Lajedos & Lagartos + HQPB

Olá pessoal, já cadastrei a minha mesa no 5º HQPB (dias 8 e 9 de outubro), que entre uma das muitas atrações, terá também  um  encontro de RPG.

Sob a organização e apoio  dos:  grupos Arena e  Confraria_RPG, editoras Redbox e  Retropunk e do blog Paragons - e nenhum apoio do Pensotopia - o encontro promete e está muito mais estruturado que o do ano passado.

O local será o mesmo da edição anterior:  Espaço Cultural José Lins do Rêgo.

Minha mesa de Lajedos & Lagartos está cadastrada, olhem o cartaz.

A primeira esprimentada será de 08/10, às 15h.

Veja a sinopse da aventura:

“Um dragão véio do fucinho encarnado invadiu Cajazeiras e roubou a chave da prefeitura.

Agora tá todo mundo sem receber o salário e o Prefeito tá com medo de não conseguir mais eleger o sobrinho como deputado estadual.

Para que essa desgraça não ocorra com a família, o Prefeito chamou os melhores correligionários dele para puxar o dragão pelo rabo e tomar a chave de vorta.”

E é por enquanto isso. Os paraibanos do Pensotopia estarão lá, para fazer o que fazem de melhor: dar pitacos e falar do nosso tempo para os rpgistas mais novos.

Lajedos & Lagartos: 5ª Légua

Lajedos & Lagartos já está quase todo escrito. Ainda falta o hercúleo trabalho de revisão – que vai ser dos diabos – tendo em vista que um jogo em construção teima a se desenvolver durante o processo de criação. Alguns termos mudam, tabelas precisam ser ajustadas, virgulas virguladas e palavras fujonas recolocadas no lugar. Isso para não falar do revisor gramatical do programa de texto que não quer colaborar contigo.

 Nesse fim de semana, testei com meus amigos um pouquinho de L&L. Apenas o processo de criação de personagem. O sistema que bolei é baralheiro, cada Jogador recebe as cartas para montar o personagem das mãos do Conversador e as arruma como quer nos seus seis atributos principais: Bruteza, Ligeireza, Disposição, Cultura, Vivência e Sabidoria.

 Há um pouco de tática na arrumação das cartas, mas nada que preocupou os iniciantes. O que ocorreu é que os jogadores sem-vergonha, quando compreenderam o sistema, logo quiseram apelar. Nessa fase também são escolhidas os Antecedentes.

 Depois de montados os atributos e antecedentes, começou a parte das escolhas. Coisas que para quem joga D&D já está muito costumado. Escolher a raça sertaneja, o estado de nascimento e a Carreira. Com uma lida rápida na descrição de cada uma, foi fácil para os quatro jogadores escolherem. Saiu um mulato Grosso alagoano, um Catimbozeiro tapuia do Piauí, um Presepeiro amarelo da Paraíba e um Alumioso potiguar cristão-novo.

 Li, por cima, as perícias, fuleragens e tendências, que não chegaram a ser escolhidas, mas se fossem certamente tomaria alguns minutos. A impressão que tive dos jogadores foi muito positiva, só de fazer a ficha deu vontade de jogar. Isso foi bom.

Passei em Firmino e Inácia só para tomar um cafezinho e comer bolachas, estava apressado querendo terminar o jogo.

- E as muié? Não vá se esquecer das muié! – puxou minha orelha Inácia.

- Mulé é a coisa melhor que tem. Ele vai esquecer nada.

- Não isso, seu velho sem-vergonho! Eu tou dizendo do papel delas. Falar do Nordeste e esquecer as nordestinas é ir pra Roma e não ver o papa. Ou você está esquecendo de Da Luz, de Honorina e de Cecília.

- Da Luz, eita mulé da gota! Não abria nem pro trem. Uma vez um cabra safado veio com inchirimento pro lado dela, ela puxou a pexêra e o atrevido cagou fino. Ela também atirava de olhos fechados melhor do que eu com os três, se o terceiro não fosse cego.

- Firmino! – repreendeu Inácia o desbocado. – Dona Honorina, mãe de doutor Araújo Soares, mulher inteligente , uma coronela. Quem é que dizia nada com ela?!

- E não teve um que disse! Lembrei do dia que ela recebeu uma jagunçada na casa grande, ofereceu o almoço e quando ela perguntou se estava bom, um infeliz disse que faltava pimenta! Ela mandou trazer uma bacia de pimenta e sal e obrigou o diabo a comer tudin. Dizem que depois de comer, o home desimbestou e só foi achado morto no baldo do açude, três dias depois, com a cara na água – narrou Firmino.

- E tem Cecília rezadeira. Quantos não nasceram pelas mãos daquela mulher, os meus meninos viveram todos graças a ela.

- E ela trata do povo sem ser carera como os médicos.

- Tá vendo! Home só tem na cabeça aresia. Não esqueça das mulheres no seu jogo não, viu?

 

 

 

 

 

Lajedos & Lagartos: 4ª Légua

pedralispe

Esse é o diário da criação de Lajedos & Lagartos. Cheguei na quarta semana escrevendo incansavelmente. Ainda me restam três semanas de RPGênesis. Com no mês de outubro vai acontecer o maior evento de cultura POP da Paraíba, o 5º HQPB, aproveitei o encontro para fazer justo o contrário, o primeiro teste Lajedos & Lagartos, um RPG com proposta totalmente contrária à proposta do evento, ressaltar a Cultura Local, tão sem espaço hoje em dia.

 Penso que isso poderia ser considerado uma trollagem, um neologismo para o nordestiníssimo avacalhar.

X

Outra coisa que me invoca é o termo Looser? Por que não chama de Derrota? É só colocar um D em libras na cara besta.

 Falando um pouco mais sobre essa cultura enlatada que se instalou de vez por aqui. Conversei com um amigo meu – bem mais velho – e ele estava me falando sobre como o gênero faroeste solapou a infância dele. Os cânions do Novo México lhe são mais familiares que a Serra de Teixeira!O que mostra quão monstruosamente eficiente fora e ainda é a cultura de massa americana nas nossas mentes.

 Outro amigo meu – o Pensador ocasional Wilson – me perguntou se o jogo seria uma paródia de D&D. L&L é uma versão de jogo de fantasia, não é uma paródia.

O problema é que nos acostumamos tanto com um sabor artificial que esquecemos do gosto natural das coisas. A manga rosa ninguém mais encontra fácil.

Por isso, decidi passar mais uma vez em Seu Firmino para pedir orientações, já que falta pouco para terminar o jogo e ver o que ele me diz.

 - Em que parte do jogo tu tá? Já escreveu tudo?

Disse que estava mais perto do que longe.

- Não se esqueça de falar dos materiais raros. Se isso faltar, botasse tudo a perder.

Me perguntei que materiais seriam. Mas ele falou sem que eu dissesse.

- Tá bom! Sãos as madeiras e pedras que são mais do que as outras. Pedra-de- corisco, a pedra de raio que cai do céu e te dá sorte. Ela vem para a terra na ponta do raio e volta pro céu na rabeira de outro.  Tem a pedra-lispe,  a pedra de raio azul, bem rara . Um punhal feito de pedra lispe persegue a alvo, as balas de pedra lispe fazem curva.

Ele me contou  impressionado.

- E ainda tem as plantas. O pau de quixaba, em que a surra e o remédio vem de um vez só.  E a madeira de Ticum para abrir corpo fechado. E maçaranduba que é pau de dar em doido. E o pé de pião roxo que é para afastar mau olhado. A gameleira que é morada de Iroco

- Vige! Crê em Deus pai, todo poderoso – se espantou Inácia.

- Oxente Inácia, estás por aqui, nem vi!

- Tu vai espantar o menino com estas conversas.

- Assim a gente nem pode prosear!-  e ele me sussurrou. – Devia ter amarrado essa mulher no pé da cama com corda de imbira. Pois com imbira não tem quem se solte.

Fui-me indo. Já tinha muito sobre o que escrever depois dessa.

Lajedos & Lagartos; 3ª Légua

Baralho Armorial

Estou chegando na metade do projeto. Já comprei até os baralhos para testar o jogo no próximo encontro de RPG aqui na Paraíba, o HQPB.

Sobre o baralho, descobrir que a COPAG, maior fabricante da América Latina, está perdendo uma grande oportunidade de lançar um baralho com tema nacional. A falta que a legalização do jogo faz.

Na internet,  achei dois projetos independentes interessantes. Um é o baralho do cangaço e o outro é o baralho armorial, ambos bem a cara de Lajedos & Lagartos.

Esta semana, estive em São Paulo e pude descobrir algumas coisas sobre o texto que estou empregando no jogo. A mais relevante é que eu precisava de um paulista para saber o que é nordestinês ou não. Por incrível que pareça, não é nas gírias e sim nas pequenas expressões que reside o modo peculiar nordestino de falar. Muitas conjugações verbais, comumente usadas no Nordeste, caíram em desuso em outras regiões, mesmo estando corretas. Já outras, mais arcaicas se mantiveram por aqui e o Sudeste não homologou na gramática.

 Como Lajedos & Lagartos está sendo feito para ser mais que apenas um jogo popular Nordestino, e sim um jogo Armorial, a cultura popular prevalecerá sobre a formal. Contudo, a escrita do livro está sendo feita de modo didático, sem abrir espaços para achincalhação e respeitando a tradição, concordem os gramáticos ou não. É mais fácil dizer que o “E” tem som de “I” , o “O” tem som de “U” (o cearense falando inglês) e o “S” em fim de frase tem som de “IS”, entre tantas outras regrinhas de pronúncia mais obscuras como o “V” virar “B” em algumas palavras e próprio “V” tomar som de “R” em outras.

Se a moça do Google soubesse falar nordestinês, ela leria a frase “O vaqueiro pegou a vaca no meio da pastagem” assim:

” O raqueero pegô a raca no meida paxtagi!

Melhor não chocar as pessoas.

Baralho do Cangaço

E para fechar, conto meu relato semanal com seu Firmino e Dona Inácia. Expliquei algumas dúvidas que tive sobre o RPG e eles me tranquilizaram um pouco.

Perguntei a seu Firmino como eu poderia encaixar tantos tipos diferentes em uma mesma história e continuar fazendo sentido. Ele deu uma bicada no cigarro de palha e respondeu:

 - Sei não! Tu se embrulhou agora se desembrulhe.

- Ô home abestalhado! O que te aperreia? – disse Inácia, mas caridosa, comigo.

Eu disse que não fazia sentido um Doutor engomadinho andar junto de um cavalo de duas patas. Ela sorriu e tentou me ajudar como pôde.

- E como é nos jogos que tu joga?

- Eu disse que nos jogos que jogava elfos magos lutavam ao lado de humanos paladinos,  anões guerreiros, halflings ladrões, meio-orcs bárbaros. Tive que explicar que meio-orcs eram pessoas com cara de porco e halflings eram pessoinhas miúdas feito crianças.

- E como é que esse povo se conheceu? – perguntou ela.

Eu respondi que em geral, na taverna bebendo.

- Num é mais fácil um doutor e um homem bruto estarem bebendo junto e ficarem amigos do que esse menininho pequeno ficar amigo de um cara de porco? – ela disse.

- Eu mesmo sou amigo de Doutor Araújo Soares, que homem de cultura alta e posição e também de Da Luz que é filha de cangaceiro e dava de mamar a onça – se meteu Seu Firmino, baforando fumaça enquanto falava.

- Eu num acredito que alguém vai ter a maledicência de achar que um neguinho que joga capoeira e um amarelo aprontador de traquinagens num podem ser pariceiros?

- Se não fosse eu, Da Luz, Pilora e João Guilhermino, Doutor Araújo Soares não tava mais vivo para contar história. Hoje aquele velho encruado diz que foi ele que salvou a gente. Só porque Dona Honorina não está mais entre a gente. Mas o tempo apaga tudo não é? Depois vem esses livros de histórias para fazer o povo acreditar em um monte de besteira que um besta escreveu. E a Verdade, que é a Verdade fica só na boca de um e de outro e com o tempo se perde – divagou – Se avexe não, meu filho, vá escrevendo, na hora que o povo for jogar, como a cambada se ajuntou é o de menos. Tem vezes, que a gente se conhece de um jeito que ninguém pode adivinhar. Pode ficar assossegado.

Lajedos & Lagartos: 2ª Légua

Mais uma semana se passou e Lajedos & Lagartos avançou mais um capítulo rumo à versão de teste. Por enquanto está com 42 páginas, pode parecer muito, mas ainda isto ainda não é suficiente para tornar o jogo jogável. O que pretendo fazer em mais cinco semanas.

Para me ajudar, ajudar os leitores, entusiastas e apoiadores do projeto a entender o jogo, eu conto com a ajuda de Seu Firmino do Seridó e sua esposa Inácia, que possuem grandes conhecimentos sobre o Nordeste Fantástico e contam histórias que não devem na as histórias das Zoropa de Seu Ninguém.

Perguntar as coisas para seu Firmino é difícil, quis saber sobre os reinos encantados, mas ele fala o que bem entende, no jeito misturado de contar estórias dos matutos sertanejos. Transcrita, a explicação ficou deste jeito:

- Já fui em todos, meu filho! Antonte tava falando isso mesmo, com o Doutor Araújo Soares, que veio aqui me chamar para ir na fazenda dele, ver o cavalo novo que comprou. Comprou caro e vai ficar sem serventia, o doutor não cavalga mais – debochou.

- O menino quer saber das tuas viagens, home! Quer uma cafezin pra comer com bolacha e bolo? – Inácia me perguntou.

Veio café, bolo, bolacha, queijo de coalho assado, um de manteiga, leite para eu colocar no café, uma lata de doce de caju e uns umbus, se eu quisesse chupar, pois estava no tempo e ia se perder se ninguém chupasse.

- Quando te falei do Nordeste Fantástico você pensou que fosse só aquilo, cabra bom de peia? O mundo verdadeiro sempre tentou se esconder do mundo que vemos. São muitos mundos amontoados no mesmo lugar. Doutor Araújo Soares teimou comigo que isso é impossível, mas você vai me dar razão.

- Doutor tá velho e já se esqueceu, meu preto – disse Inácia botando a mesa.

- O Nordeste Fantástico é como eu te disse. Ele é a porta de entrada para uma tuia de mundo. O mais perto da gente são os reinos encantados. Reino é até exagero. Os lugares encantados são mundos escondido, que ninguém pode ver, ficam ocultos aos olhos e não se pode entrar. Às vezes, eles aparecem do nada e se encantam de novo. Eu já entrei em uma casa encantada quando tava cavalgando lá pela serra do Apodi. Fui recebido por uma mu…véia feia que só a derrota!Ela me ofereceu guarida, quando amanheceu, eu tava no relento, meu cavalo amarrado num pé de pau. A infitete roubou minhas patacas. Fui liso até o Ceará! Eu entrei só numa casa, mas existem lugares muito maiores, dizem que Canudos também não foi destruído, se encantou, assim como Palmares. Não sei…mas o maior desses reinos e o reino de São Saruê.

- Teve a vez, que em Petrolina, cai no Velho Chico quando ele tava dormindo. O rio acordou e me jogou lá no oceano. Quando dei fé, e abri o olho, tava debaixo de meio mundo d’água! limpinha e transparente. Tinha gosto de sal na minha boca. Vige! Pensei que tava no Céu, mas tava no mar. A Mãe d’água me pegou e me arrastou para o fundo. Na cidadela do fundo do mar, o castelo dela era um coral e lá dentro eu respirava a água como se fosse ar. E pra escapar? Que lá fora se afogava e tava cheio de cação! Sem jeito, fiz o que um homem tem que fazer, cantei de galo. Bati o pé no chão, falei grosso, e num é que a Mãe d’água gostou de mim?! Parece que ela tava viçando – sussurrou o velho para mim.

- O senhor escapou como dessa Mãe d’Água, seu Firmino? – Inácia fungou.

- Você não sabe que só tenho olhos para você, minha nega. Eu mostrei a minha aliança de casamento e disse pra ela que eu era casado na Igreja de Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Ela vendo que eu era comprometido, me levou para praia de Maragogi e nunca mais vi ela.

- É bom mesmo, seu velho sem-vergonho!

- Tem outro mundo também, esse é bem viajado. É o Mundo da Lua, onde os doidos são esperados. Só se entra no mundo da lua, quando se perde o juízo. Você fica zuretando, andando feito aluado, falando coisa com coisa. Mas sua cabeça está lá, lúcido, vendo a terra lá embaixo. De lá, você vê tudo que acontecesse e conhece a sabedoria dos loucos, que eles não conseguem revelar para quem está na terra. O Mundo da Lua é comandado por São Jorge que vigia o dragão adormecido com a lança em riste e montado no cavalo branco. Quando eu ia falar com o Santo, Inácia fez uma promessa para eu ficar curado e voltei.

- Todo dia de Nossa Senhora do Rosário, eu entrego uma renda para pagar promessa que fiz para que Firmino se curasse da pancada que levou quando caiu do cavalo na vaquejada.

- Nem me alembre! Quando eu tava doido o povo pelo menos não me mangava. Agora não posso ir beber que sempre tem um velho curvado que se alembra do dia que me estoporei na vaquejada.

- Existe dois outros mundos que são muito aparentados, mas diferentes e existem desde antes do mundo ser mundo. O primeiro é que todo mundo quer ir quando se for: o Portão do Céu. Cheio de nuvens, branquinha feito coalhada, cheio de anjos, arcanjos, serafins e querubins. Os homens vivos lá não podem entrar, pois são barrados por São Pedro, que guarda as chaves do céu. Minha lavoura tava se perdendo pela seca, eu ia pegar a chave das águas do céu, para encher a barragem, mas peguei a chave errada. Levei um choque de arrepiar os cabelos do fiofó e o Santo me deu um sermão de me deixar com os zuvidos ardendo. Desorientado, errei a saída e cai lá em baixo. E quando digo lá em baixo, é Lá em Baixo: o Quinto dos Infernos. Lascou! O diabo me acorrentou e fiquei na beira do fogo, cozinhando feito buchada.

Ele vendo minha cara troncha, me disse:

- Sabe como fugi? Tu se alembra da chave, no alarido no Céu eu não esqueci de devolver ao Santo, home! Eu tava era com a chave que trancou Lucifer. Uma chave mestra que abria tudo que lá tava trancado. Me soltei dos cadeados e das correntes. Abri as portas do purgatório e soltei tudo quanto foi rapariga que tava pagando os pecados – Inácia trancou a cara de ciúme – e no atropelo escapei pela porta da frente sem dar nem bom dia ao Tinhoso. Devolvi a chave ao Santo e ficou tudo em ordem!!!

- Para fechar, só tem mais um canto – ele olhou para Inácia, que fazia birra. – Esse ninguém quer ir. Nem o cabra mais macho, nem o religioso mais fervoroso: A Cidade dos Pés Juntos. Quem entra de lá não sai.

- E quem disse que tu já morreu, Firmino? – Inácia falou séria.

- Já morri No dia que te conheci, fiquei sem viver até eu te ter, e nesse dia, renasci.

A velhinha sorriu. Seu Firmino piscou para mim. Deixei os velhinhos a sós em casa, me despedi ligeiro e avisei que ia passar lá semana pra semana.