Muita gente adora “trabalhar” os vilões, os grandes inimigos, mas deixam de lado outros NPCs também importantes: os aliados.
Mais do que meros sacos de pancada e divisores de dano. Os aliados não estão aí para “comer” dos tesouros dos jogadores. Eles vêm para ajudar.
Criar personagens secundários ricos em histórias e de personalidade forte pode ser muito interessante, mas que tal dar outra tonalidade a essas características?
Algumas pessoas parecem não possuir vida própria, elas se aderem de tal forma à vida de outras pessoas que se tornam sombras destas. Alguns PJ’s podem atingir um nível de fama e poder tão alto após muitas aventuras que é natural que eles acabem conhecendo pessoas que gostem deles. Inicialmente esta afinidade pode parecer boa coisa, mas no fim, se revela algo incômodo, do qual é difícil se livrar. Afinal, o mundo não é feito apenas de seres memoráveis, é principalmente constituído de gente medíocre.

Que ataque crítico sensacional!
O BAJULADOR
Um bajulador é aquele personagem que ADORA enaltecer qualquer feito realizado pelo ídolo. Ele é um fã que ouviu as estórias de glória do(s) seu(s) ídolo(s) durante toda a infância. Por conta destas estórias, decidiu seguir um caminho similar e o destino fez com que se envolvesse com os seus heróis inspiradores. Se o herói idolatrado matar um monstro, ele dirá que este terá sido o mais temível monstro da região. Porém, se deixar aquele artefato mágico cair em mãos erradas, é porque ” deve estar escrito no imutável Livro do Destino”. Se a princesa alega ser a mais bela do reino(CAR18), um bajulador logo dirá que a princesa tem cara de bruxa comparada com a bela arqueira do grupo(CAR15).
O bajulador não mede as conseqüência das suas próprias palavras. O desejo de enaltecer as habilidades e virtudes – e ignorar os defeitos – do ídolo é a única meta que ele persegue.
Frase típica:
- Meu mestre poderá derrotá-lo com uma mão amarrada nas costas, príncipe das profundezas abissais!
A APAIXONADA
Alguns aliados podem estar perdidamente apaixonados por algum personagem, na grande maioria das vezes, do sexo oposto. A apaixonada faz de tudo para ter este amor platônico correspondido. O grande problema da apaixonada é que seus objetivos de vida são diametralmente opostos aos do herói. Tudo que ela deseja é viver em uma vila simples, com uma casinha e filhos. Mas nem tudo é fácil para a apaixonada. Uma jovem de família grande, feia e meia-orc poderia estar perdidamente apaixonada pelo guerreiro viril, que sempre desconversa ante as insinuações da tímida meia-orc.
A apaixonada não precisa ser uma pessoa feia, de outra raça, ou apenas mulher, pode ser o contrário.
Um aprendiz de feiticeiro que não consegue articular as palavras tão bem quanto feitiços é um caso. Ele pode ficar trêmulo e gaguejante, incapaz de conjurar magias quando esta perto de sua amada. Ele será um péssimo aliado na hora do combate, mas sempre fará de tudo para ajudar o grupo.
Uma bela dama pode carregar uma maldição secreta que impede que tenha relações sexuais com seu querido amado. Fica em um eterno vai-e-vem sem que tenha coragem de dizer que é vítima de um maldição, por medo de perdê-lo.
Um ancião pode se apaixonar pela gatinha do grupo, que se torna vítima das investidas sem graça do depravado.
Uma velha matrona, poderosa bárbara das estepes geladas, pode ter ficado perdidamente louca pelo clérigo do grupo, resolvendo várias aventuras paralelas que deveria ser feitas por eles só para que o amado e ela tenham mais tempo juntos. Vendo o xp minguar por falta do que fazer, como desmachar o interesse pelo puro clérigo e reaver o xp perdido de volta?
Frase típica:
-Eu faria qual quer coisa por você? O que, me matar? My Lady, me matar e viver a eternidade no paraíso sem você para mim seria pior que estar no inferno!
O FANÁTICO

Este morreu pela boca
Alguns tipos de aliados consideram o herói que segue como mestre deles. A vontade e os desejos deste npc são suprimidos em relação aos desejos e vontades do amo e senhor. Para o fanático, não basta obedecer as ordens, ele precisa se antecipar aos desejos que o mestre possa ter e se culpar quando não for capaz de adivinhá-los. O fanático sempre se oferece para cumprir uma tarefa penosa pelo mestre, querendo que ele se exponha o mínimo possível à riscos. Se precisam saber se a porta possui armadilhas ou a poção é envenenada, esta pessoa é o fanático. É muito provável que os jogadores gostem de um aliado assim, mas o que eles perceberão serão os incomodos desta atitude de veneração ilimitada.
O fanático não teme a morte, sua vida não é importante, o que deseja é morrer gloriosamente defendendo o seu senhor. Um fanático não tolerará nenhum desaforo sofrido pelo amo e tentará resolver isto de maneira imediata, se possível com o sangue do ofensor. O fanático tentará provar o seu valor perente seu mestre, atacando monstros desconhecidos, gritando alto o nome do mestre no campo de batalha. Por fidelidade, ele abre mão de parte do espólio recebido para o jogador que ele idolatra, mesmo que isto enfureça os demais.
O fanático adora o herói por um motivo específico, relacionado a algum feito heróico realizado no passado. Se o herói matou um dragão, o fanático estará convicto que esta é a atitude certa a se tomar sempre e procura fazer o herói-mestre sempre optar por escolha feitas anteriormente. Se este herói se deparar novamente com um dragão, o fanático estará ansioso para ver o mestre travar mais um combate, do qual também participará. O fanático nunca aceita uma opção de recuo como resposta válida. Se algum companheiro do grupo sugerir fuga, não adianta argumentar que o dragão vermelho é mais forte que o dragão branco que mataram no passado. O fanático apenas vai achar que alguns membros do grupo são covardes e estão tentando corromper a força do seu grande matador de dragões. As medidas que um fanático poderá tomar contra pessoas que maculem a aura de bravura do seu herói são imprevisíveis.
Frase de efeito:
- Por Dugale, o Grande!
O INTERESSEIRO

Pode confiar em mim, eu quero seu bem.
Esta sub-espécie de puxa-sacos é o pior de todos. Enquanto o bajulador é movido pela baixa auto-estima, a apaixonada pela loucura do amor e o fanático pela devoção cega, o interesseiro visa o ganho pessoal. Para o interesseiro, ficar próximo de alguém poderoso é questão de conveniência. O interesseiro acompanha o grupo porque sabe que as vantagens são muitas e os perigos são mais baixos do que se andasse sozinho. Este puxa-saco é sempre um personagem confiável, ponderado e prestativo. Se alguém precisar ir no mercado comprar flechas e também passar no castelo do Conde, o interesseiro irá comprar as flechas. Sendo um estrategista social, vê o grupo como mero trampolim para alcançar degraus mais altos. Quando os aventureiros voltarem ao castelo do conde e comentarem que conseguiram matar as harpias que atacavam a cidade, o interesseiro lembrará a todos que a tarefa só foi possível graças as flechas que ele comprou na terra do CONDE.
O interesseiro sempre se apegará ao personagem mais importante do grupo, o que pode variar no tempo. No começo ele será o melhor amigo do guerreiro, logo será do mago,depois do clérigo, tudo conforme a situação do momento. Como bom planejador, o interesseiro vai sempre querer se aproximar discretamente de personalidades mais ilustres. No caso exemplificado acima, o puxa-saco já estaria interessado em fazer amizade com o conde, já imaginando algum cargo na estrutura da corte. Assim que conseguir mudar de status, seus velhos amigos serão apenas conhecidos velhos. Maquiavelicamente, ele não irá desprezar antigos companheiros, tentará ser cordial e irá lhes prometer tudo o que não tem intenção de cumprir, para passar a ideia de que ele é ainda um leal amigo. Quando este momento de precisão chegar, o interesseiro já não verá mais nenhum utilidade nos ex-camaradas e já estará adulando o monarca, quando viajar com o conde à reunião dos vassalos reais.
Frase de efeito:
- Deixe que eu faço isto por vocês, é uma honra ajudá-los.

Comentários (13) »
Em um jogo aonde valorizamos o background do personagem e naturalmente sua rede de relacionamentos é natural que fiquemos satisfeitos com as relações de nosso PC com os NPCs. Permite dar profundidade e ganchos para os variados desafios que o narrador se propôe a fornecer ao grupo.
O melhor do uso de um NPC atipico como os mencionados e de fazer o grupo baixar a guarda.
” Joquim, o meu escudeiro puxa-saco? Jamais me trairia!”
“Lorrane, me ama… Ela trará os reforços como eu pedi! Se não como eu salvarei a noiva do rei?
“É claro que meu Vizir cuidará de meu reino enquanto eu estiver fora, eu o pago muito bem para isso!”
Ja me vi em reviravoltas dramaticas por confiar muito em NPC’s que subestimava… Não que justifique paranóia desnecessária, como se esperassemos o fim do mundo, mas se por acaso ocorrer (e o narrador diabólico moderno fará questão) vamos curtir o drama e encarar o desafio pois a estória que será narrada por gerações será a sua!
Minha visão sobre NPC’s é romântica; e meus piores e mais terriveis vilões sempre estiveram a “paisana” e sempre pertinho dos heróis.
Just my two litle pence about it!
Will
Opa, post muito bom @danielfo! E valeu por ter linkado o RPGdoMestre o/ Eu já odeio o bajulador, que normalmente tem um tanto de interesseiro, ó o/ Mwahahah Abração!
Muito bom o post! Não sei qual eu gosto mais ou odeio.
@Erick Patrick,
Não estava lhe bajulando quando “linkei” é pq tinha lido seu artigo e achei que pouca gente aborda a interpretação de personagens secundários. Todo mundo só foca nos heróis e vilões.
Eu procurei mostrar que o bajulador e o interesseiro são figuras diferentes, apesar de caminharem na mesma linha. A diferença é que o interesseiro é um bajulador que se aproveita do puxa-saquismo.
@Danielfo,
Cara, sei que que não estava bajulando, só agradeci pelo link o/
@Arquimago,
Cara, eu não sabai mas li em outro blog q vc é formado em história, receber um elogio seu pra mim se tornou mais gratificante, pq geralmente escrevo muitos posts nesta área.
@Erick Patrick,
Pô! Falha crítica na minha piadinha sem graça.
Eu não quis dizer q eu tava te babando não.
Tem horas que na net sou um pensotoupeira.
@Daniel,
Esqueçamos, relevemos e aproveitemos os posts! Mwahahah DE novo, parabéns pelo post o/
Abração XD
Esse seu blog anda cada vez mais legal Sr. Elfo. E é isso mesmo, estou sendo bajulador.
Minha dica para criar um NPC puxa-saco? Procure alguém em quem se inspirar no escritório onde trabalha. Lá você encontrarar mais de um, sem dúvida!
@Marcos Batata,
Salve Grande Batata, que bom ver sua visita (babão mode on).
Se eu for atender a sua dica ia passar um mês escrevendo sobre puxa-saquismo.
Oi, interessante o artigo.
Conheci o pensotopia pelos textos sobre detalhamento dos atributos e li a discussão sobre o jogo ser medieval e tals, o blog de vocês é muito bom.
@Marcos,
Obrigado Marcos, temos muito material bom perdido pelo site, recomendo dar uma fuçada nos postos mais antigos. O menu Subconsciente, na lateral esquerda ajudará nesta empreitada.
@Daniel,
Afinal, a melhor parte são os leitores.