Em Dungeons & Dragons os jogadores, quando constroem um personagem o primeiro passo é qual classe será. Muitas vezes, os atributos sequer foram rolados, o jogador não sabe bem quais perícias ele irá pegar e nem mesmo criou um história. Eu já avisei que o nome eles só escolhem por último? Sem querer criticar o processo de criação de personagem, vou falar sobre um outro problema que reside no fato de escolher uma classe antes de fazer uma história. Os vícios que esta escolha acarreta.

Quando se escolhe uma classe antes, você instintivamente está assumindo todos os estereótipos daquela classe, a priori. O mago é o inteligente, usa vestes compridas e tem chapéu pontudo. O bárbaro anda de peito nu, usa roupas de peles, o paladino de armadura prateada é asseado e monta um cavalo branco. Bem, isto é uma enorme limitação do potencial das classes. Não se deixe enganar pelas funções de cada uma no campo de batalha, você pode torná-las bem mais que isto. Não olhe torto para um ladino e nem acredito que só o mago do grupo é um gênio.

As classes não são necessariamente as profissões do personagens. Você pode pegar a classe guerreiro e ser um ferreiro, como Orlando Bloom, em Cruzada ou, como Mickey em Fantasia, pegar um mago ser apenas um empregado de feiticeiro. Por que não explorar mais este aspecto? Por que ficar tão preso aos conceitos das classes? Quando um jogador decide criar um personagem onde a classe é só um artifício mecânico a sua profissão no jogo prevalece. Um entregador de pães pode ser um ladino, pois precisa andar discretamente para não ser roubado, tem que subir obstáculos para fazer suas entregas e desenvolveu dedos leves, enquanto brincava com as moedas que recebia dos pães e quando pegava algum pãozinho quente escondido do patrão. O chefe de um grupo de assaltantes poderia ser um Senhor da Guerra, não um ladino.

Para customizar melhor o personagem, você não precisa ficar preso às perícias e talentos e outros poderes. Como alternativa você pode fazer diferenciação usando elementos interpretativos de outra classe. Veja o caso de He-man, ele se parece com um bárbaro, luta como um bárbaro, mas se comporta como um paladino. Qual é o problema disto??? Nenhum. Um bardo lutando para defender a natureza, um clérigo safado e desonesto, entre outras tantas combinações.

Então, para quem não quer ficar apenas achando que o único jeito de detalhar o personagem é variando as manobras de combate. Lembre-se que não existe apenas o combate no jogo e você pode ser muito mais do que a forma como você luta.

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