4º Arena das Peças

Acontecerá neste próximo domingo, dia 26/08, mais uma edição do Arena das Peças, aqui em João Pessoa. Na Escola Municipal Aruanda, bairro dos Bancários próximo à Praça da Paz. A entrada é franca.

Público do evento na parte vespertina.

Cada participante pode levar seu jogo de tabuleiro (não espere completar uma mesa de jogo da Vida) ou pode entrar numa das mesas de jogos disponíveis.

1º Arena das Peças – O resultado

Nesse domingo, aconteceu aqui em João Pessoa o mais aguardado evento paralelo ao evento de RPG ARENA. Meus amigos de longa data do grupo homônimo vêm promovendo com regularidade na capital paraibana uma série de mini-encontros, entre eles o Old Dragon Day, o Dia de Tormenta e agora o Arena das Peças, de longe o maior.

Num domingo pela manhã, de manhã de sol, numa capital litorânea, com show do eterno Beatle, em Recife, e um concurso aguardado para o mesmo dia, eu não esperava ver alguém além dos organizadores por lá. Ledo engano. Segue abaixo o resultado.

Parte dos jogos Disponíveis


 Jogo tinha de monte,  como previ. Eu levei toda minha coleção para dar uma força. E para jogar também. Afinal qual é a graça de ir a um encontro e ficar usando Ofuscação? Isso não é live de vampiro, Nem Gurps Praça É Nossa!

Joguei um pouco de Puerto Rico, pela primeira vez com cinco jogadores. O jogo funciona bem com qualquer combinação, e é bastante interessante as mudanças de estratégias quando se muda o número de pessoas na mesa.

Uma partida introdutória de Puerto Rico

Como a graça são os comentários, não os fatos, surgiu a ideia de montar um jogo chamado de Presídio Rico, nossa versão do jogo afamado. Algumas das mudanças seriam, ao invés de milho, índigo, açúcar, tabaco e café, teríamos celular, maconha, crack, facas e armas. Quem conseguisse levar mais desses itens ao presídio (na fase da Visita Íntima) acumularia mais pontos de rebelião. Quem tivesse mais pontos no fim do jogo, quando estoura o confronto, domina o presídio. Se quiserem depois eu publico a variação dos papéis, mas isso fica para depois.


Com a partida de Puerto Rico interrompida, partimos para Pandemic. O jogo é ótimo. O desafio que parecia fácil no início, quase no derrubou, mas vencemos. Externo aqui o meu protesto: estou faz 2 meses esperando o diabo da expansão desse jogo e nem a USPS, nem a CoolStuff sabem o paradeiro. Tá vindo de jegue.

Dica: nunca pensam nada pela modalidade de frete First Class. Tem horas que chega rápido, mas quando demora… e no fim nem é tão barato assim.

A manhã foi agitada, mas o encontro estava ainda despertando. E a organização já estava satisfeita com 3 ou 4 mesas de jogo.

Público do evento na parte vespertina.

Pelo período da tarde, o público veio chegando e enchendo as mesas. Optei por jogar os jogos dos outros e parti para uma partida de Last Night on Earth. Apanhamos mais da consulta às regras do que dos zumbis, cujo time acabou vencendo. Vitória contestada e sobre protesto dos perdedores inconformados. Aproveitei e gravei uma “video resenha” com as explicaçõe das regras pelo Professor em Tabuleirologia Tiago Deividy (que não autorizou a publicação desse video).

Ainda tenho que jogar uma partida de Shotgun Diaries, para comparar as experiência entre jogos de zumbis. Para mim, achei o rpg indie com cara de jogo de tabuleiro sem tabuleiro.  Preciso mestrar para tentar fazer essa estranho desafio entre os dois modelos de jogos de mortos-vivos. Minha reclamação sobre o Last Night é o fato desses zumbis atravessarem paredes. São zumbis ou fantasmas? A desculpa de “zumbis encontram brechas” não me convenceu (desculpas de perdedor).

Hero Quest 4º Edição

 E terminamos a noite com uma partidinha de D&D: Castle of Ravenloft. Um boardgame isca para quem ensinar os novatos a jogarem RPG. Você jogo as missõeszinhas do jogo, vai até o segundo nível. Se pergunta como pode ir até o terceiro e eis que surgem os livros da 4 Edição na sua frente. A vantagem é que você pode aproveitar as seções de mapa e as miniaturas, muito bem detalhadas por sinal, para usar no jogo de RPG. Apesar de não ter gostado tanto do jogo, quanto do RPG, admito que é uma iniciativa fantástica. Quem sabe a Redbox, que já vende miniaturas, num futuro não muito distante, não possa se inspirar na mesma ideia. Já pensaram? Old Dragon “O Castelo do Poleiro das Gralhas” BOARDGAME (ou algum nome menos ridículo).

 

Arena das Peças – Resenha Premonitória

É normal o clima de tensão durante os dias que antecedem algum tipo de encontro, festa ou evento que você organize. Por aqui, pela Paraíba, se organizar encontro de RPG é difícil, imagine um de Jogo de Tabuleiro Board Game.

Como não estou com paciência de ficar esperando as fotos do encontro ( que me chegam com tanto tempo de atraso que quase coincidem com um outro encontro), resolvi, sem nenum compromisso com a Ética jornalística, fazer a resenha do evento antecipada.

Ou melhor, uma resenha universal para todos os encontros de Board Game do Brasil

O Arena das Peças acontece no mesmo dia do Concurso da Caixa Econômica Federal. 

Se você não quer viver enfurnado num banco, vem por Arena você também, vem!

A Ascensão do Boardgame

Se você pensava que o RPG era um jogo de elite (o que é de fato), é porque você não conhece os boardgames. RPG não tem uma sigla equivalente na língua portuguesa (eu já tinha tentado usar o termo JIP no milênio passado, mas o nome não pegou). Até hoje, nos ainda não sabemos com traduzir o nome RPG. Jogo de Interpretação de Papéis, Jogo de Contação de Histórias, Jogo de Faz-de-conta, Jogo do Dado e da Gritaria. Todas as melhores mentes nacionais tentaram e falharam em produzir um nome em português, nem em Portugal eles tiveram melhor sucesso.

Já com os Boardgames (BGs) a coisa muda. São apenas Jogos de Tabuleiro, conhecido por essa terra varonil desde que os jesuítas brincavam de Catequizadores de Catan. Os fãs de jogos de tabuleiros, não são os tabuleiristas, nem tabuleieiros, são bordgamers! Não que isto seja anglofobia da minha parte, o que quero dizer é que o rótulo americanizado torna algo distante, ainda mais da realidade do brasileiro médio classe-B.

No Brasil, os jogos de tabuleiros são quase os mesmo do tempo do meu avô menino. Porém, recentemente, o cenário nacional vem sofrendo uma invasão. Para sorte do RPG, só agora. Como eu falei num post anterior: BGs e RPGs são inimigos naturais. Não porque eles se enfrentem, mas por competirem pela mesma coisa: seu tempo de lazer.

No Brasil, a evolução de tudo parece ter sido diferente. O RPG chegou aqui nos anos 90, muitos importados. No início do plano real, os livros importados estavam tão baratos que a geração xérox pode transformar os sonhos em realidade. Porém, por que não houve a mesma invasão de BGs, na época? Simples, eles não existiam. A enxurrada de títulos só surgiria uma década depois, nos anos 2000. O RPG não teve um competidor naquela época e correu solto por aqui.

Agora a maré virou: dólar baixo; muitos títulos bons; renda maior; e o principal ponto, facilidade de iniciar uma partida com qualquer um. Se o processo continuar, não vai demorar para que os rpgistas perceberem que não estão sozinhos, e que não são mais a maioria nos eventos.

Caindo no conto do Boardgame

Você começa a jogar RPG, monta seu grupo, joga algumas partidas e tem aquele problema de sempre: jogadores faltando. Sua aventura foi bem planejada, mas sem o jogador do paladino, que ficou doente, o jogo vai ser uma droga. Mas você é um ótimo mestre e sabe improvisar. Metade do grupo está na mesa, quando outro jogador liga dizendo que vai ter um churrasco na casa do tio. Dois jogadores a menos.

Quem precisa do idiota do bardo! O jogo vai seguir assim mesmo, basta o último jogador aparecer. Por via das dúvidas, você decide ligar para ele, para saber se vai se atrasar. Ele atende, pede desculpas por não ter ligado (mesmo tendo um plano que te liga de graça) e informa que não pode ir. Era aniversário de um ano de namoro.

Seu grupo de seis jogadores, agora está com apenas três. Seguir a aventura pode ficar muito maçante. Ou o grupo continua assim mesmo, ou podem tentar jogar outra coisa. Fazer fichas de GURPS vai demorar horas, Mutantes & Malfeitores, uma eternidade. Aquele RPGzinho rápido, você já jogou umas duzentas vezes. E seu PS3 não foi feito para jogar com amigos off-line. É aí que você tem a ideia maravilhosa de entrar na onda dos jogos de tabuleiro.

Jogos de tabuleiro não, não diga isso, se chama Boardgame! Bem diferentes dos jogos nacionais do tempo dos nossos pais. War e Banco são coisas do passado. Um cartão internacional te abre a porta para o futuro.

Você dá um jeito e compra um. Loja é o que não falta. Algumas pessoas trazem e vendem aqui, com ágio, às vezes, amargo demais. Pedir para alguém que esteja viajando para lá sempre é uma boa, mas nem todo mundo tem a chance. E importando, sempre se corre o risco da nossa Receita Federal fazer um bom trabalho e te taxar em 60%.

Um mês depois, no máximo, o joguinho está na sua casa. Você doido para testar, liga para seus amigos. Dia de semana é muito complicado. Fica pro fim de semana. Ops! O dia do RPG. Contudo, caso falte muita gente, você estará prevenido.

O grupo veio todinho. Sem problema, fica para a outra semana a estreia. Demorou um mês. Você deslacra a caixa e puxa o manual para ler naquele momento. Descobre que seu inglês não era tão bom assim e o jogo que você comprou não te ajuda, pois era demasiadamente complexo e certos efeitos de cartas geram dúvidas. Como era a primeira partida, você segue em frente, atropelando detalhes menores. Três horas depois, o jogo ainda não está perto do fim. A partida estava divertida, mas não deu para terminar. Fica para outra vez.

Durante a semana, você pensa que a culpa foi sua por escolher um jogo com tantas miniaturas, cartas, dados e roletas. Das três horas que vocês jogaram, duas foram para arrumar o tabuleiro e paradas para ler regras. É melhor pesquisar mais e comprar um joguinho mais simples. Cartão Internacional. Boardgame chega em casa. Dia do jogo chega.

O segundo joguinho é muito fácil de montar e explicar. Meia hora depois a partida acaba. E você tem a sensação de ter gasto uma fortuna com aquela porcaria de jogo! Foi a primeira e última vez que você abriu aquela maldita caixa.

Estaria tudo acabado se não fosse aquele vale-desconto que você recebeu por email. Cinco dólares representam mais de 10% de desconto no boardgame da sua lista de desejos. Cartão Internacional. Boardgame chega em casa. Dia jogo.

Você deu sorte o jogo é muito legal mesmo, todos ficam querendo jogar, mas é só para 4 pessoas. Se quiser jogar com mais, compre a expansão para até 6 jogadores. Você acha isso uma boa ideia, vai que um dia só falte um jogador do teu grupo de RPG.

Durante a compra, você vê um joguinho com uma temática bem maluca e todo mundo fala bem dele no boardgamegeek. Compra também. E como você está comprando dois, melhor pegar mais um para diluir o frete.

Todo mundo quer ficar jogando os seus boardgames, mas você não quer ser o único a gastar dinheiro com isso. Já bastou você ter comprado todos os livros de RPG! Graças a sua insistência, um dos jogadores também compra um jogo. E inicia todo o processo descrito acima.

Agora seu grupo tem uma dúzia de boardgames, uma campanha de D&D avançada, uma de GURPS 4edição, fichas prontas de M&M e apenas… um domingo por semana.