TRAIÇÃO
Os olhares aquilinos recaíram sobre Allis, que estava acanhado devido àquela desconfortável situação. Ele ainda se sentia mal pelo efeito do veneno que havia na bebida, mesmo tendo tomado o antídoto. Homens erguiam um pavilhão improvisado perto da torre, destinado aos repentinos convidados. Eram meados da noite daquele vigésimo sétimo dia do quarto mês do ano – Arinir- e a lua nova deixava a noite escura e ornada de estrelas. A tenda serviu para encobrir dessas estrelas o constrangimento que Simack II passou.
- O que você fez? – perguntou baixinho Aurora, assim que os guardas se afastaram da tenda.
- Eu não tive escolha. Ele me envenenou… só me daria o antídoto se eu cooperasse. Você não vê que eu ainda me sinto mal?
- Eu acho que você tomou um porre. -respondeu ela.
- Sim, ele me deu uma bebida e havia uma serpente dentro dela. Quando percebi, já tinha bebido tudo. Eu comecei a ficar zonzo, minha barriga estremeceu…
- Você ficou tonto, ainda quando estava sentado? – indagou a princesa de Yoria.
- Foi.
- Você tomou licor de cobra! – disse ela após sentir o hálito do nervoso Allis.
- O que? Sim, havia uma cobra terrível morta dentro da garrafa!
- E você por acaso bebeu depressa?
- O licor era adocicado, eu acabei bebendo muito rápido e não notei que estava com veneno.
- Você pelo visto não é de beber muito Allis. Já eu, trabalhei em uma taverna e numa muito movimentada! Você só foi mais um idiota que sentiu o poder daquela bebida exótica. Quem bebe muito rápido, achando que ela é fraca, acaba se dando mal e se embriaga mais rápido do que gostaria. A serpente só dá o charme à bebida. Fora a sua ressaca amanhã, nada fatal lhe ocorreria. Só que depois que você abriu o seu bico…não sei se acordar vomitando será o pior de seus problemas!
- Allis, você está usando um brinco? – espantou-se o Ualfo, com sua típica voz engraçada.
Allis tinha recebido um pequeno brinco metálico de Yesu durante a breve estadia na torre. Além de ter que aceitar, ele teve que deixar que colocassem na orelha esquerda dele. Em Suiren, os homens usavam brincos. O dracomago percebeu que os olhares de todos não esboçam nenhuma confiança nele. Ele procurou a irmã, lançando olhar esperançoso para ela, clamando por alguma palavra fraterna. A irmã, vendo o olhar dele, se pronunciou enfática:
- Segundo, você é traidor!
Hagen se sentiu também traído, mas não por Allis, a quem ele considerou apenas ingênuo, mas em relação à Yesu Gai. O homem lhe dera todas as garantias e também o enganara. Sentindo-se responsável, o guerreiro saiu da tenda para remediar o ocorrido. Os homens deixaram Hagen passar e ele foi acompanhado até onde o líder da torre se encontrava.
- Sr. Gai, creio que tu não fostes honesto comigo.
- Isto é uma pesada acusação senhor Hagen. - respondeu o homem, fazendo sinal para que os guardas os deixassem a sós.
- Você ameaçou o meu amigo.
- Eu não fiz nada disso. Apenas ofereci uma bebida a ele, em nenhum momento disse que a vida dele estava em perigo. Pode perguntar ao sr. Allis, inclusive sobre a minha preocupação com a ressaca dele. Se não fosse uma velha receita de família, ele não acordaria nada bem.
- Quero alertá-lo que não vou tolerar esta situação. O senhor não pode nos manter cativos aqui.
- Cativos? - ele sorriu e esboçou uma leve risada. – Os senhores fazem muito mal juízo de nós. Vocês são príncipes, filhos de reis. O que pensaria o reino de Yoria se soubesse que a filha do príncipe passou por aqui e nós não a recebemos com dignidade. Informei ao Khan o mais rápido que pude. Baras Agur faz questão de recebê-los para um jantar. Meus mensageiros já me comunicaram sobre o convite, iria avisá-los amanhã, mas já que o senhor se antecipou, poderá alertar os seus amigos. Será uma honra para nós tê-los conosco.
Hagen ficou desconcertado com as palavras e desceu as escadas para contar aos demais, contudo Abimalek traçava outros planos. O sacerdote, apesar de bancar o solitário, não tolerou a idéia de ver, os protegidos aprisionados e servido de barganha. Quando Hagen saiu, ele conversou com os restantes sobre uma maneira de fugirem durante a madrugada. O plano incluía atacar os guardas da torre, apagar as tochas e escaparem na escuridão o mais rápido que poderiam. Ele usaria os dons clericais e os magos empregariam todas as mágicas para recuperarem as armas, que não haviam sido devolvidas junto com os outros equipamentos. Para tal, a espada de Allis teria que funcionar. Nem todos concordavam com todos os pontos do plano, mas era o melhor que tinham.
Ele desenhava alguns traços na areia, do lado mais iluminado da tenda – próximo à torre – combinando a estratégia de ataque, quando Hagen voltou. O rapaz ruivo se aproximou e perguntou o que faziam, porém o sacerdote mandou que ele entrasse na tenda. Hagen ficou chateado com a maneira brusca com a qual foi tratado e partiu. Assim que Abimalek voltou, junto com Aurora e Thon, que estavam com ele, Hagen deu a notícia do convite para jantar com o Khan.
- Hagen, você não vê que este Khan está querendo nos enganar?
- Ele apenas nos convidou para uma única festa e depois disto estaremos descompromissados.
- Quem garante?
- Não temos muita escolha. Sr. Lafer. Creio que devamos atender ao convite, não seria gentil recusar.
- Então vá sozinho, temos coisa melhor para fazer! – respondeu ríspido.
- Espero que não façam bobagens.
Um dos guardas da torre ordenou para eles irem dormir, porém o sacerdote de Arina tinha outros planos. Afastando-se um pouco da torre, ele começou a orar para deusa, invocando os poderes certos para salvá-los. O que ele não esperava era que guardas vigilantes notassem o afastamento dele. O sacerdote foi surpreendido no meio das orações.
- Pegamos você druida! – falou um dos guardas.
- Achou que nos enganaria? – disse o outro.
Abimalek ficou sem reação e viu que eles eram perigosos. Antes que decidisse o que fazer, Hagen chegou, pois observava o que o sacerdote pretendia. Quando viu que os guardas surgiram, correu para impedir que algo ocorresse. Porém, quando os guardas o viram surgir entre eles, o tomaram como aliado.
- Este homem é um druida e estava realizando algum de seus rituais! - acusou um dos guardas.
- Por isso será preso. – disse o outro.
- Eu não estava fazendo ritual nenhum, eu estava apenas rezando para minha deusa. Eu sou um sacerdote de Arina.
- Sacerdote da fauna e flora é um bom disfarce para druidas.- duvidou um dos homens, bufando de raiva.
- Admita que não tava pretendendo usar seus poderes contra nós. – interrogou o outro.
-Eu? Eu não!- dissimulou o clérigo.
- Isto não é verdade. – disse Hagen. – Tu estavas rezando para a sua deusa sim e não sei como é capaz de mentir até sobre a tua própria religião?
Os guardas capturam o clérigo, que ficou atônito com aquela resposta de Hagen.
- Eu vou com você para garantir que nada te aconteça.
- Vá se ferrar, seu traidor!
Abimalek foi arrastado pelos guardas até o térreo da torre e Hagen foi junto. Os outros ficaram fingindo que dormiam e nada puderam fazer. O plano havia sido abortado. Yesu olhou para as estrelas e viu que a noite já virava madrugada do outro dia, amanhecia mais cedo no verão e ele não queria perder um pouco do repouso. Chegando em baixo, viu que Abimalek espumava de ódio, com olhos vermelhos e cabelos loiros esvoaçados. Os guardas haviam-no prendido em correntes, para evitar maiores problemas.
“Eu sou discípulo de Fei Kazu. Eu sou o senhor dos druidas. Eu sou o seu pior pesadelo. Minha deusa está sempre comigo.” ameaçava o acólito aos berros para todos, inclusive Hagen. A quem ele acusava de querer julgá-lo, algo que Abimalek considerou heresia imperdoável.
- Fez um bom trabalho meu rapaz. – disse Yesu. – Seu amigo iria trazer incômodos desnecessários. Ele está transtornado por estar nesta situação, por isso vocifera. Não se incomode com isso, quando a raiva passar, ele verá que você estava com a razão. Foi por isto que eu não os deixei com armas, mas deixei você, Hagen. Nestas horas precisamos de frieza e liderança. Você tem o espírito de um campeão!
Hagen se retirou da torre e deixou Abimalek praguejando sozinho. Yesu Gai mandou a uns homens trouxessem um caldeirão de água fervente e a outros que vendassem o acorrentado. Yesu lançou algumas ervas no caldeirão e elas exalaram um cheiro forte. Abimalek aspirou aquela combinação de odores e sentiu a mente turvar. O veterano soldado sabia que não era prudente deixar um sacerdote, ou druida, consciente para que ficasse com o corpo cheio de magia quando eles menos esperassem e tomou as precauções. O chefe da torre fez o primeiro monólogo do dia, já de madrugada.
- Senhor Abimalek Lafer, você acabou de lançar um terrível destino sobre si. Como pode perceber, nem os seus amigos confiam em ti. E vou lhe contar o porquê.
Abimalek estava amolecido pelo efeito dos vapores e resignou-se a escutar.
- Você é apenas um servo para eles. Todos possuem grande linhagem: filhos de lordes, de príncipes, de reis. E você? Nada és. Para eles, sua utilidade só existe quando você os obedece. Podem até ouvi-lo, mas nunca se deixaram influenciar por suas palavras.
Yesu, vendo que a droga já dopava demais o sacerdote, tampou o recipiente. O clérigo era resistente e ainda ouvia tudo, apesar de estar se sentindo fraco.
- Não se preocupe Abimalek, amanhã você terá sua grande provação. Por violar nossas leis, você será julgado ao entardecer e o seu sofrimento terminará de qualquer forma, independente da sentença. Você merece saber a acusação: druidismo.
toma ae papai noel da fauna.
Isso aí não foi nada!!!! Eu não sou o guerreiro supremo TUM TUM TUM não!!! Leia o próximo post!!!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Hagen BUrro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Alienígena!!!!!!!!!!!!!!!!!