanos do Pensotopia estarão lá, para fazer o que fazem de melhor: dar pitacos e falar do nosso tempo para os rpgistas mais novos.

Lajedos & Lagartos; 3ª Légua

Baralho Armorial

Estou chegando na metade do projeto. Já comprei até os baralhos para testar o jogo no próximo encontro de RPG aqui na Paraíba, o HQPB.

Sobre o baralho, descobrir que a COPAG, maior fabricante da América Latina, está perdendo uma grande oportunidade de lançar um baralho com tema nacional. A falta que a legalização do jogo faz.

Na internet,  achei dois projetos independentes interessantes. Um é o baralho do cangaço e o outro é o baralho armorial, ambos bem a cara de Lajedos & Lagartos.

Esta semana, estive em São Paulo e pude descobrir algumas coisas sobre o texto que estou empregando no jogo. A mais relevante é que eu precisava de um paulista para saber o que é nordestinês ou não. Por incrível que pareça, não é nas gírias e sim nas pequenas expressões que reside o modo peculiar nordestino de falar. Muitas conjugações verbais, comumente usadas no Nordeste, caíram em desuso em outras regiões, mesmo estando corretas. Já outras, mais arcaicas se mantiveram por aqui e o Sudeste não homologou na gramática.

 Como Lajedos & Lagartos está sendo feito para ser mais que apenas um jogo popular Nordestino, e sim um jogo Armorial, a cultura popular prevalecerá sobre a formal. Contudo, a escrita do livro está sendo feita de modo didático, sem abrir espaços para achincalhação e respeitando a tradição, concordem os gramáticos ou não. É mais fácil dizer que o “E” tem som de “I” , o “O” tem som de “U” (o cearense falando inglês) e o “S” em fim de frase tem som de “IS”, entre tantas outras regrinhas de pronúncia mais obscuras como o “V” virar “B” em algumas palavras e próprio “V” tomar som de “R” em outras.

Se a moça do Google soubesse falar nordestinês, ela leria a frase “O vaqueiro pegou a vaca no meio da pastagem” assim:

” O raqueero pegô a raca no meida paxtagi!

Melhor não chocar as pessoas.

Baralho do Cangaço

E para fechar, conto meu relato semanal com seu Firmino e Dona Inácia. Expliquei algumas dúvidas que tive sobre o RPG e eles me tranquilizaram um pouco.

Perguntei a seu Firmino como eu poderia encaixar tantos tipos diferentes em uma mesma história e continuar fazendo sentido. Ele deu uma bicada no cigarro de palha e respondeu:

 - Sei não! Tu se embrulhou agora se desembrulhe.

- Ô home abestalhado! O que te aperreia? – disse Inácia, mas caridosa, comigo.

Eu disse que não fazia sentido um Doutor engomadinho andar junto de um cavalo de duas patas. Ela sorriu e tentou me ajudar como pôde.

- E como é nos jogos que tu joga?

- Eu disse que nos jogos que jogava elfos magos lutavam ao lado de humanos paladinos,  anões guerreiros, halflings ladrões, meio-orcs bárbaros. Tive que explicar que meio-orcs eram pessoas com cara de porco e halflings eram pessoinhas miúdas feito crianças.

- E como é que esse povo se conheceu? – perguntou ela.

Eu respondi que em geral, na taverna bebendo.

- Num é mais fácil um doutor e um homem bruto estarem bebendo junto e ficarem amigos do que esse menininho pequeno ficar amigo de um cara de porco? – ela disse.

- Eu mesmo sou amigo de Doutor Araújo Soares, que homem de cultura alta e posição e também de Da Luz que é filha de cangaceiro e dava de mamar a onça – se meteu Seu Firmino, baforando fumaça enquanto falava.

- Eu num acredito que alguém vai ter a maledicência de achar que um neguinho que joga capoeira e um amarelo aprontador de traquinagens num podem ser pariceiros?

- Se não fosse eu, Da Luz, Pilora e João Guilhermino, Doutor Araújo Soares não tava mais vivo para contar história. Hoje aquele velho encruado diz que foi ele que salvou a gente. Só porque Dona Honorina não está mais entre a gente. Mas o tempo apaga tudo não é? Depois vem esses livros de histórias para fazer o povo acreditar em um monte de besteira que um besta escreveu. E a Verdade, que é a Verdade fica só na boca de um e de outro e com o tempo se perde – divagou – Se avexe não, meu filho, vá escrevendo, na hora que o povo for jogar, como a cambada se ajuntou é o de menos. Tem vezes, que a gente se conhece de um jeito que ninguém pode adivinhar. Pode ficar assossegado.