A perda da visão é um dos problemas mais incômodos para os personagens, digo incômodo porque nos jogos de Fantasia é mais fácil curar problemas da visão do que atravessar uma ponte. Mas e quando o clérigo não está lá nos para acudir?
Além das penalidades, óbvias, de ataque e dano, um personagem cego também não consegue se locomover direito se tornando um estorvo para o grupo, que se for formado de amigos leais, irão ajudá-lo.
No mundo real, você pode ser cego em um acidente que fira seus olhos ou por doenças que degenerem os tecidos oculares ou ainda por problemas relacionados à velhice. Mas nos RPG, não, você pode ser cego por magia, e cada uma terá os seus sabores.
Escuridão
Um personagem cego por escuridão terá sua vista obscurecida por um breu que o deixará num estado de “sonambulismo”. Ao abrir os olhos, para ele é como se ainda estivessem fechados. Como efeito especial, seus olhos ficariam enegrecidos como a noite, não havendo distinção entre os elementos formadores do globo ocular.
Infravisão enxerga através da escuridão, uma criatura pode usar infravisão normalmente em ambiente escuro para enxergar a faixa infravermelha do espectro, porém apenas em ambientes com ausência de luz. Já, os seres que tenham visão noturna, aquela que precisa de alguma luz para ver, estarão cegas.
Luz
A cegueira por luz deixaria o personagem com os olhos luminescentes, não sendo eles capazes de iluminar com uma lanterna, mas ficando acesos quando ele entrasse em um local escuro. A vítima desta cegueira além das desvantagens normais, sentiria um incômodo causado pela sobrecarga da visão. Ela enxergaria um clarão como se tivesse olhado para o sol por muito tempo.
A infravisão é inutilizada se um ser que a possua for cegado por luz.
Sombras
Mais escura que a própria escuridão, a Sombra é usada em magias que barrem a própria infravisão. A pessoa que fique cega desta maneira, sente uma sensação morbidamente fria nos olhos.
Nem só de tragédia vivem os ceguinhos. Alguns personagens, com o uso de algumas vantagens podem “enxergar” melhor sem a visão do que com ela. E quando a Fantasia opera, não há limites para o que um cego pode realizar.
Cegos de nascença podem ter um tipo especial de personagem que já se adaptou completamente a sua situação. Sendo uma condição congênita, não há como regenerar ou curar a vista que nunca teve, já que este é o estado natural (como um desejo ele poderia receber o sentido da visão) daquela pessoa. Um personagem cego poderia ser construído sem violar regras: lutar no escuro, e várias graduações em perícias de notar, procurar, etc. O mestre poderia inclusive dar alguns pontos extras para o personagem fazer um personagem assim, já que D&D não é o melhor sistema para recompensar estas construções pouco comuns.
Já em Mutantes & Malfeitores, personagens cegos seriam muito bem-vindos, tendo o vasto leque de poderes no repertório. Vejam só as possibilidades: Demolidor (Marvel), Asmita de Virgem (Lost Canvas), Usui Uonuma (Samurai-X).
Outros seres podem ter tipos de visão completamente diferentes da natural. Mortos-vivos não podem ser cegos se não têm olhos, como é o caso dos esqueletos, um monstro bem conhecido, que devia ser cego, afinal só tem a cavidade ocular, mas mesmo assim ele enxerga e bem. Mortos-vivos não são afetados por ilusões, pois devem ver além da própria escuridão (Ultravisão). Como invisibilidade só afeta o espectro visível e o infravermelho, os mortos-vivos podem ver um ser invisível normalmente, por isso é preciso magias específicas para passar desapercebido por um morto-vivo, como é o caso da magia invisibilidade contra mort0s-vivos, capaz de enganar até vampiros e outros tipos inteligentes.
Há muito mais a se dizer sobre o que não se pode ver, mas este é apenas um medíocre ensaio sobre a cegueira. José Saramago poderia dizer muito mais do que eu, e como ele não está mais aqui conosco, ao menos me serviu de inspiração para a postagem ( e me tornou mais tranqüilo quanto às regras de pontuação).
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