Detalhando Atributos: Força

Detalhando Atributos: Força

Ele tem a Força

Ele tem a Força

Reinicio a série de artigos que revê com mais profundidade os atributos de D&D. Após falar sobre Carisma, Constituição e Destreza, pela ordem, irei falar sobre Força. A priori, não haveria muito o que se falar do assunto, pois é mais objetivo que o Carisma, por se tratar de um atributo explícito. A Força influencia nas chances do personagem atacar, no dano que ele provoca em ataques físicos e também nas proezas que exigem menos sutileza e mais ação. Chute a porta e prossiga.

Em todos os sistemas a Força modifica o valor do dano, mas em Dungeons & Dragons ela altera também as chances de acertar um oponente. Isso não é um unanimidade no RPG, vide GURPS por exemplo. Há uma suposição de que o personagem forte tem mais firmeza nas mãos e consegue manejar melhor as armas, brandi-las com eficácia é sinal de que o ataque sairá melhor, independente do PJ ter boa mira. A diferença seria apenas descritiva, como podemos ver abaixo :

um bárbaro com FOR 16 e DES 05 lutaria com a “graça” de um rinoceronte;

um guerreiro com FOR 16 e DES 15 atacaria com a “malícia” de uma serpente venenosa.

Em ambos os exemplos citados, o ajuste de dano seria o mesmo, contudo a narração da cena de combate seria bem diferente.

Quebrar portas, levantar portões e partir correntes são algumas das rotinas de um fortão. Sempre haverá pedras para empurrar enquanto um musculoso guerreiro estiver por perto. E quando uma outra classe tem este atributo muito alto? Nada impede um mago ter FOR 18. Um bando de orcs dificilmente julgaria um “armário” como o mago do grupo, com isto a estratégia de bater no mais fraco ficará incerta, o mesmo pode ocorrer para o outro lado. Tente colocar o maior homem do grupo inimigo como feiticeiro, só para criar uma confusão inicial na mente dos jogadores, que não saberão identificar o inimigo potencialmente mais perigoso mesmo ganhando a iniciativa.

Zagief: lutador e pastor

Zagief: lutador e pastor

A descrição de um personagem poderá ser bem diversificada. Quando se imagina um personagem com força extrema logo se vem em mente alguém fisioculturista, quanto maior o atributo, maiores os músculos. Porém, quando alguém tem o seu valor de habilidade aumentado magicamente, o que ocorre? Há duas opções: os músculos crescem ou a força vem da magia pura. Se personagem ficar visivelmente mais forte – com é o caso de Bruce Banner quando se transforma no Hulk ou Goku quando usa o kaioken – alguns efeitos colaterais vão ocorrer. Quando o tamanho físico aumentar, roupas comuns vão se rasgar, o que sempre vai gerar um inconveniente. Na outra opção, de não haver mudança física, o personagem apenas recebe os benefícios de uma força extrema sem ter que se preocupar com conseqüências inesperadas.

Se considerarmos que os aumentos de força, provocados por magia, não alteram a forma física do ser, isto abre um outro tipo de precedente para o cenário: a força interior. Em muitos cenários, principalmente os orientais, a Força não é obtida apenas com o treinamento do corpo, também vem do próprio espirito. Temos então duas modalidades de força: a Força Bruta e a Força Interior.  Em termos de jogo, elas apenas vão influir na aparência do PJ. Um lutador poderia ser do tamanho de Zangief  ou ser um pirralho franzino como Yusuke Urameshi, de Yu Yu Hakusho. Mesmo que na descrição, o seu elfo só pesasse 60kg, ele poderia ter uma força idêntica, ou até maior, que a de um meio-orc de 130kg.

Larga do meu pé chulé!

Larga do meu pé chulé!

A opção por uma explicação fantástica da Força poderia ser muito útil não só para ambientações baseadas em animê/mangá/oriental, mas também para as ambientações de fantasia ocidental. Nessas ambientações, haveria um misto entre força interior e bruta que comporia a vitalidade das raças. Um halfling, com cinco palmos de altura, poderia ter sua explosão desproporcional ao tamanho explicada pela força interior individual superior aos demais. Os halflings, mesmo com penalidades no atributo, ainda teria uma valor elevado, o que sugeriria que a própria raça teria um poder interno superior. Isto geraria profundos debates filosóficos sobre a energia inata das raças.

Ainda neste aspecto, quem também sairiam ganhando seriam as mulheres. Ao invés de serem transformadas em halterofilistas com seios, elas poderiam conservar toda as curvilinearidade feminina. Mulher com força alta seria mais sexy, do que as fraquinhas. Uma guerreira com FOR 18 e CAR 3 seria a perfeita Raimunda(feia de cara…). Antes que alguma mulher proteste contra um suposto ato machista, peço para que observem o que ocorre com as meninas que freqüentam academias, evidentemente elas não querem músculos, mas um bom corpo. Obviamente, assim como para o sexo masculino, o sexo feminino também têm o direito de ter modelada o corpo conforme o gosto do jogador(a): gostosas, masculinizadas, ou com um poder interno superior. Com os homens este lance de corpo sarado, para mim ia soar muito “metrossexual”, mas tem que goste…No lado oposto, quem possuir valor de habilidade baixo terá um leque de opções de auto-descrição: um doente esquálido; alguém muito gordo; baixa estatura; alto e frágil. Qualquer coisa que fuja muito da média poderá ser adaptado para expor fraqueza.

Xena: pau a pau(?) com Hércules

Xena: pau a pau(?) com Hércules

Além disto, não podemos esquecer dos monstros. Um elefante pode derrubar paredes e por abaixo árvores, qualquer criatura de poder comparável ao de um paquiderme pode fazer o mesmo – e se for racional – bem mais. Um ogro não abrirá uma porta se for mas fácil (ou divertido) quebrar uma parede. Para um monstro vândalo é bem mais interessante usar a robustez para barbarizar uma vila. O monstro deve aproveitar sua superioridade (e inconseqüência) para destruir tudo que achar possível, de preferência se puder ostentar o próprio vigor. Nada melhor que erguer tonéis e arremessá-los em janelas, jogar sacas de cereais em cima das casas, quebrar bancos e desafiar os fracotes. O segredo é aproveitar a exibição e intimidar os covardes.

Com isso aponto algumas ideias interessantes sobre um atributo onde não se teria muita coisa para detalhar. Até a próxima.

 

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12 Comentários para “Detalhando Atributos: Força”

  1. rsemente diz:

    Muito massa a discução de força e aparencia. Tinha uma guerreira com força 18, e por isso todos tiravam onda com a premissa que se é muito forte é muito musculoso.

    Seria interessante os livros basicos trazerem essa discução, evitaria muito bate boca e gozação.

    • Danielfo diz:

      @rsemente,
      Realmente, por isso que estou escrevendo esta série de artigos, tem muitas coisas que os livros simplesmente ignoram.

      Fazer um personagem mulher com força alta sempre é um problema por conta desta limitação na explicação vinda dos próprios livros.

  2. rafael diz:

    muito interessante. sempre vi da seguinte maneira:

    força é sua capacidade de causar dano e levantar/levar peso com o menor esforço possivel.

    causar dano nao quer dizer ser musculoso. um cara q sabe onde bater poderia ter uma força alta, e nao sao ser um “conan”.

    força de vontade é “willpower”, e lembro de ver no players options,na regra q divide as habilidades em duas, q will era sabedoria, ou seja, sua força de vontade esta ligada a sua vivencia. sabedoria sempre foi algo meio “inato” e nao treinavel pra mim,e por isso, acho q fica bem direitinho.

    parabens pelo post

    • Danielfo diz:

      @rafael,
      Só esclarecendo o que eu disse, a Força Interior não seria equivalente a Força de Vontade, seria algo mais instintivo, vindo do espírito e não da mente. Só algo pra aumentar a viagem…

  3. Azuil diz:

    Em ad&d eu ficava grilado com isso de força alterar a chance de acertar, mas como ad&d é fraquíssimo em regras, deixa passar uheuheuheuhe
    Muito bom o artigo!

    • rafael diz:

      @Azuil,

      opa opa!

      “simples” nao quer dizer “fraco”!

      o D&D em todas suas encarnações estao longe de terem regras fracas

      • Azuil diz:

        @rafael, e desde sempre não ajeitou a regra sebosa de magia xD (minto, não sei como funfa na 4a.)

        • rafael diz:

          @Azuil, sebosa?
          hahahaha.

          pq seria?

          o q ha de errado com um classico como jack vance?

          • @rafael, Nada… Se ficasse em Dying Earth! Ou se houvesse uma explicação competente vinda do cenário sobre o porque ela funciona daquela forma. Normalmente, ela é bem fora de contexto.

          • rafael diz:

            @Aiken Frost,
            pera ai, como assim fora de contexto? qual vc acha q é o contexto, afinal?

          • rafael diz:

            @Aiken Frost, e tem mais: acho tão simples e interessante o sistema. vc armazena forças misticas (como “mana”, por exemplo), e as magias “entram” na sua cabeça como no mundo de Terry Pratchet. Estas formulas, como runas, sao “consumidas” atraves da execução, e depois nao lhe sobra mais energia para repeti-la, a menos que “coloque estes codigos/runas/simbolos” novamente, atraves do estudo. Agora, falar que é FALTA DE COMPETENCIA é no minimo ignorancia e falta de respeito da sua parte. Voce noa é obrigado a gostar do sistema. eu mesmo uso uma forma adaptada (como o PROPRIO LIVRO incentiva a fazer- adapte tudo q vc nao gosta), e me desculpe se lhe ofendi, mas achar q o sistema é “fraco”, “seboso” ou de “explicação inconpetente” é falta de conhecimento da historia do jogo. Acho EXEMPLAR as pessoas que argumentam pontos opostos as outras, pois aprendemos muito com isso. Espero que possamos discutir aqui ou em qualquer forum/comunidada estes pontos de forma saudavel e racional. abraço

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  5. Keldorl diz:

    se eu criasse um sistema faria do atributo força um quantitativo da força bruta mesmo e tamanho está diretamente ligado a isso: os participantes das competições de homem mais forte do mundo são enormes e altos. E neste caso mulheres teriam modificador negativo de força. Acho que essa dissociação de força e aparência nos leva para uma linha de cenário mais mangá e inverossímel o que não é nada legal para quem quer um jogo mais pé no chão.

    No D&D um dos problemas é que FOR incorpora [explosão muscular] e fica uma área cinza onde FOR e DES se confundem. uma solução seria criar um novo atributo AGI(agilidade) deixando FOR com a força bruta e tamanho e DES com facilidade de coordenação corporal; AGI seria essa explosão muscular do personagem.
    O Grande problema é que AGI fica forte demais em relação aos outros atributos o que complica muito a implementação de regras mais verossímeis e simulacionistas para um sistema de RPG.

E você, o que pensa?