Conforme sugerido e prometido, vou colocar toda semana pedaços do jogo, coisas do cenário e elementos que não vão constar na versão de teste, que deve sair em mais 6 semanas. Posso até estar falando para as paredes, mas como diz o ditado, elas têm ouvidos. Para contar um pouco da história do jogo, vou precisar da ajuda de outra pessoa, Seu Firmino, um senhor bem vivido que mora lá no Seridó. Aposentado, passa o tempo jogando baralho na praça e namorando com sua velhinha, Inácia.
As aventuras de Lajedos & Lagartos se passam em uma terra conhecida por Nordeste Fantástico, uma região onde a verdade e o mito andam lado a lado.
O papel de vosmicês, jogadores, é contar uma história dentro desse mundo, só acessível através da memória, às vezes falha, às vezes imprecisa, mas sempre verossímil! não é Inácia?
- E num é Firmino. Você não é de mentir, meu preto – Inácia volta a costurar.
Geograficamente essa terra é que nem à região Nordeste de hoje, com poucas diferenças. Umas cidades têm outros nomes, alguns lugares podem ser vistos, pois estão desencantados, e certas viagens são possíveis, pois lá o povo não tem preguiça de andar de pés. Sete léguas eu andava só para encher o pote d’água pra cozinhar o macaça do almoço né, Inácia?
- E bebia quase tudo de lá pra cá, meu velho. Quase não dava para lavar a loiça.
Que me lembre, as florestas, morros e rios são habitados por espíritos malfazejos e benfazejos, animais enormes, bichos falantes e almas penadas. Como se não bastasse, as hostes do Coisa-ruim estão soltas tomando conta do mundo.
- Não se esqueça de Nosso Senhor, Firmino.
Ôh! mulher para se meter. Eu já ia chegar nessa parte. Deus resolveu andar na Terra e pousou numa região muito parecida com aquela, onde o filho Dele nasceu. Vendo a beleza que a terra tinha, decidiu dormir em uma prainha bem escondida, que era onde ele tinha escondido o jardim do Éden desde o tempo que Adão e Eva forma expulsos do paraíso. Os querubins foram pegos cochilando quando Deus chegou. No alvoroço, parte dos bichos que tinham no mundo, antes do dilúvio escaparam e se embrenharam nas Caatingas e Capoeiras. Por isso que por aqui, tem tanto animal que você não encontra em canto nenhum do mundo. Os bichos, soltos, ficaram selvagens e fazem o que bem entendem. Nosso Senhor, não quis saber de aperreio e foi dormir numa rede, pendurada entre a árvore de Vida e a do Fruto Proibido. Os próprios querubins que me contaram, quando eu os ajudei à resgatar aquele dinossauro que andava perdido em Sousa.
- As pegadas tão lá até hoje pra provar, né Firmino.
Mas lagarto é bicho que bota ovo, e deve ter ainda muito que não foi caçado. Agora é com o povo novo de hoje. Já tá na hora do café, adepois vou beber fumo e ir dormir no alpedre. Semana que vem eu conto mais, que da missa vosmicês não sabem um terço.
Essas ilustrações poderiam ser mais originais. Parece desenho de cordel. Agora se a intenção é esta tudo bem.
Adorei
quero mais
Pô, Adriana! Xilogravura do J.Borges é o que há :)
Vai rolar usar as imagens dele mesmo?
Seu desenhasse 1% de J. Borges eu estava muito feliz.
Rapaz, isso tá pra lá de brogodó (:P)
A ilustrações de cordeis seriam as únicas aceitaveis para esse RPG (em conjunto de fotos realistas de cangaceiros empinhados ou com suas cabeças em estacas).
Já sou fã de seu Firminu, e acho que já vi ele andandu aqui pelas banda do rio grande, que tem esse nome devido a um cabra da peste que cavovou o leito até ele ficar assim… mas essa é outra história!
Essas ilustrações seriam mesmo as melhores, mas a técnica que poucos dominam, porém existem outros estilos de arte que podem ser empregados. Mas eu vou deixar isso pra ver depois.
A versão de testes será a mais rústica possível, dada a minha completa inabilidade artística.
eu gostei bastante da temática!
Está ficando cada vez melhor.
Sem dúvida a riqueza do folclore nordestino é capaz de inspirar ambientações muito interessantes. Sem falar que o desafio de se criar um conjunto de regras, e propor uma experiência de jogo, que suporte essa proposta, irá gerar uma experiência muito legal pra quem curte game design.
É esse povo chique que me dá medo.
legal, e faço um curso de xilogravura a 3 anos.
Aceito ‘xilos’ de cortesia.
Adorei o sotaque!
A construção de cenário e personagens ficou mto boa. Como uma ideia inovadora, colocar uma narrativa introdutória realmente ajuda a entrar no clima.
Aliás a desculpa que os bichos fugiram antes do dilúvio é ótima pra acrescentar absolutamente qualquer criatura, hein! Mto, mto bom… rsrsrs
Tmb tenho que concordar que nenhuma outra gravura ficaria adequada neste seu ambiente nordestino fantástico.
Xero!