Como falei no artigo anterior, vou inciar uma série de contos com baseados na temática de Lajedos & Lagartos, onde, em cada um vou dar enfoque a uma das carreiras de personagem do jogo. Deste modo, poderia explorar os diversos lados do jogo e também da Cultura Nordestina, que costuma ser muito esterotipada apenas em cangaço e humor. Por isso, minha escolha para cartada inicial envolve o personagem que melhor retrata os nomes mais afamados do Nordeste: os escritores.
O personagem é o Doutor, senhor das ciências, mestre na burocracia, eminente força política local e autoridade judiciária. Apesar de todo esse poder mental, o Doutor é fraco em combate físico e muito dependente da amizade de outras Carreiras de Personagem. Um deles, Graciliano Raposo de Araújo Soares conta os aperreios que passou numa desgradável visita da terrível Coluna, que ronda o Nordeste expalhando o medo, em sua propriedade de famílai na pequenina Icó.
Do alto da minha janela, eu vejo o meu palácio em chamas. Bárbaros, vindos dos cantos mais recônditos da terra, nos atacam outra vez. Com sede de sangue e disposição para o caos, ele fizeram tremer os povoados próximos. Atemorizando e saqueando por onde passavam, sempre surgindo e sumindo sem deixar rastro. “Por que deixei minha querida Fortaleza?” me pergunto todos os dias.
Sair às ruas é algo temerário. Sem minha arma, que por infortúnio deixei com o armeiro, me escondo feito um rato neste quarto abafado; só os livros são meus companheiros inseparáveis.
Quando esta maldita guerra terminará? Não bastasse o mundo estar entrincheirado em um armistício onde o ataque não consegue transpor as defesas, eu também? “Como a luz da razão foi eclipsada pela escuridão ódio?”, me pergunto. Ou foi a própria razão que trouxe consigo a treva. Enquanto o mundo congela numa guerra ordeira, estamos ardendo pela falta de ordem e progresso.
As armadilhas eléctricas estão funcionando à contento, mas não sei por quanto tempo este dínamo improvisado me salvará da Coluna. Dois batedores já foram, mas não vieram armados, logo o restante da horda dará por falta dos rapazolas ausentes.
Eu estou produzindo, com sofreguidão, reagentes explosivos, com o pouco que aprendi de Química Industrial com um livro alemão, que achei perdido na biblioteca da faculdade de Direito que cursei. Porém, só com os elementos que tenho à mão, eu sinto o fósforo da minha mente se exaurir.
Graças à lente óptica que carrego, vejo que há ainda cerca de seis homens na casa grande. Devem estar como moscas no mel, se lambuzando. Eu rezo para que encontrem o aguardente que preparei para os invasores, antes de virem ao meu refúgio. Que Gay-Lussac me ajude.
Minha última esperança, meu caro diário, esperar que meu pedindo socorro à minha mãe em São José do Rio do Peixe tenha chegado. Se tiverem pego o trem, da Luz e os Tropeiros do Sertão devem estar chegando na fazendo a qualquer momento.
Eles já venceram a Coluna uma vez em Uiraúna, podem vencer de novo em Icó.
Tá ficando bom isso aí. Já to me coçando pra rolar uma campanha a lá grande sertão: veredas.
O Norte de Minas só é Sudeste por acidente geográfico.
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