Fora da Estrada
Abimalek Lafer, o sacerdote de Arina e Hagen, o guerreiro supremo da luz, já haviam declarado suas posições. Hagen queria retornar para Lentis, por uma rota alternativa. Abimalek desejava mudar os planos, aproveitando-se dos novos acontecimentos, defendia o desvio de curso para Spits. Ainda restavam cinco votos dos demais companheiros para desempatar a disputa. O príncipe Thon, a princípio acanhado foi o primeiro a votar.
- Acredito que não devemos nos envolver em problemas, lembrem-se do nosso sigilo. Vamos para Lentis.
- Meu chefe Tímonten ta pagando cinco mil peças de ouro pela cabeça de Fei Kazu. Era bom que a gente fosse pra Spits.
-Hagen considera muito importante retornar para Lentis. Já eu, acho que temos que saber mais sobre este possível adversário antes de nós arriscarmos. É melhor irmos para Lentis. – decide Aurora
- Ahh! Por mim eu iria logo atrás dele. – escolhe o dracomago Allis, com intenção de empatar a decisão.
Toda a responsabilidade fica nas mãos de Valkíria. Os olhares atentos de Hagen e Abimalek se lançam em cima dela, enquanto os demais se afastam, deixando-a no centro. A guerreira pede para explicarem para ela, novamente, as razões de se ir a uma cidade ou outra. Após ouvir, ela segura o mapa da região, que eles levavam consigo. Sem saber ler, ela se orienta apenas pelos sinais no mapa e pede que localizem para ela ambas as cidades. Lentis aparecia como um ponto envolto por um círculo. Spits, como uma bola com uma estrela vazada. Ela olha para os dois atentamente e anuncia:
- Eu quero o sol!
Todos ficam sem entender por um breve momento. Hagen olha para o mapa e traduz:
- Ela escolheu Lentis.
- Como assim? Ela pode estar votando em Spits. Não é isto Valkíria, você QUER votar em Spits, não é?- intima o sacerdote.
- Não, eu quero o sol!
- Não estou entendendo, como assim o sol?- pergunta Abimalek.
- Olhe o céu! Tá vendo o sol?
Ela aponta para o astro mais brilhante no céu, que formava um halo de luz em volta de si. O sacerdote então percebe a simetria entre o desenho e o corpo celeste. Abimalek resmungou, bufou, mas a votação estava terminada. O placar foi de 4 x 3. Ele se voltou contra Allis e Valkíria e reclamou:
- O pai de vocês me incumbiu de protegê-los e vocês me desobedecem.
- Você está querendo é nós matar, indo atrás de um inimigo poderoso. – argumenta sarcasticamente Allis.
- Pois sabiam que eu não vou mais cumprir a missão que ele passou. Eu estou livre de vocês agora. Concordam?
- Quando eu chegar no feudo do meu pai…você morre.
- Ela tem razão, sacerdote. Nosso pai é o seu senhor a desobediência o condenará a morte. Porém você é um sacerdote e poderá ter sua pena reduzida. Porém eu não sou o meu pai, apesar de compartilhar o mesmo nome. Por mim, você é um homem livre.
- Livre? – replica a irmã.
-Sim, irmã! Não vamos sentir falta nenhuma, ele nunca nos obedeceu…
Após as animosidades, o grupo se organiza e parte em trilha programada por Hagen, cruzando o território dos anões, visando chegar no reino dos halflings, Kerr. Abimalek estava lá, mesmo após todo o discurso e protesto. No princípio o caminho mostrou-se fácil enquanto ainda trava-se de um conjunto de colinas a ser atravessado. Nas montanhas o caminho fácil mostrou-se um verdadeiro desafio, dias inteiros eram gastos para progredir poucos quilômetros. Com a liderança de Hagen, acostumado com terrenos íngrimes, bravamente avançaram pelo vale do reino dos anões.
Hagen aproveitava bem as competências de cada um. Do fremlin ele aproveitou a capacidade de vôo, para que tivessem uma visão mais ampla e reduzissem os erros cometidos na escolha dos tortuosos caminhos. Em uma destas revoadas, Ualfo foi abocanhado por um leão da montanha, que espreitava o pequeno voador. O monstrinho conversava com os demais, destraído, quando foi engolido. Todos notaram a voz cortada de maneira repentina. Ele estava em cima de um platô de rocha, que precisava ser escalado para que os demais continuassem.
O leão mastigava o monstrinho, mas suas habilidades inatas tornavam-no elástico e borrachudo para as presas da fera. O fremlin fazia de tudo para não ser engolido vivo e gritava deseperado diante da dolorosa experiência. Hagen usou seu treinamento nos Sete Céus para impelir o corpo pesado em um único salto para cima do platô. Abimalek usou a perícia com escalada para subir com as mãos nuas o rochoso paredão. Os demais apenas observavam atônitos.
Enquando Abimalek subia, ainda na esperança de resolver o conflito pacificamente, Hagen já havia utilizado sua katana de titânio para liquidar a criatura que ousou mastigar o companheiro. O guerreiro limpava a espada suja de sangue e o fremlin sacudia a pelugem, impregnada de saliva.
- Isso é o que eu chamo de bafo de onça!- ria o monstrinho, revelando que estava bem.
Durante dias eles ainda marcharam vendo a comida ficar cada vez mais escassa. Eles passaram a consumir a carne de alguns animais avistados ocasionalmente e regrar as provisões. O sacerdote era o único que não compartilhava do festim carnívoro, preferia os pequenos frutos e raízes que encontrava.
Naquela noite, o acampamento improvisado que eles armaram foi visitado por criaturas estranhas. Um par de grandes hominídeos, que os anões chamavam de tragos de ferro, se aproximou deles. O sacerdote estava no seu turno de guarda quando uma armadilha mágica que ele havia solicitado a deusa foi ativada. Uma névoa em forma draconiana surgiu e acertou um dos trasgos de ferro, deixando-o paralisado. Valkiria que tinha acabado de terminar o turno de vigilância, despertou e chamou Aurora para ajudá-la com a armadura completa. Hagen e Allis também começaram a montar suas vestes de combate. Thon se preparou para apanhar a sua funda e algumas pedras duras. Ualfo roncava, em cima de uma mochila, a despeito dos problemas dos amigos.
O clérigo foi para cima de um dos monstros com seu chicote. Rapidamente paramentado, Allis usou seu arco e lançou flechas contra um dos monstros, Thon fez o mesmo, com suas pedradas. Abimalek, já em combate corporal com o único monstro ativo, laçou esse com o chicote e tentou derrubar o monstro, como fez com a erinye em Fort. O monstro tinha uma couraça de ferro e era muito pesado e não se moveu nem um pouco com o puxão do chicote. A criatura socou com violência, mas foi lenta demais para acertar o clérigo.
Hagen não esperou ficar pronto e saltou para a luta contra os tragos. Aurora lembrou de um feitiço e deixou a área onde os monstros estava completamente escorregadia, com sua mágica. O solo ficou completamente liso, mas Hagen e um dos monstros ainda lutavam bem, mesmo nestas condições, já o ágil clérigo perdeu o equilíbrio e não conseguiu mais se por em pé.
A barreira de neblina protetora, ainda estava no ar e poderia afetar os demais, que se limitava a atacar à distância, com flechas e pedras. Aurora percebeu que seu plano tinha sido mal-sucedido e tentou uma outra solução. Usando o poder das unhas de rubi, lançou dardos místicos contra o trago e a criatura, já muito ferida, tombou. O efeito da neblina então parou e o outro monstro estava furioso, apesar de paralisado, ele ainda sentia os ataques que tinha sofrido. Vendo que o monstro também não se desequilibrou e que Abimalek ainda esperneava pateticamente no chão, Hagen estendeu a mão para o sacerdote para tirá-lo rápido dali. Os jovens deram-se as mãos e Hagen saltou para longe da região escorregadia, antes que o potente ataque esmagasse o indefeso sacerdote.
O trasgo de ferro avançou, mas muito debilitado, não resistiu aos ataques certeiros das setas e pedras. A forte Valkíria abriu com dificuldade as vísceras do monstro e percebeu que lindas gemas reluziam naquela carcaça. Foi naquela hora, que de um sono profundo, despertou o dorminhoco fremlin, justamente na hora da divisão do espólio.
Na manhã seguinte, uma manticore os surpreendeu enquanto eles levantavam o acampamento. O monstro alado posicionou-se na segurança de um alto rochedo e lançou contínuas rajadas de espinhos contra o grupo. A esperta Aurora correu para atrás dos trasgos de ferro, que foram sabiamente deixados sentados, como se o acampamento fosse deles. Todos fizeram o mesmo, aproveitando um pouco da proteção que cada um dos monstros mortos poderia oferecer contra os espinhos da manticore. Os espinhos atingiam os monstros com violência e mesmos os estilhaços deles eram perigosos. O grupo, usando os arcos, responderam com a mesma tática da criatura, enquanto Abimalek curava alguns ferimentos deles. O monstro insistiu nos ataques, contudo não tinha um local para se proteger, ou quem o cura-se e ficou gravemente ferido.
Percebendo que a criatura se agitava, eles disparavam com mais vigor as flechas, mas um dos dardos do monstro acertou em cheio o ombro de Allis, lhe varando o corpo. O monstro tombou para um lado e o dracomago para o outro. Nesta hora todos olharam para o clérigo, na esperança de que ele remediasse aquela situação. O sacerdote examinou o rapaz e vaticinou:
- Eu usei todas as mágicas de cura que possuía no combate. Só com a ajuda de algumas ervas medicinais eu posso salvá-lo.

Comentários (4) »
Num foi bem assim.
Mas eu gostei. Afinal, as outras mostrarão o verdadeiro HERÓI.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
foi ae que eu comecei a estudar algumas magias de Allis com ele arriado e eu com o grimorio na testa dele.
@Joffison,
Esta informação será acrescentada no próximo capítulo.
É cada amigo q o pobre do Segundo tem…hehehehe
@Danielfo, Essa é a causa do X9..