O Teleporte
A agitação na cidade era normal em Welfareland quando chegavam visitantes. O Feudo de Simack Allis – grande herói yoriano tornado senhor feudal jandita graças a um bom casamento – não costumava receber viajantes desde que um pacto firmado entre o lorde com Arina - a Deusa da Fauna e da Flora – salvara o povo da fome anos atrás. A localidade recebera um suprimento perene de alimentos para coleta, entretanto as novas árvores surgidas destruíram os campos e invadiram as casas e vias. Protegidas pelo poder da Deusa, as árvores não podem ser cortadas, sob pena de maldição mortal, o que acabou gerando um transtorno aos servos do Lorde Simack. Anos mais tarde, o próprio senhor sofreria com a insatisfação dos servos ociosos. A vida, tornada pacata, se reaviva com a chegada de estrangeiros, que sempre traziam rumores.
A fofoca corria solta nos corredores úmidos da casa senhorial. Os amigos do Conde Simack acabavam de chegar nas muralhas, com eles traziam um caixão. Rafael, o castelão – cujo o senhor feudal nunca lembrava o nome – fazia os preparativos para o encontro. O castelão sabia que não precisava se esforçar muito, pois o rústico conde não dava importâncias aos trabalhos servis dele e sabia que as falhas se apagariam quando o senhor dele se reunisse com os amigos de velha data.
O Conde Simack teve com a esposa ilustre, Lady Marion Drackmore, três filhos. Os gêmeos Valkíria e Simack Allis II e o caçula William. Valkíria era a filha preferida dentre os três, pelo pai, a ponto dele tencionar entregar o reino para ela na hora da sucessão. Em fato, ela era tudo que o pai sonhou ser, um espírito guerreiro. O maduro conde aprendeu a lutar por instinto e pela sorte de ser filho de um simples ferreiro, o que lhe deu oportunidade de conseguir uma espada, com esforço. Já a filha nasceu de duas almas bravas. Sempre que ele copulava com a esposa, desejava um filho que empunhasse a espada dele. Nasceu um menino e uma menina também. Logo que se viu que o bebê varão, que recebeu o nome do pai, não faria jus a espada patriarcal, o conde ficou triste. Allis, ou Segundo, como é chamado em casa, sentia que era realmente o segundo no lar. Quando nasceu William, o caçula tornou-se o preferido da mãe, sendo muito protegido e amado. Mais uma vez, Segundo virava o segundo, tanto pelo lado paterno, quanto materno.

Portão do castelo
Os três filhos foram convidados a comparecer na reunião, do pai com os amigos. Argon de Lentis, o Imperador Halfling Bred Storm, a matadora de dragões, Karem, o elfo Tímonten, junto com aliado, Eros Shariad e um caixão com o clérigo Djalma, Arcebispo da Ordem da Rosa Dourada, de núcleo em Jandy. Os homens falaram que na trilha que ligava Ayoria até Jandy foram emboscados por lobos, que levaram o pequeno Bred. Na afã do resgate, encontraram uma masmorra ogre e foram ludibriados a deixarem o clérigo entrar sozinho em uma sala com uma barreira mágica, onde uma suposta armadilha os impedia de salvar o halfling. Quando elfo Tímonten julgou esperar demais para o clérigo desarmar o local, forçou o portal mágico que os induziu a pensar que apenas um clérigo poderia passar. O amigo já estava morto, dentro de uma área de silêncio mágica.
O assassino, Fei Kazu, um alto-elfo que vivia em Shinobi e fora um ex-aliado deles, mas partira por diferenças de pensamentos. Supostamente ele desejava vingança contra Argon, antigo desafeto, mas a ação foi inesperada para se acreditar na autoria do ato na ocasião. Neste momento, enquanto os aventureiros contavam os detalhes da fatalidade, o tolo William faz um interrupção inoportuna:
- Logo se vê que o clérigo não era tão apto quanto se supunha. - disse arrogantemente, pois desde de criança ouvia as grandes aventuras de todos aqueles senhores presentes.
Com a fúria de um dragão o conde Simack se levantou. O olhar setou venenosamente o infeliz rapazote. Os dentes do conde, trincados de ódio, se destrancaram e ele urrou:
- Meça suas palavras antes de se referir a qualquer um destes homens aqui! Este clérigo morto faz hoje muito mais do que você fez em toda a sua vida. Sai de minha frente! Se retire deste salão antes que eu o mate! E vocês dois, saiam também! E que minhas palavras sirvam de lição também para vocês.
William não saiu chorando, mais saiu morto por dentro. Valkíria, muito abalada pelas palavras do querido pai, teve vontade de matar o irmão menor para levar a cabeça dele ao pai e com isto readquirir as graças.
-Dentro do castelo isso não ser bom! - pensou ela, mudando de ideia.
Já o desprezado Allis, apesar de se sentir mais insultado do que de costume, acostumara-se com os modos do pai. Estava até melhor, vendo que a irmã querida estava com o mesmo status que ele, além de muito satisfeito ao ver o mimado irmãozinho levar um esporro. No fim, ele foi o único que saiu com um discreto sorriso nos lábios. Após a reunião acabar, os jovens foram avisados que o pai viajaria para se encontrar com o rei de Jandy, Henrique D’Orville, encontro que foi o motivo da viagem que acabou resultando na morte do sacerdote.
Rosa Dourada
Naquele ano, em dois mil e sete pelo Cômputo dos Deuses, os gêmeos receberam um importante presente do avô materno deles, o Conde Will Drackmore, ex-líder dos Paladinos Wyrmslayers. O velho conde deu grandes presente aos netos, para Valkíria, uma armadura completa, feita pela casa de Crainel, dos Dragons Crafters. A brilhante armadura era feita com ornamentos de dragões brancos e marcada o brasão da família Drackmore. Para o neto mais velho o avô deu uma espada-ritual, na cerimônia de ordenamento como Dracomago, recebendo o Manto de Zinco e o mais poderoso símbolo de prestígio entre os magos daquela ordem, da qual ele faria parte dali em diante. Allis tivera uma excelente formação em magia recebida pelo mago Alef, um elfo argênteo de Welfareland, muito amigo do pai dele aprimorada durante o período que de testes.
Os três irmãos não conviviam muito tempo juntos depois que cresceram, principalmente os gêmeos, que trilhavam caminhos opostos: magia e espada. A relação entre eles beirava a mera casualidade de laços sangüíneos. Valkíria possuía uma vontade de comandar o condado, desejo que não era seguido por nenhuma ação prática que a levasse a isso. Na mente simples da guerreira, bastaria-lhe a espada vampírica, legada pelo pai, e tomar tudo pela força se necessário. Já William aproveitava o tempo livre para criar uma rede de influências, amizades e alianças que lhe garantiriam o mesmo objetivo, com uso de alguns homens descartáveis, conhecimentos matemáticos, filosóficos e uma retórica convincente. O verdadeiro herdeiro, sob as leis vigentes Simack Allis II, estava mais preocupado com o que jantaria mais tarde. E assim, alheios as mudanças que viriam ficaram pela cidade, vivendo independentemente um dos outros.
Quando o Conde Simack retornou, informou a esposa que o reino entraria em guerra com alguns monstros e isto faria com que ele precisasse ir para o front. O homem estava muito abalado e não era com a guerra que viria. Seu grande amigo clérigo, a despeito das tentativas de ressurreição, repousava agora na serenidade do Nirvana, aguardando paciente o despertar para a vida eterna. A morte não causa dor tão intensa quanto a morte final de um verdadeiro amigo causa. Temeroso pelos rumos imprevisíveis que a guerra tomaria, ordenou que Alef levasse os filhos gêmeos para Yoria, o reino natal do conde, lá estariam longe de guerras. Ficariam sob os cuidados dos amigos, que saberiam aproveitar, com cautela, as habilidades dos filhos dele. Para que eles não ficassem sós, mandou a grande-xamã da Deusa Arina enviasse um xamã experiente para fazer companhia aos dois. Foi escolhido Abimalek Lafer, um ayoriano esquecido em Welfareland quando criança e acolhido pelos grupo de elfos refugiados que viviam por ali.
Valkíria ficou muito decepcionada por saber que não seria levada para a linha de batalha a Oeste de Jandy, nas matas de Pumori e mais ainda ao saber que o irmão fracote iria com ela. E para piorar eles ainda teriam um servo para vigiá-los, no qual Allis sentiu-se grato. Ele não queria guerrear, mas sabia que seria uma batalha do feudo dos matadores de dragões. O feudo Drackmore ficava na linha da frente e os paladinos, magos e soldados que vigiavam as fronteiras do reino dos dragões não relutariam em enfrentar monstros menores. No fundo Segundo acreditava que seria uma campanha vitoriosa, mesmo sabendo que as campanhas militares do pai dele não eram muito bem sucedidas.
O dracomago conhecia Abimalek. Soube que o rapaz louro de olhos azuis não era muito aclamado pela própria assembleia xamânica. Talvez a seita tenha apenas o descartado como o pai fazia com ele. Antes de teletransportarem em segurança para o outro reino. Allis perguntou para Alef:
- E o nosso irmão William, para onde ele vai?
- Para lugar algum, ele vai comandar o reino enquanto seu pai ficar fora. -respondeu o elfo calmamente.
- Como?! - se espantaram os gêmeos, enquanto o elfo gesticulava seu cajado místico e articulava algumas palavras.
E teleportaram antes que pudessem protestar.

Comentários (1) »
Agora o herói vai entrar em cena!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK