Archive for the ‘Pensotopia’ Category

Ventos da Guerra: Capítulo 28

REUNIÃO


Hagen aguardava a sua professora, mais uma vez ele estava no local combinado e Lila se atrasara. O relógio solar marcava o tempo com exatidão e revelando que a professora se atrasou dois minutos a mais que no dia anterior.  A mestra, tranqüila, passou pelo aluno e perguntou:

- O que você ainda faz aqui?

- Estou esperando pela senhora.

- Então você não precisa mais esperar, eu já cheguei. E você já pode ir.

- Sim, senhora.

- Esteja aqui pontualmente, amanhã.

Hagen faz um gesto respeitoso e se retirou. “Ele está aprontando alguma coisa”, pensou ele. Pelo resto do dia, o guerreiro se dedicou aos treinos de artes marciais. Hagen estava dedicando-se em dominar todas as técnicas. Ele era um jovem prodígio em artes marciais, o treino nas lutas de Shinobi foram parte do preparação para chegar aos Setes Céus. Mas para se tornar um verdadeiro artista marcial ele precisaria descobrir e dominar os últimos segredos do dojo Chien, o caminho do céu. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 27

PRIMEIRO DIA


As principais vias entre os blocos eram iluminadas e também patrulhadas pela polícia do campus. A universidade possuía riquezas que poderiam interessar aos ladrões, por isso o policiamento era rígido. Os atrasados alunos não podiam usar as calçadas  e Abimalek os guiou pela penumbra evitando os olhares dos vigias.

O acólito fez sinal para que os demais parassem. Um soldado estava bloqueando caminho que seguiam, mas não percebeu a presença deles. Eles estavam precariamente escondidos, atrás de arbustos ornamentais, sem poderem avançar. Abimalek já não sabia para onde seguir, mas não quis dizer isso aos amigos para não peder a posição de comando. Ele sussurrou aos demais que eles deveriam retornar, porém um tilintar de armadura anunciou uma desagradável surpresa: outro guardava se aproximava – desta vez  pela retaguarda – carregando uma lanterna. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 26

UNIVERSIDADE

Thon finalmente repousava em sua confortável cama, após meses de viagens dormindo ao relento ou hospedado em espeluncas cheias de piolhos que teimavam em parar nos peludos pés. O filho do imperador teve um sono restaurador, mas sua mente ativa não o deixava repousar por tempo demais. O halfling era filho de uma dríade – a finada imperatriz Anna – e nascera abruptamente quando o carvalho encantado da sua mãe fora desintegrado. Das cinzas da árvore, só restara o jovem halfling, nascido rapaz.

x

Seu pai fora o primeiro a encontrá-lo e dadas as semelhanças raciais e a beleza feérica logo percebera que aquele garoto era o esperado filho dele. O recém-nascido, vindo quase adulto ao mundo, despertara daquele sono num susto. E como por magia, sabia falar. Em sua rápida formação no interior do carvalho,  o halfling fora absorvendo os conhecimentos captados pela mãe. Thon era fluente na língua local e nas distintas línguas raciais dos pais. Assim como Bred, Thon era um halfling mistiço, mas trazia de berço uma série de habilidades místicas naturias inatas. Uma incomum marca de sangue dríade, ser femino de rara beleza que não possuem macho na espécie e por isso se acasalam com outras raças. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 25

CONDENADOS

Aurora saiu satisfeita com as respostas da jovem garota, que assustada confessou os detalhes que faltavam. Como o julgamento dos  sapateiros seria apenas na manhã seguinte, ela teve tempo de se encontrar com os demais e reunir as informações colhidas. Allis estava achando tudo muito engraçado, todo aquele trabalho para um caso que ele já sabia qual a seria solução, mas preferiu esperar ver como os yorianos engenhosamente resolveriam.

Os sete estavam perfilados na praça central, onde se realizou o julgamento público. O velho juiz era famoso por condenações rápidas. O magistrado acreditava que as rápidas penalidades infligiam um grave dano aos marginais da sociedade. Um orador leu o resumo da contenda que se passaria ali e chamou Claudius. O mercador de tecidos – relatou o ocorrido com ele no dia em que foi atacado pelos sapateiros. A população ouviu com atenção o relato do corajoso comerciante retornando de uma venda bem-sucedida em terras estrangeiras e se espantou com a descrição da armadilha traiçoeira que derrubou dele a carruagem. O povo se indignou quando soube que o coitado foi arrancado de dentro do coche e levado a um casebre distante e ficou estarrecido com o espancamento de um inocente indefeso. Nenhum yoriano toleraria novamente a opressão. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 24

MENTIRAS

Abimalek girou o chicote no ar abrindo um pouco de espaço entre os homens armados que o cercavam. Os agressores não se intimidaram, mas recuaram um pouco, dando-lhe espaço suficiente para correr para a parede da casa, saltar, pegar impulso nas pedras e se reposicionar entre o grupo que tinha ido cercá-lo e os demais que guardavam o refém. O salteador que segurava a madeira em brasa golpeou o clérigo, que esquivou-se. Abimalek havia tirado o foco do torturador da vítima e atraído para si como planejou. Outros três homens cercaram o clérigo e passaram a atacá-lo, o sacerdote revidava com o chicote, enquanto pensava em uma  nova estratégia. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 23

FESTA DE DESPEDIDA

Durante uma semana os arautos anunciaram a grande festa, foi decretado feriado e os órgãos públicos ficariam fechados. A festa seria realizada no pátio do castelo real, que teria os portões abertos durante toda a noite. Pavilhões foram erguidos e bandeirolas e faixas fixadas na cidade, que logo se contaminou com o clima festivo.  Os convidados ilustres da festa passaram o dia provando roupas e relaxando. Valkíria recebeu sua roupa leonina, que havia encomendado com o alfaite Ernanys e estava muito feliz.

O povo se fez presente como há muito não se via, naquela festa que começou ao entardecer, numa época incerta como aquela, onde muitos estavam sendo chamados para compor o exército. O povo passava a valorizar mais a presença dos entes queridos, amigos e compatriotas em tempos difíceis. Muitos populares traziam sua própria comida e bebida para juntar aos pratos preparados pelos cozinheiros do rei Argel, contundo faziam isso mais por hábito local do que por necessidade. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 22

MODA SUSPEITA

Allis e Valkíria andavam pelas vielas de Miliciana até o Bairro da Fumaça, local onde os fornos da cidade se concentravam. Padeiros, oleiros e ferreiros viviam naquela região juntamente com seus familiares. Eles seguiram a pé pela via do ferro, uma importante rota da cidade, de grande trânsito de carroças. A estrada serpenteou por entre casas e prédios e os levou até a cidade baixa, já próxima à serra onde ficavam as minas de ferro.

Allis perguntou se alguém sabia onde morava Allis, o ferreiro, pai de Simack. O dracomago sabia que seu pai fora grande salvador yoriano, antes de se casar com a mãe deles e se tornar lorde em Jandy. Os homens mais velhos lembravam-se das comemorações para o guerreiro herói que resgatara a princesa Áurea do Castelo Vermelho, há cerca de 28 anos,  e que nascera  se criara naquele bairro pobre da capital. O jovem jandita percebeu, que entre os mais moços, o nome do pai dele,  já não era tão vivo e grandioso. Muitos homens jovens haviam lutado nas guerras entre Ayoria e Jandy, como aliados dos ayorianos, e sabiam que o antigo herói Simack tinha mudado de lado. Simack Allis II sabia que o pai sempre fora uma pessoa muito ambígua nas alianças que fazia. Em algumas de suas estórias Simack estava com Argel Punhos de Prata, noutras com Agamenon – Imortal – ou ainda, com Ramalid Ben Kazar – a Pérola Negra do Deserto. Simack Allis I enfrentou o arquimago Richard Manto Negro, foi corrompido por um demônio, despertou a Árvore da Vida de Argos, fez um pacto com a Deusa Arina, maculou as lágrimas de Íris em Tantra, entre tantos feitos notáveis. Por conta desta extensa carreira, Simack II sabia que era quase impossível fazer o pai se orgulhar dele, já que não se sentia capaz de superá-lo em glórias. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 21

ASSUNTO DE FAMÍLIA

Hagen dava voltas, já impaciente. Havia chegado em Miliciana há tempos e nada dos demais companheiros. O guerreiro resolveu ir ao encontro do seu avô, o rei Argel, o único familiar que se encontrava na cidade. O pai dele liderava um batalhão no norte. Genitor seria o termo mais adequado, já que Hagen nunca conhecera realmente o pai. O único diálogo paterno que eles tiveram foi no confronto de vida e morte no qual a Espada de Avalon – a relíquia destruída – foi restaurada. Naquele dia, as palavras daquele homem alado com asas cristalinas não fizeram o menor sentido. Ele falou de amor, mas de um amor que ele não compreendia: amor paterno. Com o avô, ele teve mais contato, soube que Argel o procurara enquanto treinara nos Sete Céus. Foi o rei-avô que o aconselhou a julgar melhor as ações do paladino Argon de Lentis. Talvez ele o entendesse.

O jovem ruivo acordou cedo e foi visitar o monarca. Lembrou que fazia cerca de dez anos que não sabia o que era uma família. De sua mãe, Carolina, ele guardava poucas lembranças. Quando pequeno, aos oito anos, fora do tirado dos braços maternos pelos três homens a quem ele futuramente chamaria de mestres. O treinamento fora intenso e Hagen se lembrou dos perigos que passara, os pavores que sentira o impedira de chorar de saudade. Hagen aprimorou o corpo, a mente e o espírito em três anos, ainda criança.  Durante a jornada, ele percorrera a estrada para o poder, um caminho cheio de dor que apenas em sofrimento levá-lo-ia aos portões dos Sete Céus. Perdido nas próprias memórias, deu-se por conta que estava quase em frente à porta do quarto do avô. Ele bateu à porta, despertando o rei de sono profundo. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 20

FORÇA LEONINA

Como ninguém estava indo com ele, Ualfo voou para Élfica sozinho. Queria se mostrar útil para o mestre dele, que sempre confiava ao monstrinho a tarefa de observar os reticentes empregados. Hagen iria para a Cidade do Lago, ao sul. Os outros iriam para Miliciana, à oeste, só ele iria para o norte do reino, já próximo das colinas yorianas.

Havia um entroncamento que ele deveria tomar na Aldeia do Mercado – chamada simplesmente Mercado -  voltar para o lar dele em segurança. Yoria era um reino abençoado pelo deus do bem – Avalon – que transformou o lugar em paraíso de tranqüilidade, porém isto não impedia que os instintos naturais das criaturas que lá viviam, ainda deixassem viagens longas incertas. Por isso, mesmo podendo voar, o fremlin optou por continuar em vias seguras, do que cortar caminho pelas planícies.

Ualfo escutou um grito o chamando. Eram seus companheiros que iam lhe alcançando.  Eles estavam surpresos quando viram o monstrinho voando esbaforido e zombaram dele pela pressa  que não o levou a lugar algum. Hagen, correndo, a muito passara por ele e não vira o colega, cochilando dentro de uma moita. Achando gozada a situação, os amigos decidiram que era muito melhor acompanharem o peludo monstrinho até Élfica. Aurora, que já levava Thon na garupa de Mu, não fez questão de dar a mão para ele, que se acomodou facilmente em cima do caprino. Read the rest of this entry »

Ventos da Guerra: Capítulo 19

O MESTRE QUE NÃO ESTAVA LÁ

Thon acordou abalado com a imagem macabra que vira na noite anterior. Apesar de ter se irritado com o homem que o fez dançar, a ponto de desejar retaliação, ver aquela cabeça decapitada em uma bandeja não era algo que gostaria que tivesse ocorrido. Ter sido responsável por uma morte banal, fez com que ele sentisse remorso e impotência. Agora ele compreendia porque Hagen sempre desejou sigilo na jornada.

Eles estavam de volta na cabana onde foram recebidos e todos, bem cedo, já empacotavam os equipamentos nas mochilas e verificavam as armas para ver se nada faltava, cada flecha foi contada, cada adaga foi conferida. Thon procurava esconder um pequeno problema com o seu equipamento, sua armadura élfica, recém recebida, possuía uma falha. Não que os elfos tivessem a fabricado de maneira errada,  o problema surgiu quando ele enfrentou a erynie, ainda em Deshnok. As chamas que ela evocou foram mais graves do que todos pensavam e  o mithril da armadura,  que tinha  protegido Thon de uma morte imediata  pagou o preço pela ousadia de reter o calor das chamas infernais. A princípio, Thon não tinha percebido a falha, mas com o passar das semanas, aquela deformidade foi ficando cada vez mais perceptível para ele, a ponto de ter que evitar combates diretos. Thon esperava chegar a sua terra natal para que pudesse encontrar ferreiros que pudessem consertar o estrago. Read the rest of this entry »

Lembranças
Memória
Atividade neural