Continuo com minha série de artigos, na qual enriqueço a descrição dos monstro do mal. O novo monstro é um que vem perdendo prestígio durante as edições de D&D. Os Bullyugs ficaram famosos por servirem ao temível vilão Vingador, de Caverna do Dragão(como se ninguém soubesse quem ele é). Esses monstros estão de fora dos livros do monstros básico nas edições novas. Se você não possui nenhum livro com a ficha destes antipáticos monstrinhos, veja aqui e no Dungeon Compendium.
Como de praxe, vou me basear em alguma coisa para aperfeiçoar o comportamento deste monstro. Afinal, ninguém quer que um raça inteira vire apenas um desafio estatístico para seus jogadores, você está mestrando ou jogando Dota?
A descrição resumida que o livro dos monstro fornece é de que os bullywugs formam uma sociedade machista e dominada pelo mais forte. São bons pescadores e odeiam humanos. Acho que dezenas de monstros malignos compartilham grande parte desta descrição. Então, vamos escolher os valentões de escola para contruir os bullywugs, afinal bullying tá na mídia.
A sociedade destes monstros apresenta características singulares. Estas criaturas costuma se associar em bandos, compostos por machos e tantas fêmeas quanto a força do bando permitir. Cada bando é formado por um macho poderoso, alguns simpatizantes fortes que se aliam a ele e seguidores subjugados que buscam proteção ou são forçados obedecer o bando. Alguns bandos são tão fortes que conseguem controlar outros bandos, formando clãs. Clãs tornam-se tão poderosos que conseguem subjulgar os demais clãs da região, formando uma tribo.
Estas relações de poder são muito instáveis, podendo variar completamente quando o líder que a sustenta desaparece. A morte de um único indivíduo é capaz de provocar uma enorme convulsão social dentro da tribo. Muitos monstros fracos ficam temerosos quando seu lídere morre, se esse é do tipo que oferece proteção. Sem seu líder, eles podem acabar sendo dominados por outros e forçados a entrar em bandos indesejados. É este sentimento de medo em relação às mudanças que faz como que muitos bullywugs se sacrifiquem pelos seus chefes. Um bullywug se sacrifica mais por medo de algo mais terrível lhe aconteça do que por amor a uma sociedade ordeira.
Poder para quem merecePara sobreviver na sociedade bullywug é preciso três atributos: força, inteligência e sorte. Muitos bullywugs são estúpidos devido a um desenvolvimento mental precário que acomete grande parte da raça. A inteligência é o primero fator de divisão racial, um bullywug de pouca inteligência acaba ficando na base da sociedade, empregado como soldado nas linhas de frente ou pescador em áreas de crocodilos. Os menos estúpidos ficam em funções mais importantes na confecção de objetos e proteção da cidade. Os mais inteligentes viram os líderes e sacerdotes, que coordenam a organização social da tribo.
A força é o segundo fator em importância, um bullywug forte poderá galgar postos maiores que sua inteligência permitiria. Assim que percebe que é um bom combatente, o bullywug instintivamente coagirá os outros a obedecê-lo. Já um bullywug forte e inteligente começará usar a força com astúcia. Ele ameaçará outros da espécie para formarem alianças e os chanteagerá uns para adquirir segurança contra traições, formando assim um novo bando na tribo. Todo carisma de um indivíduo é usado para que outros bullywugs venham para debaixo da sua influência, formando grupinhos fechados. Estes grupos começam a agir coletivamente para intimidar outros bullywugs, ganhando respeito na tribo.
O último fator é a sorte. Se um bullywug nasce fêmea a vida inteira ficará preso no artesanato e na reprodução, sem espectativas de progresso. Se nasce macho, ele deverá sobreviver até a vida adulta. A sociedade é completamente voltada para os adultos (machos principalmente), filhotes de bullywugs nascem às dúzias e dúzias por desovada e devem se virar para obter a própria comida, tanto na fase larval, onde são alimento de todo tipo de animal, quanto na infância. Os girinos bullywugs surgem nas águas próximas da sociedade que lhes deu origem, mesmo quando nascem em rios, revelando que eles tem uma memória ancestral excelente. Quando retornam, já são considerados adultos pelos demais, porém adultos fracos e inúteis. Os bullywugs jovens são arregimentados pela tribo coletivamente -sem terem pai ou mãe – ficando a cargo dos líderes espirituais e militares o controle desses jovens. Como é fácil perceber, poucos são os sortudos que sobrevivem até a chegar na fase reprodutiva.
Os bullywugs não realizam a cópula diretamente. A fêmea, que são mais gordas que os machos, põem os ovos e os machos os fertilizam. As fêmeas não ficam presas na criação das crias como em outras espécies, o que dá tempo para elas se dedicarem a tarefas produtivas na tribo. Porém, como são fisicamente inferior aos machos elas são escravizadas por eles.
Um macho forte pode ter várias fêmeas para fertilizar os ovos, já machos fracos se juntam para escravizar uma fêmea que servirá para todos eles. Quando as fêmeas não estão pondo ovos, estão tratandos os peixes e procurando agradar os seus donos da melhor maneira possível. Fêmeas inférteis, caducas e indóceis são mortas, pois não tem mais serventia para o machos.
Há uma lenda que diz que uma fêmea, há muito tempo atrás, fugiu da tribo e conseguiu se tornar aventureira, mas ela foi morta pela espada de um paladino. Nem mesmo os pajés da tribo sabem se essa lenda foi uma invenção de sábios antigos para manipular as fêmeas ou se tem fundo de verdade.
Mesmo um que bullywug seja forte, inteligente e sortudo, isto não lhe garante uma vida segura. Mesmo que o tempo lhe traga poder e influência, a velhice vai correndo a saúde dos líderes. Quando um líder começa a dar sinais de fraqueza, outros bullywugs começam a desafiar a autoridade vigente. Por mais que os chefes inventem títulos para si mesmos (rei, líder supremo, chefe guerreiro, patriarca) com o tempo as mentiras que contam para enaltencer passados pouco gloriosos ficam mais evidentes para os desafiantes.
Apesar dos indivíduos adorarem ficar no topo da hierarquia, eles sabem que aquela posição o torna um alvo. Como não são muitos meticulosos, os desafiantes preferem um embate direto na frente de todos do bando, do clã ou tribo. Sempre que um líder de bando se acha forte demais ele desafia um líder de clã (quase sempre o do seu) , quando se achar mais poderoso, tentará tomar o poder do líder da tribo. Líderes bullywugs morrem mais pelas mãos dos da própria tribo do que pelos inimigos. Contudo, a organização garante que um líder de bando não enfrente o líder da tribo ou um seguidor de bando queira tomar o poder do clã para si. Eles preferem desafios compatíveis como o nível que estão.
Os bullywugs sábios preferem abdicar espontâneamente da sua posição de comando quando sentem-se derrotáveis, agindo como conselheiros dos novos líderes. Um chefe pode indicar alguém para ocupar o cargo dele, sempre que estiver vago, seja por aposentadoria compulsória ou promoção (um líder de bando que se torne líder de clã deixará seu posto antigo vago).
Os bullywugs são uma raça que vive apenas em pântanos e locais de grande umidade , como as florestas tropicais. Nos pântanos e brejos ele não encontram muitas grandes raças para desafiá-los. Homens-lagartos e Kuo-toans surgem como seus maiores rivais territoriais, seguidos pelos humanos. Na classificação dos bullywugs esses inimigos são referidos como: répteis, peixes e maníferos. Para infelicidade das outras raças, as anfíbias criaturas são as mais bem adaptadas ao ambiente pantanoso.
Os bullywugs sabem disso, também sabe que fisicamente não são lá grande coisa, em comparação com os fortes homens-lagartos, os escorregadios kua-toans e os determinados humanos. Por isso, ele veem como pragas quaisquer surgimentos dessas raças no terreno deles.
As táticas de combate sempre se dão em torno da vantagem numérica. Usam 2 para 1, no minimo, a não ser que enfrentem criaturas pequenas, onde 1,5 para 1 é o número limite. Bullywugs são tão valentes quando a sua superioridade em combate demonstre ser. Em qualquer sinal de desvantagem iminente, eles usaram sua grande capacidade de salto para escapar para o mais longe possível. Como também são muito bons em se camuflar, segui-los no próprio território é tarefa difícil até para rangers experientes.
Em combate, eles mandam os mais fracos na frente, estes são punidos com a morte caso recuem. Se um Bullywug fraco, voltar sozinho para casa, sem nenhum espólio de vitória estará dando um forte indício que traiu seus líderes mais fortes e fugiu antes de hora. Esse só por milagre não é morto pela tribo, sendo apenas castrado. Como bullywugs foragidos também não sobrevivem no meio-ambiente hostil, é mais honroso obedecer os chefes e morrer em batalha sendo útil.
Barulho, Destruição e ConquistaOs bullywugs são uma sociedade que pratica uma política xenófoba, eles não se relacionam positivamente com menhuma raça. Quando tem interesses realizam trocas com outros monstros, porém isto é muito raro de ocorrer. O mais usual é saquear aldeias e acampamentos. Bullywugs não costumam lançar ataques diretos, eles preferem usar massiços ataques surpresa. Quanto menor as chances do inimigo se defender melhor para eles. Não há nenhum interesse de monstrarem valor e bravura em combate, eles querem só vencer.
Em lugares em que as defesas são melhores, eles faram um cerco, coaxando por semanas e semanas. A estratégia mina as forças dos defensores, que não conseguirão dormir direito ou se concentrarem, devido aos intermitentes e inconstantes coaxos. Durante um cerco bullywug, magos não repousarão sossegados, clérigos não se acalmarão com orações e guerreiros não relaxarão os músculos cansados: a zuada constante não permite. Muitas aldeias acabam abrindo os portões e mandam todas as forças para calar aquele barulho infernal.
No combate, eles tentam eliminar todas as ameças e tendo êxito na tarefa não matarão os demais habitantes. Eles preferem conquistar do que destruir. Aldeias derrotadas são usadas como pontos de produção de bens que eles não sabem fazer. Vencidos os líderes das aldeias, eles permitem que os aldeões e artesãos gozem de liberdade para produzir os produtos que desejem. Periodicamente, coletores visitam a aldeia para cobrar a “proteção”, pegando o que querem, matando quem se negar a cooperar. A este forma de controle e cobrança os conquistados chamam chamam “engolir sapos”. Quando percebem que os oprimidos estão organizando lideranças, humilham e matam esses revolucionários.
O bullywugs não conseguem organizar um rígido controle sobre as aldeias que vencem. O controle cessa sempre que os benefícios daquele povo se esgotem, quando um chefe novo da tribo traça novas prioridades ou quando a aldeia não vale apena ser mantida. A tirania bullywug pode variar de apenas uma semana ou até um ano. Os líderes tribais preferem que os antigos escravos fiquem livres deles do que mortos. Mortos o problema para ambas as partes se encerra. Livres, temeram os monstros mais um vez, que podem aparecer quando eles menos esperarem.
nossa, muito boa a materia!
(rachei de rir qd vi os battletoads).
nao esqueço da primeira vez q ouvi o Eric do CdD falar “búli uugui”
Excelente maneira de revisitar monstros que vem caindo no esquecimento nos ultimos anos!