Depois de muito reescrever, pensar e digitar, chega a hora do playtest. Lendo um pouco sobre o assunto, acabei descobrindo que existe um certo “pânico do playtest” que toma conta de muitos criadores de jogos. Até mesmo dos amadores! Falo de um pavor que toma conta de você e o impede, às vezes inconscientemente, de apresentar seu projeto para os outros. Falta coragem para suportar possíveis críticas negativas. Por tanto, se você notar que anda encontrando desculpas demais para finalizar a primeira versão do seu jogo e finalmente testá-la, talvez o tal pânico tenha tomado conta de você. A insegurança é normal, “dar a cara a tapa”, não é nada fácil. Afinal, após dias de trabalho na sua ideia incrível, depois de fazer a coisa todo evoluir e acontecer, você corre o risco de surgir um qualquer e te dizer que o resultado final não passa de uma bela uma porcaria. Infelizmente, não há outra maneira de concluir seu projeto que não passe por esse teste final. Então, segura a onda e pronto!

Por quê o playtest?
O playtest é um protótipo da experiência do jogo. Pessoalmente, acredito que o jogo em sí só passa a existir depois de um primeiro playtest. Isso consome tempo e depende da boa vontade de alguns jogadores, dispostos a testar seu jogo. Portanto, você precisa ter alguns objetivos em mente antes de iniciá-lo, para não jogar fora todo esse tempo e empenho dos participantes. Faça uma pequena lista do que você deseja que o playtest responda e mantenha o foco nesses questionamentos, enquanto o jogo acontece. Perguntas como:
Os jogadores demoram para criar os personagens?
Haverá jogadores novatos ou apenas RPGistas experiêntes na mesa?
As regras básicas foram compreendidas rapidamente?
O jogo está desequilibrado? Está fácil demais? Difícil demais?
Os jogadores ficaram confusos, frustrados ou entediados?
Onde o playtest deve acontecer?
Atualmente, diversas ferramentas disponíveis na internet nos permitem jogar RPG online. Uma mesa virtual é amplia o número de possíveis interessados em testar seu jogo. Mas, é bom atentar para as opções disponíveis na ferramenta escolhida, em alguns casos ela simplesmente pode não servir para a experiência do seu jogo. Se for o caso, siga para a velha e boa mesa de jogo convencional.
Caso tenha a chance de experimentar os dois mundos, vale uma análise nas diferentes experiências.
O mundo perfeito
Se você tiver muita sorte, talvez seja possível, além de conduzir você mesmo o playtest, ter a experiência de participar como jogador, de participar apenas como observador ou ainda receber relatos de outras pessoas que testaram seu jogo, sem a sua presença.
Melhor ainda seria poder contar com diversos tipos de jogadores. Cada um pode apresentar vantagens e desvantagens:
Amigos e familiares: Provavelmente os mais acessíveis e disponíveis. O lado negativo fica por conta do fato de que eles podem ser cuidadosos demais com suas opiniões, tantando não magoá-lo.
RPGistas especialistas: Alguns jogadores possuem uma longa experiência com jogos de RPGs, são capazes que analisar e comparar a mecânica e a experiência do jogo. Pesoas assim podem contribuir para a evolução do seu jogo, podem ajudar a resolver problemas. O problema, nesse caso, é o fato de que a maior parte dos jogadores não é assim. Logo, a experiência de jogo pode não representar o que acontecerá quando a maioria das pessoas utilizar seu jogo.
Apenas alguns jogadores comuns e desconhecidos: É possível encontrá-los, por exemplo, em um evento de RPG. Talvez eles não ligem para sua “mecânica inovadora”, nem percebam os “detalhes cuidadosamente inseridos” na sua ambientação. Mas, provavelmente, este é o grupo indicado para que você perceba o mais importante, se o jogo é divertido ou não.
No próximo post, falarei sobre minha experiência com o playtest de A Quinta Expedição. Sobre que deu certo e o que não funcionou. Aproveitarei para apresentar o PDF com a segunda versão Playtest do jogo.
Diário amador: Game Design – A primeira questão
Diário amador 2: Game Design – A Segunda questão
Diário amador 3: Game Design – A Terceira Questão