Ventos da Guerra: Capítulo 5

A Armadura do Halfling

As terras ancestrais dos elfos são fronteiriças a Yoria. Apesar da proximidade,  o reino élfico é desconhecido pela grande maioria dos vizinhos do norte. Os antigos yorianos não eram vistos com bons olhos há poucas décadas atrás e a richa entre Ayoria era ainda mais severa. Mesmo a aliança entre os reinos não fez desaparecer o rancor, os elfos demorariam para esquecer a desavença de séculos e séculos. Contudo, o “bom povo” seria o menor dos problemas, toda uma hoste de seres encantados vivem na região e possuíam motivações independentes.

O severo inimigo revela-se: o inverno. Os agasalhos e roupas pesadas, apesar de proteger contra o frio, restringem a mobilidade do grupo, que se atrasa ainda mais com a neve. Aurora segura o mapa enquanto Valkíria tenta se orientar pelo oculto sol. Hagen caminha com cuidado, para não afundar na neve, seu corpo atlético e ossos de platina se tornam um obstáculo. O dracomago avalia as chances de encontrarem um dragão branco, mas torce para que não se depare com um tão cedo. Ualfo erriça os pelos e tem dificuldade para voar com o clima gélido, seu mestre deveria estar gargalhando com o sofrimento dele. Abimalek admira as árvores, tão belas e antigas, ele nunca vira a terra branca. Thon saltita e assovia baixinho, a despeito dos olhares de soslaio dos demais.

Faltava agora muito para chegar em Eyar, os elfos indicavam Cylvrbrinn como o responsável pela guarda da armadura do halfling. Não nevava,  mas estava cada vez mais frio, as árvores sem folhagens obstruíam o caminho e  a visão. Ualfo decidiu voar para saber se enxergava a sinais da cidade élfica. O fremlin voou tentando alcançar a copada. porém o monstrinho alado cai de modo súbito, como uma pedra, antes de ultrapassar os primeiros galhos. A queda é amortecida pelo solo  fofo. Se fosse apenas pela morte da pobre criatura, poucos se importariam. O que acabava de ocorrer era um perigo desconhecido que afetou um deles e poderia causar mais baixas. Ualfo era justamente quem,  a todo tempo, alertava a todos dos perigos que Celine oferecia; como uma rosa de belo perfume, porém cheia de espinhos.

Antes que qualquer um deles localiza-se o inimigo, um sapo azulado enorme saltou do tronco para um galho mais baixo da árvore onde o fremlin jazia. Valkíria e o irmão dela,  Allis , retesaram seus arcos e dispararam a saraivada de flechas. Thon com sua funda, lançou uma pedra afiada que tinha preparado contra o batráquio, logo após as primeiras flechadas. O animal não resistiu aos ferimentos e despencou do galho, manchado o gelo com sangue. Ao se aproximarem curiosos do sapo  agonizante, sentiram um enorme frio – capaz de gelar os ossos-  mesmo cobertos por tantas proteções. O frio mágico ia perdendo intensidade, conforme o animal deixava de respirar. Aurora foi ver se Ualfo tinha morrido, ela sabia que ele possuía grandes resistências naturais, mas contra o frio mágico ele não era protegido. Ela tocou no coitadinho e o enrolou no próprio manto, para aquecê-lo, Ualfo não estava morto, contudo exigia cuidados. Seria melhor carregá-lo, ele falava demais e em um terreno hostil talvez fosse melhor deixá-lo forçadamente em repouso do que ministrar uma cura milagrosa.

Eyar é uma cidade fabulosa, encravada em Fles, a floresta densa,  foi construída no Cômputo  anterior, tendo se tornada uma importante cidade antes do novo calendário, a mais de dois mil anos. A arquitetura da cidade foi modelada para comportar as plantações domiciliares e árvores frutíferas nos espaços públicos, amplos e abundantes na cidade. A cidade seria um bom local a se desfrutar se não fosse o objetivo real de estarem por ali. Aurora era fluente em cellinil e também na língua élfica. A primeira era usada em carácter mais coloquial e para conversas mais informais. Já o segundo idioma era usado em ocasiões mais cerimoniais, era a língua dos elfos de prata, os soberanos locais. Logo não foi complicado encontrar a casa de Cylvrbrinn. Na primavera, a cidade ficava sempre mais bela.

A casa encontrada parecia mais uma toca. Quem eles procuravam não era um elfo, como imaginavam, mas um gnomo florestal. A cota de malha élfica não foi feita por ele, a razão dela estar ali é porque precisava de alguns retoques ornamentais que só o gnomo sabia fazer, por ser o único com conhecimentos em heráldica ayoriana na cidade. A escadaria para a casa era muito estreita e a porta era bem pequena, mesmo um halfing seria grande para a passagem. A escadaria estava desobstruída e Thon e Ualfo foram. Thon tamborilou a porta com os dedos ágeis, os humanos lá em cima ficaram desconfiados do local.

- Quem é? - pergunta uma voz estridente, logo traduzida por Aurora.

- Eu, Thon Storm filho do Imperador de Ayoria, o Grande Bred Storm. – responde em élfico, com entonação teatral.

A porta é aberta e som de música alta e festeira se espalha pelo ar.

Entrem rápido! Não gostamos de olhares. – diz a voz estridente.

Com uma pancada forte, a porta é fechada e sons de fechaduras trancando são ouvidos. Os humanos do lado de fora se entre olham. Abimalek sugere:

- Por que não vamos sair para conhecer o local, uma taverna não seria má ideia…

- Eu acho que devemos ficar aqui e esperar. – sugere Hagen em tom de imposição.

- Se você quiser, então espere. Eu vou para uma taverna que vi antes de chegar aqui. Alguém mais quer ir comigo?

Os irmãos cujo Abimalek deveria estar protegendo concordam com ele. Aurora olha para Hagen, que já estava em posição de Lótus ao lado da entrada da toca do gnomo e diz:

- Você deveria vir conosco… – arruma a mochila e ruma ao encontro dos demais que estavam adiantados.

xxx

Cylvrbrinn olha para o halfling e também para o fremlin. O local estava repleto de outros gnomos, que tocavam, alguns brownies e várias fadas. O gnomo chefe parecia ser bem rico e bem quisto. A música havia parado.

- Ele é um goblin não é? – indaga Cylbrinn olhando para Thon e apontando para o fremlin.

- Não, ele não é não?

- É, eu não sou! Eu sou um gremlin.

- Mas gremlins não são goblins? – insiste o gnomo.

Thon percebe a situação ficar tensa, enquanto Ualfo conta quanto rostos sizudos havia na sala olhando para ele.

- Você deve estar enganado, acho que ele é aparentado dos kobolds.- o halfling desconversa.

Ualfo no game Spore (feito pelo jogador)

- Os kobolds são muito zombeteiros, eu não gosto nada deles. Meu irmão sumiu a cinqüenta anos e achamos rastros de kobolds. – o gnomo relembra o passado e se revolta.

Thon assovia umas notas tristonhas e ao mesmo tempo acalentadoras.

- Isto é muito triste, não gostaria de perder um amigo estimado, muito menos um parente. O meu amigo aqui, quase morreu na vinda para cá. Tudo porque queria me ver vestindo a armadura que o rei dos elfos quis dar pra mim.

- Ah! Sua armadura, já ia me esquecendo. Preciso só fazer uns ajustes nela e esperava mesmo que você chegasse para isto. Você – diz ele apontado para um brownie- vá no baú dos fundos e traga um pergaminho que tenho sobre genealogia goblin, vamos saber se este fremlindando ênfase-  é parente daquela raça ruim ou não?

Ambos se entre olharam após ouvirem aquilo. Em um jogo de olhares e corpo Thon, mexendo as sobrancelhas e franzindo a testa indaga ao colega se ele é parente de goblin. Ualfo coça a cabeça e faz um bico, revelando que nem mesmo ele sabia a resposta. Os demais estavam alheios a tudo isto, se divertindo numa taverna. Já Hagen, estava a poucos metros,  procurando entrar em harmonia com o multiverso.

O gnomo trás a cota de malha e vem conversar sobre uns discretos detalhes da armadura, um especialista em heráldica poderia identificar os símbolos ayorianos feitos com um buril na própria malha da cota. Usando os acessórios corretos, os símbolos podiam ser ocultados. A música e a dança tinham voltado, enquanto o brownie ia conferindo, um a um, o pergaminho procurado. Para que o pergaminho não se tornasse o assunto principal, o príncipe decide comemorar o presente, pagando bebida para todos, o tanto que pudessem aguentar. Exigindo que todos, sem exceção,  comemorassem com ele o presente do rei élfico, começa a dançar e festejar. Thon precisava de todos bem embriagados para garantir o amigo a salvo.

Por altas horas da noite, quando todos já estavam exaustos e ébrios, Thon “lembra” do pergaminho. Os gnomos fixam na parede e veem um desenho de um árvore, com as raças goblinóides nos ramos. Aproveitando-se do estratagema e fingindo também estar bêbado com os demais, ele lê o pergaminho e simplesmente pula o nome procurado.

- Gremlin, Galltrit Mite e Snyad . Viu!? Nada de Fremlin,  ele deve ser parente de outro bicho…

- Bem que eu desconfiei! – gritou Cylvrbrinn- Chegue para cá. – diz dando um abraço suado no Fremlin, que ainda estava tenso.

No dia seguinte, com o sol alto, ele saíram da toca, com a armadura prometida e ainda cansados da festança. Hagen saia da posição de lótus, com cara de quem não tinha dormido nada.

- Vamos embora, já fizemos o que tínhamos que fazer aqui. -fala sereno, mas  visivelmente insatisfeito.

- O que deu nele? – perguntou o Ualfo com sua voz jocosa.

Na taverna eles encontram os demais que estavam hospedados por lá. Como o ano novo já havia chegado, decidiram comemorar.Argon havia pedido, a eles que aproveitassem a missão e lhe trouxessem flores élficas primaveris. Um pedido muito excêntrico, mas o perfume das flores feéricas traziam boas lembranças para o paladino dourado: Líria Lucassen.

Após juntarem as flores,  procuraram uns elfos locais que tinha conhecido que se ofereceram como guias. Com eles trilharam um caminho menos perigoso para casa. Aproveitaram que tinha muitas moedas de ouro e se deram ao luxo de passar a viagem de volta bebendo e dançando com os colegas. Hagen ficou muito insatisfeito como tamanha falta de senso de responsabilidade,  mas acabou derrotado antes os argumentos de é costume yoriano comemorar tudo que se pode. Só no segundo mês do ano seguinte eles conseguiram chegar de fato em Lentis.

Comentários (3) »

  • joffison diz:

    uhauauhahuauha
    Hagen inssite em ser chato, meu Deus.

  • Theo diz:

    Eu so posso rir disso. E olhe que eu nem lembrava dessa parte.

    hahahahahahahah

    Mas o que me interessa sao as proximas historias.

    E Daniel, por favor, eu sou o heroi!!!!!!!!!!!!!

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Danielfo diz:

    @Theo,
    Eita, nosso primeiro acesso vindo da Alemanha!

    Aguarde q começou agora.

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