Lajedos & Lagartos – Poente Vermelho

Esse conto é continuação do conto Caetana, e iniciado em Coluna de Fogo. Uma mini-série de contos ambientados no Nordeste Fantástico de Lajedos & Lagartos.


 Como previmos, Icó fora um alvo fácil. Quando souberam da nossa chegada, a polícia fraca desabou acovardada ante nosso destacamento; foram os primeiros a sumir. As elites, fugiram pelas estradas, e muitos esconderam até os móveis nos temendo.

O padre, depois do que disseram que fizemos em Piancó, não levantou uma palavra contra nós. Temos água e jabá, conseguido na cidade, graças às doações do proletariado. Dinheiro será questão de tempo encontrar, revirando os casarões abandonados.

Mandei derrubar as fiações, não quero que alertem os soldados desse regime corrupto. Grupos de camaradas estão vigiando cada uma das estradas. Do centro, aproveitei para vigiar a cidade do alto do teatro, que nos dá privilegiada posição, e é iluminado por eletricidade. Posso me orgulhar de dizer que nunca errei um tiro. Quem se atrever a vir até aqui, estará em desvantagem.

O Camarada Sérgio, encontrou um fio de telégrafo, paralelo ao que havíamos derrubado. Mandei que fossem investigar, de onde viria o fio. Poderia haver um telegrafista. Poderia uma mensagem de socorro ter sido mandada e encurtar a nossa estada nessa acolhedora localidade. O Tenente Prestes não apreciaria essa obstrução nos planos.

Precisei me certificar. Destaquei um grupo investigatório composto de oito homens. Sete simpatizantes da causa. Sérgio, para comandá-los.

O sol morria no horizonte, nada dos homens voltarem. O tempo que estavam usando nessa simples missão era superior ao tempo que levamos para capitular a cidade inteira.

Os moradores diziam que andam feras antigas por essas capoeiras. Crendices. Eram oito homens. Um deles era Sérgio, segundo tenente, melhor da turma. Devem ter se perdido, ou encontrado alguma jovem atraente.

Anoiteceu. As luzes das casas iam se apagando. Sentia o cheiro do medo vindo dos moradores. Seria outra assalto fácil. Carregar as mulas e retornar para a Coluna. Afinal, quem nos faria frente?

A Ascensão do Boardgame

Se você pensava que o RPG era um jogo de elite (o que é de fato), é porque você não conhece os boardgames. RPG não tem uma sigla equivalente na língua portuguesa (eu já tinha tentado usar o termo JIP no milênio passado, mas o nome não pegou). Até hoje, nos ainda não sabemos com traduzir o nome RPG. Jogo de Interpretação de Papéis, Jogo de Contação de Histórias, Jogo de Faz-de-conta, Jogo do Dado e da Gritaria. Todas as melhores mentes nacionais tentaram e falharam em produzir um nome em português, nem em Portugal eles tiveram melhor sucesso.

Já com os Boardgames (BGs) a coisa muda. São apenas Jogos de Tabuleiro, conhecido por essa terra varonil desde que os jesuítas brincavam de Catequizadores de Catan. Os fãs de jogos de tabuleiros, não são os tabuleiristas, nem tabuleieiros, são bordgamers! Não que isto seja anglofobia da minha parte, o que quero dizer é que o rótulo americanizado torna algo distante, ainda mais da realidade do brasileiro médio classe-B.

No Brasil, os jogos de tabuleiros são quase os mesmo do tempo do meu avô menino. Porém, recentemente, o cenário nacional vem sofrendo uma invasão. Para sorte do RPG, só agora. Como eu falei num post anterior: BGs e RPGs são inimigos naturais. Não porque eles se enfrentem, mas por competirem pela mesma coisa: seu tempo de lazer.

No Brasil, a evolução de tudo parece ter sido diferente. O RPG chegou aqui nos anos 90, muitos importados. No início do plano real, os livros importados estavam tão baratos que a geração xérox pode transformar os sonhos em realidade. Porém, por que não houve a mesma invasão de BGs, na época? Simples, eles não existiam. A enxurrada de títulos só surgiria uma década depois, nos anos 2000. O RPG não teve um competidor naquela época e correu solto por aqui.

Agora a maré virou: dólar baixo; muitos títulos bons; renda maior; e o principal ponto, facilidade de iniciar uma partida com qualquer um. Se o processo continuar, não vai demorar para que os rpgistas perceberem que não estão sozinhos, e que não são mais a maioria nos eventos.

Dia de Tormenta

Se você estiver em João Pessoa ou em Campina Grande entre os dias 24 e 25 de março, reclamando da monotonia pronvinciana da Paraíba (quebrada apenas pela violência dos noticiários), vá jogar RPG!


 

Divulgação:

O Dia de Tormenta é um evento que irá ocorrer em março de 2012 em diversas cidades do Brasil. Participando, você poderá jogar a aventura Dia de Tormenta, e adquirir o Guia da Trilogia, o mais novo suplemento de Tormenta RPG, com desconto — ou até mesmo de graça!

Dia de Tormenta

Dia de Tormenta é uma aventura para 4 a 6 personagens de 6º nível. Ela coloca os heróis contra o adversário final, contra a maior ameaça conhecida — mas ainda no início de sua manifestação. Mesmo assim, o perigo é imenso. Não há tempo para buscar ajuda. Se não for detida agora, a infestação lefeu crescerá descontrolada.

Além disso, durante a aventura, cabe aos jogadores a difícil decisão de salvar — ou matar — um personagem razoavelmente importante do cenário.

Dia de Tormenta foi preparada para uma única sessão. Há trechos opcionais, bem como um quadro com ideias e sugestões, para encurtar ou alongar a história se você quiser. Sua parte principal, no entanto, pode ser concluída em apenas algumas horas.

Seis heróis prontos são oferecidos nas páginas finais. É uma medida para encurtar ainda mais o tempo de jogo — jogadores que não tenham construído seus personagens podem usar os prontos da aventura. Existe também outra razão: as chances de sobrevivência a esta aventura são pequenas. Pequenas mesmo! É aconselhado aos jogadores não usar personagens que considerem muito queridos…

Se você é narrador e quer levar o seu grupo para participar  do Dia de Tormenta na Paraíba entre em contato com o Arena RPG (contato@arenarpgpb.com.br)  ou com a Confraria RPG (confrariarpg@gmail.com) e abra a sua mesa.


Dia de Tormenta – Locais na Paraíba

João Pessoa

Organização: Arena RPG
Local: Escola Municipal Aruanda (Rua Gotemberg Morais Paiva, s/n)
Bairro: Bancários
Ponto de referência: Por trás da Praça da Paz
Hora: 9h as 19h
Data: 25/03/2012
contato: contato@arenarpgpb.com.br

Campina Grande

Organização: Confraria RPG
Local: Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (Av. Pres. Getúlio Vargas, 44)
Bairro:  Centro
Ponto de referência: UEPB
Hora: 8h as 19h
Data: 24/03/2012
contato: confrariarpg@gmail.com

Como de costume, um monte de RPGistas de outras facções vão invadir o evento levando outros jogos, vendedores ambulantes de salgadinhos vão aumentar o colesterol dos nerds, e um monte de ents vão dar as caras para falar mal desses encontros novos e desses jogos de hoje.

E eu no meu velho banco…

P.O.R.R.A.D.A. – Linha do tempo

Libero mais um material do jogo P.O.R.R.A.D.A. que não entrou no concurso da Secular, porque perdeu o horário do ônibus.

É bom aprender direto recruta. Eu não vou repetir de novo.  Aula de História. Do grego ιστορία, do latim, historia, do francês, histoire, do alemão Geschichte, do inglês, history…

 Século XX – Era dos blefes

1994 – EUA confirma a existência da Área-51.

1996 – Governo brasileiro captura ET com sucesso, em Varginha. O ET pagou cinquenta reais e foi liberado pelo carcereiro da base.  Para não passar vergonha, o governo brasileiro da época nunca confirmou a captura.

2000 – Bug do Milênio apaga arquivos confidenciais brasileiros sobre o alienígena.

 Século XXI – Bom demais para ser verdade

2012 – O mundo não se acabou.

2061 – Sonda Espacial Brasileira MST-9 cai quando realiza missões no satélite Europa.

2083 – Instituto SETI capta sinais de vida inteligente.

Século XXII – Novas Ordens Mundiais


2139
– Globalistas conseguem impor um governo mundial, sob ameaça de invasão alienígena.

2152 – Comunismo é implantado com sucesso, o primeiro presidente chinês da Terra é chinês.

2153 – Petróleo acaba. Governo mundial entra em crise. Robôs são colocados para trabalhar nas fábricas de forma extensiva.


2155
– Programadores de esquerda sul-americanos criam a Inteligência Artificial Sindical Online (InArSiO), que articula a primeira Greve dos Robôs.

2163 – As máquinas assumem o controle do governo terrestre.

2188 – Movimento das Diretas Já para Presidente da Terra é suprimido com medidas de benevolência do governo virtual: pirataria não é mais crime e aumento da banda de conexão na Oninet para um Putabyte*.

Século XXIII – Ditadura das Máquinas

2206 – Último servidor público humano da Terra se aposenta, na compulsória, aos 106 anos.

2240 – Fronta alienígena aporta secretamente na Terra. Outra vez em Varginha. InArSiO faz concessões para evitar confronto com os recém-chegados, os Corretores Cósmicos.

2274 – Corretor Cósmico, se atrapalha e anuncia venda do Planeta Terra na Oninet, a grande matriz de troca de informações, ficando no #TT por 2 anos, até ser removido por liminar judicial, que questionou a legalidade da venda do planeta.

2298 – Grupo de minorias, revoltosas com a inércia do Governo Virtual Mundial, forma um grupo de confronto aos alienígenas a agência HoMuHS de Preto** (Homens, Mulheres, Homossexuais e Simpatizantes de Preto).

 Século XXIV – Novas cores


2304
– HoMuHS de Preto se espalham pela Terra, vivendo de parcerias público-privadas.

2311 – Ações hostis da HoMuHS contra os parceiros do Governo Virtual Mundial fazem com que sejam cortados seus privilégios.

2324 –Um grupo autodenominado Cyberemos desligam todos os servidores do governo. A lendária Operação Restart.

2326 – Vazam os planos de venda, pelo Governo Virtual Mundial, gerenciadas por InArSiO. O sistema já fazia backup dos próprios dados há 80 anos. Questionado, computava que não sabia.

2330 – HoMuHs de Preto decidem atacar os Corretores Cósmicos que eram aliados do Governo Virtual Mundial. Para isso incrementam a venda de tecnologia para vencerem as batalhas.


2332
– Corretores Cósmicos são expulsos da Terra. O evento ficou conhecido como Primeira Guerra dos Mundos.***

2347 – Sem experiência em se autogerir há séculos, os governantes globais deixam que os níveis de criminalidade se tornem críticos.

2368 – O Governo Mundial se esfacela. O funk finalmente chega ao fundo do poço e é declarado como arma de destruição em massa.

2369 – Cyberemos cometem bi-suicídio coletivo, morrendo e deletando os perfis ao mesmo tempo.

2399 – Chegam os primeiros posseiros espaciais, com certidões de posse do nosso planeta. Trazendo uma nova religião, muitos criminosos se convertem ao Deus Estelar de Sírius.****

Século XXV – O fim do homem

2420 – A HoMuHS torna-se uma corporação de venda de tecnologia tornando-se um império econômico.

2442 – Os Imortais chegam a Terra. Alegam serem os deuses astronautas da Antiguidade.

2451 – Os Imortais selam um acordo de publicidade com a HoMuHS. Mudam a Carta Magna da Terra e um deles, Zeus, se torna Presidente.

2477 – Os Imortais iniciam um projeto aperfeiçoamento da raça humana: o Transmachismo. O projeto elimina as diferenças de sexos e necessidade de reprodução. Associações dos Direitos dos Heterossexuais protestam, mas nada adianta.

2478 – Policiais cariocas, que há muito tempo, maquiavam as estatísticas os crimes, se aliam aos poucos bandidos restantes no mundo e forma uma milícia de combate aos Imortais.

2482 – O presidente Zeus desaparece depois de uma festa. Seu corpo nunca foi encontrado.

2487 – Policiais disfarçados entram na sede da HoMuHS  e acabam com a putaria do Transmachismo. Roubam vários planos secretos da Megacorporação. Os policiais são considerados banda podre. Mas os transmachos são frescos demais para reagir com a força necessária.

2491 – Os policiais começam a caçar os Imortais, que cientes da própria fragilidade, batem em retirada, ameaçando voltarem com sua força de ataque.

Século XXVI – Perdeu, ET!

2501 – O supremacia da HoMuHS é eliminada.  A polícia técnica começa a aperfeiçoar os armamentos e tecnologias usando o jeitinho brasileiro e a sorte.

2504 – Químicos embriagados inventam o Cacetium  a liga mais dura e versátil do universo. E pau pra toda obra.

2507 – Físicos criacionistas inventam o T.O.M.E. (Terminal de Ondas de Modulação de Experimentos), provando que as constantes universais podem ser modificadas. Para eles uma prova que Deus existe.

2508 – O T.O.M.E vira uma alternativa barata para rádios clandestinas na comunidade. Apesar do fim da TV, ninguém conseguiu matar o rádio.

2509 – Os Imortais chegam com sua frota na Terra.  Começa a Segunda Guerra dos Mundos. As diversas antenas clandestinas usando T.O.M.E. interferem nas comunicações das naves inimigas, tornando alvos fáceis para as armas SLASERS.*****

2510 – Um bomba de funkmatéria destrói por completo a nave-mãe dos Imortais. Provando que a música ruim se propagada mesmo no vácuo.

2511 – Mesmo com a devastação de um dos hemisférios da Terra, por causa da bomba-F. O Brasil se manteve o pendão da esperança. Quase sem nenhum abalo estrutural, com exceção das provocadas pelas enchentes, ainda corriqueiras .

2512 – Uma base de monitoramento orbital é construída, bem acima do Rio de Janeiro, que continua, apesar de tudo, lindo. Nasce a P.O.R.R.A.D.A. – Polícia Orbital de Repressão de Combate a Raptos Ataques e Delitos Alienígenas. E o trabalho está apenas começando.

* Unidade de medida de informação que se adapta à lei de Moore, tornando obsoleto as abreviaturas S.I.

** O preto foi escolhido por cair bem em qualquer pessoa, nenhuma outra razão em especial.

 *** Essa foi uma guerra invisível. 90% dos alunos da escola pública não sabem que houve esse conflito. Nem 87% dos alunos das escolas particulares.

 **** Os alienígenas missionários nunca apresentaram nenhuma prova concreta da existência do Deus Estelar de Sírius, mas alegam que a constituição da Terra protege a liberdade de culto. 

***** Tecnologia de origem alienígena. Abreviatura de Slow Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation. Basicamente, lasers que se movem a baixíssima velocidade. Os disparos podem ser vistos e rebatidos. Por consumir menos energia que o LASER, se tornou popular em armas portáteis. 

 

P.O.R.R.A.D.A. – Novo PensoIndie

Durante o Carnaval, a Secular Games promoveu o concurso de criação de jogos Faça Você Mesmo 2012. Como cometi o sacrilégio de viajar durante o Carnaval, a data escolhida para o início do concurso, tive menos tempo para participar do concurso. Mas quis participar.

Contudo, apesar do meu projeto estar lá no Garagem RPG, por razões técnicas da ordem de Murphy, não pude me inscrever. Seria um desperdício deixar a ideia na gaveta, coalhando lá no site.

Como há uma página de divulgação de jogos independentes e feitos na raça aqui no Pensotopia. Vou acrescentar o meu outro projeto aqui no blog também.

Conheçam a:

P.O.R.R.A.D.A. – Polícia Orbital de Repressão a Raptos Ataques e Delitos Alienígenas.

Cenário:

A Terra foi invadida por extraterrestes, num fogo cruzado de um conflito galáctico. As nações do mundo se uniram para formar uma força de combate aos E.Ts, chamada de Homuhs de Preto (Homens, Mulheres, Homossexuais e Simpatizantes de Preto). Esta entidade tentou, em vão, defender o planeta, mas os alienígenas começaram a corromper os governos, que passaram a cortar os fundos dessa entidade. Sem recursos, a Homuhs de Preto começou a vender tecnologias ao mercado negro para ter recursos. A consequência foi o fortalecimento do crime organizado, que minou de vez todos os países, colapsando seus governos e a própria entidade.

Todos os governos menos um! No Brasil, a polícia, velha conhecida já havia botado moral na bandidagem de armas slasers. Usando o velho esquema de monopolizar tráfico de armas, leniência com os criminosos, propinas para os comerciantes e apoio à políticos camaradas. Enquanto o mundo sucumbia, no Brasil, a polícia prosperava. Prosperava porque agora bandidos e policiais tinham um inimigo comum: os ETs.

Usando o jeitinho do brasileiro, os policiais aprimoraram as armas, chutaram os direitos humanos para PQP, afiaram seus jargões e o bicho pegou para cima dos aliens. Aclamados pela população civil, que não questionavam seus métodos, ninguém deu muita bola para aquela CPI que investigava como a verba para construção de casas populares foi parar numa gigantesca base espacial operando em órbita geoestacionária sobre a cidade do Rio de Janeiro.

A P.O.R.R.A.D.A. nasceu. O alien se fudeu. O ET chorou e a nave-mãe não viu!

Lajedos & Lagartos: Caetana

Este conto é uma continuação de outro, A coluna de fogo e serve para ambientar os jogadores de Lajedos & Lagartos dentro do Nordeste Fantástico.

Também é uma homenagem ao Dia da Mulher, cuja importância no meu jogo também é evidenciada.

 


Dona Honorina recebeu o telegrama do filho desesperado. “A coluna está em Icó. Mande os tropeiros.” dizia a mensagem telegrafada. A senhora sertaneja, após a morte do esposo, comandava as terras e os empregados.

 Ela sabia bem o que aquela mensagem significava: saques e destruição. A Coluna marchava pelo sertão comendo tudo feito a saúva, nada deixavam para a semente. Homens desalmados e guiados por uma ideologia estrangeira como zumbis.

 Tal com os cangaceiros, o primeiro bando era pouco numeroso. Estariam sondando a cidade. A casa grande era um alvo fácil. Graciliano, sozinho, era impotente ante os invasores. Ela olhou para Pilora e cenho de preocupação era conhecido. O mulato foi num pé e voltou noutro. Trazendo as pessoas de mais alta confiança.

 Firmino, o vaqueiro da fazenda. Tinha o mapa do Cariri ao Seridó como escrito na palma da mão. Ele poderia guiar o grupo de resgate tão ligeiro que tiraria os invasores de tempo.

 A afilhada de Honorina, Maria da Luz. A cabocla e caçadora sozinha desmantelou o bando de Corisco Sete Estrela que ousou invadir Uiraúna. Cada tiro, dois mortos.

 Ernesto, primo carnal de Graciliano, que acabara de ser expulso do seminário. Mesmo que irmão, insistiu em salvar o primo. Ninguém poderia demovê-lo da empreitada. Graciliano, o salvara de morrer afogado no açude, quando criança. No coração de Ernesto, tal gratidão ainda estar por ser paga.

 E Pilora, ruim de recado, mas bom de serviço. Ligeiro como um pé de vento.

 Firmino, montado em Trovão, puxou a cavalhada, a galope, na planície árida sertaneja. Pelos atalhos nas caatingas, levariam menos de meio-dia de viagem, chegando na tarde alta. Vendo-os sumir nos ermos do horizonte, Dona Honorina recebeu uma visita conhecida, mas indesejada. No alpendre, sentada na mureta, a Caetana se deixava revelar aos olhos da senhora.

 A onça fitava-a. Mesmo firme, se sentia gelada nos ossos, como se estivesse na invernia da Borborema. A visitante rugiu e o hálito afastou de vez o sol. Honorina procurou uma das cadeiras de balanço do alpendre e arqueou-se sobre ela, com o coração apertado. A Caetana chegara para avisá-la, e ela compreendeu perfeitamente o alerta:

-  A Senhora eu não posso levar, mas levarei um dos teus – disse a onça que sumiu num salto que alcançou as parcas nuvens.

A velha ergueu-se e foi até o altar, no corredor, ajoelhou-se e rezou para que Nossa Senhora protegesse seu filho, a afilhada Da Luz, o sobrinho mesmo que filho, Ernesto e os demais tropeiros das garras da Onça Caetana.

Old Dragon -Eleição de Cenários

O período eleitoral começou mais cedo na blogosfera. A partir de hoje, e até 26 do corrente mês, está aberta a fase de votação para o concurso Seu Mundo na Redbox.

Na primeira fase, se inscreveram 110 cenários (é isso mesmo!). E a Redbox inventou um sistema bem interessante para reduzir o voto de cabresto no concurso. Apenas um voto por IP e, o mais interessante, os votantes são obrigados a avaliar todos os cenários inscritos. Acabou a garapa de mandar a avó votar no que estava escrito no bilhetinho. Bem bolado, rapaziada.

Os 55 cenários mais bem votados passam para a segunda fase. Estão esperando o que para votar no cenário feito pelos fãs? Clique aqui para virar Juiz Eleitoral.