Aurora estava dormindo e nos sonhos resgatava o corpo de Malus da tumba, porém foi despertada por uma batida estremecedora. Ela acordou sobressaltada e perguntou quem batia à porta. Um “eu” longo soou por de trás da porta, era Valkíria que estava na sede dos Mysticals. A feiticeira abriu a porta e viu a amiga com uma mochila nas mãos, que foi arremessada para ela quase a derrubando com a força do impacto.
- Vamos pegar leão. – intimou.
Aurora lembrou-se que tinha se comprometido em ajudar Valkíria nessa missão e não seria inteligente contrariar um guerreira em tão curta distância. Ela sorriu amarelo e concordou com a busca. Malus estava morto, não iria a lugar algum mesmo.
Valkíria convocou todos os membros do grupo, os quais tiveram a precaução de não contrariar a poderosa guerreira. Ela foi ao encontro do professor dela – Lionel – para comunicar que já tinha conseguido um grupo de valentes guerreiros para ajudá-la a trazer os temíveis leões. O poderoso professor ouviu o relato sucinto da aluna e decidiu que ela deveria partir, mas não sem antes receber um presente.
O mestre chamou a aluna para irem ao canil. Dentro de uma enorme cela, havia um grande cão, que babava raivoso. Lionel pediu para que Valkíria ficasse onde estava, ao passo que ele ia até a grade. O cão jogava o corpo contra o portal metálico, tentando arrombá-lo sem sucesso, mas fazendo lascas se soltarem ao redor dos pinos que o fixavam. Ele abriu as quatro trancas que prendiam a porta e o feroz mastim vitoriano escapoliu e lambeu a mão do mestre, que estava protegida por uma manopla revestida com couro. Lionel cochichou algumas palavras nas orelhas do cachorro, que só então olhou para a intrusa. O pêlo do cão se eriçou e a saliva ficou mais espumante, o mastim avançou latindo ameaçadoramente para Valkíria. O animal ainda não havia sido alimentado naquele dia.
O cão lançava um olhar psicótico sobre a guerreira, rosnando com uma fera. Ela percebendo a ameaça e não sentido temor, rugiu! Um urro profundo, como se milhares de bestas adormecidas tivessem acordado famintas por eras. O cão conteve o passo e o pêlo assentou. Valkíria botou a mão pesada sobre a cabeça do cachorro e este balançou a cauda. Lionel teve certeza que Valkíria era alguém com bravura incomparável e se orgulhou da sua aluna.
- Valkíria, este é Espuma, meu cachorrinho. Ele é um bom caçador de leões. Leve-o para ajudar na sua caçada. Enquanto você estiver com ele, Espuma não atacará ninguém que estiver ao seu lado. – disse Lionel, entregando a corrente do cachorro.
- Espuma, nome bonito. – falou sacudindo a cabeça do animal que se alegrava todo.
No palácio, logo Thon foi informado da demanda que sua amiga aventureira pretendia. Barn, o tio e conselheiro, o recomendou para aquela empreitada, por achar muito proveitoso que o filho do imperador visitasse o baronato de Serra Antiga, ao oeste. A excursão seria realizada com uma visita oficial com o objetivo de fortalecer laços políticos entre o Barão Real e o Império. Barn sugeriu que Thon se aventurasse para provar a linhagem valorosa do sangue imperial, contudo mandaria alguns soldados como apoio em caso de emergências. Barn sabia que riscos deveriam ser minimizados, mas não era sábio fazer parecer que o príncipe fosse fraco. Como Barn adorou a idéia de promover Thon em herói, eles incentivou o sobrinho, conversando com ele no pátio elevado, vendo a cidade em volta.
- Será uma ótima oportunidade para você mostrar do que é capaz. Seu pai é um grande é herói. Já enfrentou monstros poderosos, vilões traiçoeiros e uma entidade maligna de poder supremo que sem mim não teria vencido!- disse vangloriando-se do feito. - Ora! O que quero dizer é que você não pode baixar o nível da nossa grandiosidade. Somos pequenos gigantes, Thon!
- É eu vou mostrar o meu valor, tio Barn!
- É por isso que você é o meu sobrinho favorito! – disse jocoso.
- Ah! Eu sou seu único sobrinho.
- E o mais esperto também. – falou de falsete.
- Por falar em esperto…eu gostaria de ganhar um presente especial.
- Falou com a pessoa certa. Que tipo de presente seria esse: tesouro, uma festa cheia de bebida… algumas garotas? Malandrinho, olha só o sangue dríade aflorando.
- Não é isso. Gostaria de ganhar um bichinho de estimação!
- Opa! Outro? Você não ganhou uma égua alada um dia desses?
- Mas eu quero um animalzinho pequeno.
- Hum! Tenho uma idéia. Vamos transformar este seu desejo em uma cerimônia imperial. Já escuto os arautos entrando em todos os salões dos nobres:
“ O Príncipe Thon – filho do Imperador Bred Storm – deseja possuir um animalzinho de estima. Aquele que trouxer o mais belo espécime e que for pelo príncipe escolhido terá a honra de receber a gratidão principesca e será considerado leal aos olhos do imperador.”
- Não acha pomposo demais? – questionou o sobrinho.
- Claro que não, Thon. E a melhor parte é que os inimigos são aqueles que mais se empenham em demonstrar lealdade. – disse com um sorriso maroto.
Thon foi se encontrar com os amigos e entrou na universidade cavalgando Cereja. Quando avistou os seus amigos foi surpreendido por moças da fraternidade Dendrória que lançaram pétalas no chão por onde ele passaria. Hagen e os demais se aproximaram do estático príncipe. Lisandra, que teve e idéia da homenagem ao príncipe, sussurrou para Hagen, que chegava:
- Faça as pétalas levitarem, ficará lindo. – e piscou.
Hagen fingiu não entender. Valkíria entregou uma mochila para Thon e os chamou todos para saírem logo dali. Todos menos o fremlin. Quando Ualfo percebeu que seus colegas estavam se preparando para fazer uma viagem demorada, ele teve uma brilhante idéia: ir para o outro lado. O monstrinho resolveu trazer a biblioteca do mestre dele para a Universidade, que tinha melhor condições de preservar os livros. Valendo-se do acesso que possuía ao reitor, lançou a proposta do empréstimo dos livros para o acervo da biblioteca universitária. David, que era amigo de Tímonten, decidiu aprovar a atitude do lacaio atrapalhado e fez questão de acompanhar o monstrinho na viagem para buscar os tomos. David Holly gostava de respirar os ares yorianos e a divertida presença do Ualfo o descontraia da vida atribulada como reitor.
Na cabeça do monstrinho, mil planos. Influenciado pelas idéias dos Blue Dogs, aqueles livros seriam um pequeno passo na busca por influência. Não que Ualfo pensasse nele, como um bom servo, ele sempre pensava em prol do mestre. Tímonten não era bem quisto em Ayoria e tinha fomentado desavenças como vários Lordes. Um deles, o renomado ancião Austragésio de Leão era atual Visconde de Ayoria, o primeiro homem depois do Imperador. Com a ausência monarca, o visconde segurava o cetro de comando. Dentre tantos nobres, Ualfo escolheu justo o visconde para começar seu perigoso jogo de influência.
Eles foram de carruagem para Yoria. Além dos missão primária, desejava carregar consigo a pele da quimera que ele havia esfolado em Deshnok e que com muito pesar convenceu os amigos maiores a levarem de lembrança. Ualfo sabia costurar e queria coser com as próprias mãozinhas um belo manto para o visconde, feito com couraça leonina da quimera. Ele planejava usar os tomos arcanos como meio de influenciar o amigo reitor a apresentá-lo ao Arquilorde, pois descobriu na sua fraternidade que a influência do príncipe Thon não era das mais notáveis nos escalões superiores do reino. O que Lorde Austragésio prezava mais do que a nobreza era a sabedoria e o jovem e pequeno halfling não seria a peça certa a movimentar, ponderava o fremlin. Ualfo obviamente ignorava o efeito negativo da sua própria presença aos olhos de um nobre de sangue azul.
Enquanto Ualfo delirava, os seus amigos viajavam em sentido oposto. A região desértica para qual rumavam era vislumbrada no horizonte de Vitória, se alastrando até a fronteira de Tantra, à oeste. Era um deserto rochoso, porém o clima outonal abrandava o calor e a secura. Dos rochas brotavam colunas de pedra arenítica, algumas com cavernas escavadas por chuvas, outras pelos deuses na Criação. Eles entraram no cânion do rio Steinn e pegaram uma balsa para cruzar o majestoso rio, que rasgava aquele solo agreste. Os balseiros não ousaram cobrar a travessia da comitiva do filho do imperador, mas Thon fez questão de pagar os cobres que seriam de direito.
Serra Antiga era uma aldeia de mineiros. Humanos conviviam com anões ayorianos, que eram muito abundantes, além dos halflings, em minoria. A aldeia era repleta de minas de estanho, zinco, chumbo, carvão e poços de óleo. O Barão Real Estefânio Griffin era o senhor daquela região e responsável por fazer a riqueza do lugar verter para a capital do Império. O solo daquela região era tão rico que não era preciso muito esforço para arrancar das escavações os minerais. Os elementais da terra eram poderosos naquele lugar e diziam ter o poder de regenerar as riquezas da terra com mais intensidade do que em outros locais. O Barão lamentava imensamente por viver numa região de pouco ouro, e de prata inexistente.
Thon foi recebido por uma festiva comitiva, observadores do alto dos dedos de pedra haviam avistado o príncipe. O barão local havia sido alertado previamente por Barn mediante um batedor e estava a postos para tratar com hospitalidade o ilustre convidado. Dançarinas tocando pandeiros e flautas anunciavam a chegada do príncipe à aldeia. Homens e mulheres cansados de trabalhar tiveram um momento de alegria, mas seus rostos cansados não tinham sorriso fácil, apenas rugas e suor. Lorde Griffin extraia dos servos o máximo do trabalho, porém os comprava dando liberdade quase total para fazerem o que quisessem, não interferindo na formação de associações de trabalhadores. Cada homem tinha direito de portar sua arma, em geral feita de bronze. Contudo o Barão já havia esmagado pessoalmente várias revoltas e incitações dos servos e entregar-lhes uma arma era a prova de que não tinha medo de debelar novos protestos. Monstros que viviam por perto acabavam servindo de ajuda a tirania do barão, pois servos fugitivos acabam sendo mortos por feras e monstros que se escondiam nas montanhas e cavernas.
As dançarinas cruzaram a cidade, que não tinha muros, ficava situada em cima de um morro de difícil acesso, que foi ficando mais alto cada vez que as terras colaterais eram aprofundadas pela mineração. As casas eram feitas por tijolos vermelhos e se amontoavam ao redor dos morros. No alto, ficava a casa do Barão, construção não muito superior a dos demais, onde não havia luxo ou ostentação. O cômodo mais amplo da casa era o salão da caça: uma sala retangular onde havia uma grande mesa de granito azul estelar. Um caldeirão de latão fervilhava na lareira e perfumava o ar com gordura. As paredes eram adornadas por cabeças empalhadas de animais e monstros, estando uma cabeça aquilina de um grifo pendurada acima do trono e junto dela uma lança. No trono, um velho com ar altivo e orgulhoso. A presença do príncipe não causou-lhe nenhum espírito de vassalagem, porém o barão fez questão de demonstrar seu senso de hospitalidade:
- Sejam bem-vindos a Serra Antiga, a estrela subterrânea. Entrem no Salão da Caça.
- Eu e meus amigos agradecemos a sua hospitalidade Barão Real Estefânio Griffin. Minha comitiva trás presentes da capital. - pronunciou-se Thon.
Os soldados traziam alguns insumos raros de se obter no deserto e também cristais para luzirem sobre a famosa mesa de granito azul estelar do salão da caça. As mãos ásperas do barão manusearam os cristais com hábil destreza, demonstrando para os guerreiros do grupo que aquele velho homem sabia usar com sabedoria a força bruta que conservava. O homem chamou suas filhas, cujo homem algum foi capaz de desposar, e ordenou para que elas guardassem aqueles presentes junto aos tesouros.
A mesa tinha ainda muitos lugares vagos, pois só comiam com o Barão Real o primo dele, que era o sacerdote local, o sobrinho que era chefe do exército e o cunhado que ocupava o posto de chefe dos capatazes. Eles sentaram-se e comeram do banquete do barão, menos Abimalek. O sacerdote não comia carne e não tinha nado no banquete que ele apreciasse. Indelicado como de costume, e já se sentindo amigo íntimo do barão, perguntou:
- Aqui não tem frutas para comer, não?
- Só frutos da CAÇA! – respondeu o barão querendo exaltar sua habilidade como caçador.
- Eu não como carne. E aqui há pouca variedade de grãos. – continuou o exigente clérigo.
- Você não come CARNE?! – espantou-se o lorde junto com sua pequena corte.
- Eu tenho respeito pelos animais. – disse sem intenção de ofensa.
- Eu também! – o barão, num claro ato de provocação, apontou para as cabeças mortas dos animais que olhavam de volta para o banquete à mesa.
- Eu comer carne! – disse Valkíria dispersando a atmosfera interna tempestuosa.
Abimalek foi fulminado por olhares e decidiu respeitar as diferenças, mas achou o sabor oleoso da comida rançoso e passou a catar algumas tâmaras que estavam nos pratos servidos. Ele orou para deusa dele que tornou aqueles frutos mais saborosos e nutritivos, com uma única semente ele já estava saciado. Abimalek inventou uma desculpa e disse que iria mijar.
Sem a presença do clérigo, nenhuma outra gafe foi comentida e Valkíria, com suas devidas limitações, explicou sua missão naquela aldeia:
- Meu professor, mandar eu caçar leão. Entregar cinco. Me deu Espuma, cachorro bonzinho. – disse jogando um pedaço de carne para o cão que se debatia o chão enquanto coçava-se.
- Então você é a aluna do meu filho Lionel Griffin, o arqueiro.
- Ele mandar caçar leão e trazer vivo. Cinco. – disse ela após contar nos dedos.
- Esta é a melhor terra para procurar leões. Vocês podem achá-los em vários lugares por aqui. Há leões nas montanhas, nas cavernas e nos desertos. Existem vários tipos de leões diferentes. Eu já conheço Espuma, ele é um bom cachorro e já arrancou muito rabo de leão. – disse rindo.
- Com todo respeito, meu senhor. Qual é o local que o senhor recomenda para a nossa caçada ter mais êxito? – perguntou com prudência Hagen.
- Vejamos – disse coçando a barba e tentando ser educado com os jovens da capital- nas montanhas vocês podem achar alguns gigantes mambembes. Nos desertos existem tubarões de areia. Já nas cavernas, pode ser que vocês achem alguns homens-lagarto.
- A caverna parece melhor, não é pessoal? – sugeriu Allis.
- Nunca ouvi resposta tão sábia. – comentou Aurora.
- Vocês terão tempo para decidir, pois eu os convido a conhecer as minhas terras amanhã. – disse o barão Griffin.
- Será uma honra. – respondeu Thon.
Pela manhã, o Barão e seu séquito mostrou como a aldeia e suas minas funcionavam com perfeição. Thon conseguiu perceber um raio de esperança quando o povo o viu chegar lá. Ele sentiu os mineiros ficarem cada vez mais animados e festejarem, correndo pelos andaimes e trilhas na pedra escarpada para vê-lo. Thon, habilmente sentiu, que algo estranho havia ocorrido, a reação deles parecia ter mudado subitamente, de um estado de alegria para euforia.
- Por que eles ficaram tão agitados de repente? – perguntou Thon ao barão.
- Porque vai haver uma luta na nossa arena de touradas hoje à tarde.
- Que bom! Parece ser interessante o espetáculo. Por que não me disse ontem?
- Porque não sabia se você aceitaria o desafio.
Thon ficou mudo e o barão lançou um olhar sério sobre ele.
- Quero ter certeza se você é digno do sangue do seu pai, ou se puxou a fragilidade da sua mãe-fada. - desafiou.
Os demais perceberam que algo não ia bem na conversa entre os dois, mas Thon fez um gesto tranqüilizando-os.
- Pessoal, hoje a tarde eu vou matar um touro na arena.
- O povo estará ansioso pela sua vitória, pequeno príncipe. -o barão falou enfático.
O Barão deixou Thon à vontade com os amigos. Porém Thon os acalmou.
- O barão acha que eu não sou um guerreiro como meu pai. Pelo visto já espalhou que eu vou lutar na arena e agora todo o povo já sabe. Se eu não lutar, ficarei com fama de covarde. Terei que lutar e vencer.
- Temos que pensar em algo para te ajudar. – falou Aurora.
- Não se preocupe. Eu posso dar conta sem mágica. Quero vencer isso sozinho e calar a boca desse lorde. Meu pai já passou por desafios muito maiores que este.
- Quero ter certeza se você é digno do sangue do seu pai. Os se puxou a fragilidade da sua mãe-fada. – desafiou.
acho que ao invés de Os era ou.
DALHETHON
corrigido!
esse cao é o mais raro do mundo…
E parece que é uma das raças mais antigas também.