A torre: um drama real

A torre: um drama real

O sol está ainda longe do poente e  ilumina bem a torre vermelha de quatro andares, no alto da colina da velha catedral. Dois ladinos chegam oportunamente na hora menos guarnecida. Um tesouro se localiza em uma daquelas salas. Os ladinos percebem que as portas de ferro são instransponíveis e o portal para o calabouço da torre está lacrado. Não há sinal de que alguém os espreite das muitas edificações silenciosas em volta deles.

Os jovens observam o alvo,  ocultando-se aos dos vigilantes ocultos da torre vermelha. Movem-se dissumulados,  sem chamar atenção dos  olhares que poderiam estar nas contruções vizinhas.  Aqueles olhos, mesmo sem vínculo com a chamativa construção principal, poderiam arriscar o objetivo dos ladinos se achassem que a aproximação deles lhes fosse  hostil.

O acesso direto é impossível, mas há um modo de entrar: uma placa rígida se projeta na parede de uma construção vizinha. Os ladinos não perdem tempo, sobem na placa, e com um pouco de esforço, escalam a parede íngrime com a ajuda da borda de uma janela e atingem a sacada.

Esgueriando-se pela parede da construção vizinha, a uns 5 metros do chão irregular e rígido abaixo, com um impulso, um dos ladinos se agarra ao parapeito da torre. Ninguém o viu ou o ouviu.  Logo em seguida o outro faz o mesmo caminho e com a ajuda do primeiro, adentra com mais facilidade. Ninguém os viu ou ouviu. Eles andam delicadamente e escutam cada ruído, temendo algum defensor errante. Eles vão ao calabouço planejar uma rota de fuga. Não há ninguém no inferior e decidem deixar seus tesouros obtidos na missão anterior escondidos por lá mesmo. Agora leves, recomeçam a  missão, que precisa ser rápida.

Investigam as três primeiras portas do primeiro andar. Na primeira sala não há ninguém, a  segunda  está bem trancada e havia uma guardiã cantando no interior. A última porta é mais afastada e os deixaria longe da saída. Do andar superior não possuem nenhuma informação e o tempo era o inimigo. Preferem não se arriscar e tentam abrir a primeira porta. Sem ferramentas, ponderam usar a força bruta para abrir a passagem, com o risco de  alertar guardiões. Um deles, pega impulso na parede oposta e chuta com precisão: a tranca da porta é arrebentada.  Rápidos eles invandem e ambos ficam surpresos com o que veem. O tesouro está ali, no lugar menos óbvio e  menos seguro. Se enchem de ítens, ouro e outras pilhagens e fogem dali o mais rápido possível, pelo caminho que entraram, deixando para trás,  no calabouço da torre, todos os tesouros conseguidos na missão interior. Era apenas prata, eles agora conseguiram ouro, muito ouro.

O triste destino dos ladinos é que todo aquele ouro de nada lhes valerá, pois teriam que entregar tudo para o mestre que os controla. Morte Branca, um cruel senhor de fome e ambição insaciáveis, que mais cedo ou mais tarde, consome todos os que o servem, nas profundezas da sua própria escuridão.


O conto acima é baseado em fatos reais. Neste último fim de semana, arrombaram meu apartamento e me levaram muitos pertences.  Na polícia fui confortado pelo escrivão que logo me avisou que nunca mais veria nada que perdi: as minhas  antigas posses a aquela altura já tinha se transformado em dinheiro para compra de crack.

 

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5 Comentários para “A torre: um drama real”

  1. Dan Ramos diz:

    Caraca, dá vontade de metralhar essa estirpe de sacana. Hoje em dia apartamento não oferece mais nenhuma segurança pra esses safados.

    E eu imagino o cinismo do escrivão te falando “perdeu preiba”. É de ficar puto mesmo.

  2. Will Figueiredo diz:

    D, eu sinto pelo seu prejuizo. E principalmente pela insegurança que isso gera. Tudo o que levaram é recuperavel. Menos o sossego e conforto da cidade que lhe recebeu..
    Enfim, depois dou um parecer sobre o oficio forense em pvt.

    Abraços fortes.

    Z

  3. Arquimago diz:

    Cara meus pesames…

E você, o que pensa?