Os clérigos são das classes com maior potencial para criação de personagens e também NPCs. Uma variedade de deuses e culturas produzem sacerdotes diversos, desde anões brandindo os martelos de Moradin à halflings rezando para Yondalla. Não pretendo abordar o tradicional “como o seu clérigo se veste e age” e sim outra coisa bem mais rara na blogosfera, pelo menos não encontrei nada publicado a respeito. A pergunta que faço é: como seu clérigo reza?
O jogador se preocupa apenas com o repertório de magias que o seu personagem clérigo tem, quantas usa por dia, os domínio que envolvem, este monte de coisas que a mecânica do jogo nos obriga a aprender. O mestre vai ainda mais longe na pilantragem, os clérigos NPCs estão sempre precavidos, com as melhores magias para todas as situações que os jogadores podem imaginar, de um modo que renderia outro artigo só para isso.
Agora vamos pensar mais dentro da mente do personagem e do cenário.
Como o clérigo consegue as magias ?
A resposta a essa pergunta parece bem óbvia: rezando.
Se for rezando, significa que o ato precisa ser consciente, feito de maneira deliberada, e consumir algum tempo nisto. Quanto tempo deveria ser isto? Depende do sistema que você está utilizando, isto se o sistema tiver esta preocupação. Em AD&D, leva 10min por nível de magia usada para repor, recuperar uma magia de 3º círculo e duas de 2º círculo, levariam 70min, pouco mais de uma hora. Isso quer dizer que recuperar um repertório integral de magias de um clérigo de 12º nível, não seria tarefa para uma noite. (Na verdade o livro do mestre só fala do tempo dos magos decorarem suas magias, eu para os clérigos uso um esquema diferente). Colhi informação de Felipe, aqui do Pensotopia, e fui informado que basta uma horinha para que os clérigos da 3º edição entrem em harmonia, em regime total flex.
O clérigo pode rezar em qualquer hora do dia e recuperar suas magias perdidas. Contudo, pode o clérigo rezar enquanto realiza outras atividades? Pode o sacerdote orar para o seu deus enquanto usa alguma perícia ou enquanto ataca? Há algumas limitações para o modo de recuperar magias clericais. Ele precisaria entrar em comunhão com a própria divindade, dedicando-se de corpo, alma e espírito na tarefa. Orar é algo que ele faz bastando ter concentração para isto, mesmo estando preso e com as mãos atadas – como Sansão fez para pedir a força – apesar de precisar estar livre para para usar as magias que recebeu (se tiverem componente gestual). Contudo o mestre pode impor limitações a este tipo de restrição de movimento e impedir o clérigo de clamar os deuses se não puder mover as mãos para os céus ou de se curvar.
O ideal para isto é que o sacerdote determine uma hora específica do dia para rezar, na 3º edição este tipo de recomendação já e feita. Muitas crenças do nosso mundo estabelecem isto nos próprios dogmas. Muçulmanos rezam 5x por dia, alguns rezam ao amanhecer e ao anoitecer, outros antes das refeições, etc. Logo seria interessante criar uma padronização no seu jogo, combine com o jogador uma hora em que ele possa recuperar as magias. Geralmente, um dia de marcha tem 10horas, considerando já as pausas para descanso. Tirando 8 horas de sono, sobram ainda 6h que poderiam ser utilizadas encaixar horários para que ele recupere suas magias.
Os livros não trazem muita distinção entre rezar em um local sagrado para obter as magias e fazê-las em qualquer outro local. Aliás, os livros dedicam pouco espaço a forma com que a magias são recuperadas. Com estamos supondo sensatamente que os clérigos precisam rezar todos os dias aos deuses para que suas magias sejam recuperadas, uma boa opção de enriquecer os cenários é dar mais relevância aos templos. Rezar em um templo dedicado ao próprio deus aceleraria o tempo de recuperação de magias, digamos em 50%, ou então cancelaria as restrições de horários pré-estabelecidos para as orações, o que for conveniente para a campanha. Ambas as alternativas seriam muito vantajosas para os sacerdotes.
Qual a forma que o sacerdote utiliza para realizar os milagres concedidos. Existem várias formas, a mais comum é a súplica.
Durante a súplica o clérigo roga para divindade para que permita que o poder que ela o concedeu seja utilizado. A súplica funciona como um pedido por algo que apesar de previamente concedido precisa ser sempre solicitado. É como um filho pedir o carro ao pai. Se ele tiver feito tudo certinho, o pai com certeza vai emprestar, mas ele não pode sair sem pedir.
Outra forma de conseguir a magia é a exigência. O sacerdote já se sacrificou para conseguir o direito de usar a magia, logo quando for utilizá-la não precisará mais ficar comovendo o deus. O deus já deu a ele o poder, então basta ao clérigo usá-lo como se fosse dele. Voltando ao exemplo do carro, o filho ganhou um carro de presente, depois que ele pede para o pai encher o tanque, ele não precisa mais pedir permissão para dirigir.
A última maneira de um sacerdote usar magias é quando ele é um mero instrumento. Desta vez, o clérigo age guiado pela vontade superior. Quando o clérigo usa uma magia de cura no amigo ferido, não é o clérigo que usa a magia, é o deus que usa a magia através do clérigo, sussurando ao ouvido dele ou mandando sinais ocultos que o clérigo interprete. Estas ordens fazem os clérigos utilizar a magia, como se uma força invisível os controlassem. Contudo este controle é muito discreto e o clérigo pode escolher a magia errada ou não usar magia alguma, nestes casos a falha divina é explicada pela incapacidade do sacerdote em entender as mensagens que o deus lhe passou. Voltando ao exemplo do playboyzinho e o carro, seria o mesmo caso de um filho que quer sair com o carro do pai, e este faz questão de levá-lo e trazê-lo.
E lembrem-se, clérigos não são máquinas de cura.
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Essa classe dá muito suporte para a criação de personagem. São vários os elementos naturais ao clérigo que podem ser usados para incrementar a história e a personalidade do PC. Esses detalhes também enriquecem o cenário e a própria campanha.
Muito boa a explanação de como podemos usar esses elementos e tornar os detalhes mais vivos.
[...] Ajoelhou tem que rezar – Texto bem legal, do Danielfo, que fala sobre interpretação de clérigos. O PC muçulmano de um amigo costumava levar um tapetinho para rezar no meio das aventuras. [...]
[...] Fonte: Pensotopia [...]
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