Muitas vezes, por hábito, costumamos dizer que jogamos Fantasia Medieval, quando nos referimos ao estilo do famoso D&D.  Mais correto seria fazer como Gurps, que trata o seu módulo apenas por Fantasy, pois é um gênero que envolve magia e monstros mitológicos genéricos.

Como na prática, o estilo do seu grupo que vai acabar definindo se suas aventuras são realmente medievais, mais do que apenas o sistema, segue abaixo um roteiro para identificar que tipo de sub-gênero é o seu.

Compare também com as ambientações existentes no mercado.

1-POLITEÍSMO X MONOTEÍSMO

Seu jogo tem muitos deuses? Existe mais de um panteão (deuses dos elfos, dos anões, dos goblins) ? Se a resposta da última pergunta for sim, você está na Idade Antiga e não da Idade Média. Para um jogo verdadeiramente medieval, os clérigos só podem contar com um único deus para conseguir seus poderes.

Isto significa que se você respondeu sim a primeira pergunta seu jogo não é medieval, correto?

Errado!

Seu jogo pode ter a essência medieval se houver uma divindade poderosa, ou até 1d3 deuses poderosos,  que comandem os demais,  divindades intermediárias e menores. Basta que este Panteão do Deus Único esteja ligado entre si por laços de parentesco. As divindades menores devem, necessariamente, receber seus poderes da divindade maior para justificar que o poder delas vem da mesma e única fonte, mesmo que passando por vários intermediários.

Os deuses que nasceram deuses são muito raros em cenários medievais, mais comum é que eles sejam humanos e se  tornem deuses, como ocorre em Karameikos com os Imortais.

Se a crença é realizada de modo tribal e particular, parabéns seu jogo é um jogo antigo. Se há uma rede de  templos que coordena as atividades dos clérigos, o jogo é medieval.

2-GUERREIROS X CAVALEIROS

Se o objetivo do personagem é matar o maior número de monstros para ficar rico e poderoso, você está na Idade Antiga.

Se o objetivo do personagem  é matar o maior número de monstros para tornar o reino dele rico e poderoso, você está na Idade Média.

O guerreiro é um desbravador individualista preocupado em resolver seus próprios problemas.  O cavaleiro é um defensor aguerrido que romanticamente protege o próprio povo e colhe os louros das suas vitórias.

Enquanto os heróis clássicos (os da idade antiga) buscavam realizar grandes proezas para impressionar os deuses, os cavaleiros medievais procuravam realizar seus feitos com intenção de se redimirem dos próprios pecados.

Os heróis clássicos eram independentes de um senhor, os cavaleiros não. Mesmo um camponês medieval sentia a obrigação de ter que servir a um propósito maior, que acabava por limitar suas escolhas.

3- GLÓRIA X HONRA

Se os personagens de seu grupo quando salvam a princesa desejam a amizade da família real, o jogo é medieval, se preferem rumar para outro reino e salvar outra princesa, é um jogo clássico.

Nada mais agrada ao herói clássico do que a emoção da batalha. Já o herói medieval prefere o resultado perseguido pela batalha.

Para o herói clássico, a diversão é contar aos outros como entrou nas muralhas impenetráveis da cidade inimiga com um ardil engenhoso e como enganou um ciclope trouxa.

O herói medieval deseja salvar a mulher amada, proteger o nome dos seus antepassados e salvar uma cidade sagrada, mesmo que tenha que invadir uma gruta escura e matar um dragão.

Se a batalha não trouxer nenhum mérito ou for muito arriscada um herói clássico não a procurará.

Se a batalha for injusta, o herói medieval não participará.

Em suma,  herói clássico está a fim de XP dos monstros e nos tesouros.

O  herói medieval esta a fim do XP ganho pela boa interpretação e no seu relacionamento com a estória.

4-AMOR OU SEXO X SEXO E AMOR

O sexo é uma parte importante na definição de um jogo clássico ou medieval. Na idade antiga, o sexo não tinha nada a ver com amor. Os romanos achavam normal traçar alguns mancebos, os gregos achavam que o amor verdadeiro existia apenas entre homens. Se seu jogo tem estas baitolagens, você está na Idade Antiga.

Na idade média, valores mais heterossexuais surgiram. O amor deixou lentamente de ser uma fraqueza. No período antigo, o amor era igual a um feitiço que dominava a mente dos homens e consumia completamente as mulheres. Ao longo da Idade Média,  o amor foi se tornando um sentimento universal, mais relacionado a uma virtude do que a uma fraqueza.

Se os seus jogadores, fogem de qualquer relacionamento amoroso sério (e só querem curtir) com gatinhas de Carisma 20, eles estão na Idade Antiga. Agora se estas gatinhas tiverem se insinuando para eles e nenhum demonstra iniciativa para levá-las para cama, sem antes contrair sagrados laços de matrimônio, você está na Idade Média.

5- GRANDE IMPÉRIO X MUITOS REINOS

Se na sua ambientação um grande Império dita as cartas para o resto do mundo, ela é da Antigüidade. Se ao contrário, muitos reinos rivalizam o poder,  alternando a título de nação mais forte, ela é Medieval.

Xerxes, Alexandre, César conquistaram o mundo conhecido e sempre mantiveram o seu espírito expansionista enquanto viveram. Todos surgiram na Idade Antiga e lançaram seu brilho para as gerações futuras.

Os Impérios Merovíngio, Carolíngio e Bizantino ( o último sendo comparável ao tamanho do Império Romano) funcionavam mais como uma sombra de Roma Cristianizada do que como algo realmente novo. Eles não possuíam uma sede expansionista que os impulsionava para a conquista.

A conquista é a palavra chave, um cenário clássico precisa ter um grande reino que deseja se apoderar do mundo, fazendo com que os povos conquistados sejam submetidos ao Império e fazendo as nações periféricas temerem. Em um cenário medieval, os impérios buscam uma unificação ideológica de forma que os povos conquistadores e conquistados se tornem um só povo,  formando um reino maior. As campanhas militares se preocupavam mais em exterminar heréticos e outros párias, do que em conquistar reinos vizinhos.


Agora reveja suas aventuras, seu comportamento como Mestre ou como PJ e veja em qual sub-gênero você se enquadra: Fantasia Antiga ou Fantasia Medieval.

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