Ventos da Guerra: Capítulo 4

A Saída da Taverna

ventdguerra Thon, os gêmeos Valkíria e Allis e Abimalek saem de Vitória para o reino vizinho, rumo a capital deste, Miliciana. Lá os jovens esperariam encontrar os demais integrantes, aos quais foram forçadamente obrigados a se juntar. Não houve comitiva para a cidade vizinha, eles andaram anônimos, da melhor forma possível para um grupo com uma mulher de armadura completa. Para eles não foi dada nenhuma montaria, nem mesmo ao príncipe halfling, cujo pai possui  dois pégasos. A motivação do imperador era que os jovens tinham que trilhar um caminho duro e se recebessem muitas coisas, lhes seria prejudicada a virtude.

Ao sair de Vitória, eles passariam por duas pequenas aldeias, uma em cada reino. Até chegar a capital  vizinha, pelas vias degradadas pelo tempo nas bucólicas planícies yoriana,  sóis se poriam. Nada digno de nota, ocorreu neste ida e a chegada à Miliciana resultou somente em um breve encontro com o rei Argel.  Após um breve diálogo, o monarca os enviou para a cidade de Lentis, ao leste,  lá estariam os outros,  aos quais estariam destinados se juntar.

Em Lentis, ao limiar do inverno daquele ano de 2007 C.d.D,  os recém promovidos Gal. Argon e Gal. Tímonten realizavam treinos conjuntos com seus exércitos, para melhor prepará-los para as batalhas futuras. A vila respirava guerra, Thon presentiu isto logo que chegou, os demais não notaram. Allis  e Valkíria eram muito senhoriais para perceber as nuanças de humor do povo e Abimalek estava muito admirado com a liberdade para se importar com  outrem. Eles foram recebidos como velhos conhecidos pelos dois heróis locais, o que lhes valeu menos que um banquete e banhos quentes. Thon transmitiu a mensagem da missão recebida oralmente para ambos:

- Meu pai, Bred Storm, Imperador de Ayoria, solicita amigavelmente aos Generais Tímonten e Argon, amigos dele de  longa data, que permitam que vossos pupilos, Hagen e Ualfo, me sigam ao reino de Celine para que eu receba o presente que os elfos me reservam.

- Não faço objeção sobre Hagen,  ele está treinando com os meus soldados. - diz o imponente paladino dourado.

- Pode levar aquele inútil do Ualfo! Ele tá naquele cesto dormindo, já tinha avisado a ele que vocês viriam e que era bom que aprendesse a servir para alguma coisa! – responde o general elfo, mostrando seu pouco trato social.

- Sr. Argon, sua sobrinha Aurora por ventura se encontra aqui?- insiste o halfling.

- Não. Ela deve estar estudando, aquela menina só vive com os livros. Urg! Má influência da mãe dela.

Thon percebeu um leve incomodo demonstrado pelo general Argon ao se referir a magia e desconversou:

-Perguntei só por curiosidade, eu já sabia que ela não estaria aqui. - responde sorrindo alegremente.

O grupo teve uma estada realmente breve em Lentis e antes de partir, recebem do General Argon, mochilas de equipamentos variados. Os aventureiros veteranos sabem o quão importante é um viajante carregar objetos que podem auxiliar numa jornada por terrenos desconhecidos. Faixas e talas para enfaixar membros, algumas ervas medicinais para aliviar ferimentos, cordas e ganhos, sacos de dormir, porta-mapas e folhas de pergaminho são uns dos muitos ítens que estavam meticulosamente ordenados nas mochilas de viagem. Muitos aventureiros poderosos já se  encontraram em situações graves por não possuir um simples espelho de metal polido, mesmo estando portando poderosas armas mágicas, recentemente, Karem a Bela, paladina Wyrmslayer, passou anos petrificada por ataques de basiliscos.

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Juntaram-se ao grupo, dois integrantes opostos, Hagen, guerreiro supremo celestial e Ualfo, um fremlin aprendiz de ilusionismo. De longe o pequeno Ualfo é o membro mais bizarro da equipe: pelo marrom encrespado, asas coriáceras, barriga grande e cerca de 30 cm de altura, ele é  facilmente identificado como um monstro de aparência  inofensiva.  O pobre Ualfo foi acolhido e prontamente desprezado pelos demais, por se tratar de apenas mais um que deveriam carregar com eles. O  que não levaram em conta é que o atrapalhado Ualfo tinha muitos conhecimentos sobre o mundo, aprendidos com seu “chefe” , Tímonten,  com o qual se aventurou muitas vezes, atrapalhando-o mais que ajudando na realidade.

chateau-chenonceauDias depois, o grupo chegou na Cidade do Lago, a maior cidade de Yoria, centro de cultura e justiça. Após a revolução yoriana, apenas esta cidade manteve sua estrutura de comando, pois o Senhor das Terras do Lago, Valdeck Greatlake passou a ajudar os rebeldes milicianos na derrubada da tirania vigente na época. O povo da cidade preferiu deixar o comando da cidade à cargo do antigo senhor após a queda da tirania.  Nesta cidade há um imponente liceu, onde Aurora estuda.

Sabendo que Aurora morava com os tios, paladinos da Asas de Cristal, eles se dirigiram ao chalé de propriedade de Aldeck Greatlake, filho do senhor local. Ao chegar aos ornamentados portões do casarão, são avistados pela prima Artemísia, que recebeu este nome em homenagem a mãe de Aurora, Ártemis. Desta geração da família real, ela era a mais jovem e já estava era uma mocinha, sendo bem peralta quando não estava na presença metódica paterna. A menina gritou ao serviçal que logo veio ao portão.

- O que vós desejais na residência do Senhor Aldeck Greatlake?

- Viemos atrás de Aurora de Yoria, minha meia-irmã. – diz Hagen.

O serviçal, se recordara que aquele homem que usava armadura negra como a noite. era um rosto conhecido, Hagen, o Bastardo, era o que diziam os rumores. O mal pode ter sido erradicado de Yoria, mas a fofoca, estava longe.

- Meus senhores, adentrem no recinto. A Princesa Aurora chegará em breve, da família só está a princesinha, nem dos meus senhores se encontram, mas acredito que estejam na cidade.

- Aurora demora? – articula com dificuldade Valkíria e depois rir sozinha da rima que fez.

- Os horários da neta do rei, são um tanto imprevisíveis. Ela costuma estudar até mais tarde.

Aurora já tinha concluído os exames finais há 2 semanas. Passava seus dias  desde aquela época em uma famosa estalagem da cidade, trabalhando como mestre-cervejeira. O passatempos prediletos da garota, também lhe rendia um bom salário e Merick, o dono do Cassino Carvalho, também era uma ótima fonte de aprendizado para ela, mais que muitos professores.

Chegando na casa dos tios, ela foi informada da grande missão a qual foram incumbidos: pegar a armadura de Thon. Decida a acompanhá-los, alertou:

- Irei sim como vocês, será um prazer, mas vocês devem ter cuidado, o reino dos elfos fica próximo daqui, eu já fui lá quando era criança, mas ele é muito misterioso e não a estradas que levem ate lá, será uma caminhada pelas florestas feéricas.

- É! E tem muito monstro feio por lá, gigante, sprites, aranhas . Eu também estive lá com meu chefe Tímonten! Estávamos procurando um coltpix, um cavalo de fada. Eu procurei que só e não vi um! Deve ser porque são invisíveis!

O inverno costuma em Celine, o reino dos elfos, ser mais frio que em Yoria. As divindades do clima mandam ventos gélidos das montanhas dos anões para as florestas dos elfos, sabendo disso eles se prepararam para uma viagem bem mais demorada e custosa.  E saíram rumo ao Sul, logo ao amanhecer.

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