
Fisioterapeutas - os rpgistas marginalizados
Apesar de ser um hobby de nerd, 0 estereótipo do RPGista nem sempre é similar ao do Nerd comum, dos que são representados nas comédias americanas. Tem o RPGista roqueiro, o cachaceiro, o erudito, viciado, o expert, o gamer, etc.
O RPG prova que é um currículo bastante interdisciplinar no Universo Geek. Mas é só no nosso Universo, não se iluda achando que o mundo tradicional vai achar isto normal. Podem tolerar, aceitar, não. Não sem lutar até o último playboy!
Grande dificuldade de aceitação vem do fato das regras complicadas (para os mortais avessos à leitura) e também da dificuldade de visualização do que se passa no jogo, para quem está de fora. O que é de longe o que considero o mais complicado de explicar. É como descrever cores para um cego de nascença.
Ano passado, num encontro de RPG em João Pessoa, vi uma cena que já tinha vira muitas vezes, quando eu era um feliz organizador de encontros de RPG. A cena era a seguinte:

Encontro de RPG- nem o Pânico vai
chega uma equipe de reportagem televisiva;
o(a) jornalista procura entrevistar algum jogador;
por fim, conversam com o organizador do encontro.
Aí começa o drama dos repórteres, precisam filmar algo para preencher os 30 segundos de matéria. Coitados.
Não há nada. Os câmeras vagam pelas mesas: papel, lápis, borracha, biscoitos, e muita gente esquisita.
Aleluia! Dados, ou melhor, poliedros multifacetados em várias formas e cores. Close.
É pouco.
Um maluco trouxe umas miniaturas de chumbo da época da revista Dragão Dourado, junta com uns bonequinhos de Mage Knight e uns Heroclix num tabuleiro impresso em A3, por algum mestre mais dedicado. Agora esse grupo é posto numa mesa, às pressas, e chamam algum mestre com a divisória mais legal e colocam ao lado dele os livros com capas mais chamativas.
Os jogadores improvisam, pensando que vão sair na televisão. Coitados.
No fim, de todo aquele teatro de jogo teatral só se aproveitará a imagem. Divisória de dragão, bonequinhos, tabuleiro e dados diferentes e gente esquisita.
“Por que este povo não pega uma praia neste domingo tão lindo?” indagam-se os jornalistas já no carro da emissora pensando em como editar a matéria, que nem sabem se será mesmo exibida na segunda-feira ou deixada para depois, quando não tiver algo que preste para botar no ar.

Falha crítica no Frescobol
Eu fui para praia, aliás, eu gosto muito de ir à praia, entrar na água e ficar na areia como um cachorro qualquer. E vi algo, que me chamou atenção: Frescobol.
O que diabos é aquilo? É um jogo, é um esporte, é um hobby, é falta do que fazer?
Um jogo onde não há vencedores, onde os jogadores precisam cooperar para que a brincadeira prossiga. Um jogo sem placar, sem vencedores ou perdedores, onde se imagina que se é um grande tenista, quando nem se chega perto. Quando o jogo acaba, acabou. Tudo volta ao que era antes, cada um volta a sua vida.
Bizarro. Muito bizarro. Frescobol é o RPG de praia. E um RPG indie!
Caraca, Elfo, você me surpreende a cada dia. Incrível esse seu post de assunto tão improvável!
Nossa, não sei se dou risadas ou se penso a respeito!
Muito bom artigo!
Danielfo é o cara!
Muito legal, frescobol é bacana, mas é só isso.
Dos seus posts que li, este foi o melhor.
Caraca!!! Fantástico!
Agora eu te pergunto:
Será o RPG o frescobol de mesa?
Cara, excelente. E digo mais: se o post terminasse na segunda frase do último parágrafo, seria perfeito.
Um grande abraço!
Ufa! Ainda bem que cometi este equívoco, seria impossível superar um post perfeito. Agora vou continuar tentando…
Rsrs, primeira vez que vejo um elogio ser respondido com ironia.
Não me julgue mal, eu entendi seu elogio e tomei com mais uma motivação para mim.
Não foi ironia, foi uma tentativa fracassada de bom humor.
Ah, então se é assim, sim rsrs.
Um grande abraço!
(Postando pra criar um espaço de resposta ainda menor.)
Bom texto, faz tempo que não jogo frescoball aliás. Faz tempo que não jogo qualquer coisa física tirando kinect em eventos na verdade..
Olha só que interessante.
Excelente post Elfo e digo mais uma coisa. Há anos atrás, quando os videogames apareceram o que fez eles pegarem foi justamente colocarem um final para que o jogador ganhasse ou perdesse e não só jogassem, como no frescobol.
O jogo que não acaba e ninguém ganha voltou com força total há tempos !
Hahahaha… Obrigado por arranjar uma metáfora tão sacana para nossa identificação cultural!
De tudo isso, o que tirei foi ficar pensando que tipo de nerd eu sou! =D
Aqui onde moro não tem frescobol!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk