Ventos da Guerra: Capítulo 40

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O BUFÃO

- Ninguém me falou nada sobre isso – Aurora disse para Allis e Abimalek, assim que ambos explicaram que ela e Valkíria  seriam as acompanhantes deles no baile.

- Hagen se esqueceu de ler os detalhes do convite – Allis explicou. – Estamos tão chocados quanto você!- passou para ela o convite que tinha em mãos. - Por isso, apelo para o seu bom senso, Aurora – clamou enquanto a maga lia as entrelinhas do convite e percebia que não havia margem para má interpretação, sob pena de cometer uma gafe.

- Não tente nada de ousado – ela consentiu ameçando o dracomago fazendo um das unhas de rubi crescer diante dele . Allis entendeu o recado e falou: Continue reading

XI Encontro de Jogadores de RPG

DIVULGAÇÃO

Nos dias 5, 7 e 8 de Março de 2010 será realizado o XI Encontro de Jogadores de RPG na cidade de Campina Grande – PB. Este evento acontece anualmente, sempre no período de Carnaval, em parceria com o Encontro da Nova Consciência. Mais uma vez o evento será realizado pelo grupo Confraria RPG, que já realizou alguns eventos na cidade, como D&D Game Days, Dia D RPG e Nippon RPG (organização de RPG do Eni).

Em todos os anos o EJRPG é acobertado por um tema e neste ano serão os super-heróis que terão seu lugar entre dados, escudos de mestre e muita diversão.

O encontro contará com mesas de RPG, miniaturas, Card Games (Vampire: The Eternal Struggle e Magic), palestras, live-actions e sorteio de vários brindes.

Vos esperamos lá.

Programação: Continue reading

Ventos da Guerra: Capítulo 39

ventdguerra

Seguindo o Protocolo

As ladeiras íngremes de Serra Antiga se revelaram um alívio para os aventureiros. Eles carregavam as macas dos dois soldados falecidos, o que tornou o regresso mais lento, contudo a viagem chegava ao fim. Valkíria trazia a presa do dente de sabre às costas e não via a hora de retornar, para completar a tarefa. Abimalek ajudava no transporte de um dos mortos, coberto com um lençol encardido, preocupado com o dragão. No final da fila, montada no seu fiel caprino gigante Mu, Aurora tinha a mente distante.

Thon havia se adiantado e contatado os sacerdotes locais a cerca da ressurreição dos soldados. O clericato local não tinha capacidade de trazer à vida os mortos. Thon ficou muito desapontado e se sentiu culpado. Durante a viagem de regresso, lembrou de várias estórias que havia lido em que uma morte trágica era revertida pelo poder dos deuses agindo pelas mãos dos clérigos. A realidade era menos romanceada. Nem todos os deuses concediam tais poderes aos seguidores. Dos que concediam, nem todos os sacerdotes tinham alcançado tamanha espiritualidade. E mesmo quando se encontrava alguém, nem todos os mortos poderiam receber tais favores, pelas mais diversas razões.

Thon retornou aos demais apenas para contar aos leais soldados sobreviventes que os amigos deles teriam um funeral digno de heróis e a bravura deles não seria esquecida.

No funeral, além do clericato, compareceram algumas autoridades locais: o barão real e outros nobres. O sacerdote lia os ritos fúnebres de Martaud, que garantiam boa morada eterna para os leais súditos do Império. Durante o rito, Abimalek se esgueirava através dos presentes e se aproximou do barão real.

- Preciso falar com o senhor! – sussurrou.

- Jovem, já não foi dito que a reunião será após o funeral?! – resmungou para o incômodo interlocutor.

- Não sabia que havia reunião? – sibilou o sacerdote surpreso, enquanto sentia cutucões nas costas.

- O príncipe sabia, é o que importa! – murmurou secamente o lorde.

Abimalek se sentiu traído pelos companheiros. Ele estava preocupado com a região e os amigos o ignoravam. Sentiu mais um cutucão e virou-se para ver quem o importunava: Allis.

- Abimalek, Thon marcou uma reunião com o barão e me pediu para te avisar.

- E porque você demorou tanto para me dizer? – disse irritado, mas contendo a voz.

- Eu estava com minha mente trabalhando em um novo feitiço e acabei esquecendo-desabafou.

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A mesa do salão da caça estava farta mais uma vez. Já a atmosfera, não era de festejo. Thon, Hagen e Abimalek contaram ao Barão Real o resumo dos últimos acontecimentos no protetorado dele. O barão e os seguidores ouviram sem interrupções. Só após, discursou inflamado:

- Há muito tempo não surgem dragões nesta terra. Minhas sentinelas já haviam me alertado sobre sinais de dragões por aqui, mas com poucas evidências. Este é o sinal definitivo. Não vou ficar sentado esperando um ataque!

- Eu estava pensando em formar um grupo de caça contra este dragão! – sugeriu Abimalek inflando o peitoril.

- O dragão está na minha área de caça. Ele é meu por direito! Não quero outro grupo de caçadores na região.

- Mas nós vimos o dragão! – contrariou.

- Sr. Lafer, o barão já decretou. É possível que tu aceites sem contrariá-lo? – Hagen interveio olhando para os céus.

O barão sorriu de canto de boca, pensou em mandar o rapaz insolente paras a minas, mas achou melhor deixar aquele ato passar impune. O rapaz era valente e não costumava se ajoelhar perante outros, uma qualidade muito rara em pessoas de sangue vermelho. Por fim, ele sabia que Abimalek não estava agindo  mal em tentar caçar o dragão, porém havia o príncipe herdeiro do trono. A morte de único sucessor legítimo levaria todo o império ao caos. O reino era mais importante que os desejos de valentia de um jovem audaz.

- A vida do príncipe é um bem precioso… –falou para si mesmo o barão após longo período de reflexão – não poderia nunca deixá-la correr risco indevido – falou.

- Então, meu senhor, tome muito cuidado. Enquanto estávamos nas serras ,vindo para cá, eu encontrei uma ossada…

- Nós encontramos… – Hagen completou com a humildade que faltava ao sacerdote.

- Os ossos estavam carbonizados, por eletricidade – completou Allis.

- Posso terminar! – reclamou Abimalek com ar tão indignado, que os amigos não contiveram o riso.

- O morto tinha junto dele esta espada – o clérigo tirou uma lâmina dos pertences que foi passada de mão em mão até o barão Estefânio.

- Não é mágica! – Allis foi logo adiantando.

- É de uma sentinela! – constatou o barão com franzir .

- Foi da sua sentinela, Barão. Foi! – Aurora enfatizou com leve rudeza, enquanto com os dedos massageavam as têmporas.

- O caso é mais grave do que pensei. Recomendo que vocês retornem para a capital!- e dirigindo-se ao capitão que fazia a segurança disse: - Mande preparar minha montaria alada, armadura e armas, o inimigo nos espreita.

- E o meu problema? – perguntou Valkíria fazendo o barão e capitão olharem para ela confusos, pois já haviam dato por encerrada a reunião. – Os leões! Tenho que juntar – contou nos dedos – cinco! Eu tenho – contou de novo – três!

- Os ventos da guerra estão soprando muito próximos. Vocês caçaram três leões, um deles um dragone. Você tem a prova de que matou um tigre dente-de-sabre.  Seu professor é meu filho. Vou mandar para ele um documento que provará que seu empenho foi acima do esperado e que você demonstrou todas as qualidades requeridas para cumprir a tarefa com louvor.

Valkíria fez cara de quem não entendeu patavina.

- O barão disse que a senhorita conseguiu completar a prova. – Hagen traduziu.

- Tendo em vista os novos rumos dos fatos, partiremos amanhã Lorde Griffin. Tenho completa confiança no seu êxito – elogiou Thon e em seguida deu-se por satisfeito.

A jornada em Serra Antiga tinha finalizado, uma viagem lenta os aguardava até Vitória.

O outono passava da metade quando chegaram, com o dia na metade, à capital. Foi só entrar nos portões interiores da metrópole de prédios verticais e arcos ogivais que eles se depararam com uma celebração de chegada. Para o príncipe.

Pétalas eram jogadas das arcadas. Clarins eram tocados à plenos pulmões. Cavalos brancos trotavam carregando cavaleiros de capas esvoaçantes. Uma camarilha veio dar às boas vindas ao príncipe e os companheiros e logo um servo palaciano estava ao lado trazendo o convite da festividade de recepção que aguardava a chegada de Thon.

Hagen olhou aquelas pétalas cadentes e guiou o olhar contra o vento. No alto ele viu quem suspeitava que lá estivesse: Lisandra. A líder da fraternidade a qual ele involuntariamente pertencia, junto com aos outras meninas jogavam aquelas honrarias. Lisandra o viu e acenou para ele.  Hagen acenou  de volta discretamente e  aproximou-se de Thon.

- Algum problema, vossa alteza.

- Não, nenhum, Hagen. Só que fui, aliás, fomos convidados para uma festa, que já começou e estão nos esperando.

Hagen fez ar de espanto e Thon o acalmou.

- A nossa carruagem já está nos esperando, os cavalos serão levados aos estábulos. No palácio escolheremos algumas roupas, tomaremos banho e vamos para festinha. Os detalhes da festa estão nos convites. Porém, já está tudo preparado para nós, não se preocupe com os detalhes menores. - Thon sorriu.

- Um príncipe aqui, vive como um rei.

Na universidade, Ualfo estava impaciente. Enquanto seus companheiros estavam em Serra Antiga, ele foi para Yoria, pegou os livros do mestre dele e também o couro da quimera que haviam enfrentado em Deshnok. Já pensando em galgar influência, o monstrinho, que estava contaminado pelo ambiente dos Blue Dogs, resolveu presentear o visconde com uma magnífica capa de pele leonina. E havia ficado majestosa. O melhor trabalho que ele já havia feito na vida inteira e que, certamente, nunca seria superado.

O visconde Austragésio e o senhor de Ualfo, o elfo Tímonten,  se atritaram no passado. Ualfo imaginava coser uma união entre os dois. O monstrinho aproveitou e também costurou um vínculo entre o mestre dele e a universidade, sem conhecimento daquele. David Holly, o reitor, foi a ponte que ele precisou para unir os pontos e o status de Blue Dog seria a ferramenta que usaria para construiriam a ponte seguinte.

A principio, Hendrix, o líder dos Blue Dogs, achou suspeita a reclusão de Ualfo. Todavia, Hendrix era muito bem informado e soube da viagem que Ualfo havia feito para Yoria junto ao reitor. Isso fez com que ele não se metesse nos assuntos do fremlin, até descobrir o que o monstrinho fazia. Ualfo tinha incrível esmero com linhas e tesoura. Trabalhou o couro da quimera transformando-o em um lindo tecido. Ele fixava pedras preciosas  e prendia fios de ouro, que conseguira gastando suas economias.

O gordo e articulado Hendrix começou a tratar a mascote da fraternidade com mais candura e respeito. Ualfo se abriu e confessou para o fraterno colega as reais intenções dele. Hendrix farejava oportunidades de ascensão  social e o monstrinho peludo era uma mágica de levitação, não só para ele, mas para toda o grupo. Aproveitando-se da abertura que Ualfo lhe concedia nos últimos dias, Hendrix trouxe uma bandeja de uvas para os aposentos de Allis, onde Ualfo trabalhava.

- Ualfo, meu estimado amigo, há dias eu percebo seu esmerado trabalho. Seria lamentável que ele não tivesse propósito.

- Ah! Mas não se preocupa. Dô um jeito disso chegar na mão do visconde – Ualfo já falava com Hendrix com bastante proximidade. – Deixo na mão de David e tá feito!

- Lamentável, lamentável – falou Hendrix, balançando a cabeça desapontado.

- Lamentável por quê? – disse com a pequena agulha de coser na boca.

- Não seria de bom grado entregar o presente pelas mãos do magnífico reitor- disse com voz mansa.

- Oxê?!Por que não? – falou com ar contrariado.

- Ualfo, você, aqui na nossa fraternidade, trabalhou arduamente. Cada linha – disse dedilhando a capa – cada gema, cada adereço foi pensando,  planejado e executado por você, que gozou da tranquilidade que os Blue Dogs ofereceram. E depois de todo esse esforço, será o reitor que presenteará o Excelentíssimo Ilustríssimo Visconde?

- E daí? – falou ele dando os ombros. – Ela vai dizer que fui que fiz a capa.

- Este é o erro que arruinará seu plano. Se o reitor disser quem fez a capa, parecerá que apenas citou o nome do mestre-artesão. Aos olhos do Visconde, ele será o quem estará dando o presente –explicou.

Ualfo colocou a agulha da boca na sua bolsa natural na barriga e a mandou  para o papo sem maiores problemas. Ele regurgitou uma gema e a limpou em um lenço finíssimo.

- Deixa de ser burro, Hendrix – disse sem papas na língua. – Claro que ele vai dizer que sou eu que estou mandando o presente! – e voou para um poleiro mais alto onde fixou a pedra na capa.

Hendrix arfou e procurou ser mais didático.

- Meu amiguinho pouco respeitoso. A sua esperança é vã. Caso a sua hipótese se concretize, e eu não tenho dúvidas da amizade que o reitor tem por ti, o resultado será miserável ainda assim.

- Tu é boca de praga, saí pra lá!

Hendrix se aproximou dele, ficando bem próximo e olhando nos olhos.

- Se o reitor disser que você ofereceu a capa e que ele é um simples emissário, algo  aparentemente inverossímil, o Visconde pensaria que você não teve coragem de ir entregar pessoalmente. Aliás, o Visconde é um homem muito tradicionalista, ele nem sequer receberia alguém de uma raça não aliada. Se fosse um elfo, ele receberia por puro protocolo. O seu mestre é um elfo, não é fremlin?

Ualfo ficou pensativo. Hendrix prosseguiu:

- Agora, caso uma audiência fosse marcada pelos Blue Dogs, e te digo que tenho meios para isso, pois minha ascendência é nobre, muita coisa mudaria. – ele se abriu.

- Como? – Ualfo perguntou com as orelhas em pé.

- O Visconde se sentiria lisonjeado pela oferenda. Os Blue Dogs são formados por filhos da mais alta estirpe, estudamos para adquirir saber e cultura, não por necessidade de desempenhar alguma profissão. Certamente, ele receberia de muito grado sabendo que uma fraternidade digna como a nossa o homenageia.

- Ué? Mas o que eu ganho com isso, tu taria roubando minha fama!

- Não, Ualfo. O Visconde ficaria curioso ao saber que a belíssima capa teria sido feita por um membro da fraternidade. Certamente ficaria curioso em saber quem foi. Inicialmente, ele pensaria que tinha sido as mãos delicadas de uma dama…

- Tá me estranhado?!

Hendrix sorriu, fez um gesto negativo, apesar de não ver sinais que pudessem identificar o sexo do rechonchudo fremlin.

- Você não sabe o poder que as damas prendadas despertam. Agora imagine a surpresa do Visconde em saber que as mãos finas foram as suas. Antes que ele sonhe que poderia ter sido um gesto de zombaria, coisa que os Pégasos Negros fariam, nós enfatizaríamos sua humildade e respeito pelos nobres ayorianos. Diríamos que você se ocultou por não querer colocar o nobre em vergonha, mas que seu desejo de agradar o visconde soou mais alto do que o de se recolher a sua insignificância.

- Tu me tá me elogiando ou xingando, caramba?

- O que ocorrerá é que toda a fraternidade ganhará o crédito pelo presente aos olhos dos outros nobres, mas no coração do sábio e honrado ancião, você será o querido – concluiu com ar de ternura.

- Ah! Desgraça, sai pra lá! Ta querendo chupinhar meu trabalho e ganhar fama. Vai cuidar da tua roupa! – reclamou.

- Ualfo, eu insisto. Desde que vi o seu trabalho tomar forma, pensei na melhor maneira de promovê-lo. E estou prestes a conseguir uma oportunidade inigualável para encontrar-me com o visconde na próxima semana. Seria o grande momento, haverá uma aguardada cerimônia no palácio imperial e o visconde está à procura de um traje novo para comparecer. O seu seria perfeito!

- E ainda tramou tudo sem nem me dizer. Que bicho falso! – Ualfo ficou perplexo.

- Ualfo, eu jamais faria algo que te prejudicasse- falou com a mão no peito -  você é um dos nossos. Como líder dos Blue Dogs, eu enxergo mais longe que os demais, inclusive do que você. Não deixe seu egocentrismo te cegar.

 

Ualfo mudou de expressão e deu um sorriso.  Ficou calmo, balançou a cabecinha e disse:

- Vou pensar no seu caso, acho que cê tá certo, mesmo!  Agora tu pode me deixar sozinho enquanto eu termino esta obra-de-arte?

Hendrix esboçou um sorriso cândido e colocou as uvas em uma mesinha. Deixou Ualfo no quarto para que trabalhasse sossegado. Quando ele se retirou, Ualfo pode falar com os seus botões:

- Vai sonhando gordo interesseiro! – pensou desmanchando a carinha de comoção. - Além de puxa-saco é aproveitador. Eu vou fazer é tudo do meu jeito que é melhor.

Thon abdicou da carruagem imperial e preferiu voar com Cereja até o palácio. Seus amigos seguiram na charrete e foram conduzidos a aposentos de hóspedes apropriados, mulheres em um lugar, homens em outro. A criadagem surgiu como formigas trazendo os mais variados vestuários. Abimalek rememorou que havia mandado fazer uma roupa em Yoria, de pele de pantera deslocadora e que não tinha o dinheiro para pegá-la. Teceu elogios à peça, feita do mesmo material do corselete que usava como armadura, aos criados que penavam para agradar-lhe o gosto. Allis balançava a cabeça com o gesto do súdito, que pelo visto , já se esquecera da classe social a qual pertencia no próprio reino. “Espere quando voltarmos para casa”, pensou o dracomago.

Hagen escolheu uma roupa negra e com poucos acessórios, calças não tão largas, camisas não tão bufantes e cintos pouco espalhafatosos. Como ele se aprontou rapidamente, leu o convite da festa. Tratava-se de um  baile de máscaras e cada um deveria levar  uma acompanhante. O guerreiro olhou para o sol despencando pelo céu e avisou aos companheiros:

- Cavalheiros. Não sabem o que descobri. Nós temos que levar uma consorte para o baile – Hagen falou com uma preocupação que não julgou ser possuidor, influência da fraternidade Dendrória.

- Então eu vou com Aurora – respondeu Allis.

- E eu vou com Valkíria – disse Abimalek.

Hagen ficou sem opções e protestou:

- Eu gostaria de ir com minha irmã – pediu.

- Ah! Eu pedi primeiro. E Abimalek já vai com a minha irmã gêmea. Aurora é só sua meia-irmã, que você mal conhecia. Não vai me dizer que está com ciúmes? Eu não estou.

Hagen torceu o nariz. Em seguida, teve um lampejo. Só havia uma mulher que ele conhecia que estaria pronta num piscar de olhos para uma festa dessa natureza: Lisandra.

Diário amador 2: Game Design – A Segunda questão

Esta é a segunda parte de uma série de posts onde descrevo algo da minha experiência amadora com a criação de um RPG.

No primeiro post da série, Diário amador: Game Design – A primeira questão, resolvi falar um pouco sobre algumas questões iniciais, que podem fazer parte do processo de criação de um RPG. Como já foi dito antes, a ideia surgiu de uma série de afirmações feitas por John Wick, conhecido game design do mundo indie do RPG.

A primeira questão proposta foi “Sobre o que é o seu jogo?”. Tentei respondê-la utilizando os exemplos dados pelo próprio John Wick,  junto com minha experiência pessoal durante o processo inicial de criação de A Quinta Expedição. Assim, eu acabei decidindo que o jogo seria sobre colonizadores portugueses  em uma expedição de conquista, condenada ao fracasso por um destino já traçado.  Com isso na cabeça, passei a pensar em um conjunto de regras que pudesse capturar a essência da afirmação que resume o jogo.

Vamos a segunda questão, onde você realmente precisa começar a pensar em regras.

Segunda Questão : Como seu jogo faz isso?

Conceituar inicialmente o jogo de maneira clara foi extremamente importante. Me permitiu não ficar tão perdido enquanto tomava um rumo para o projeto. Agora é preciso pensar em uma mecânica funcional que faça o que o jogo propõe.

Eu carrego comigo a experiência de um jogo, com o qual me diverti muito nos anos 90, e onde a mecânica básica das regras não era capaz suportar a proposta inicial do RPG. Falo de Vampiro: A máscara. Havia uma proposta de horror pessoal, que seria proporcionada pelo risco de “perda da humanidade” do personagem Vampiro. Na prática Vampiro acabava sendo um jogo sobre intrigas políticas entre facções rivais e acumulo de poderes sobrenaturais. Na verdade, perder um pouco de humanidade, em diversos momentos, poderia até ser considerado uma vantagem, já que isso poderia facilitar a transposição de obstáculos por meio da violência. Resultado, as regras não estavam em sintonia com a proposta do jogo. Em alguns momentos eram até contrárias à proposta.Era possível jogar de maneira diferente? Sim, mas o grupo de jogadores precisava dar um passo além. Pessoalmente prefiro que esse “passo além” seja um incremento desejado e não uma necessidade.

Como em A quinta expedição eu estava com uma idéia básica clara de jogador x destino, acabei buscando inspiração em um jogo chamado Burnning Empires, com o qual havia tido contado tempos atrás. Neste RPG, os jogadores tem seus conflito contra os antagonistas baseados em uma espécie de “medidor”, chamado de disposição. Cada lado do conflito tem um certo nível de disposição, quem diminuir o nível adversário a zero primeiro, vence o conflito. Com base nisso, criei um “contador” para esse Destino, contra o qual lutariam os jogadores. Revendo o momento histórico real, no qual A Quinta expedição (o jogo) foi inspirada, retirei alguns fatos que teriam levado a missão atual (na verdade a terceira expedição) ao fracasso. Juntei alguns dos fatos reais com elementos imaginários e obtive cinco Desafios, a serem enfrentados pelos jogadores. Na medida em que os jogadores enfrentam cada um desses desafios, surge a chance de vencê-los, diminuindo assim a “força” com a qual o Destino cria dificuldades e obstáculos para a expedição.

Voltando a atenção para os personagens jogadores, precisei criar uma possibilidade de amenizar a influência deste Destino por meio das ações dos próprios personagens. Procurei não ir muito longe e resolvi utilizar como parâmetro o velho atributo Força de Vontade. Meu conflito agora passaria a ser Vontade (dos personagens) x Destino. Quanto mais Vontade os personagens tiverem, menos o Destino pode afetá-los. Sendo o tema do jogo uma expedição, achei melhor que a Vontade estivesse ligada ao grupo e não a cada personagem especificamente. Finalmente minha proposta acabou sendo refinada para Vontade (do grupo) x Destino.  Nesse ponto, retornei a minha inspiração inicial, o RPG Lady Blackbird,  que utiliza a ideia de recompensar os PERSONAGENS por algum tipo de comportamento. Minha solução foi recompensar o GRUPO por algum personagem ter alcançado um objetivo pessoal. A intenção é bem simples, se todos estão motivados individualmente, o grupo passa a ficar mais motivado também.

Como minha intenção era criar um RPG com uma levada narrativa, regras simples eram necessárias. Por isso decidi que o Destino seria uma abstração para todas as dificuldades encontradas pelos colonizadores no jogo. Quando, durante um Desafio, um dos personagem dos jogadores precisar entrar em uma luta de espadas  contra uma antagonista, o nível de habilidade  em armas brancas do adversário será determinado pela dificuldade imposta pelo Destino. Da mesma forma, o nível de dificuldade em um teste simples para arrombar uma porta, nadar, ou conduzir uma caravela, também será determinado pelo Destino, durante aquele Desafio.

Esta foi a solução encontrada por mim para a resolução do conflito “macro” do jogo. Ao menos o que consegui fazer, tentando captar a essência da proposta inicial.

Depois disso, tornou-se preciso pensar nas regras básicas para a resolução dos conflitos em uma visão “micro”. Essa é a hora de explicar como um personagem testa seu sucesso ou fracasso frente a um obstáculo. É nisso que estou trabalhando no momento, aparando algumas arestas enquanto me preparo par um playtest com meus outros companheiros pensadores. Mas, isso já tem a ver com “A Terceira Questão”.

Busca Final

Lá estava eu no site da Secular Games, já tinha até começado a preencher um daqueles cadastros chatinhos, sempre necessários nos melhores e  piores momentos online. O objetivo final era algo bacana, minha intenção era garantir meu exemplar na pré-venda de um RPG. Chegou a hora de

preencher os dados do endereço para o envio do livro. Só nesse momento me dei conta de que estou em processo de mudança. Enquanto essa indefinição imobiliária não for resolvida, para onde devo endereçar minhas correspondências. Resultado, vou esperar mais uns dias para poder fazer meu pedido de Busca Final.

Busca Final apareceu como um dos projetos nacionais mais interessantes nesse início de ano. A proposta é de um RPG narrativo que tem como cenário um mundo fantástico e como plot um drama.  Nesse mundo fantástico de Othora tudo que é mágico desapareceu. A busca por essa magia perdida seria um ponto central dessa saga, o grande objetivo dos heróis.

Fica aqui a dica de um dos pensadores que aprecia iniciativas inovadoras, principalmente as iniciativas nacionais.

Volto a falar de Busca Final de pois que tiver meu exemplar em mãos.

É possível acompanhar mais sobre o projeto no site da própria Secular Games, bem como encomendar um exemplar do jogo durante o período de pré-venda nos links abaixo.

 

 

 

Fetiches de Magia- parte 1

fetiche-combate

Os magos são personagens incrivelmente diversos, o meu colega Rafael Beltrame, do Vorpal não me deixa mentir neste artigo que recomendo. Mas o que torna seu mago mais dinâmico é o repertório de magias que ele possui.

Em D&D a magia é divida em nas oito Escolas de Magia: Abjuração, Conjuração, Adivinhação, Encantamento, Evocação, Ilusão, Necromancia e Transmutação. Cada qual dividida em 9º círculos e contendo uma diversidade de feitiços. Um detalhe em cada magia diz respeito aos componentes que cada precisa para ser realizada.  Para um mago executar uma mágica ele precisar executar:  uma série de palavras obscuras  e/ou  fazer gestos intrincados e/ou usar objetos estranhos, que podem ser consumidos ou não no processo. São destes últimos que quero tratar. Continue reading

Crônicas do Mundo Emerso

Há algum tempo atrás me indaguei se era realmente necessário que um cenário contivesse todas as raças contidas no livro do jogador.  Eis que por acaso, custando apenas 10 reais cada livro, me deparei com as Crônicas do Mundo Emerso.  Um universo de fantasia criado pela italiana Licia Troisi, que curiosamente  é formada em física, com especialização em astrofísica. Esta série de livros de fantasia mais famosa da Itália, tendo vendido por lá, 900mil exemplares! Por aqui, a série passou abaixo dos radares da blogosfera rpgística, com pouquíssimos fragmentos encontrados.

As Crônicas do Mundo Emerso contam a estória de Nihal, a última dos semi-elfos( achei semi-elfo melhor do que meio-elfo).  Desconhecendo a própria origem, a jovem é criado por Livon, o ferreiro, como pai adotivo.  Nihal é uma habilidosa espadachim, mas é derrotada pelo mago Senar. Como muitos jogadores, ela decide aumentar o portfólio de ataques aprendendo magia também, com a sua tia, a maga Soana e a vida dela começa a mudar. Um ser maligno, conhecido apenas pelo nome de Tirano ataca a terra de Nihal e a destrói, forçando-a migrar, juntamente com Senar e Soana para reinos ainda livres das garras do inimigo terrível. Continue reading