Ventos da Guerra: Capítulo 34

DESAFIO INESPERADO

A arena estava lotada naquela tarde. O príncipe em pessoa se fazia presente para enfrentar o desafio e provar diante de todos o destemor. O barão real havia dado folga aos que quisessem ir ao espetáculo, presente raríssimo naquelas terras. Thon estava confiante e dispensou qualquer ajuda dos colegas, para ele nada mais que a torcida seria suficiente. Já o barão Griffin estava ansioso em ver se o pequeno herdeiro do trono estaria à altura da responsabilidade.

Em Serra Antiga, a arena era destino de criminosos, que se tivessem boa atuação poderiam ser absolvido da pena ou até mesmo ingressar no exército do barão. Um dos principais desafios eram os búfalos selvagens que viviam nas margens do rio, capturados serviam de adversários para os gladiadores.  Um destes animais era o adversário do halfling. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 28

REUNIÃO


Hagen aguardava a sua professora, mais uma vez ele estava no local combinado e Lila se atrasara. O relógio solar marcava o tempo com exatidão e revelando que a professora se atrasou dois minutos a mais que no dia anterior.  A mestra, tranqüila, passou pelo aluno e perguntou:

- O que você ainda faz aqui?

- Estou esperando pela senhora.

- Então você não precisa mais esperar, eu já cheguei. E você já pode ir.

- Sim, senhora.

- Esteja aqui pontualmente, amanhã.

Hagen faz um gesto respeitoso e se retirou. “Ele está aprontando alguma coisa”, pensou ele. Pelo resto do dia, o guerreiro se dedicou aos treinos de artes marciais. Hagen estava dedicando-se em dominar todas as técnicas. Ele era um jovem prodígio em artes marciais, o treino nas lutas de Shinobi foram parte do preparação para chegar aos Setes Céus. Mas para se tornar um verdadeiro artista marcial ele precisaria descobrir e dominar os últimos segredos do dojo Chien, o caminho do céu. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 25

CONDENADOS

Aurora saiu satisfeita com as respostas da jovem garota, que assustada confessou os detalhes que faltavam. Como o julgamento dos  sapateiros seria apenas na manhã seguinte, ela teve tempo de se encontrar com os demais e reunir as informações colhidas. Allis estava achando tudo muito engraçado, todo aquele trabalho para um caso que ele já sabia qual a seria solução, mas preferiu esperar ver como os yorianos engenhosamente resolveriam.

Os sete estavam perfilados na praça central, onde se realizou o julgamento público. O velho juiz era famoso por condenações rápidas. O magistrado acreditava que as rápidas penalidades infligiam um grave dano aos marginais da sociedade. Um orador leu o resumo da contenda que se passaria ali e chamou Claudius. O mercador de tecidos – relatou o ocorrido com ele no dia em que foi atacado pelos sapateiros. A população ouviu com atenção o relato do corajoso comerciante retornando de uma venda bem-sucedida em terras estrangeiras e se espantou com a descrição da armadilha traiçoeira que derrubou dele a carruagem. O povo se indignou quando soube que o coitado foi arrancado de dentro do coche e levado a um casebre distante e ficou estarrecido com o espancamento de um inocente indefeso. Nenhum yoriano toleraria novamente a opressão. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 22

MODA SUSPEITA

Allis e Valkíria andavam pelas vielas de Miliciana até o Bairro da Fumaça, local onde os fornos da cidade se concentravam. Padeiros, oleiros e ferreiros viviam naquela região juntamente com seus familiares. Eles seguiram a pé pela via do ferro, uma importante rota da cidade, de grande trânsito de carroças. A estrada serpenteou por entre casas e prédios e os levou até a cidade baixa, já próxima à serra onde ficavam as minas de ferro.

Allis perguntou se alguém sabia onde morava Allis, o ferreiro, pai de Simack. O dracomago sabia que seu pai fora grande salvador yoriano, antes de se casar com a mãe deles e se tornar lorde em Jandy. Os homens mais velhos lembravam-se das comemorações para o guerreiro herói que resgatara a princesa Áurea do Castelo Vermelho, há cerca de 28 anos,  e que nascera  se criara naquele bairro pobre da capital. O jovem jandita percebeu, que entre os mais moços, o nome do pai dele,  já não era tão vivo e grandioso. Muitos homens jovens haviam lutado nas guerras entre Ayoria e Jandy, como aliados dos ayorianos, e sabiam que o antigo herói Simack tinha mudado de lado. Simack Allis II sabia que o pai sempre fora uma pessoa muito ambígua nas alianças que fazia. Em algumas de suas estórias Simack estava com Argel Punhos de Prata, noutras com Agamenon – Imortal – ou ainda, com Ramalid Ben Kazar – a Pérola Negra do Deserto. Simack Allis I enfrentou o arquimago Richard Manto Negro, foi corrompido por um demônio, despertou a Árvore da Vida de Argos, fez um pacto com a Deusa Arina, maculou as lágrimas de Íris em Tantra, entre tantos feitos notáveis. Por conta desta extensa carreira, Simack II sabia que era quase impossível fazer o pai se orgulhar dele, já que não se sentia capaz de superá-lo em glórias. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 21

ASSUNTO DE FAMÍLIA

Hagen dava voltas, já impaciente. Havia chegado em Miliciana há tempos e nada dos demais companheiros. O guerreiro resolveu ir ao encontro do seu avô, o rei Argel, o único familiar que se encontrava na cidade. O pai dele liderava um batalhão no norte. Genitor seria o termo mais adequado, já que Hagen nunca conhecera realmente o pai. O único diálogo paterno que eles tiveram foi no confronto de vida e morte no qual a Espada de Avalon – a relíquia destruída – foi restaurada. Naquele dia, as palavras daquele homem alado com asas cristalinas não fizeram o menor sentido. Ele falou de amor, mas de um amor que ele não compreendia: amor paterno. Com o avô, ele teve mais contato, soube que Argel o procurara enquanto treinara nos Sete Céus. Foi o rei-avô que o aconselhou a julgar melhor as ações do paladino Argon de Lentis. Talvez ele o entendesse.

O jovem ruivo acordou cedo e foi visitar o monarca. Lembrou que fazia cerca de dez anos que não sabia o que era uma família. De sua mãe, Carolina, ele guardava poucas lembranças. Quando pequeno, aos oito anos, fora do tirado dos braços maternos pelos três homens a quem ele futuramente chamaria de mestres. O treinamento fora intenso e Hagen se lembrou dos perigos que passara, os pavores que sentira o impedira de chorar de saudade. Hagen aprimorou o corpo, a mente e o espírito em três anos, ainda criança.  Durante a jornada, ele percorrera a estrada para o poder, um caminho cheio de dor que apenas em sofrimento levá-lo-ia aos portões dos Sete Céus. Perdido nas próprias memórias, deu-se por conta que estava quase em frente à porta do quarto do avô. Ele bateu à porta, despertando o rei de sono profundo. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 19

O MESTRE QUE NÃO ESTAVA LÁ

Thon acordou abalado com a imagem macabra que vira na noite anterior. Apesar de ter se irritado com o homem que o fez dançar, a ponto de desejar retaliação, ver aquela cabeça decapitada em uma bandeja não era algo que gostaria que tivesse ocorrido. Ter sido responsável por uma morte banal, fez com que ele sentisse remorso e impotência. Agora ele compreendia porque Hagen sempre desejou sigilo na jornada.

Eles estavam de volta na cabana onde foram recebidos e todos, bem cedo, já empacotavam os equipamentos nas mochilas e verificavam as armas para ver se nada faltava, cada flecha foi contada, cada adaga foi conferida. Thon procurava esconder um pequeno problema com o seu equipamento, sua armadura élfica, recém recebida, possuía uma falha. Não que os elfos tivessem a fabricado de maneira errada,  o problema surgiu quando ele enfrentou a erynie, ainda em Deshnok. As chamas que ela evocou foram mais graves do que todos pensavam e  o mithril da armadura,  que tinha  protegido Thon de uma morte imediata  pagou o preço pela ousadia de reter o calor das chamas infernais. A princípio, Thon não tinha percebido a falha, mas com o passar das semanas, aquela deformidade foi ficando cada vez mais perceptível para ele, a ponto de ter que evitar combates diretos. Thon esperava chegar a sua terra natal para que pudesse encontrar ferreiros que pudessem consertar o estrago. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 18

PENA DE MORTE

ventdguerraAo nascer do sol, bem cedo, os apreensivos “convidados” se levantaram. Prepararam um pouco da ração de viagem e comeram, não esperando qualquer recepção mais hospitaleira daquele bando de soldados que guardavam a torre. Ualfo ainda roncava alto, quando todos já estavam de pé, tendo o bicho só acordado quando escutou os ruídos de biscoitos de viagem sendo mastigados. Hagen transparecia calma, mesmo sobre os olhares apreensivos dos companheiros.

Um dos soldados, com a boca suja de comida, veio dar-lhes a ordem para irem para a cidade. Alguns homens começaram a desmanchar a tenda onde eles deitaram. Outros preparavam um animal para carregar alguns  equipamentos, um caprino enorme como um cavalo. No meio da carga, estavam as armas deles. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 17

TRAIÇÃO

Os olhares aquilinos recaíram sobre Allis, que estava acanhado devido àquela desconfortável situação. Ele ainda se sentia mal pelo efeito do veneno que havia na bebida, mesmo tendo tomado o antídoto. Homens erguiam um pavilhão improvisado perto da torre, destinado aos repentinos convidados. Eram meados da noite daquele vigésimo sétimo dia do quarto mês do ano – Arinir- e a lua nova deixava a noite escura e  ornada de estrelas. A tenda serviu  para encobrir dessas estrelas o constrangimento que Simack II passou. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 16

DELATOR

O segundo de tensão que prenunciou o embate durou uma eternidade, até o brado expresso do superior do grupo de emboscada:

 - Não ataquem!

 Aquelas palavras causaram espanto em todos,principalemente aos guardas, que já se preparavam para a carnificina. O soldado que estava frente a frente com Allis engoliu o orgulho de guerreiro e esmoreceu, mesmo ainda mantendo a espada em riste. Os demais ainda faziam todos os outros de reféns. Os aventureiros estavam tensos, porém a tensão se transformou em surpresa e a surpresa em curiosidade. Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 15

REVELAÇÃO

Valkíria se orientava não apenas pelo sol, mas também pelas estrelas e pelo vento. Graças ao treinamento que teve com o pai, o grande Simack Allis, desenvolveu habilidades gerais que ajudariam na sobrevivência. Desde de criança, Valkíria sempre teve um tratamento diferenciado em relação ao irmão gêmeo. O pai sempre quis ter um filho guerreiro e não desistiria dos planos mesmo sendo este filho uma filha.

Ela trilhou um novo caminho pela floresta, cortando alguns arbustos que eram obstáculos. Saltou pequenos riachos, assustou alguns pequenos mamíferos. Chutou algumas pedras, se impôs perante os demais e os liderou até o final da trilha secreta. Continue reading