Imortais – O Crepúsculo dos Deuses

Deuses que brilham na luz

A primeira postagem de 2012 é um alerta: fujam para o Monte Olimpo.  Imortais foi primeiro filme que assisti no cinema neste ano apocalíptico.  As profecias estão se realizando.

Segundo alguns pitaqueiros, era a mistura de 300 + Fúria de Titãs.  300 foi legal. Fúria de Titãs, não consegui ver os primeiros 5 min.  Um outro amigo me disse que estava no mesmo nível que Lanterna Verde. Não está, Lanterna Verde é um Batman Dark Knight perto desse.

 O enredo do filme não interessa, assim como o de Fúria de Titãs. Ele tem fidelidade com a mitologia igual a zero. Se ao menos fosse como Troia (pasmem), mas nem isso. Quiseram fazer um God of War, mas todo mundo vê que é um filme bancado pelo American Army para recrutar soldados para invadir a bola da vez .

Como resumir este filme? Imagine que daqui a 1000 ano, a Indústria do Entretenimentoqueira contar a história do maior herói do início do milênio: Barack Obama.

 Os diretores decidem fazer algumas adaptações:

Quem viver verá

 A) Obama é asiático

 B) Forma um casal gay com Hillary Clinton, uma transexual

 C) É irmão de Osama Bin Laden,  separados nas montanhas do Havaí.

 D) No fim ele salva o mundo da destruição, destruindo metade do mundo no processo (99% de baixas civis)

 É por aí que caminha Imortais. Teseu virou o típico herói americano pós 11/09: tudo se resolve na pancada, conversa é para os fracos, os seus inimigos são muuuuuuito, mas muuuuito malvados (e sem rosto), você é movido pela vingança e usa o mesmo plano dos vilões para vencer ( matar todo mundo).

 Para as mulheres a mensagem é a seguinte:

 a) dourado é a cor da estação

b) virgindade é perda de tempo, dê seu primeiro beijo e a buceta ao mesmo tempo.

c) tenha amiguinhas de todas as raças.

d) E ponha sempre a culpa no seu irmão se seu pai ficar com raiva, assim só ele apanha.

Caverna do Dragão já tem seu arco

O filme é um manual de planos estúpidos. O rei Hipérion tinha força para conquistar a Grécia se o auxílio do arco de Hank Épiro, que só serviu para atrapalhá-lo. Se o imbecil não tivesse o plano de libertar os Titãs genéricos, teria tido sucesso.

 Zeus é um banana. Só faz atrapalhar e ninguém sabe o porquê. Aliás, sobre os deuses filme precisa de um adendo. Os autores fazem uma lambança cristã com os deuses gregos. Todos os personagens principais: Teseu, o herói, Hipérion, o vilão e Stravos, o amigo do herói, não acreditam nos deuses. Blá! Não que eles sejam ateus, mas porque ele não creem na bondade divina.

E desde quando isso existia na Grécia seus otários! Rezou para ganhar um cavalo no natal? Dançou. Deuses gregos só se comovem com oferendas e favores. Jesus só vai aparece mais de mil anos após com estas ideias de milagres promocionais. É incrível, mas todos os personagens principais se comportam deste jeito, como crianças mal-educadas: Zeus não me deu, não gosto mais. Vai te catar!!!

 Para não dizer que o filme não tem um pingo de esperança, há um herói de verdade nele. Stravos, interpretado pelo ator Stephen Dorff. O personagem é o único que trilha o caminho do herói (coisa que Teseu não faz nem por 1 segundo). Stravos é um cara que só pensa em si e que encontra Teseu, que traz uma missão importante, mas na qual ele não acredita, contudo segue-o. Stravos destrata a sacerdotisa virgem, mas depois adquire respeito por ela, mesmo ela sendo uma putinha como ele dissera anteriormente. No fim, ele abraça a causa e luta para salvar o povo heleno (coisa que Teseu não faz, pois está preocupado em ganhar xp) e se sacrifica para para tentar recuperar o arco de Hank Épiro e tentar entregá-lo a Teseu. Mas ai vem a cagada final, que fode o filme. A morte dele é em vão, e o arco não serve mais pra nada.

O Herói é o da esquerda

 E para tristeza geral de todos, é Teseu que recebe um lugar no firmamento, enquanto o verdadeiro herói morreu anônimo. Imortais é um retrato final da cultura americana hoje, onde os covardes voltam para casa recebendo os louros da vitória que não conquistaram.

Ajoelhou tem que rezar

Os clérigos são das classes com maior potencial para criação de personagens e também NPCs. Uma variedade de deuses e culturas produzem sacerdotes diversos, desde anões brandindo os martelos de Moradin à halflings rezando para Yondalla.  Não pretendo abordar o tradicional “como o seu clérigo se veste e age” e sim outra coisa bem mais rara na blogosfera, pelo menos não encontrei nada publicado a respeito. A pergunta que faço é: como seu clérigo reza?

O jogador se preocupa apenas com o repertório de magias que o seu personagem clérigo tem, quantas usa por dia, os domínio que envolvem, este monte de coisas que a mecânica do jogo nos obriga a aprender. O mestre vai ainda mais longe na pilantragem, os clérigos NPCs estão sempre precavidos, com as melhores magias para todas as situações que os jogadores podem imaginar, de um modo que renderia outro artigo só para isso. Continue reading

As gênesis humanas

Lendo o RPG-DM, me deparei com uma divagação de Erick Patrick de criar um cenário fantástico, onde apenas humanos existissem. A ideia era fazer uma adaptação das raças para os povos humanos, que assimilariam as caracterísiticas daqueles.

Me pergunto, por que os mundos de fantasia não vão mais longe? Já perceberam que no nosso mundo os humanos conseguem ter formas e aparências distintas, mas isto não é repassado para os mundos no RPG?

A Fantasia  foi assimilada pela Biologia! Me desculpe Charles Darwin, mas nossos mundos são criacionistas!!! Continue reading

Bebidas Fantásticas – parte 2

No artigo anterior falei um pouco sobre a história das bebidas, seus  tipos mais comuns, e matérias-primas para fabricação. Após a  introdução, vamos a parte que relevante do tema: qual o papel da bebida nas sociedades.

Você pensa que cachaça é água?

A álcool é extremamente calórico, além de prejudicial ao organismo e muitos dos danos provocados por ele são cumulativos. Contudo, a expectativa de vida das pessoas era muito baixa (e com dragões voando à solta, baixa mesmo). Logo a morte não é algo que intimidaria o cidadão comum. O camponês está sujeito a várias mazelas e a “marvada” não seria tão maligna assim. Continue reading

De Deuses e seus Epítetos

Combate entre deuses. Corellon Larethian corta fora um olho de Gruumsh.

Combate entre deuses. Corellon Larethian corta fora um olho de Gruumsh.

Um dos temas mais apreciados pelos jogadores de RPG é a fantasia medieval, um gênero que abarca elementos fantásticos de origem mitológica e elementos medievais de origem histórica. Essa combinação faz surgir ambientações com povos extraordinários, criaturas sobrenaturais, artefatos mágicos e, claro, como o título enseja, Deuses, o ponto central do texto que vocês agora lêem.

A religião, seja com aspectos mono ou politeístas, é uma herança cultural de ambas as origens citadas no início do texto. Devido a isso, a ambientação de fantasia medieval é geralmente repleta de divindades. A importância dessas entidades nesse tipo de gênero não deveria estar restrita aos clérigos ou personagens com forte vínculo religioso. Os comerciantes, por exemplo, também fazem rogos ou votos ao fecharem acordos, os viajantes ao entrarem na estrada, os guerreiros ao combaterem seus inimigos etc. Em cenários que seguem esse modelo, os deuses estão expressos na cultura de um povo de acordo com as atividades desempenhadas na comunidade e as especificidades que as deidades exercem seu poder. Portanto, orientações religiosas diferem de uma sociedade para outra, conforme as suas histórias, lugares geográficos, valores morais, interesses etc. Isso é percebido facilmente na presença de divindades da natureza e da magia em cidades élficas ou da força e da guerra em comunidades de orcs.

Bem… Onde entrariam, então, os epítetos?

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