Semana passada li no blog dos Cavaleiros das Noites Insones, que o projeto de lei iniciado no Senado, do Senador Valdir Raupp (PMDB-RO) causou temor no meio dos gamers e de quebra abateu-se também nos já escaldados rpgistas. O projeto tramita na Comissão de Educação do Senado e desde o dia 5 de novembro tem voto favorável do relator, o Senador Valter Pereira ( PMDB-MS). Agora vejam do que se trata a lei 7.716/1989:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor.

Que em 1997 passou a ter a seguinte redação atual:

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

A modificação fez com que a lei passasse a proteger mais amplamento contra o preconceito. Agora vejam que interessante, vejam como era o Artigo 20, § 1º, dessa lei, objeto desta atual modificação.

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa


Anjo não pode, Deva pode

Anjo não pode, Deva poooode

Achando pouco o Nazismo, o Senador decidiu acrescentar os games na lista, afinal o Atari foi tão poderoso na mente das crianças quanto Adolf Hitler. Veja como fica o texto alterado:

§ 2º Incide na mesma pena do caput deste artigo quem fabrica, importa, distribui, mantém em depósito ou comercializa jogos de videogames ofensivos aos costumes, às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos.

§ 3º Se qualquer dos crimes previstos no caput ou no § 2º é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza (grifo meu):

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 4º No caso do § 3º, o juiz poderá determinar, ouvido o MinistérioPúblico ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:

I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;

II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.

§ 5º Na hipótese do § 3º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. (NR)

Fica mais que evidente, que há espaço legal para até um juiz de futebol enquadrar os livros de RPG dentro do barco da ilegalidade.  Já §4º levanta um dilema interessante, destruir livros não é coisa de nazista?

Mas NÃO ENTREM EM PÂNICO!

Por Corellon!

Por Corellon! Por essa Lolth não esperava

Eu tenho uma boa saída para escaparmos dessa nova onda de intolerância: FUNDAR UMA RELIGIÃO!!!

Sério! Eu já tinha tido esta ideia tempos atrás, para escapar sorrateiramente da carga de impostos, e o colunista da Folha de São Paulo Hélio Schwartsman teve a mesma ideia e colocou-a em prática mostrando que era mais fácil do que eu pensava.

Se fundarmos uma religião a  “1ª Igreja de Corellon Larethian”, nós realizaremos o sonho da Imprensa Marrom: nos tornarmos uma seita. Só que por sermos legalizados, não poderemos ser chamados de satânicos. Nossos livros virarão tábuas sagradas, protegidas pela Constituição Federal. Nossas sessões de RPG, passarão a ser celebrações e as aventuras serão um rito sacro onde faremos vir a nós o vosso reino. Resgataremos todos os paraísos esquecidos: Valhalla, Campos Elísios,  Jerusalém Celestial. E nos manteremos na linha, temerosos dos muitos mundos sombrios que aguardam aqueles que deixam o Sacerdote- Mestre esperando, esquecem os lápis e interrompem a liturgia da sessão.

Por mais maluca que seja a ideia, ela é uma forma de nos protegermos desta anomalia que será criada por senadores desocupados (através de outra anomalia legal, que é fundar uma Religião com facilidade). Até lá, tenho a sensação que voltarão aos livros:  Baatezus,  Tanar’ris, Devas e Asimares.

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