As gênesis humanas

Lendo o RPG-DM, me deparei com uma divagação de Erick Patrick de criar um cenário fantástico, onde apenas humanos existissem. A ideia era fazer uma adaptação das raças para os povos humanos, que assimilariam as caracterísiticas daqueles.

Me pergunto, por que os mundos de fantasia não vão mais longe? Já perceberam que no nosso mundo os humanos conseguem ter formas e aparências distintas, mas isto não é repassado para os mundos no RPG?

A Fantasia  foi assimilada pela Biologia! Me desculpe Charles Darwin, mas nossos mundos são criacionistas!!!

Sim, o mundo de fantasia foi criado por um deus ou panteão conforme o gosto Deles e longe de respeitar qualquer lei da física. E são muitos os deuses! Deuses dos elfos, deuses dos anões, deuses bullywugs e os deuses humanos? O que impediria de entidades onipotentes criarem os seus seres em imagem e semelhança? Por que só um deles deveria ter o mérito da criação?

Se cada deus criasse seu próprio grupo de humanos, natural seria que eles tivessem suas próprias caracterísiticas, o que implicaria em vantagens e desvantagens próprias para os seus eleitos. Vejam na história da humanidade, cada povo tinha seu deus criador. Mas no RPG, os humanos parecem surgir da mesma origem, tirando um belo passatempo divino: a criação de seres que vão adorá-los.

Vou usar alguns deuses de FR, como exemplo do que quero dizer. Eu, particularmente, acho Forgotten Realms bastante desleixado no tocante as divindades, mas isto é motivo para outro post. Continuando…

Chauntea

Chauntea

Chauntea é a humilde divindade de todas as coisas que crescem, especialmente as semeadas pelas mãos da humanidade. Ela raramente surge entre os mortais e não aprecia grandes espetéculos. Ela prefere atos de devoção pequenos e tranqüilos. Venerada por fazendeiros, jardineiros e pelos camponeses, ela é amada por todos que vivem do solo. (fonte: wikipedia, sim algum rpgista passou por lá).

Chauntea é uma deusa agrária, já Silvanus é o deus da natureza selvagem. Logo se percebe que há um atrito entre as atribuições destes deuses. Chauntea é a natureza domada, Silvanus é a natureza livre.

Porém, quem domaria a natureza? Uma criatura inteligente, bípede e com polegares opositores, isto é um humanóide. A deusa para existir precisa criar um ser a sua imagem e semelhança para alcançar o objetivo Dela.  No caso, o objetivo da deusa é a agricultura, mas para isto teria que criar alguém que cumprisse a tarefa. Ela seria uma ótima indicada para a criação de seres humanos – que gostam de domesticar as forças naturais e se espalhar por terrenos inóspitos- transformando-os em pomares.

Tempus é um deus da guerra honrada, estimulando a coragem e a resolução de problemas através das batalhas.  Em um mundo primordial pacífico e ordeiro, conflitos seriam impossíveis. Tempus poderia criar seu povo, para que as batalhas fossem possíveis. Uma raça mais beligerante, com inclinação para o auto-sacrifício poderia ser forjada por Tempus para traçar Seu objetivo. Ele poderia criar seres humanos especiais para a tarefa.

Agora vamos comparar os dois tipos de humanos, os “chanteanos” e os “tempusianos”.

Tempus

Tempus

O “chanteano” teria mais capacidade de sentir a mudança das estações, identificar plantas e animais. Ser mais sábio, devido ao tempo que passa observando os ciclos naturais e menos inteligente, por tender a gostar das soluções simples.

O “tempusiano” seria mais habilidoso em combate, devido ao treinamento militar recebido na infância. Ser mais forte devido ao carácter belicoso da raça e perder em carisma, devido à agressividade.

Ambos os povos seriam humanos, mas teriam bônus, desvantagens e poderes distintos. Diferem em aparência, mas poderiam se combinar, gerando híbridos entre as sub-raças. Quantas estórias não já ouvimos onde  uma menina de um povo se apaixona por um rapaz de outro povo, rival.

Pensem mais sobre os mitos da criação e façam os deuses de suas campanhas trabalharem um pouco mais. Ou então deixem à cargo da seleção natural.

Comentários (10) »

  • Como disse lá na lista, gostei muito do post e me trouxe algumas idéias para a adaptação que tento fazer! A existência das criaturas mágicas nas religiões daquele tempo seriam na verdade os verdadeiros “guerreiros” dos deus na busca do politeísmo o/

    Enfim, algumas divagações que apareceram depois de ler o post!

    Abração!

  • rafael diz:

    alguns cenarios fazeme ssa diferença nas regras, como Dragonlance e Birthright.
    estou lendo “Ancestrais de Avalon”, e nele vc tem diferentes “humanos”, sendo alguns mais capacitados para determinadas artes

  • Danielfo diz:

    @rafael,
    No meu cenário próprios, os humanos raça pura tem vantagens em relação aos mestiços, recebendo algumas bônus especifícos e habilidades em perícias determinadas ou mesmo poderes únicos. Acaba dando um charme maior em usar raças humanas, principalmente em AD&D onde as raças são bem mais poderosas, que o humano, fadado ao sono eterno.

  • Danielfo diz:

    @Erick Patrick,
    Espero que ajude a todos as explorarem mais a raça humana nos próprios cenários.

    Os mitos de criação são muito pouco evidentes nas ambientações, quando são tudo nas mitologias.

  • Arquimago diz:

    Bem interessante! E no Brasil o cenário da Conclave Crônicas de Avalon tem essa variação de humanos, mas a explicação é cultural e não divina.

  • Alexandre diz:

    Cara! Gostei pra caramba desse post! Muito bom e deu várias idéias! Foda!

  • Vários jogos trazem diferenciações entre os humanos de seus cenários, como o Dragonlance, ou mesmo o Conan D20 (onde, inclusive, não existem as raças semi-humanas).
    A questão é que essas diferenças raciais são sempre culturais, e não devido a razões divinas. E posso afirmar com certeza de que a razão disso não é uma visão Evolucionista da humanidade nos cenários, mas sim uma questão prática de mercado: tratar povos humanos (e consequentemente etnias) diferentes como sendo criadas por deuses diferentes, e portanto pertencendo na prática a raças/espécies diferentes seria visto muito facilmente como uma forma de racismo, e todos nós sabemos como esse tipo de coisa afetaria negativamente as vendas dos jogos.
    Pra cenários caseiros pode ser fácil e divertido assumir essa visão, para cenários comerciais, é melhor não mexer em casa de marimbondos.

  • Gostei do artigo (assim como o do Erick, que originou a discussão). Isso me fez reavivar uma idéia que havia pensado uns dias antes…

  • Acho incrível posts assim, que geram verdadeiras discussões em vários blogs! Isso me deu idéia também, algo que já até vi feito, mas não em terras tupiniquins ;P

    fico feliz em saber que o pessoal gostou de nossos posts \o/ que continuemos assim então! abração a todos :}

  • Zeca diz:

    foi uma matéria muito boa, como sempre, elfo ! eu sempre pensei dessa maneira também, acho que um ser não pode ser padronizado apenas por pertencer a uma mesma raça, afinal o clima, o terreno em que vive e o modo de vida de um povo é o que realmente define suas características, e isto também implica no físico… e obviamente, reflete nas divindades que estes seguem…

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