Um novo D&D

E o beholder caiu em domínio público

Falar desta edição nova de D&D para mim é um suplício. Mais uma edição novamente, de novo! Antes começar esta, vou comentar as últimas, começando pela mais relevante de todas nas últimas décadas: D&D V.

D&D V começou com essa conversa mole de volta as origens e um discurso ecumênico. Chamaram os fãs: os velhos, os novos, os que acham-se velhos; os que não não gostavam do jogo, mas jogavam sempre; e as mulheres.

Nem preciso dizer que essa edição foi um marco histórico, mas assim como a volta dos 9 alinhamentos, teve dois gumes. Tiveram um monte de boas intenções. O jogo ficou com cara de antigo, mas eles também pensaram no futuro. Tentaram fazer um D&D que se manteria atual por décadas, mas três anos depois saiu um suplemento azul para ajudar os mestres a deixarem o jogo com com mais compatibilidade com seus tabletes. Na época ninguém deu muita importância ao iDungeons Master Guide, como foi apelidado. Este seria um marco para os rumos que D&D tomaria.

O D&D VI foi fortemente influenciado por essa tendência de virtualização. Muitos neo-clones já tinha sido lançados diretamente em aplicativos. O que gerou uma onda de protestos nos Vlogs de RPG que ressoou por anos. Mas muito dos indignados já jogavam apenas com livros virtuais desde os tempos do notebook.

D&D 7, quando foi lançado, teve uma maciça campanha nas redes sociais do passado ( até hoje me pergunto com se conseguiram aprovar aquela lei para seu perfil estar atrelado ao seu registro de identidade, mas isso não vem ao caso). Essa edição, de longe foi a mais fraca de todas. Eles compraram várias empresas menores de RPG para acabar com a profusão de “homenagens” que o jogo clássico sofria.  Com isso tentaram dar um gás à criatividade própria. Mas veio a Terceira Guerra Mundial: e não é que o petróleo acabou!

D&D 8th surgiu com glória, poucos anos depois da guerra. Um clima Aquarius tomou conta do mundo depois de mais um apocalipse gerado por nossa ignorância e fome por recursos. Os elfos e raças naturais foram enaltecidos nessa edição (finalmente acabaram as piadinhas de elfos gays).  Forgotten Realms foi realmente esquecido nessa geração, dando espaço para o surgimento de cenários novos. Eles fizeram um concurso mundial para lançar o novo cenário padrão, mas eu tinha perdido os arquivos do meu cenário Aexis durante os anos de guerra e não tinha acabado de refazer as equações da minha ambientação.

D&D 9th nos trouxe velhos conceitos, com caras de novos. Colocaram de vez a pólvora em D&D, o que foi uma total abominação. Mas com todos os Virtualcaster bem patrocinados pela grande empresa, quase ninguém reclamou. E ficou por isso mesmo. Apesar de todas as mudanças (que não gostei), houve um mérito. D&D gerou tanto ódio que as pessoas e bots* se uniram como nunca foi visto antes (talvez só menos ódio do que com o remake da série Crepúsculo).

NPC odiados pelo mestre

Bots são inteligências artificiais que interpretam os personagens não jogadores poupando os mestres sem criatividade. Implantados nesta edição, os bots passaram a ficar jogando sozinhos e começaram a se conectar através de magias planares que entravam em contato com os SACs da empresa. E foram levados a sério! Por sorte, o Protocolo TSR impedia um bot de mestrar. Foram registrados muitos casos de um DM mestrar só para bots!

Agora estamos às vésperas do lançamento de D&D X. O uso de X (10 em algarismos romanos) remete ao clássico D&D V que iniciou com a nomenclatura. Espera-se  grande mudanças, inserção de novas mecânicas de jogo, abertura para que novas tecnologias se integrem ao jogo, tudo isso para gerar mais anos de brigas, revoltas e diversão. Espero que antes de morrer, me sinta tentado a mudar de edição.

Imortais – O Crepúsculo dos Deuses

Deuses que brilham na luz

A primeira postagem de 2012 é um alerta: fujam para o Monte Olimpo.  Imortais foi primeiro filme que assisti no cinema neste ano apocalíptico.  As profecias estão se realizando.

Segundo alguns pitaqueiros, era a mistura de 300 + Fúria de Titãs.  300 foi legal. Fúria de Titãs, não consegui ver os primeiros 5 min.  Um outro amigo me disse que estava no mesmo nível que Lanterna Verde. Não está, Lanterna Verde é um Batman Dark Knight perto desse.

 O enredo do filme não interessa, assim como o de Fúria de Titãs. Ele tem fidelidade com a mitologia igual a zero. Se ao menos fosse como Troia (pasmem), mas nem isso. Quiseram fazer um God of War, mas todo mundo vê que é um filme bancado pelo American Army para recrutar soldados para invadir a bola da vez .

Como resumir este filme? Imagine que daqui a 1000 ano, a Indústria do Entretenimentoqueira contar a história do maior herói do início do milênio: Barack Obama.

 Os diretores decidem fazer algumas adaptações:

Quem viver verá

 A) Obama é asiático

 B) Forma um casal gay com Hillary Clinton, uma transexual

 C) É irmão de Osama Bin Laden,  separados nas montanhas do Havaí.

 D) No fim ele salva o mundo da destruição, destruindo metade do mundo no processo (99% de baixas civis)

 É por aí que caminha Imortais. Teseu virou o típico herói americano pós 11/09: tudo se resolve na pancada, conversa é para os fracos, os seus inimigos são muuuuuuito, mas muuuuito malvados (e sem rosto), você é movido pela vingança e usa o mesmo plano dos vilões para vencer ( matar todo mundo).

 Para as mulheres a mensagem é a seguinte:

 a) dourado é a cor da estação

b) virgindade é perda de tempo, dê seu primeiro beijo e a buceta ao mesmo tempo.

c) tenha amiguinhas de todas as raças.

d) E ponha sempre a culpa no seu irmão se seu pai ficar com raiva, assim só ele apanha.

Caverna do Dragão já tem seu arco

O filme é um manual de planos estúpidos. O rei Hipérion tinha força para conquistar a Grécia se o auxílio do arco de Hank Épiro, que só serviu para atrapalhá-lo. Se o imbecil não tivesse o plano de libertar os Titãs genéricos, teria tido sucesso.

 Zeus é um banana. Só faz atrapalhar e ninguém sabe o porquê. Aliás, sobre os deuses filme precisa de um adendo. Os autores fazem uma lambança cristã com os deuses gregos. Todos os personagens principais: Teseu, o herói, Hipérion, o vilão e Stravos, o amigo do herói, não acreditam nos deuses. Blá! Não que eles sejam ateus, mas porque ele não creem na bondade divina.

E desde quando isso existia na Grécia seus otários! Rezou para ganhar um cavalo no natal? Dançou. Deuses gregos só se comovem com oferendas e favores. Jesus só vai aparece mais de mil anos após com estas ideias de milagres promocionais. É incrível, mas todos os personagens principais se comportam deste jeito, como crianças mal-educadas: Zeus não me deu, não gosto mais. Vai te catar!!!

 Para não dizer que o filme não tem um pingo de esperança, há um herói de verdade nele. Stravos, interpretado pelo ator Stephen Dorff. O personagem é o único que trilha o caminho do herói (coisa que Teseu não faz nem por 1 segundo). Stravos é um cara que só pensa em si e que encontra Teseu, que traz uma missão importante, mas na qual ele não acredita, contudo segue-o. Stravos destrata a sacerdotisa virgem, mas depois adquire respeito por ela, mesmo ela sendo uma putinha como ele dissera anteriormente. No fim, ele abraça a causa e luta para salvar o povo heleno (coisa que Teseu não faz, pois está preocupado em ganhar xp) e se sacrifica para para tentar recuperar o arco de Hank Épiro e tentar entregá-lo a Teseu. Mas ai vem a cagada final, que fode o filme. A morte dele é em vão, e o arco não serve mais pra nada.

O Herói é o da esquerda

 E para tristeza geral de todos, é Teseu que recebe um lugar no firmamento, enquanto o verdadeiro herói morreu anônimo. Imortais é um retrato final da cultura americana hoje, onde os covardes voltam para casa recebendo os louros da vitória que não conquistaram.

Resenha: Rifts Ultimate Edition

Marcando meu triunfante Retorno às páginas do Pensotopia (bem, mais ou menos) depois de um 2010 praticamente sem RPG, vou começar postando a resenha de um dos meus jogos de RPG favoritos, um verdadeiro clássico, que a despeito de seu sucesso mundo a fora, infelizmente nunca chegou por aqui. Falo do Rifts.

Este jogo é o carro chefe da Palladium games e se baseia no sistema genérico chamado de, adivinhem só, Palladium System. Nesta resenha vou tratar da edição mais recente do Rifts, a Ultimate Edition, um livro de capa dura (coisa não muito comum entre as publicações da Palladium) e com um ótimo acabamento. A diagramação foi melhorada, mas o jogo em si, apesar do nome “pomposo”, é basicamente o mesmo jogo da edição anterior.

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Um comentário sobre o livro RPG e a Pedagogia da Imaginação no Brasil

1Roleplaying Game e a Pedagogia da Imaginação no Brasil é um livro de Sonia Rodrigues derivado da sua tese de doutorado sobre RPG. Apesar de falar sobre muitos pontos interessantes como a relação do jogo com a ficção, a inserção do RPG no contexto da cultura de massa, a Pedagogia da Imaginação etc, apresento aqui, de forma introdutória, as partes que achei mais significativas do ponto de vista da criação de histórias: as matrizes narrativas do RPG e seu modo de produção de narrativas. O que comento aqui serve não só para mestres, mas também para jogadores, uma vez que as histórias construídas na mesa de jogo acontecem com a participação de todos os envolvidos.

O livro em questão se divide em duas partes: a primeira, ponto central deste texto, relaciona-se diretamente a tese, teoriza sobre as relações do RPG com a literatura e descreve alguns jogos como AD&D, Vampiro e Gurps; a segunda expõe as experiências e reflexões da autora sobre a Pedagogia da Imaginação, ou seja, sobre a importância da imaginação, da ficção e da formação do leitor.

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Bastardos Inglórios-resenha

Nos últimos dias, fui assistir ao último filme de Tarantino, Bastardos Inglórios. O diretor reúne ao lado de Brad Pitt, grande elenco e com toque de Midas que lhe é costumas, transforma em ouro a carreira do obscuro ator Christoph Waltz, assim como tinha ressuscitado a carreira do finado David Carradine, em Kill Bill.

Esperando que Bastardos Inglórios fosse um filme de vingança, achei que assistiria a um novo Kill Bill. A marca Tarantino estava realmente lá, vilões que amamos odiar, capangas babacas, heróis fdp e sangue para tudo quanto é lado. Poderia dizer que neste filme, houve apenas uma mudança, havia um capanga que amamos odiar e vilões babacas. Não entendeu, então continue, a não ser que você não queira saber de partes do filme. Continue reading

Shogun: O War 2.0!

pic145843_mdSexta passada, fui ao CDD dos correios ver se ainda havia correspondência atrasada por conta da greve e lá estava uma das famosas e temidas cartinhas da Receita Federal… Já sabia que era o Shogun (já que a única coisa que faltava chegar era ele), mas pensei que teria de deixar para buscar segunda, por conta da aula que teria no mestrado. Eis que, 15 minutos depois, me telefonam cancelando. O universo conspira a favor da nerdice!

Lá fui para a receita ter meu rico dinheirinho arrancado pelo leão. Mas uma vez superada a dor da perda financeira, fui atrás de organizar o pessoal para jogar. Segui para a casa de um amigo que está de férias. Peguei uma cópia do manual em inglês, ele uma em espanhol e coisa de meia hora depois já estávamos na fase de testes.

Pois bem, vamos ao que interessa. Shogun é um belo jogo de tabuleiro onde cada um dos jogadores representa um Daimyo (espécie de senhor feudal) e candidato ao shogunato (chefe militar) do Japão do Século 16, na disputa pelo poder no período Sengoku (1467 a 1573). A idéia básica do jogo é administrar risco e recursos com o objetivo de somar mais pontos em um período determinado, de modo a adquirir a supremacia no território. Continue reading

Jace vs. Chandra

1Você joga Magic: The Gathring? Eu, aos trancos e barrancos, venho jogando desde 1994. Minha última pausa foi de cerca de dois ou três anos, mas recentemente voltei a brincar com as cartinhas. Para me ajudar a pegar a manha novamente e lidar com as novidades das mecânicas do jogo, comprei um kit de baralhos temáticos prontos, da série Duel Decks, o kit  temático “Jace vs. Chandra”.

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Este kit é composto de dois baralhos prontos para jogar um contra o outro e incluem algumas das cartas “clássicas” e muitas novas. Entre as grandes novidades, está a inclusão de cartas especiais de Planinautas.  Estas cartas foram fator crucial na minha decisão de compra, pois  são novidade total no jogo, não sendo nem magia e nem criatura e que potencialmente alterando bastante a mecânica do Magic em si.

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Resenha: Robin’s Laws of Good Game Mastering

rbggHoje vamos falar do Robin’s Laws of Good Game Mastering (traduzindo para o português, fica algo como “As leis para mestrar bem de Robin” – há um trocadilho no título original, pois “Law” significa lei em inglês e o sobrenome do autor é “Laws”, o plural de “Law”), um livrinho bastante famoso lá fora mas que infelizmente (como é comum) não tem versão nacional. O livro foi escrito por Robin D. Laws (Feng Shui, Hero Wars e outros), tem capa mole e somente 33 páginas e embora originalmente custasse apenas $10.00 dólares, hoje em dia, não sai em canto algum por menos de $30.00. A idéia do livro é ser uma ferramenta genérica para que mestres possam mestrar melhor, portanto, não há foco específico em um ou outro jogo e as dicas são aproveitáveis basicamente por qualquer pessoa que mestre.
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Lajedos & Lagartos: Escarcela do Conversador

Pro jogo ficar bonito
Tem que ter boa história
Cavalgar as caatingueiras
Os cavaleiros de glória
Procurando um tesouro
Esquecido da memória

Um grupo bem sortido
Fortuna e fama quer mais
Todos juntos bem unidos
Vencem até o Satanaiz
São herdeiros das heranças
Dos tempos medievais

Depois de passar perigo
E a botija escavar
Apruma os bisacos cheios
Para casa retornar
Encontrar a mulher querida
Pra com ela se casar

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Lajedos & Lagartos: Manual dos Coisa-Ruim

Andando pelos lajedos
Muita coisa eu assisti
Calango matando cobra
Nas carrera um jabuti
Mulher que vira onça
Por detrás do buriti

No riacho alma penada
Nas lua cheia lobisome
Na mata mora Caipora
Quem adentra logo some
Escapando os bicho pega
E ficando os bicho come


No meu cavalo bento
O cão tinhoso enfrentei
Os chifres desse safado
Com minha peixeira torei
Fazendo marca da Cruz
Nossa Senhora Valhei

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