Ventos da Guerra: Capítulo 10

Ventos da Guerra: Capítulo 10

De Volta para Casa

As luzes da praça já consumiam suas últimas gota de óleo. Todos ainda se refaziam do susto e os moradores estavam bem escondidos em suas casas de madeira. Hagen logo suspeitou onde Valkíria poderia estar. Ele correu o mais rápido que pode para a casa dos halflings.

Valkíria chegou bem na hora que os halflings juntavam todos os pertences para fugir. Quando Noco percebeu o olhar assassino da guerreira entrando no terreno da casa, sentiu que estava perdido, mas como não podia falar, apenas segurou no braço do irmão, que compreendeu a situação,  a qual  não podia enxergar.

- Halflings maaaaus!!!

- Perdoe-nos grande guerreira, mas nós não podemos mais ficar aqui! Ela logo voltará, temos que fugir!

- Não vão fugir! Fiquem aí. Eu dou um jeito.

A guerreira sabia que era prioritário evitar o retorno da erinye, matar os halflings ela faria depois… Com um pouco de óleo que carregava, untou uns trapos que encontrou e fez fogo com a pederneira. Os reféns observavam lívidos, quando ela jogou a tocha na casa, sobre a tapeçaria. A chama crepitou e começou a arder a madeira das paredes. O fumo cinzento logo se elevou e as chamas começaram a se alastrar furiosas.

Valkíria assistia ao espetáculo das chamas envolverem a casa com paciência, certificando-se de que nada ocorreria. Hagen chegou determinado a impedir uma tragédia, quando avistou a silhueta dos três observando as chamas, sentiu que não tinha chegado tão tarde. Os halflings estavam a salvo.

- Lady Valkíria, o que fizeste?

- Queimei a casa, não tá vendo?

- E o quadro? Onde está?

- Humm. ..lá dentro.

Hagen suspeitava que o quadro bizarro tinha alguma conexão com a maldição e só tinha uma chance para testar a teoria. Ele pediu para que a guerreira não fizessem nada e entrou na casa em chamas, avançando até a sala do quadro. Mal passou da sala, a fumaça o tornou invisível aos que estavam lá fora.

O guerreiro celestial esperava um padrão de eventos na maldição dos halflings. Se a teoria dele estivesse correta, deveria haver um lêmure em algum local próximo, pois deveria surgir um lêmure por pessoa que viesse o quadro. Além de Thon e Allis, ele também observara a tela. O pequeno demônio foi encontrado andando imune pelas chamas e logo veio atacar, sendo prontamente derrotado. Hagen subiu as escadarias, que mesmo sendo de madeira resistente, rangiam ante o fogo e o peso do campeão platinado. De posse do quadro, ainda envolto por um pano, desceu até o quarto de Noco, onde havia o alçapão.

Dentro do porão, a parede maldita derretia em sangue, graças ao calor da casa, abrindo uma membrana espiritual para os Nove Infernos. Ele então tira o pano do quadro e vê, por trás da figura dos dois irmãos, a imagem da Tersyphonne, enlaçando-os. Hagen, sabendo que só  as almas poderiam passar pela parede, lança o quadro na direção dessa, arrastando para o inferno a alma demoníaca. Junto com ela, foi-se o elo que a vinculava ao plano terreno e a maldição dos dois, irmãos. Do quadro restou uma simples tela de tinta borrada no chão. Com isto, a parede de sangue formou um vórtice vermelho incandescente e de lá silvou um grito vingativo e impotente.

O cavaleiro de bronze saiu do porão, mas a casa já ardia não sendo possível respirar. Ele prendeu o fôlego e se desviando dos obstáculos que caiam, viu que era impossível sair pela porta, já obstruída. Restando só uma chance, lançou-se com ímpeto contra uma janela fechada, que arrebentou. O corpo pesado dele rolou no gramado lá fora.

Os demais acabavam de chegar, quando Hagen se ergue mostrando que estava bem. Valkíria que apenas esperava, sem entender o que Hagen fora fazer na casa, nem sequer notou quando o colar de Noco se partiu em estilhaços. Tico e Noco sorriram e se abraçaram naquele momento, dançando de alegria.

Hagen, um pouco zonzo com a fumaça, se aproximou dos pequeninos, seu manto branco estava negro de fuligem.

- A maldição está quebrada, os senhores estão livres.

- Livres? – se espantou a guerreira.

- Como eu suspeitei, o quadro era a chave da maldição. Não bastava matá-la, havia um vínculo entre a maldita e o quadro que a ancorava aqui neste mundo. Quando ofereci a alma do quadro para que o portal arrastasse, a criatura perdeu sua âncora aqui. Agora ela está banida deste mundo. E por isso, a maldição deles terminou.

-Mas nós ainda precisamos sair daqui, quando a aldeia souber o que fizemos, eles vão nos matar. Deixem-nos partir, podem ficar com nosso ouro. – diz o agora falante Noco.

- Podem ir, eu não quero recompensa.

- Mas nós sim! Eu sou uma princesa muito pobre. – diz Aurora, que contabiliza as moedas de ouro de Deshnok.

Antes que eles partam, Allis os impede.

- Ei! Vocês podem compor uma música para mim?

- Desculpe, acho que perdi o meu talento. – responde Tico com sinceridade, mas feliz.

Os irmãos halflings correram para a escuridão dos bosques, enquanto os outros retornam para estalagem, avisando que tudo agora estava bem.


Simack Allis II

Simack Allis II

Na manhã seguinte, Thon estava melhor, mas os pés ainda tinham sensação de ardência. Passado o susto, as mulheres gnomo solteiras o traziam muitos mimos, pois gostaram muito da dança maluca que ele apresentou na noite trágica. O cervejeiro percebeu que o prejuízo da festa foi bem menor que o esperado em seus estoques e ficou aliviado. Já Allis foi preso, pela manhã.

Acordado pelos guardas da aldeia, Allis foi levado à prisão por ter atacado o chefe da guarda local. Todos sabiam que deveria ser um mal entendido, pois era evidente que Kahf Barba d’Ouro estivera enfeitiçado pela erinye por muito tempo. Mas a alegação dele era: “A lei é dura, mas tem de ser cumprida, atacou um oficial, vai preso”.

Antes que o bafafá se agitasse, entrou no salão, o veterano guarda que patrulhava a praça da aldeia – Bolgak – que lutou no embate crítico. Falando em anão, conseguiu dissuadir o chefe da pena de prisão, revertendo apenas para multa. Eles usaram o dinheiro do próprio Allis para pagar a fiança e reaver os pertences do coitado injustiçado. Bolgak pediu perdão pelos incômodos causados aos bravos heróis, que não foram tratados como tais.

Allis vendo-se tratado como um pária, por aqueles que tentou ajudar, nada fez. Maldisse o destino, que lhe trazia o desprezo das pessoas de quem ele gostava. Pegou sua espada dos dracomagos e percebeu que o foco místico que ele usava para fazer algumas magias estava inerte. Então, avisou aos companheiros que ainda não poderiam partir, pois ele precisava reunir alguns ingredientes para o ritual de recarga do seu foco. Hagen ficou insatisfeito pelo atraso, mas não pode se opor à justa solicitação do nobre colega.

Allis pagou por algumas estatuetas, tapeçarias, incensos e outras coisas mais e completou com sucesso o rito, que os magos precisam fazer para energizarem seus objetos místicos. Enquanto os arcanos costumam usar varinha, cetros e cajados, os dracomagos canalizam suas mágicas das espadas místicas, quando maior a arma, maior o poder contido nela. Allis tinha uma espada longa, recebida por seu avô – o paladino matador de dragões – Will Drackmore, a única pessoa que o respeitava.

Saindo de Fort, o grupo se refez e rumou de volta para Yoria. Passaram por Bosch e seguiam em segurança para Veen, a penúltima cidade de Deshnok antes de chegarem a Lentis. Veen, uma pequena aldeia estava com uma terrível acumulação de tropas. Quando viram isto, eles se assustaram. Não sabiam o que tinha ocorrido e precisavam investigar, contudo deviam se manter anônimos. Abimalek decidiu investigar, mas Hagen pediu que Thon fosse também. Thon teve o cuidado de se disfarçar com vestes locais e que arranjou em Fort, penteou o cabelo à moda daquele lugar e tentou disfarçar o sotaque. Usando a língua dos ayorianos, perguntou a uns soldados mais próximos, na barricada:

- Somos viajantes, viemos para Bosch há alguns dias. Quando passamos por esta aldeia não havia barreiras, o que houve senhor?

- Guerra! Os viajantes devem voltar para Bosch e esperar melhores notícias.

- Como?! Estava tão pacífico quando viemos.

- Houve um ataque ao norte, dizem que as florestas yorianas estão infestadas de ciclopes e outros monstros que não sabemos. É certo que eles saiam de lá e venham para cá. Por isso, não é seguro que viajantes sigam na estrada para Plaats, ou ousem ir para Yoria por estrada.

- Você ouviu falar de Fei Kazu?- se mete Abimalek.

- O quê? – o guarda indaga.

- Meu amigo está confuso…

- E Spits? Ouvi dizer que fica para o oeste. É uma bela cidade, não é?

O anão achou estranha a pergunta do humano, mas respondeu:

- Sim, é mesmo. Mas chegar lá, daqui não é fácil, ela fica no vale de Hoeg.

- Agradecemos as informações, capitão, acho melhor voltarmos para Bosch.

DeshnokThon repassa o aviso aos demais. Hagen vê sua missão de retorno comprometida, os ventos da guerra sopravam próximos. Abimalek vê a situação e percebe que eles não poderão ficar em Bosch.

- Senhores! Não poderemos sair daqui pelo caminho que viemos. Sabemos que Spits fica próximo daqui, poderíamos aproveitar e procurar aquele bardo que Tico e Noco nos disseram.

- Não! Fei Kazu não é problema nosso. Ele sequer é um problema, Sr. Lafer.

- Pelo contrário Hagen, só você que pensa isto. Poderemos ter informações valiosas se formos enquanto a pista está morna.

- Ele provavelmente não vai estar lá e perderemos mais tempo.

- Vejam! Sptis fica a algumas dezenas de quilômetros daqui. E lá uma grande cidade.

- Sim, mas pelo mapa este território é montanhoso. Eu treinei nas montanhas íngremes quando era criança e posso lhe assegurar que não é uma viagem rápida. E falo pela segurança e o bem de todos.

- Você está com medo, Hagen? – pergunta o sacerdote provocador.

- Não! Mas você está quebrando a sua palavra Sr. Lafer. – responde Hagen com serenidade.

- Que palavra?!

- O senhor esquece, que todos o senhores me prometeram que após resolvido o problema em Fort, nós voltaríamos para Lentis?

- Mas a situação mudou.

- Você é um homem sem palavra?

Neste momento, Aurora, percebendo um acúmulo de energia pesada no ar, intervém.

- Acalmem-se, não vamos brigar por conta disto. Abimalek , ele está certo, nós nos comprometemos a voltar para Lentis. Hagen, não sei por que você está com esta pressa toda?

- Eu preciso cumprir a minha missão, prometi que levaria a carta, e agora preciso retornar para informar que completei a tarefa com sucesso. E com esta guerra em andamento, a missão se tornou mais urgente. E Aurora, minha irmã, o que me espanta é saber que vossa alteza, não tenha um senso de responsabilidade apurado. E o pior, vocês agem de maneira tão desordeira. Cada dia eu me choco mais com as atitudes pouco nobres que vocês insistem em cometer. Isto não foram os valores que eu aprendi nos Sete Céus.

- Bem-vindo ao mundo real Hagen!!! Agora você descobriu onde está? O mundo primário é assim, cheio de diferenças e você tem que aprender a lidar com elas e não impor sua vontade!

E fazendo uma pausa, Abimalek completa:

-Que tal decidirmos o nosso destino, com uma simples votação?

Neste momento a sugestão cai com estrondo no meio de todos. Os que estavam apáticos ou tentando não se intrometer naquele duelo verbal, agora se viam obrigados a se manifestarem. A idéia da eleição foi tacitamente aceita. Restava saber qual seria o resultado.

As luzes da praça já consumiam sua última gota de óleo. Todos ainda se refaziam do susto e os moradores estavam bem escondidos em suas casas da boa madeira local. Hagen logo suspeitou onde Valkíria poderia estar. Ele correu o mais rápido que pode para a casa dos halflings.

Valkíria chegou bem na hora que os halflings juntavam todos os pertences para partir. Quando Noco percebeu o olhar assassino da guerreira entrando no terreno da casa, sentiu que estava perdido, mas não pode dizer uma palavra, apenas segurou no braço do irmão, que compreendeu a situação, que não podia enxergar.

- Halflings maaaaus!!!

- Perdoe-nos grande guerreira, mas nós não podemos mais ficar aqui, ela logo voltará, temos que fugir!

- Não vão fugir! Fiquem aí! Eu dou um jeito.

A guerreira sabia que era prioritário evitar o retorno da Erinye, matar os halfling ela faria depois…Com um pouco de óleo que carregava, untou uns trapos que encontrou e fez fogo com a pederneira. Os reféns observavam lívidos, quando ela jogou a tocha na casa, sob a tapeçaria. A chama crepitou e começou a arder a madeira das paredes. O fumo cinzento logo se elevou e as chamas começaram a se alastrar furiosas.

Valkíria assistia ao espetáculo das chamas envolverem a casa com paciência, certificando-se de que nada ocorreria. Hagen chegou determinado a impedir uma tragédia e quando avistou a silhueta dos três observando as chamas, sentiu que não tinha chegado tão tarde. Os halflings estavam a salvo.

- Lady Valkíria, o que fizeste?

- Queimei a casa, não tá vendo?

- E o quadro? Onde está?

- Lá dentro.

Hagen sabia que o quadro amaldiçoado tinha alguma conexão com a maldição e tinha um forte palpite. Ele pediu para que eles não fizessem nada e entrou na casa em chamas pela porta e avançou até a sala do quadro. Mal passou da sala, a fumaça o tornou invisível aos que estavam lá fora.

O guerreiro celestial suspeitava da conexão entre o quadro e a maldição dos halflings. Se a teoria dele estivesse correta, deveria haver um lêmure em algum local próximo. O pequeno demônio foi encontrado andando pelas chamas e logo veio atacar, sendo prontamente derrotado. Hagen subiu as escadarias, que mesmo sendo de madeira resistente, estavam rangendo ante o fogo e o peso do campeão platinado. De posse do quadro, ainda envolto por um pano, ele desceu até o quarto de Noco, onde havia o alçapão.

Dentro do porão, a parede maldita derretia em sangue, graças ao calor da casa, abrindo uma membrana espiritual para os Nove Infernos. Ele então tira o pano do quadro e vê, por trás da figura dos dois irmãos, a imagem da Tersyphonne, enlaçando-os. Hagen, sabendo que só os seres espirituais poderiam passar, lança o quadro na direção da parede, arrancando a alma da demoníaca fêmea alada da tela e a arrastando para o reino de origem. Junto com ela, foi-se o elo que a vinculava ao plano terreno e também a maldição dos dois, transformando o quadro numa simples tela, de tinta borrada. A parede de sangue formou um vórtice vermelho incandescente e de lá silvou um grito amargurado e raivoso.

O cavaleiro de bronze saiu do porão, mas a casa já ardia não sendo possível respirar. Trancou a respiração e se desviando dos obstáculos que caiam, percebeu que era impossível sair pela porta obstruída. Restando só uma chance, lançou o seu corpo com ímpeto contra uma janela fechada, que arrebentou. O corpo pesado dele rolou no gramado do lado de fora.

Os demais acabavam de chegar, quando Hagen se ergue mostrando que estava bem. Valkíria que apenas esperava, sem entender o que Hagen fora fazer na casa, nem sequer notou quando o colar de Noco se partir em estilhaços. Tico e Noco sorriram e se abraçaram naquele momento, dançando de alegria.

Hagen, um pouco zonzo com a fumaça, se aproxima dos demais, seu manto branco estava negro de fuligem e se dirigiu aos dois pequenos.

- A maldição está quebrada, os senhores estão livres.

- Livres? – se espanta a guerreira.

- Como eu suspeitei, o quadro era a chave da maldição, e não bastava matá-la, havia um vínculo entre a maldita e o quadro que a ancorava aqui neste mundo. Quando ofereci a alma do quadro para que o portal arrastasse, a criatura perdeu sua âncora aqui. Agora ela está banida deste mundo. E por isso, a maldição deles terminou.

-Mas nós ainda precisamos sair daqui, quando a aldeia souber o que fizemos, eles vão nos matar. Deixem-nos partir, podem ficar com nosso ouro. – diz o falante Noco.

- Podem ir, eu não quero recompensa.

- Mas nós sim! Eu sou uma princesa pobre. – diz Aurora, que contabiliza as moedas de ouro anãs de Deshnok.

Antes que eles partam, Allis os impede.

- Ei! Vocês podem compor uma música para mim?

- Desculpe, acho que perdi o meu talente. – responde Tico com sinceridade, mas feliz.

Os irmãos halflings correm para a escuridão dos bosques e eles retornam para estalagem, avisando que tudo agora estava bem.

xxx

Na manhã seguinte, Thon estava melhor, mas os pés ainda tinham sensação de ardência. Passado o susto, as mulheres gnomo solteiras o traziam muitos mimos, pois gostaram muito da dança maluca que ele apresentou na noite trágica. O cervejeiro percebeu que o prejuízo da festa foi bem menor que o esperado em seus estoques e ficou aliviado. Já Allis foi preso, pela manhã.

Acordado pelos guardas da aldeia, Allis foi levado à prisão por ter atacado o chefe da guarda local. Todos sabiam que deveria ser um mal entendido, pois era evidente que Hahf Barba d’Ouro estivera enfeitiçado pela erinye por muito tempo. Mas a alegação dele é que a lei é dura, mas tem que ser cumprida: atacou o um oficial, vai preso.

Antes que o bafafá se agitasse, entrou no salão, o veterano guarda, que patrulhava a praça da aldeia, Bolgak, que lutou no embate crítico. Falando em anão, conseguiu dissuadir o chefe da pena de prisão, revertendo apenas para multa. Eles usaram o dinheiro do próprio Allis para pagar a fiança e reaver os pertences do coitado injustiçado.

Allis vendo-se tratado como um pária, por aqueles que tentou ajudar, nada fez. Maldisse o destino, que lhe trazia o desprezo das pessoas de quem ele gostava. Pegou sua espada dos dracomagos e percebeu que o foco místico, que ele usava para fazer algumas magias estava inerte. Então, avisou aos companheiros que ainda não poderiam partir, ele precisava reunir alguns ingredientes para o ritual de recarga do seu foco. Hagen ficou insatisfeito pelo atraso, mas não pode se opor à justa solicitação do nobre colega.

Allis pagou por algumas estatuetas, tapeçarias, incensos e outras coisas mais e completou com sucesso o rito, que os magos precisam fazer para energizarem seus objetos místicos. Enquanto os magos costumam usar varinha, cetros e cajados, os dracomagos canalizam suas mágicas das espadas místicas, quando maior a arma, maior o poder contido nela. Allis tinha uma espada longa, recebida por seu avô, o paladino matador de dragões, Will Drackmore, a única pessoa que o respeitava.

Saindo de Fort, o grupo se refez e rumou de volta para Yoria. Passaram por Bosch e seguiam em segurança para Veen, a penúltima cidade de Deshnok antes de chegarem a Lentis. Veen, uma pequena aldeia estava com uma terrível acumulação de tropas. Quando viram isto, eles se assustaram. Não sabiam o que tinha ocorrido e precisavam investigar, contudo precisam se manter anônimos. Thon, por ser um halfling decidiu ir investigar, deixando os demais para trás, mas Abimalek foi com ele. Thon teve o cuidado de se disfarçar com vestes locais e que arranjou em Fort, penteou o cabelo à moda daquele lugar e tentou disfarçar o sotaque. Usando a língua dos ayorianos, perguntou a uns soldados mais próximos:

- Somos viajantes, viemos para Bosch há alguns dias e quando passamos por esta aldeia não havia barreiras, o que houve senhor?

- Guerra! Os viajantes devem voltar para Bosch e esperar melhores notícias.

- Como? Estava tão pacífico quando viemos.

- Houve um ataque no norte, dizem que as florestas yorianas estão infestadas de ciclopes e outros monstros que não sabemos. É certo que eles saiam de lá e venham para cá. Por isso, não é seguro que viajantes sigam na estrada para Plaats, ou ousem ir para Yoria por estrada.

- Você ouviu falar de Fei Kazu?- se mete Abimalek.

- Humm? – o guarda indaga.

- Meu amigo está confuso…

- E Spits, ouvi dizer que fica para o oeste. É uma bela cidade, não é?

O anão achou estranha a pergunta do humano, mas respondeu:

- Sim, é mesmo. Mas chegar lá, daqui não é fácil, ela fica no vale de Hoeg.

- Agradecemos as informações, capitão, acho melhor voltarmos para Bosch.

Thon repassa os avisou aos demais. Hagen vê sua missão de retorno comprometida, os ventos da guerra sopravam próximos. Abimalek vê a situação e percebe que eles não poderão ficar em Bosch.

- Senhores! Não poderemos sair daqui pelo caminho que viemos, sabemos que Spits fica próximo daqui, poderíamos aproveitar e procurar aquele bardo que Tico e Noco nos disseram.

- Não! Fei Kazu não é problema nosso. Ele sequer é um problema, Sr. Lafer.

- Pelo contrário Hagen, você que pensa isto, poderemos ter pistas valiosas se formos enquanto a pista está morna.

- Ele provavelmente não vai estar lá e perderemos mais tempo.

- Vejam! Sptis fica a algumas dezenas de quilômetros daqui. E lá uma grande cidade.

- Sim, mas pelo mapa este território é montanhoso. Eu treinei nas montanhas íngremes quando era criança e posso lhe assegura que não é uma viagem rápida. E falo pela segurança e o bem de todos.

- Você está com medo, Hagen? – pergunta o sacerdote provocador.

- Não! Mas você está quebrando a sua palavra Sr. Lafer. – responde Hagen com serenidade.

- Que palavra?!

- O senhor esquece, que todos o senhores me prometeram que após resolvido o problema em Fort, nós voltaríamos para Lentis.

- Mas a situação mudou.

- Você é um homem sem palavra?

Neste momento, Aurora, percebendo um acúmulo de energia pesada no ar, intervém.

- Acalmem-se, não vamos brigar por conta disto. Abimalek , ele está certo, nós nos comprometemos a voltar para Lentis. Hagen, não sei por que você está com esta pressa toda?

- Eu preciso cumpri a minha missão, prometi que levaria a carta, e agora preciso retornar para informar que completei a tarefa com sucesso. E com esta guerra em andamento, a missão se tornou mais urgente. E Aurora, minha irmã, o que me espanta é saber que vossa alteza, não tenha um senso de responsabilidade apurado. E que todos vocês agem de maneira tão desordeira. Cada dia eu me choco mais com as atitudes pouco nobres que vocês insistem em cometer. Isto não foram os valores que eu aprendi nos Sete Céus.

- Bem-vindo ao mundo real Hagen!!! Agora você descobriu onde está? O mundo primário é assim, cheio de diferenças e você tem que aprender a lidar com elas e não impor sua vontade. Que tal decidirmos o nosso destino, com uma simples votação?

Neste momento a sugestão cai com estrondo no meio de todos. Os que estavam apáticos ou tentando não se intrometer naquele duelo verbal, agora se vêem obrigados a se manifestar. A idéia da eleição foi tacitamente aceita. Restava saber qual seria o resultado.

 

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2 Comentários para “Ventos da Guerra: Capítulo 10”

  1. joffison diz:

    eu acho que prefiro os dialogos em negrito, mas acho que o copntexto geral vai dar pelo itálico.

    - Mas nós sim! Eu sou uma princesa muito pobre. – kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk,

    no geral do jeito que vai, jahjah tu encosta onde a sessão tá.

E você, o que pensa?