Palimpsestos: Antologia Feérica – A Miríade

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Inspirado na seção de Diários de Campanhas apresentada por Danielfo, prossigo com mais uma edição de Palimpsestos. Neste caso, não Os Escritos de Kantelleki (textos do próprio autor), mas uma coletânea de textos de outros autores organizada pelo gnomo,e intitulada Antologia Feérica.

O poema, abaixo, foi nomeado A Miríade por tratar-se dos feitos de membros da família élfica Estrela Noturna (Nightstar). Foi escrito por Devland, filho bastardo (meio-elfo) de Taredd, orador-lorde da família, após ter visto o pai morrer bravamente na Guerra de Myth Drannor. Apesar de apresentar forte estrutura épica, o poema ainda contém muitos elementos líricos. Na campanha de meu grupo, um menestrel declamou esse poemeto épico em banquete jogado na nossa última sessão.

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Lajedos & Lagartos: Caetana

Este conto é uma continuação de outro, A coluna de fogo e serve para ambientar os jogadores de Lajedos & Lagartos dentro do Nordeste Fantástico.

Também é uma homenagem ao Dia da Mulher, cuja importância no meu jogo também é evidenciada.

 


Dona Honorina recebeu o telegrama do filho desesperado. “A coluna está em Icó. Mande os tropeiros.” dizia a mensagem telegrafada. A senhora sertaneja, após a morte do esposo, comandava as terras e os empregados.

 Ela sabia bem o que aquela mensagem significava: saques e destruição. A Coluna marchava pelo sertão comendo tudo feito a saúva, nada deixavam para a semente. Homens desalmados e guiados por uma ideologia estrangeira como zumbis.

 Tal com os cangaceiros, o primeiro bando era pouco numeroso. Estariam sondando a cidade. A casa grande era um alvo fácil. Graciliano, sozinho, era impotente ante os invasores. Ela olhou para Pilora e cenho de preocupação era conhecido. O mulato foi num pé e voltou noutro. Trazendo as pessoas de mais alta confiança.

 Firmino, o vaqueiro da fazenda. Tinha o mapa do Cariri ao Seridó como escrito na palma da mão. Ele poderia guiar o grupo de resgate tão ligeiro que tiraria os invasores de tempo.

 A afilhada de Honorina, Maria da Luz. A cabocla e caçadora sozinha desmantelou o bando de Corisco Sete Estrela que ousou invadir Uiraúna. Cada tiro, dois mortos.

 Ernesto, primo carnal de Graciliano, que acabara de ser expulso do seminário. Mesmo que irmão, insistiu em salvar o primo. Ninguém poderia demovê-lo da empreitada. Graciliano, o salvara de morrer afogado no açude, quando criança. No coração de Ernesto, tal gratidão ainda estar por ser paga.

 E Pilora, ruim de recado, mas bom de serviço. Ligeiro como um pé de vento.

 Firmino, montado em Trovão, puxou a cavalhada, a galope, na planície árida sertaneja. Pelos atalhos nas caatingas, levariam menos de meio-dia de viagem, chegando na tarde alta. Vendo-os sumir nos ermos do horizonte, Dona Honorina recebeu uma visita conhecida, mas indesejada. No alpendre, sentada na mureta, a Caetana se deixava revelar aos olhos da senhora.

 A onça fitava-a. Mesmo firme, se sentia gelada nos ossos, como se estivesse na invernia da Borborema. A visitante rugiu e o hálito afastou de vez o sol. Honorina procurou uma das cadeiras de balanço do alpendre e arqueou-se sobre ela, com o coração apertado. A Caetana chegara para avisá-la, e ela compreendeu perfeitamente o alerta:

-  A Senhora eu não posso levar, mas levarei um dos teus – disse a onça que sumiu num salto que alcançou as parcas nuvens.

A velha ergueu-se e foi até o altar, no corredor, ajoelhou-se e rezou para que Nossa Senhora protegesse seu filho, a afilhada Da Luz, o sobrinho mesmo que filho, Ernesto e os demais tropeiros das garras da Onça Caetana.

O Desafio do Ornitorrinco

O blog Metagamers lançou um convite aos leitores, na verdade um desafio. Bolar uma aventura envolvendo personagens estranhos em um tema totalmente inapropriado para os mesmos.

Achei a ideia arretada. E decidi participar do concurso também.  Como deu um trabalhão bolar a estória bizarra que eles propuseram, eu não sei se tenho a chance de ir para a final do concurso, já que as inscrições vão até amanhã (Ainda dá tempo para você!). Publico aqui a minha ideia de aventura.

Ah! O desafio? Juntar uma fada, um submarino, uma orquestra, pantufas e xeque-mate na mesma estória introdutório, em clima de Faroeste. Continue reading

Frescobol – O RPG das praias

 

Fisioterapeutas - os rpgistas marginalizados

Apesar de ser um hobby de nerd, 0 estereótipo do RPGista nem sempre é similar ao do Nerd  comum, dos que são representados nas comédias americanas. Tem o RPGista roqueiro, o cachaceiro, o erudito, viciado, o expert, o gamer, etc.

O RPG prova que é um currículo bastante interdisciplinar no Universo Geek. Mas é só no nosso Universo, não se iluda achando que o mundo tradicional vai achar isto normal. Podem tolerar, aceitar, não. Não  sem lutar até o último playboy!

Grande dificuldade de aceitação vem do fato das regras complicadas (para os mortais avessos à leitura) e também da dificuldade de visualização do que se passa no jogo, para quem está de fora. O que é de longe o que considero o mais complicado de explicar. É como descrever cores para um cego de nascença. Continue reading

O cyberpunk está morto

- Esse poderia ser mais um dos monólogos que se vê por aí da série: “Por que diabos fantasia, querida? O mundo é duro de mais para você?”

Cigarro sendo aceso.

- Eu não vou entrar nesta seara, prefiro correr pelas sombras. É o meu jeito de trabalhar. Coletando pistas nos esgotos desta metrópole suja e insensível que chamamos de “internet”, encontrei várias evidências do que poderia ter matado o cyberpunk.

Baforada na sala de luzes neon. Continue reading

Escolas de Magia no Brasil

As magias em D&D são agrupadas em categorias chamadas escolas, divididas em vários níveis. Sempre que o mago progride, vai tendo acesso cada vez mais aprofundado sobre aqueles conhecimentos arcanos.  É justamente este conhecimento ordenado, disciplinado e meticuloso que torna os magos os mais temíveis inimigos e os mais fantásticos dos heróis.

Tudo isto porque os jogos se baseiam na Europa. Imaginem se fossem baseadas no Brasil. Retorno com um conto bem-humorado que fazia tempos que não escrevia no Pensotopia.

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A torre: um drama real

O sol está ainda longe do poente e  ilumina bem a torre vermelha de quatro andares, no alto da colina da velha catedral. Dois ladinos chegam oportunamente na hora menos guarnecida. Um tesouro se localiza em uma daquelas salas. Os ladinos percebem que as portas de ferro são instransponíveis e o portal para o calabouço da torre está lacrado. Não há sinal de que alguém os espreite das muitas edificações silenciosas em volta deles.

Os jovens observam o alvo,  ocultando-se aos dos vigilantes ocultos da torre vermelha. Movem-se dissumulados,  sem chamar atenção dos  olhares que poderiam estar nas contruções vizinhas.  Aqueles olhos, mesmo sem vínculo com a chamativa construção principal, poderiam arriscar o objetivo dos ladinos se achassem que a aproximação deles lhes fosse  hostil.

O acesso direto é impossível, mas há um modo de entrar: uma placa rígida se projeta na parede de uma construção vizinha. Os ladinos não perdem tempo, sobem na placa, e com um pouco de esforço, escalam a parede íngrime com a ajuda da borda de uma janela e atingem a sacada. Continue reading

Conto de Halloween: O espectador

dark-cloudDensa fora aquela noite de lua cheia, daquele outono remoto. Na imensidão do céu, o vazio escuro da abóbada celeste, nenhuma estrela pontilhada ousara romper o véu de treva, apenas o vulto selênico se revelara misterioso e como a aranha, se ocultara em teias tempestuosas. Incomum fora aquela tormenta de raios fulgentes quebrantando no horizonte. O urro do trovão se ouvira cada vez mais próximo, o som do martelo celeste tremeluzira minha bebida, que me confortara no acampamento em noites gélidas.

Da minha altivez, eu admirara meus domínios, mero pântano no limiar da civilização, que com bravura e labor transmutaria em viçosa terra. Meus homens me seguiram e juntos, realizara meu sonho, tornara-me meu próprio senhor. Nós erguêramos uma capela e celebráramos culto, sem um sacerdote eu mesmo rezara o que sabia de cor. Construíramos palhoças, dormíramos ao relento, até que o rio fora desviado e o charco drenado. Com determinação, de maneira mágica o torreão fora erguido, em um tempo que se julgara impossível na época. Continue reading

Palimpsestos: Escritos de Kantelleki – Introdução

Inspirado na seção de Diários de Campanhas apresentada por Danielfo, resolvi, então, acrescentar minha parte, pois muito do que falamos quando nós RPGistas estamos juntos é sobre as histórias construídas na mesa de jogo. Negar isso ao blog seria negar a própria arte de contar histórias do RPG. Bem… O que farei aqui não é descrever as aventuras das minhas campanhas, mas apresentar narrativas, poemas e textos relacionados às campanhas, sagas e aventuras que mestrei e joguei nos últimos anos.

Postarei histórias que de alguma forma se originam nos personagens criados pelos jogadores e mestres, e em toda a ambientação que deu alicerce ao meu grupo durante esses anos. Falo aqui de todos os mundos construídos nas várias edições de D&D e, claro, nas interferências que a eles fizemos e continuamos fazendo. Os textos postados aqui serão atribuídos a um bardo gnomo do mundo de Forgotten Realms que nomeei Kantelleki. Um bardo, que pequeno conhecedor do multiverso, expõe através da arte acontecimentos que revelam aquilo que todos os seres, indiferentes de suas origens, partilham entre si, sejam ideais, sentimentos, crenças etc. Dessa forma, como perceberemos no decorrer da leitura, esses textos fazem parte de uma coletânea que remonta pela perspectiva do personagem os acontecimentos que perpassam toda a ambientação utilizada pelo meu grupo. Continue reading

Old Boys

Onde eu deixei aquela poção da juventude

Onde eu deixei aquela poção da juventude

Ditrich é um grande feiticeiro, após muitas décadas, seus feitos são conhecidos em toda região. Além de combater monstros subterrâneos, expulsar demônios, enfrentar dragões vermelhos e ter se tornado mago real, é um bom pai e avô mimador. Pela matina, o mago conjura sua famosa magia de limpeza, “Metrossexualizar-se” e em uma rodada está pronto para ir ao castelo do rei. Conjura uma carruagem, com quatro pares de cavalos brancos, e segue pelas estradas reformadas até o palácio real.

As belas damas que o cortejavam  já não mais se interessavam por ele. Mesmo com sua melhor magia de embelezamento, não conseguia atrair mais que olhares respeitosos das jovens plebéias. Outrora, era possível enxergar o fogo no olhar daquelas pequenas, ansiosas por estar nos braços de Ditrich, o Belo. Já o cocheiro mágico seguia impassível na rota programada, ainda teria algumas horas antes de desaparecer; ele chamava mais atenção do que o recluso conjurador. Continue reading