Os projetos “by nights” muito fortes e organizados no final dos anos 90. Com o tempo foram perdendo gás devido à perda de interesse nas novelas cainitas, todavia provam que emergiram novamente a luz (da lua, claro).
Ofuscados pelo grande aumento de jogadores de RPG em geral, a presença dos fãs de vampiro foi relativamente minorada. Isso diminuiu a relevância de projetos de Live Action, em âmbito local, no cenário rpgista do Brasil.
Porém, ao contrário do que pode se imaginar, ainda há muito espaço para o fortalecimento destes projetos, justamente devido ao aumento no número de jogadores. Trago abaixo uma entrevista com os dois coordenadores do projeto Paraíba by Night, Paulinho e Hausman.
1) Apresentem-se?
Sou Paulinho (Paulo Henrique R. Sousa), formado em turismo, 26 anos, residente em João Pessoa, trabalhando atualmente com produção de eventos, tenho namorada kkkkk e vida social. Atualmente Head Storyteller do projeto Sombras Eternas – Paraíba by Night.
Me chamo Hausman. Sou professor de desenho e jogo RPG há cerca de 15 anos; jogos de Live Action em torno de 7 anos e atualmente sou um dos organizadores do projeto One World by Night (OWBN) aqui em João Pessoa na Paraíba
2)Como é organizar de um projeto de live actions?
Paulinho: Organizar um projeto de live action é interessante e trabalhoso. Primeiramente por ter um número de pessoas maior do que o convencional de uma mesa de amigos, portanto, a necessidade de criação e interação de mais que um narrador é necessário. E interessante, pois o OWBN (one world by night) é um projeto mundial, fazendo com que a interação não seja somente entre os elementos de uma ambientação e de variados projetos pelo mundo.
Hausman: Organizar live actions é um pouco mais complexo que uma sessão comum de RPG. Envolve planejamento em comum de história com outros narradores, divisão de tarefas em organizar e conduzir momentos da trama e jogo, mas também torna-se interessante no sentido de não precisar de uma narrativa continuada o tempo todo. Os jogadores recebem suas metas e objetivos e interagem com eles mesmos e nesse aspecto o narrador se torna mais um “supervisor” de jogo.
3)Quantas pessoas organizam o projeto em João Pessoa?
Paulinho: Atualmente 4.
4)Por que escolheram esta versão de vampiro?
Paulinho: Pelo fato que a interação em Live Action chega a ser mais interessante do que a mecânica de mesa e pela interação com outros projetos pelo mundo.
Hausman: No início do projeto, baseado no jogo Vampiro: A Máscara, o cenário oferecido era este ( os outros ainda não estavam devidamente desenvolvidos ) então foi um pouco óbvio que se torna-se o mais famoso em jogo dentre o projeto pelos jogadores e fãs. Continua assim até hoje e os jogadores preferem esta plataforma de jogo dentro do projeto ( não que outras não possam ser escolhidas).

5)Há quanto tempo dura o projeto By Night?
Hausman: O projeto(nacionalmente) surgiu em 1998, mas só tem sido jogado regularmente por aqui desde 2003, e tem sido assim desde então.
6)Quantos jogadores participam?
Paulinho: Em média 20 jogadores e 4 narradores.
7)Toda a ação é jogada apenas em live actions ou existem outras maneiras que vocês usam para jogar no projeto?
Hausman: Na verdade não. Existem sessões de jogo, onde os jogadores podem encontrar o seu narrador ( que é orientado por um diretor local do jogo – ou diretores ) para atualizar suas ações de jogo entre os lives. A versão de lives, diferente do já conhecido jogo de mesa, envolve muitas jogadas sociais, políticas e de influências, isto por sua vez é anotado e controlado pela direção em anotações ( tal qual um narrador faz com seu grupo de jogo de mesa após verificar as ações da mesa de jogadores). As interações entre os personagens de diferentes locais são resolvidas em listas virtuais na internet e os jogadores conversam entre si numa lista feita para se falar sobre o jogo ( lista de personagens e lista de jogadores).
8) Como vocês fazem para que novos jogadores sejam “abraçados” ao projeto? Há restrições de idade para entrar?
Paulinho: Em geral é necessário que os jogadores sejam maiores de idade como recomendado pelo próprio jogo.
Hausman: Geralmente nos encontros de RPG locais, se divulga o projeto ( quando ele ocorre na cidade e existem vagas disponíveis pra se jogar). Sempre é necessário algum conhecimento prévio do que se trata o jogo ou de como ele é jogado antes de começar, mas isso é resolvido quando o jogador se dispõe a aprender com os participantes do projeto. Claro que devido ao tema um pouco maduro ( temas de terror, vampiros…) se exige certa maturação do jogador que pretende participar não quanto ao conhecimento do jogo, mas quanto a sua maturidade pessoal em lidar com esses temas ( ninguém é realmente um vampiro, não se bebe sangue por aí nem se mata pessoas; vampiros não existem ) a maior idade geralmente é aconselhada.
9) Nos anos 90, do século XX, os jogadores tinha como referência os vampiros de Anne Rice (de Entrevista com Vampiro). Atualmente, os fãs da Saga Crepúsculo (de Stephenie Meyer) fazem parte do projeto?
Paulo: Acredito que sim, mas como essa admiração é pessoal eu não chego a ter conhecimento de causa.
Hausman: Muitos dos vampiros atuais ( na literatura e cinema), mesmo em algum grau, trazem resquícios de arquétipos ou chavões de certos estereótipos já conhecidos no tema: os selvagens, os políticos, os sedutores, os místicos… Isso tem transposto as gerações. Como também existem no jogo ( que tem seu cenário bem estruturado e sistematizado) são devidamente explicados para não se cometer confusões com os vampiros dali ou daqui em termos de obras ou adaptações. Existem as Famílias e Linhagens de vampiros do próprio cenário e isto por si já resolve muito o problema. Muitos dos vampiros atuais ( na literatura e cinema), mesmo em algum grau, trazem resquícios de arquétipos ou chavões de certos estereótipos já conhecidos no tema: os selvagens, os políticos, os sedutores, os místicos… Isso tem transposto as gerações. Como também existem no jogo ( que tem seu cenário bem estruturado e sistematizado) são devidamente explicados para não se cometer confusões com os vampiros dali ou daqui em termos de obras ou adaptações. Existem as Famílias e Linhagens de vampiros do próprio cenário e isto por si já resolve muito o problema.
10) Vampiro é um jogo com temática adulta, envolvendo intrigas e traições. Alguma vez, o clima do jogo ultrapassou o jogo e gerou conflitos pessoais? Como lidar com isto se acontecer?
Paulinho: Esta chega a ser uma verdade recorrente em vários projetos pelo mundo todo. Atualmente a crônica de João Pessoa passa já há alguns anos uma estabilidade notória, portanto, o clima de amizade impera diferente de outras crônicas. Ao dia que tal fato acontecer, será conversado com as partes e mostrado que isso é somente um jogo e não um motivo real para que as pessoas tenham brigas reais, a finalidade do jogo é a diversão.
Hausman: Onde existem pessoas e grupos sempre existem problemas com conflitos pessoais. O projeto tem regimento e organização interna ( tal quais os jogos online, clubes, e associações) para contornar estes deslizes e cortar esses excessos por parte de certos jogadores, afinal, é apenas um jogo e não deve ser levado para o lado pessoal jamais.
11) Lives envolvem fantasias e roupas nem sempre usuais. Isso já acarretou algum problema ou situação inusitada para algum dos participantes?
Paulinho: Até o momento não. Sempre se é procurado um local onde os jogadores possam ter privacidade e não passem por qualquer situação do tipo.
12) Quais as dificuldades de manter um projeto como este?
Hausman: Na verdade são muitas, pois exige um grande esforço em dedicação, comunicação e trabalho em equipe, e é natural que os afazeres e ocupações da vida nos tomem com outras obrigações como trabalho, família e objetivos pessoais. O nível de compromisso é grande, mas a diversão ( se devidamente apreciada ) é também garantida: viagens, lugares pessoas e novos amigos.
13) Se não fosse vampiro, qual outro jogo você gostaria de transformar em um projeto de lives action?
Paulinho: A facilidade de ter um projeto como este é que até certo nível a maioria dos personagens dos jogadores tem feições humanas, portanto, a caracterização é mais eficiente. Qualquer outro projeto pode ser escolhido de acordo com o interesse dos jogadores nesta ambientação, a diversão esta totalmente ligada com o interesse intrínseco dos participantes.
Hausman: O projeto dá suporte a outras temáticas de jogos de horror pessoal: magos, fantasmas, lobisomens e fadas, mas creio que seria divertido jogar alguns temas históricos ( como era vitoriana ou cenários históricos em geral) ou de ficção científica em cenários futuristas ou históricos.
Obrigado aos dois coordenadores e sucesso no projeto.
Eu já joguei no Jampa by Night. Eu já joguei!!!
Eu jogo no pbbn. Eu jogo e paulinho só tem conversa. Só conversa! rs
É… eu sempre faço parte da parcela (mais) vilã.
Tinha até esquecido disso, mas na fotinha me recordei dos saudosos lives.
^^