O pagador de Promessas

Devo não nego, pago quando puder.

Devo não nego, pago quando puder.

Olá pessoal, depois de um bom tempo ausente do blog, venho aqui contar as novidades.  Ano passado, presenciamos o ocaso da blogosfera, com a morte de grades blogs, mudanças de formato de outros e por aqui, como não poderia deixar de ser, seguimos a modinha do colapso. O Pensotopia também foi abalado por todos os dano que acometeram  o demais. Mas mudamos de servidor, nos livramos dos trojans e todo o material de anos atrás está de volta, que é mais importante do que uma aparência arrojada. Como os integrantes sobreviventes não são da área artística, então acostumem-se com um com muita testosterona.

O que fiz nesse período? Devido a acomodações de ordem familiar, parei um pouco com Lajedos & Lagartos, mas estou voltando com ele este ano, então aguardem novidades, basicamente falta um capítulo para finalizar o livro de uma vez e trabalhar na parte artística do livro, para ficar à altura do texto. Continue reading

Palimpsestos: Antologia Feérica – A Miríade

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Inspirado na seção de Diários de Campanhas apresentada por Danielfo, prossigo com mais uma edição de Palimpsestos. Neste caso, não Os Escritos de Kantelleki (textos do próprio autor), mas uma coletânea de textos de outros autores organizada pelo gnomo,e intitulada Antologia Feérica.

O poema, abaixo, foi nomeado A Miríade por tratar-se dos feitos de membros da família élfica Estrela Noturna (Nightstar). Foi escrito por Devland, filho bastardo (meio-elfo) de Taredd, orador-lorde da família, após ter visto o pai morrer bravamente na Guerra de Myth Drannor. Apesar de apresentar forte estrutura épica, o poema ainda contém muitos elementos líricos. Na campanha de meu grupo, um menestrel declamou esse poemeto épico em banquete jogado na nossa última sessão.

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De volta dos mortos

Durante 15 dias ficamos fora do ar, perdidos no submundo, para onde os blogs fechados vão.  Por lá, encontrei todos os integrantes do Pensotopia, que tem o costume de partir de forma trágica e sem despedidas.

Pedi duas moedas ao meu cunhado para cruzar o rio e voltei usando uma velha mortalha. Por isso o blog está nesse visual toscão.

Neste ínterim, algumas coisas animadas aconteceram-me: gravei 2 episódios como convidado do Entcast ;

entrei para o House Rules estúdio;

conclui a versão 0,2 de Lajedos & Lagartos, cuja visualização disponibilizei para algumas antes de publicar para playtest.

Contudo, devido ao pouco tempo que tenho disponível no momento, deixarei o Pensotopia animado por Necromancia. Para um blog que não tem um começo, não ter um fim também é válido.

Lajedos & Lagartos – Cavalhada

Esse conto é ambientado no Nordeste Fantástico de Lajedos & Lagartos.  Continuação do conto Poento Vermelho.


Dona Honorina estava aperreada. Tinha ficado viúva faz nem três anos e ter o filho único correndo perigo era mesmo que matá-la de vez. Uma viva de corpo e morta de alma. Seria o mesmo que eu perdesse Inácia, antes de me casar.

Icó era longe que só a peste para chegar numa carreira. Vesti minha véstia. Montei em Trovão e escolhi as montas dos outros. Estrela, para Da Luz, e o manso Janeiro para Seu Ernesto. Pilora, gostava do burro Sereno, mais devagar que os cavalos, mas de passo firme.

 Estavam os três me esperando, ali perto do curral das vacas. Da Luz me passou a munição e as armas, guardadas no quartinho de ferramentas da casa grande. No ombro de Pilora, estava Jerônimo, o papagaio inseparável, que ele trouxe da Bahia quando foi visitar a mãe dele. Diziam que a mãe dele batia bumbo e que o papagaio sabia alguns catimbós. Nem sei se levá-lo era sinal de sorte ou de azar, mas eu tinha mais no que me atarefar.

 - Vamos galopando até os cavalos não aguentarem e adispois vamos correndo? – ingadou-me Da Luz, com aquele jeito de menina.

- Para chegar em Icó e cair com a língua de fora, que ideia mais aprumada, Da Luz – disse Pilora. – Graciliano deve de tar escondido pelos matos, carece dessa pressa não!

- Se ele mandou aquele telegrama, mesmo que esteja escondido, Pilora, não deve estar seguro. Quanto tempo um homem aguenta sem comer nem beber, pelos matos, temendo até os vultos? – ponderou Ernesto, segurando o crucifixo, colocando-o por dentro da roupa.

- Eita povinho sem fé? Seu Graciliano é vivo, deve ter encontrado uma saída. Ele não é tão mole quanto vocês estão pensando. O aperreio dele deve ter sido grande. Vocês sabe que esse povo da Coluna quando chegam o que fazem. São como cangaceiros – falei.

- Piores, Firmino Seridó. Da outra vez demos sorte. Eles tem muita bala, tem treinamento do exército – Da Luz montou Estrela e continuou falando, prendendo os cabelos – se pegarmos eles de calças arriadas de novo, botamos eles pra correr. Dou um tiro no meio dos olhos do mais bem fardado e o resto corre três dias e três noites.

- Sem querer desmerecer tua mira, Da Luz, dessa vez eles já vão estar instalados e nós que estaremos chegando. Teremos que ter a força de Gideão para passar por eles – falou Ernesto, ainda atrapalhando para subir no cavalo.

- Pode ser que Da Luz ainda possa usar o plano dela – Firmino ajudou a Ernesto montar. – Eu não quero ir pela estrada, vai estar muito visada por aquele povo. Ninguém é besta de não proteger as entradas da cidade. Essa Coluna anda ligeiro e não tem nada de besta. Agora se a gente for pelos matos, vai cortando caminho seguindo a trilha do Sol, dá pra gente chegar na fazenda também.

- Tu é doido Seridó? – Gritou Pilora, que chega Jerônimo se espantou, batendo as asas. – Nunca que vamos chegar por dentro. É mais fácil esbarrar com cangaceiros ou pisar em cobra.

- Pode ficar sossegado. Eu conheço bem essas terras. Muito fazendeiro de Icó vem com o gado bem pertinho daqui. A rota é bem conhecida pelos vaqueiros e também pelos romeiros. Dizem que há um poço sagrado no meio do caminho da duas cidades. Se não chegarmos lá a tempo, não é por falta de milagres. – disse, tomando a frente da cavalhada.

- Já conversamos demais, eu já estou é montada. Avia, Seu Firmino! -ela ria, mas tinha nos olhos castanhos inequívocos sinais de preocupação.

Nós despedimos de Dona Honorina antes de partir. Ela nos deu a bênção. Quando galopamos olhei para trás, vi que ela estava parecendo que ia cair, mas se firmava. Tinha o coração na mão. Jurei para mim mesmo proteger o filho dela com a minha vida. Aquela santa mulher já sofrera demais nos últimos anos. Não merecia mais um desfecho trágico na vida.

Mirei o sol virando e corremos pelas caatingas. Me orientava pelas serras na paisagem. As serras de longe são todas azuis, sinal de que o céu e terra sempre estão próximos. Quando chegamos perto, as serras retomam sua cor. As serras são tão misteriosas quanto os céus. E só as serras, tão altas, que azulam, sabiam que o ocorria depois daquelas sete léguas.

Lajedos & Lagartos – Poente Vermelho

Esse conto é continuação do conto Caetana, e iniciado em Coluna de Fogo. Uma mini-série de contos ambientados no Nordeste Fantástico de Lajedos & Lagartos.


 Como previmos, Icó fora um alvo fácil. Quando souberam da nossa chegada, a polícia fraca desabou acovardada ante nosso destacamento; foram os primeiros a sumir. As elites, fugiram pelas estradas, e muitos esconderam até os móveis nos temendo.

O padre, depois do que disseram que fizemos em Piancó, não levantou uma palavra contra nós. Temos água e jabá, conseguido na cidade, graças às doações do proletariado. Dinheiro será questão de tempo encontrar, revirando os casarões abandonados.

Mandei derrubar as fiações, não quero que alertem os soldados desse regime corrupto. Grupos de camaradas estão vigiando cada uma das estradas. Do centro, aproveitei para vigiar a cidade do alto do teatro, que nos dá privilegiada posição, e é iluminado por eletricidade. Posso me orgulhar de dizer que nunca errei um tiro. Quem se atrever a vir até aqui, estará em desvantagem.

O Camarada Sérgio, encontrou um fio de telégrafo, paralelo ao que havíamos derrubado. Mandei que fossem investigar, de onde viria o fio. Poderia haver um telegrafista. Poderia uma mensagem de socorro ter sido mandada e encurtar a nossa estada nessa acolhedora localidade. O Tenente Prestes não apreciaria essa obstrução nos planos.

Precisei me certificar. Destaquei um grupo investigatório composto de oito homens. Sete simpatizantes da causa. Sérgio, para comandá-los.

O sol morria no horizonte, nada dos homens voltarem. O tempo que estavam usando nessa simples missão era superior ao tempo que levamos para capitular a cidade inteira.

Os moradores diziam que andam feras antigas por essas capoeiras. Crendices. Eram oito homens. Um deles era Sérgio, segundo tenente, melhor da turma. Devem ter se perdido, ou encontrado alguma jovem atraente.

Anoiteceu. As luzes das casas iam se apagando. Sentia o cheiro do medo vindo dos moradores. Seria outra assalto fácil. Carregar as mulas e retornar para a Coluna. Afinal, quem nos faria frente?

Lajedos & Lagartos: Caetana

Este conto é uma continuação de outro, A coluna de fogo e serve para ambientar os jogadores de Lajedos & Lagartos dentro do Nordeste Fantástico.

Também é uma homenagem ao Dia da Mulher, cuja importância no meu jogo também é evidenciada.

 


Dona Honorina recebeu o telegrama do filho desesperado. “A coluna está em Icó. Mande os tropeiros.” dizia a mensagem telegrafada. A senhora sertaneja, após a morte do esposo, comandava as terras e os empregados.

 Ela sabia bem o que aquela mensagem significava: saques e destruição. A Coluna marchava pelo sertão comendo tudo feito a saúva, nada deixavam para a semente. Homens desalmados e guiados por uma ideologia estrangeira como zumbis.

 Tal com os cangaceiros, o primeiro bando era pouco numeroso. Estariam sondando a cidade. A casa grande era um alvo fácil. Graciliano, sozinho, era impotente ante os invasores. Ela olhou para Pilora e cenho de preocupação era conhecido. O mulato foi num pé e voltou noutro. Trazendo as pessoas de mais alta confiança.

 Firmino, o vaqueiro da fazenda. Tinha o mapa do Cariri ao Seridó como escrito na palma da mão. Ele poderia guiar o grupo de resgate tão ligeiro que tiraria os invasores de tempo.

 A afilhada de Honorina, Maria da Luz. A cabocla e caçadora sozinha desmantelou o bando de Corisco Sete Estrela que ousou invadir Uiraúna. Cada tiro, dois mortos.

 Ernesto, primo carnal de Graciliano, que acabara de ser expulso do seminário. Mesmo que irmão, insistiu em salvar o primo. Ninguém poderia demovê-lo da empreitada. Graciliano, o salvara de morrer afogado no açude, quando criança. No coração de Ernesto, tal gratidão ainda estar por ser paga.

 E Pilora, ruim de recado, mas bom de serviço. Ligeiro como um pé de vento.

 Firmino, montado em Trovão, puxou a cavalhada, a galope, na planície árida sertaneja. Pelos atalhos nas caatingas, levariam menos de meio-dia de viagem, chegando na tarde alta. Vendo-os sumir nos ermos do horizonte, Dona Honorina recebeu uma visita conhecida, mas indesejada. No alpendre, sentada na mureta, a Caetana se deixava revelar aos olhos da senhora.

 A onça fitava-a. Mesmo firme, se sentia gelada nos ossos, como se estivesse na invernia da Borborema. A visitante rugiu e o hálito afastou de vez o sol. Honorina procurou uma das cadeiras de balanço do alpendre e arqueou-se sobre ela, com o coração apertado. A Caetana chegara para avisá-la, e ela compreendeu perfeitamente o alerta:

-  A Senhora eu não posso levar, mas levarei um dos teus – disse a onça que sumiu num salto que alcançou as parcas nuvens.

A velha ergueu-se e foi até o altar, no corredor, ajoelhou-se e rezou para que Nossa Senhora protegesse seu filho, a afilhada Da Luz, o sobrinho mesmo que filho, Ernesto e os demais tropeiros das garras da Onça Caetana.

Meu encontro com Ariano Suassuna

Todos já estão carecas de saber que estou desenvolvendo Lajedos & Lagartos, o RPG Cabra da Peste. Quem acompanhou desde o começo ou baixou a versão rascunho sabe que um dos pilares do jogo é a obra do Ariano Suassuna. De minha parte é uma audácia sem tamanhos ousar compilar toda a cultura nordestina assim na caradura e transformá-la num jogo de contar histórias. Como saber se estava realmente no caminho certo? Só consultando o criador da obra: Ariano Suassuna.

Foi uma honra sem tamanho encontrar a lenda viva.

Ariano foi de uma gentiliza encantadora. Certamente foi a pessoa mais velha que eu tive que explicar o que era RPG! Ele ficou muito interessado no jogo que usou a Pedra do Reino como um dos livro de base.  Ele folheou o meu humilde rascunho. Leu a introdução do texto e corrigiu os versos que eu tinha feito para o jogo, explicando o que era RPG, para que ficassem fiéis à métrica das sextilhas dos cantadores.  Ariano aperfeiçoou o meu texto, cantou o meu poema, o que mais eu poderia querer?

Ariano folheando a nova versão 0,2 de Lajedos.

Aproveitei a oportunidade para tirar dúvidas em alguns conceitos que me utilizo no jogo, pois quero que fiquem fiéis a nossa cultura. Após  explicar o que pensava, ele ficou muito encantado com o caminho que estava seguindo e me disse que eu estava indo no caminho certo. Ele inclusive brincou que quem estava aprendendo era só ele, já que ele não sabia o que era RPG até o momento.

A maior lição que aprendi foi de simplicidade

Recebi as bênçãos de um Imortal  que inclusive me contou detalhes secretos do seu livro! E de quebra, Ariano ainda me confidenciou algo que fiquei quase em lágrimas: ele adorou o nome do jogo. Para Ariano, Lajedos & Lagartos casou perfeito com a obra dele. Ele me disse que um lagarto em um lajedo era simplesmente a cena de abertura da primeira adaptação da peça O Auto da Compadecida para o cinema e que aquilo tinha muita carga para o que eu estou construindo. Muitas pessoas criticaram a escolha do nome do jogo. Agora o nome escolhido está sacramentado.

Aguardem pessoal, a versão seguida está sendo feita com muito carinho.

18 anos de campanha

Um dia é preciso escrever sobre suas aventuras

Um dia é preciso escrever sobre suas aventuras

Nesse fim de semana, completei mais um arco da minha campanha de AD&D, que mestro desde 1995. Ela é com certeza campanha mais longa de RPG em atividade no Brasil, ao menos não sei de nenhuma com tal longevidade. Como vou iniciar o 18º ano consecutivo, me dei conta que a campanha atingiu a maioridade. Vou falar sobre minha experiência com ela.O texto é um pouco longo, tenham paciência, são 18 rápidos anos.

Comecei com D&D, da Grow, era a primeira vez que mestrava. Já tinha um ano de xp como jogador e muitas ideias em mente. A premissa da primeira aventura foi das mais clássicas:

Salve a princesa, salve o reino.

“Os heróis precisam invadir o castelo vermelho, último bastião do tirano derrotado. Fortaleza onde os asseclas sobreviventes se escondiam e aonde levaram a princesa Áurea.”

A aventura deu TPK! Naquela partida, jogaram meus amigos Otávio, Marcos Zurita, Marcos “Batata” Silva e meus primos Eduardo, Murilo e Ricardo. Para um mestre iniciante um TPK tem tudo para ser como um frango para um goleiro. Por sorte, para o jogador iniciante a tolerância a morte é alta. Foi feito um novo grupo, saiu Batata, que partiu para jogar Vampiro e os demais continuaram. A aventura foi concluída com sucesso, mas apenas com parte do grupo terminando vivos. A aventura terminou mas o “the end” tornou-se um “to be continued”.

E continuou. As relações entre os heróis e a família real tornou-se próxima. As aventuras seguintes passaram a ter a estrutura “Seu rei mandou fazer”. Foi a época de conhecer reinos vizinhos, onde novos jogadores entraram, com novos personagens. Otávio fez Argon de Lentis. Francinaldo, um novo jogador, fez Bred Storm, um halfling. Dois dos meus primos saíram e os personagens ficaram vagos. Como não gosto de matar pcs nessa situação, abri edital para preencher as vagas. Veio Rodrigo “Tick”, que ficou com Simack. Depois Yuri, que fez Dai Blackthorn, nome roubado de GURPS.

Muito antes dos RPGs colaborativos ficarem em evidência, tal recurso já era empregado pelo meu grupo. Como D&D não tinha uma linha proibindo isso, abusávamos do poder de moldar o cenário com ideias. Os jogadores complementaram os backgrounds, preenchendo lacunas. Parentes criados tinham implicações no cenário, com a vantagem de que os PJs jogavam um trama criada por eles de maneira colaborativa comigo.

O segundo arco de aventura começou por criação compartilhada. O passado misterioso de um parente inventado foi o gancho. Diferente de um primo chato, enfiado pelo mestre, quando o jogador cria o personagem a atenção dada ao NPC é outra. Os problemas passam a ser do PJ, não de um boneco do mestre. No fim daquele arco, um novo inimigo emergiu, ou melhor um Vilão: Igar, um elfo verde que seria o calo no sapato dos jogadores pelos anos vindouros.

No novo arco, estilo “detenham o vilão antes que ele use um artefato poderoso”, os heróis viajaram pelo mundo derrotando os aliados do vilão, até chegar no último chefe. Algumas mortes, coisa que no tempo de D&D era quase irremediável. Surgem novos aliados: um dragão branco pc, e entram uma menina no grupo. A menina era linda por sinal, controlava uma NPC que poucos gostavam, mas foi só ela assumir as rédeas que, por mais chata que fosse, não conseguia causar a mesma irritação que eu causava interpretando. Bando de nerds secos! Lembro da cena da menina subindo na carteira (estávamos na escola) quando ela passou numa jogada de proteção que carbonizaria a pj (e eu teria matado sem dó). Foi um 20! Mais alegre que ela foram os fdps do grupo se abraçando com a gostosa para “compartilhar a felicidade.”

O vilão foi vencido, D&D acabou, terminei o 2º grau. Deu trabalho para nós manter jogando com grupo na era da universidade, os mais novos ainda estavam no colégio, quem não passou fazia cursinho. Se não fosse o RPG, muitas amizades teriam acabado. O jogo foi a cola social.

Minha campanha tinha acabado. Fomos jogar AD&D com o antigo mestre do grupo. Mas os jogadores sentiram que em Aexis tudo havia ficado em aberto. Após a batalha contra Igar, escrevi um epílogo e passei para todos (impressão matricial) com o que aconteceu depois e foi isso que gerou indignação!

Mais uma vez a narrativa compartilhada me ajudou a continuar. Os jogadores deram os plots para a partida recomeçar. Entrou mais um jogador: Theo, com um elfo ranger. Yuri saiu de dragão branco, entrou de paladina matadora de dragões. O próprio jogador matou o velho personagem. Foi de um sadismo sublime.

Usava o estilo “Mal antigo libertado inadivertidamente”. Um dos jogadores soltou um mago maligno aprisionado que governara o reino cujo personagem era o atual senhor. Um bom motivo para reunir os velhos companheiros para mais uma rodada de aventuras. Para apimentar a saga, um problema transversal: a Magia estava em distúrbio. Ninguém sabia o que acontecia. O velho vilão derrotado ressurgiria (Igar mais uma vez) e agora mais perigoso que nunca! Personagens corrompidos, inimigos que viram amigos, amigos viram inimigos, viagens entre continentes, um outro dragão entra no grupo, destruição de artefato, Tarrasque, Igar é derrotado de novo.

No arco anterior, ocorreu uma briga entre personagens. Não faria nenhum sentido a aliança continuar. O jogador pediu para sair, porém ao invés de trocar de personagem, ele trocou de grupo. Conseguiu arrumar novos jogadores (de ambos os sexos) e foi atrás dos próprios desejos. Mais narração compartilhada em AD&D. Agora eu tinha 2 campanhas no mesmo cenário e o que ocorria numa, influenciava a outra. Isso em 2000! Para esse novo grupo, a campanha girou em torno de impedir que um Ogro paragônico reencarnasse e combater todas as organizações malignas que maquinavam para que isso ocorresse.

Já o grupo original teve outro destino. Não sei se este é tão comum, mas fiz o “viagem entre mundos”. Para salvar o amigo dragão de prata, os heróis precisaram enfrentar Igar na dimensão onde ele havia sido preso pelos deuses. Para ajudar os jogadores a se sentirem num admirável mundo novo, mudei o sistema. Jogamos Shadowrun. Foi quando um novo jogador entrou no grupo, Zé Wilson. Um ano de saga, Igar é derrotado pelo personagem novo, um humano comum de shadowrun e todos voltam para o lugar de origem levando o novato com eles. Por isso que acho que este cenário tem futuro.

Na temporada subsequente, houve o problema da fragmentação. Os personagens eram poderosos demais para precisarem uns dos outros. O grupo se partiu em dois. Uns foram para uma guerra contra homens-lagartos, devoradores de mentes e dragões. Os outros ficaram numa trama política densa, no reino do halfling, que era o Imperador. Nessa fase, eles ficaram fazendo várias mini-aventuras. E o arco terminou com uma derrota para eles. A rainha do reino natal, vendeu a alma a um demônio, aparentemente traindo o deus bem-feitor. A derrota abalou a confiança entre os jogadores beirando o nível pessoal! Quando matar um NPC causa isso, é porque seu trabalho como mestre foi muito bem feito. Mas com um alto preço.

Depois de anos, o grupo B conseguiu resolver a trama. Foi a primeira campanha que mestrei até “zerar” . Os jogadores fizeram tudo, todos completaram o caminho do herói (o que é raro hoje) naturalmente. A campanha ainda teve um continuação, pós-créditos. Afirmo que eles fizeram todos os finais possíveis! Infelizmente, o grupo morreu com a campanha, se dissolvendo após uns oito anos.

Com o fim do grupo B, voltei a ficar só como o clássico que continuava firme e forte. Era o tempo de grandes guerras e foi aí que o ciclo se fechou. Sabe quando aquele aventureiro poderoso pede ajuda a um bando de heróis fracotes para resolver um problema fácil, que ele mesmo poderia fazer num piscar de olhos, mas não faz? Os próprios jogadores acabaram fazendo isso. Coube aos filhos, herdeiros, aprendizes, servos, e etc, cuidar do que não podiam resolver.

Tentei mestrar as duas paralelas, mas o off maldito estava arruinando o jogo! Por isso mestrei 1 ano com o grupo clássico para poder continuar com o derivado. Para o primeiro arco deste novo grupo, rascunhei um romance: Ventos da Guerra (que está aqui no blog, e que estou revisando devagar pra publicar tudo junto). Peguei a mania de dar nomes as fases para me orientar melhor nos eventos.

Neste último sábado, concluímos Jornada do Destino. No passado as minhas fichas personalizadas eram datilografadas! Agora, mestrei com um dos jogadores em videoconferência.  Os jogadores vibraram com a conclusão e ficaram ansiosos com a próxima temporada, a de 2012: Rastros do Medo.

O ciclo ambicioso, por onde muitos jogadores passaram desde 1995, está chegando ao fim. Talvez dure mais do que a média das campanhas no Brasil. Enquanto não terminar, não sossego.

Lajedos & Lagartos: de volta ao barco

Depois de alguns problemas técnicos no computador, festas de fim de ano, filmes horríveis que me causaram traumas,  falo mais uma vez sobre o Projeto Lajedos & Lagartos. Nada a ver com as ameaças que recebi, que me acusavam de jogar a toalha.

Desde o lançamento da versão 0,1, disponível para download no site desde outubro passado, passei a revisar o texto e assimilar as críticas e sugestões recebidas por e-mail para aprimorar o projeto. Criar um jogo de RPG é muito fácil, deixá-lo tragável é bem mais complicados.

A versão rascunho esta infestada de erros, o que provocaram-me calafrios na segunda leitura. Com mais tempo, estou reestruturando o texto para deixá-lo mais claro ao leitor.  Além disso, esta versão trará algumas mudanças de regras. Alguns poderes das Carreiras de Personagens serão modificados, visando um maior equilíbrio.

O jogo vai aumentar um pouquinho de tamanho ( o original tem 88 páginas). Preciso incluir alguns antagonistas principais, faltantes da versão 0,1. Pretendo com esta versão passada a limpo, ter um material preliminar para o jogo definitivo. Também desejo começar os preparativos para grupos de playtests que darão subsídios para a versão final.

Minha meta é deixar a segunda versão disponível para baixar em março. Depois é pensar em financiamento coletivo – vaquinha – ou fazer promessa para Padin Ciço. O que for mais fácil.

Arena 3 – Um encontro de rpgistas

Primeira sessão de RPG realizada no Brasil

João pessoa já teve gloriosos dias para o RPG (desculpem o tom, foi o trailer do Hobbit). Já tivemos encontros de todos os tamanhos, de panelinhas de amigos até o grandes encontros de RPG que chegaram a entrar para o calendário de eventos da cidade. Porém, esses tempos se foram. E daquela era, só sobrou a memória.

 Bem, um dos motivos de terem sumidos os encontros de RPG em João Pessoa  e provavelmente no Brasil devem ter sido os mesmos. Os rpgistas brasileiros se formaram num mesmo caldo (D&D, Vampiro\Lobisomem, 3d&T) e tem quase todos a mesma idade. Os eventos cresceram mais do que poderiam se sustentar financeiramente e desabaram. As pessoas cresceram e se perderam no caminho. Constituíram família e tiveram que parar de jogar.

 

Algumas iniciativas tímidas foram feitas. Um grupinho chamava os amigos aqui e acolá. E voltamos ao princípio: A Era das Panelinhas. Os rpgistas, agora mais endinheirados voltaram a consumir e esposas menos intransigentes deram mais alguns metros de corda para a turma. Era tudo que precisávamos.

 

O encontro foi realizado numa escola pública modelo de João Pessoa. Se todas fosse modelo...

Foi com essa ideia que o Arena surgiu (e assim com este vários encontros pelo Brasil): Encontro de RPGISTAS. Não um encontro de RPG. Você vai lá, tem a oportunidade de mestrar, jogar, experimentar aquele joguinho que você comprou e estava empoeirando. Usar aquela ideia malucas que você teve nas cobaias mais que certas.

 Conversei com os organizadores e senti uma certa apreensão. Eles tinha investido pesado na Terceira Edição do Arena. Os encontros anteriores tinham sido, encontros panelinhas e eles estavam querendo um salto qualitativo: conseguiram.

A razão de você ficar rouco quando mestra: casa cheia

 O encontro foi bem organizado. E Foi muito acima do que eu esperava. Talvez menos do que os invejosos, esses abutres que sempre voam por cima dos esforços alheios. Mas foi muito bom. E tem espaço para melhorar mais. Quando as pessoas querem que o próximo encontro não demore um ano para acontecer, é por que você fez um ótimo trabalho. Parabéns pessoas do Arena, meus amigos Diósthenes, Rodrigo, Tarciane, Jefferson, Maurício, Evandro e mais uma porrada de gente, agindo nas sombras.

Paragônicos, confrades, e um monte de outras facções invadiram o evento

Segue abaixo algumas fotos do encontro.

Teve LARP no Ginásio

 

Noutra sala, Card Games

Palestras ensinando a fazer Live Action

Sorteios de vários prêmios. E a prova que somos maus perdedores.

 

A camisa do Encontro ficou ótima. Zumbis estão na moda mesmo.

Board Games (a foto é meramente ilustrativa, ninguém me mandou fotos das mesas de Bang! e dos outros jogos que fizeram sucesso)

 

E um final com todo mundo feliz. Que lindo.