Conversando com uma colega, falamos sobre a animação Meu malvado favorito. Ela, como fã casual de animações, fez uma revelação que não é comum ser discutida. Ela disse: “o filme é engraçado, mas não é para crianças. O malvado só faz coisas erradas e isto no filme é bom.”
Minha colega criticou os valores morais do filme e chegamos em consenso num ponto: as crianças só assistem filmes piegas hoje em dia. Em Shrek 4, o pobre ogro é duramente repreendido por gritar numa festa, como se fosse a coisa mais grave do mundo.
Quando foi que isto mudou? Vamos voltar um pouco no tempo. Para 1955 (o ano em que o capacitor de fluxo foi inventado). Pica-pau, Papa-léguas e o coiote, Tom & Jerry, Pernalonga entre outros personagens que inspirariam o jogo Toon. Jerry queimava o couro de Tom com um ferro de passar. Hortelino atirava com espingarda em Pernalonga (ele deveria mesmo ter virado à esquerda em Albuquerque). Pica-pau podia roubar gasolina do carro do guarda e ir para o céu. O marinheiro Popeye fumava cachimbo e espancava o fura-olho do Brutus.
No Brasil, temos um exemplo muito evidente desta onda de politicamente correto: A turma da Mônica. Cebolinha pratica bullying freqüentemente, Cascão nunca toma banho, Magali rouba comida dos outros e Mônica revida o Bullying com violência. Fantástico. Porém, tiveram o plano infalível de fazer a tulma clescer. Cebolinha fala certo, Cascão toma banho, Mônica é um doce de pessoa e Magali faz dieta! Por favor, não me digam que Chico Bento agora entrou no Agrobusiness.
No “Meu Malvado Favorito” o vilão faz coisa erradas e ainda parecer um cara legal. Ele pode explodir e não se ferir, congelar pessoas e elas não morrerem de hipotermia e todas aquela falta de realismo que fazia Patolino ser engraçado. O filme também dá boas ideias para usar em campanhas quatro cores de Mutantes & Malfeitores, com planos mirabolantes e exagerados. Não há nada de mal em mestrar aventuras divertidas e sem realismo nenhum. Vejam o seriado Heroes, tentou ser certinho demais e naufragou, Smallville faz tudo o que quer e tá na décima temporada.
Eu não acredito que ver absurdos cometidos por personagens de desenhos inseridos numa atmosfera completamente irrealista sirva de mal exemplo para as crianças. A maldade acaba sendo ridicularizada no processo e não banalizada com acreditam os psicólogos (como se a Psicologia fosse uma ciência exata). No RPG, estamos em contato com os mesmos “erros” dos desenhos o tempo todo e um das razões da cruzada que vez por outra sofremos se deve a esta onda do politicamente correto tentando adentrar nas nossas mesas, censurando nossos livros por nada. Para os chatos de plantão eu só tenho duas palavras a dizer: Beep-beep!
Complementando o seu comentário final:
O que é que há, velinho?!
KKKK adorei a piadinha no final, concordo com isso querem proteger as crianças do mundo os desenhos de hoje em dia tudo mundo é certinho demais
Não sei se posso concordar com sua amiga. Na animação em questão, o personagem principal é mau, mas é um “mau de mentirinha”. No final ele se redime muito claramente, com direito a moral da estória, mensagem edificante no final e tudo mais. Nada diferente do politicamente correto de sempre.
Mas é justamente este mal de mentinha que vem sendo perseguido nos desenhos de hoje em dia. Assista os novos desenho de Pica-pau.
Outro ponto positivo que gostei no filme, foi a crítica à crise de crédito americana.
Hey! Eu gosto de TMJ!!! ¡D
Acho que eles tentam superar seus defeitos, mas nao deixam de ter suas personalidades, um otimo exemplo pros adolescentes maria-vai-com-as-outras.
Em relaçao a vida real, ate que a gente se saiu bem com tantos maus exemplos, afinal, eu duvido que os pitboys, skinheads e porraloucas do genero tenham se alfabetizado com a turma da monica, como eu e sim aprendido ao vivo, em casa mesmo!
Adorei o post!
Xero!
Tenho dificuldades em aceitar as mudanças nos personagens de TMJ, mesmo sendo coerentes.