Ventos da Guerra: Capítulo 43

Ventos da Guerra: Capítulo 43

SEGREDOS

O bom relacionamento dos Blue Dogs com os Mysticals possibilitou que Allis tivesse uma recepção cordial na sede desta fraternidade. Como temia, o dracomago não encontrou Aurora no alojamento. Ele procurou ao acaso em outras celas, interrompendo a meditação e estudo de alguns estudantes esquisitos.

A porta do quarto do líder da fraternidade estava trancada. Ele colocou o ouvido na porta; não conseguiu escutar nada. Tentou forçá-la para ver se cedia, mas a madeira era maçica e tinha fechadura. O truque usou para abrir a porta de Malus não funcionaria daquela vez. Allis ficou pelo pátio esperando Ualfo trazer Hagen.

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Nym e seus alunos limpavam a poeira incrustada há anos no calabouço onde Malus viveu os últimos dias. Abimalek carregava alguns vasos de plantas para embelezar e perfumar o lugar, quando  Nym pressentiu a porta da sala do ex-colega aberta. Ele verificou que o cadeado da sala de Malus fora arrombado e pediu a um estudante que chamasse um guarda.

Abimalek se aproximou da tranca. Graças ao treino como chaveiro que tivera há alguns anos, notou que o porta-cadeado fora estourado de dentro para fora, em todas as direções, igualmente. Um arrombamento por expansão. A tranca era fraca. “Um especialista poderia abrir o cadeado e fechá-lo, sem dar indícios do crime. Um brutamonte, com um puxão, arrebentaria a tranca facilmente. O método usado deve ter sido a solução empregada por um mago fracote, que precisou improvisar”, pensou ele. A imagem de Allis lhe veio à mente, mais devido ao “mago fracote” do que por achar que o colega tivesse algum envolvimento com o ato em si. O que de fato, tinha.

Um guarda chegou. Sussurrou para o professor elfo que teria que esperar mais; um assassinato ocorrera no museu, não longe dali. Os ouvidos atentos de Abimalek não perderam uma só palavra.

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Em Dendrória, um clima de horror se espalhou com a chegada da notícia do crime. Lisandra marcou uma reunião emergencial.

- Meninas! – no momento só estavam elas e um dos rapazes, Pepino. – Não há motivo para pânico. Pelo que soube só cometeram esta barbárie contra os membros da fraternidade Mysticals. Ultimamente…

Hagen bateu à porta e entrou, acompanhado de Clotário e seus inseparáveis pincéis.

Lisandra bateu palminhas e colocou os dedos da mão esquerda sobre o peito e fez olhar de repreensão. Clotário logo percebeu que eles interromperam um discurso dela e puxou Hagen pelo braço para sentarem-se nas posições pré-estabelecidas em norma. Quando os dois se sentaram, a eminente líder continuou de onde parou:

- Ultimamente, a morte vem rondando os Mysticals. Épsilon está terrivelmente acamado e, me contaram, não saiu do quarto hoje – fofocou. - Não lhe restaria muito tempo, minha fonte suspeita que tenha falecido pela manhã. Logo após, o anão Bodva, o simpático e leal braço direito dele, é encontrado em estado fatal. Lembrem-se, meninas e meninos, há pouco, um dos nossos mais sombrios professores, subitamente se foi. Eu só consigo ver um elo, entre as três mortes: Aurora.

- Com todo respeito, senhorita, mas tu cometes um engano. Minha irmã, não seria capaz de ato tão vil.

- Pelo que sei, Hagen, sua meia-irmã, retornou a universidade ontem. E hoje, ouvimos essas histórias pavorosas.

- Senhorita Lisandra, tu não conheces tudo. A princesa Aurora não foi responsável pela morte de Malus. Confie em mim e tudo ficará claro.

- Confie em mim também, Hagen. Aurora não é aquilo que você acredita que ela diz ser. Ela é prepotente, arrogante e manipuladora. Ela é uma aranha que tece uma bela teia, uma renda belíssima que encanta, mas que aprisiona as pessoas como moscas e os leva à destruição.

- A senhorita não deveria tratá-la dessa forma. Tuas palavras me ofendem.

- Mas espero que elas te façam refletir. Você é da fraternidade Dendrória, lá fora ela pode ser sua meia-irmã, aqui eu sou a sua irmã!

O embate verbal se prolongaria mais se não fosse pela intromissão de Éduard, que surgiu no canto da sala.

- Vocês me acordaram! – o sol passava do pico – Ao invés de ficarem discutindo os dois, não poderiam atender o monstrinho que está gritando do nosso jardim? Ele chama por seu nome, Hagen.

O guerreiro platinado pediu licença para se retirar, no que foi concedido, virou-se para agradecer ao amigo de fraternidade, mas este não estava mais lá, sumindo na pequena fração de tempo em que todos olharam para Hagen cumprimentando cordialmente Lisandra.

- O que te traz aqui, Ualfo?- perguntou ao monstrinho que comia algumas flores, deixando a saliva espessa escorrer.

- Allis me disse pra dizer pra tu que tão matando Aurora! Tu precisa ir logo pros Mysticals encontrar com ele lá!

Hagen correu com um raio, mal esperou Ualfo terminar. O monstrinho, mesmo voando não conseguiu alcançá-lo e caiu esbaforido pelo esforço.

Ualfo havia exagerado, mas tinha feito Hagen chegar muito rápido. Allis o tranqüilizou. A presença dos dois, indo na direção da sala do líder dos Mysticals, foi percebida com invasão pelos estudantes. Porém, um corpo acéfalo não tinha capacidade de agir. Hagen e Allis ficaram à porta, sobre vários olhares curiosos. Com um escorão do vigoroso guerreiro, a fechadura arrebentou e a porta do líder dos Mysticals cedeu. Eles encontraram um quarto vazio.

Além deles, alguns estudantes entraram também. Somente um baú vazio e cinzas sobre a cama. As cinzas formavam uma silhueta perturbadora vagamente humana. Eles vasculharam o quarto, dedilharam as paredes à procura de alguma porta oculta, que estava muito bem escondida. Tentaram em vão o chão e o teto. Nenhum sinal de Aurora, nem de Épsilon. Somente cinzas.

Com profundos conhecimentos sobre necromancia era notório para os Mysticals da sala que havia restos mortais depositados na cama. O cheiro de carbonização era óbvio, porém não existiam vestígios de quaisquer combustíveis. A magia era a resposta e eles conheciam-na. Allis e Hagen também chegaram às mesmas conclusões, o ponto de divergência era a quem pertenceria aqueles restos: Épsilon ou Aurora.

Hagen montou guarda na frente do quarto, gerando mal estar entre os estudantes daquela fraternidade, que se sentiam afrontados, mas nada podiam fazer. Allis retirou-se do prédio e foi noticiar às autoridades, como era dever de um Blue Dog.

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No quartel-general dos Pégasos Negros,  o clima estava tenso. Suspeitos de realizarem brincadeiras e desordens, os atuais eventos deixaram o líder, Marcus, preocupado. Serem acusados de invadir a sala do finado professor Malus era até aceitável, mas serem acusados de assassinato era algo totalmente diferente. Abimalek chegou no prédio da fraternidade e soube, para desapontamento dele, que nenhum Pégaso Negro estava autorizado a praticar nenhuma brincadeira.

O veterano líder estava taciturno. A informação de que havia mais um morto entre os Mysticals, além de Bodva o deixara transtornado. Nem Abimalek conseguia animá-lo. Marcus não disse, mas tinha certeza de quem havia morrido.

Não longe, Valkíria livrava-se do estresse limpando o lugar. O impacto da cena fez o amigo dela, por um minuto estranhar a mudança de comportamento da corajosa guerreira, transmutada em uma noviça passiva. Porém, naquele momento, Abimalek deu pouca importância.

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O que Hagen não sabia é que sua meia-irmã, ou ao menos o corpo dela, estava bem próximo dele, em uma saleta secreta. Já a alma dela estava em uma dimensão longínqua, frente a frente com o Jogador Ancião.

- Como prêmio por sua façanha no teste, revelar-te-ei alguns segredos sobre o teu mundo, criatura primária – o monstro lançou um olhar reluzente sobre ela. – Queres saber do passado, do futuro ou do presente?

- O futuro! – ela respondeu sem pestanejar.

- Ah! O futuro que o deus da guerra proíbe. Mas para um mestre do Jogo cada movimento pode ser previsto. Veremos o que os dados e cartas dizem do seu mundo – ele saca uma carta do monte. – Eu posso ver um bom ou um mau futuro, tudo baseado no que você me revelou sobre ti enquanto jogava.

Após revirar algumas cartas e rolar os dados na mesa, os recolheu e profetizou:

- Escute: Os grandes herói, em que seu povo sempre confiou, fizeram sua última jornada.

Aurora sentiu o coração apertar, mesmo não tendo um coração de verdade na forma astral em que se encontrava. Sua mãe, Ártemis, era uma das grandes heroínas do reino, e tinha, há pouco tempo, viajado com outros grandes heróis, com os quais ela convivera na infância. Argon de Lentis, o tio dela, também estava na viagem. Hagen sentiria a perda também. Lembrou de Bred Storm, o imperador de Ayoria, pai de Thon. De Tímonten, o “chefe” de Ualfo. Também os pais de Allis e Valkíria. Ela sentiu-se se forças nas pernas, apesar de não estar usando as pernas dela, e sim um corpo feito por energias cósmicas.

O monstro, vendo o silêncio dela, percebeu que ela sentia tristeza. O Jogador Ancião não era capaz de compreender o significado daquele sentimento, mas conhecia bem a definição teórica.

- Vejo, criatura primária, que tu ainda não estás preparada para os poderes do Jogo: deduzir os acontecimento vindouros. Mas sei que tu tens potencial, como já me demonstrasse. Por isso, e só por isso, vou fazer o que nunca fiz. Eu vou te falar também sobre o passado e o presente.

Ela se preparou para ouvir. E por um instante, esqueceu-se do que sentia. Como o Jogador Ancião deduziu que aconteceria.

- Sobre o passado, vejo algo bom. Não sei se para ti. Enquanto a Espada estiver enterrada, os olhos da magia estarão cegos.

Aurora ficou um pouco irritada com a profecia vaga. Sabia que era relacionado com a magia não estar funcionando em visões relativas à guerra. Aparentemente havia um meio de desligar o efeito. Como esperado, a irritação, sentimento que o Jogador Ancião conhecia profundamente, mas dominava, aflorou nela. O monstro sorriu internamente, seu rosto não mostrava expressões.

- Falta a última. Este é sobre o teu presente. Não é uma profecia é um alerta: Existe outra pessoa no seu mundo que também aprendeu a jogar o Jogo, dominando-o plenamente, e ela sabe que você existe.

Os tentáculos que prendiam Malus à beira do precipício o jogaram ao chão firme. O monstro e o mundo infernal onde estavam evanesceram. Solitária, Aurora acordou no chão frio da sala secreta no quarto de Épsilon. Sentiu o corpo dormente formigar, e rapidamente recobrar os movimentos. Ela pegou o livro, que estava ao lado e o guardou na mochila que trouxera. A partida contra o Jogador Ancião havia durado mais dois dias inteiros, sem que ela tivesse se dado conta.

Ela levantou-se. Baixou a alavanca que acionou o mecanismo da porta secreta e saiu. Hagen não estava mais lá. Os Mysticals viram-na sair da sala, totalmente suada e visivelmente abatida. Eles nada fizeram ou disseram, deixaram-na partir; eles sentiam medo.

Aurora bateu à porta dos Blue Dogs. Ela estava uma figura assustadora, com olhos fundos, carregando uma mochila. Chamou por Allis, e um blue dog levou-a até ele, sentindo asco.

- Allis – disse ela com a boca totalmente seca. – Veja se Malus ainda está comigo? – perguntou ela ignorando o próprio estado.

Malus estava lá. Com dificuldade o dracomago estabeleceu contato por linguagem de sinais com a forma astral do velho sacerdote. Ele estava bem, mas havia um problema.

- Aurora, Malus não lembra onde estava nestes últimos dias. Ele está me perguntando se você sabe o que aconteceu?

- Dias, você disse dias? – só então Aurora teve ciência do seu longo sumiço.

- Sim!Nós pensávamos que…

- Não é hora ainda para isso Allis, sua magia é limitada. Primeiro Malus.

Como uma rápida conversa, Malus disse que se sentia incomodado de estar na forma astral. Aurora conjeturou que algo tinha acontecido com ele em Gehena e ficou preocupada. Aparentemente, Malus nada sabia do Jogo. Era bom que por ora ninguém soubesse.

- Diga a ele que achamos o mapa do tesouro que estava na sala dele- ela falou e Allis foi mais prático e mostrou o mapa para o velho.

- Ele disse que é um item que pode trazê-lo de volta à tumba, sem violar os mandamentos do deus dele. Faz muito tempo que está escondido nas montanhas do sul – ele traduziu. -Malus sente algo mordê-lo… na forma astral?! – avisou.

- Reúna o grupo… eu quero água- ela esmoreceu.

– Como eu pensava, mais uma longa e perigosa viagem…

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Todos tinha se juntado à mesa, em uma sala de aulas vazia e discreta.

- Companheiros, agora sou eu que peço para me ajudarem. Não por mim, mas por alguém que esta sofrendo por minha causa. Precisamos ir ao sul do reino de Ayoria para buscar o Cajado Ladrão de Cripta. Temos que pegá-lo de volta e usá-lo para remover o corpo adormecido do meu professor da tumba para que ele possa recobrar os sentidos. E desfazer uma grande injustiça.

- Minha irmã, pode contar com minha ajuda- Hagen se prontificou.

- Eu já estou desde o início e sabes que minha irmã também quer te ajudar- Allis abraçou a dócil Valkíria.

- Eu gostar de Aurora- falou Valkíria com ar infantil.

- Onde a bravura é chamada, Abimalek aparece.

- Cês ta esquecendo do mais importante de todos- Ualfo falou fazendo com que todos direcionassem os olhares para ele com desdém.

- Não sou eu não seus bestas! Tô falando do príncipe Thon! Enganei vocês todos – o monstrinho gargalhou.  Eu vou com vocês também, não fiquem tristes, só vou guardar uma roupa que tou fazendo no quarto para não pegar poeira.

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Thon ouvia das sacerdotisas como sua festa iria ficar majestosa. Nobres de todo o reino e dignitários de outras nações estavam se preparando para trazerem os animais mais fantásticos para lhe servirem de bicho de estimação. Durante semanas o tio dele, Barn, organizava a festividade que supriria a ausência de aniversários do príncipe.

Thon nasceu no dia em que a imperatriz foi assassinada, dia que foi decretado pelo imperador Storm luto nacional. Por causa disso, Barn sentia pena do sobrinho, que não poderia ter uma festa que comemorasse a vida sem que esta lembrasse  morte.

Como chefe dos espiões do reino, um cargo camuflado pelo título de Conselheiro Imperial para da Educação, Barn usava de sua influência para colocar na lista de convidados apenas os mais ricos, influentes e exibidos entre os nobres. Ele queria que o sobrinho ganhasse o melhor prêmio possível.

Assim que as sacerdotisas do Signo da Beleza se foram, Barn e Thon tiveram uma conversa mais reservada:

- Ah, Thon! Não há coisa mais linda do que ouvir aquelas gracinhas falando, você não se sente no paraíso?

O sobrinho deu um risinho.

Barn passou as mãos pelas costas de Thon e o levou para outro canto da sala, onde havia objetos cobertos com panos sedosos.

- Meu sobrinho, eu soube dos seus feitos no norte. E vou te contar um grande segredo.

- Fale-me tio.

- Você não é uma pessoa tão conhecida como o seu pai, mas é muito fácil torná-lo.

- Ué? Como?- falou com ingenuidade.

- Propaganda, meu rapaz, propaganda. O povo precisa saber quem você é! Seus inimigos precisam temê-lo! Seus aliados admirá-lo!

- Não estou entendendo o porquê?


- Simples. Seu pai não está mais aqui. Ele é uma figura muito importante. Toda vez que ele viaja, este reino vira um caos. Precisamos de um herói nacional substituto. Você entendeu?

- Eu? Nunca poderia igualar meu pai.

- Deixa de ser bobo, moleque. Seu pai não é metade do que você pensa que é. Ele era um herói, mas eu o transformei em uma lenda viva.

- Que estória é essa?

- Ora, o povo de Ayoria, melhor dizendo, os humanos de Ayoria são muito orgulhosos. Eles querem se sentir importantes, e seu pai sendo importante, eles se sentem importantes também! Por isso, eu dou uma ajeitadinha nas versões das histórias que se ouvem por aqui. Dou uma diminuída no papel dos amigos dele, mando fazer estátuas com ele bem grande. Humanos gostam de pensar que ele não é um halfling, então, custa fazer o povo ver o que eles querem que seja verdade?

-Tio, isso não está parecendo ser uma mentira?

- Não é uma mentira, é um ponto de vista – Thon olhou torto para ele e riu com repreensão. Barn percebeu que o sobrinho não iria aceitar a ideia tão fácil. O  irmão, o imperador,  teve relutância, mas aceitou fazer.

Barn tentou uma última vez.

- Não desista antes de te mostrar o que preparei. Eu soube do seu feito na arena. E mandei preparar um óleo sobre tela às pressas, ainda está fresco. Veja- disse ele puxando o pano que cobria a obra – “O Príncipe Toureiro e o Górgon”!

Thon olhou a beleza do quadro que reproduzia a luta que ele teve na arena de Serra Antiga, mas fez uma observação.

- Tio, não era um górgon – um touro bestial capaz de petrificar os inimigos e esmagar pedras com os casos -  era só um búfalo. Eu não quero um quadro que exagere nas coisas que eu fiz.

- E o que eu vou fazer com esta escultura:  “Thon matando o dragão”, espertinho?

- Tio, eu a achei  muito engraçada! Pode deixar no meu quarto? Será melhor - contornou.

- Então você não vai querer ouvir os poemas…- olhou dengoso.

- Não agora. Foi informado que meus amigos querem que eu faça uma viagem para o sul com eles – mudou de assunto.

- Thon, ouça o seu velho tio, apesar de você não ter gostado do que planejei, você não faz idéia de como este povo precisa de um herói. Quem sabe seu pai tinha razão… você e seus amigos podem ser estes heróis! O mundo sempre precisa.

- Mas um herói não pode sê-lo se for de mentira.

- Entendo, você venceu. Eu vou cuidar só da sua festa. Aceita que ao menos eu cuide para que você e seus amigos tenham boa estada na viagem.

- Sim, tio, isso eu não posso recusar.

Barn sorriu e eles se abraçaram.

 

 

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