Ventos da Guerra: Capítulo 1

O Aprendiz do Paladino

ventdguerraDias depois da restauração da Espada-Relíquia, o jovem Hagen se via inserido em um mundo completamente diferente. Sua missão fora mais fácil do que ele esperara e prontamente foi recebido, com camaradagem, pelos novos companheiros e familiares. Como o campeão não tinha para onde ir, não possuía teto ou lugar para chamar de lar, foi levado para o reino de Yoria, como uma folha boiando no córrego. Descobriu que aqueles que, dias atrás, estava preparado para enfrentar, por anos tentaram encontrá-lo. O arcebispo Djalma revelou ao cavaleiro celestial que por muito tempo, sequer sabiam da existência dele. Só quando a finada rainha Smirrah – pela qual o sacerdote da Rosa Dourada demonstrou profundo respeito e pesar – e o inesquecível Aldeon – sumo-sacerdote de Avalon – juntamente com ele, num ritual, descobriram que a última geração de campeões de Yoria não estava completa. Acreditara-se que a pequena Artemísia, filha da princesa Áurea, juntamente com Aurora, filha do príncipe Íkarus, seriam as duas eleitas. Delas, apenas Aurora seria a portadora do poder divino.

O elfo Tímonten cuidou de levar a comitiva yoriana de volta para a capital, Miliciana, em um seguro teleporte. Na capital, o rei Argel pediu a organização de um ágape para comemorar a ventura: o filho estava curado, as asas de cristal purificadas e ainda reencontrava o neto perdido, cujo próprio tempo desprendera em busca do paradeiro.

As mesas postas no pátio do “castelo das portas abertas”, lar da família real, destinaram-se aos amigos mais próximos, outros locais de festividades, nas praças e feiras da cidade, foram organizados. O fato de Hagen não ser um filho legítimo pesaria bastante na decisão de deixar a celebração mais familiar do que pública. Mesmo o popular rei não fugiria dos costumes locais e não quis deixar que a festa se tornasse um local para que sábios discursassem sobre a moral das relações de família. Por precaução, nenhum senador foi convidado, que eles se encarregassem de promover e organizar as demais festividades pela cidade.

Festas pela cidade

Festas pela cidade

O banquete transcorreu alegremente, todos conversando entre si, o que fazia com que Hagen se sentisse solitário. Não havia ninguém da idade dele por lá, por isso teve que se resignar e apenas observar os inusitados clamores do elfo Tímonten. O irrequieto elfo praguejava a todo momento ofensas aos dragões prateados:

- Djalma, meu irmãoera assim que ele tratava o clérigo humano- aquela maldita daquela rainha louca e aquele grupo lagartixas de prata dela… Silver Forge desgraçado, a culpa é dele! E a desgraçada ainda te chama para defendê-la!!! Isso é traição, é golpe baixo… - resmunga.

- Calma, meu jovem -era assim que o clérigo tratava o elfo de mais de um séculosei que você sempre tem boas intenções, mas tu há de convir que a Rainha Silver Star esta arcando com responsabilidade pelos atos dos súditos dela e tudo será esclarecido.

-Já está do lado dela!? Eu vou chamar então Aldeck, de novo, para me ajudar!

Pedindo gentilmente a vênia para participar da conversa dos dois, a princesa Áurea ,  paladina da Ordem das Asas de Cristal e esposa de Aldeck - paladino do qual o elfo falava – ofereceu-se ao amigo como representante dele no julgamento. O arcebispo sentiu que seu trabalho em defender a dragoa estaria seriamente abalado, os paladinos da Ordem das Asas de Cristal sabem empregar as palavras de modo tão doce e seu poder de persuasão é tão grande que pode ser comparado a língua dos anjos. Já a Princesa Áurea Cabelos de Ouro é o próprio canto dos deuses. O sábio clérigo, porém, desconhecia as razões pela qual essa Ordem designara a princesa para essa importante missão. Poucos são os que reconhecem as estratégias destes paladinos ocultas nos menores atos.

Percebendo a reclusão de Hagen, Argon de Lentis, o famoso paladino dourado, ofereceu uma cerveja ao novato e com intuito de testá-lo iniciou um diálogo inusitado:

- Vamos ver se você sabe beber!- diz o homenzarrão, que se orgulha em ser o mais alto de Yoria.

O desafiado aceitou a bebida de gosto amargo que o paladar desconhecia. Preferia beber do néctar de Monte Celestia, mas pelo que observou na festa, não era ali que encontraria. Quem já esteve no Jardim das Delícias não se acostumaria nunca à comida mortal, contudo aprendeu que deve ser respeitoso e apreciar o que as pessoas oferecem de bom coração. “O verdeiro sabor não está na comida e sim na comunhão”, lhe disse Sammael, O Sombrio, quando treinou em Mertion.

Yoria

Yoria

O paladino demonstrava aguçado interesse nas capacidades de combate do acuado rapaz. Queria saber o que ele tanto fizera naqueles anos de treino, persistiu a ponto de tornar a conversa uma bateria de testes para as capacidades do auto-intitulado guerreiro supremo, se é que que era tão supremo como acreditava. Argon terminou acreditando que não havia nada além de um guerreiro simplório diante dele. O alto herói supôs que o único mérito daquele garoto ruivo de olhos azuis era ser da família real Yoriana, o que lhe garantia uma invejável compleição atlética. A única coisa que o deixou curioso era saber qual foi o dom que ele tinha recebido: o Rei tem punhos de prata; a finada rainha, olhos de esmeralda; o príncipe, asas de cristal; a princesa, cabelos de ouro.  Aurora, que não estave presente, recebeu belas unhas de rubi. Argon por mais que observasse nunca conseguiria ver os ossos de platina dele.

A situação ficou deveras embaraçosa. Hagen virou o foco das atenções, deixando para trás mesmos os berros do elfo. Após se cansar de mensurar o poder de combate do novato, Argon lhe sapecou uma pergunta:

-E o que você quer fazer agora?

A dúvida do paladino dourado soou de um modo tão íntimo, que fez com que Aldeck Great Lake, olhasse para o céu e expirasse fundo. O pobre Aldeck já tentara fazer de tudo para que o valente amigo aprendesse a se comportar com um pouco mais de polidez, mas era mais fácil ensinar um porco a usar talheres. Os modos peculiares de Argon o tornavam completamente avesso à prolixidade. Hagen, ao modo que julgou educado ao questionador, respondeu diretamente:

- Desejo no futuro governar meu reino. - lançando um ar de trivialidade.

- Como assim? - ingadou o robusto interlocutor.

- Preciso ocupar o meu lugar nesta família e como filho mais velho do príncipe herdeiro serei sucessor ao trono de Yoria algum dia. – explicou calmamente.

Argon poderia simplesmente informá-lo que ele não estava na linha de sucessão, mas respondeu com mais indagações:

- E quantas cidades têm seu reino? Quais os reinos fronteiriços? Onde ficam nossas florestas, nossos rios, nossos lago?

Diante da estupefação e do desconhecimento das respostas, do repentinamente mudo Hagen, Argon completou o golpe:

- Conheça o seu reino antes de querer governá-lo.

O rapaz foi dormir pensando naquelas palavras e julgou-as prepotentes. No dia seguinte, foi tomar satisfações com o avô, o rei, que usou da mesma tática do paladino, revelando a ignorância do exaltado jovem nas questões mais elementares da história e geografia local. Se sentindo um tolo, percebeu que o homem de Lentis não desejava lhe humilhar e sim orientar. Sentiu o choque de realidade do plano primário, onde mesmo em um reino de bondade como o de Yoria,  se sentia inseguro. O rapaz estava disposto a desfazer qualquer sombra de mal-entendido,  a vila chamada Lentis fica ao oeste, ligada à Miliciana por uma boa estrada, uma jornada de 240km; correndo, faria esse percurso em dois dias.

Ao adentrar em Lentis, Hagen rumou para o forte onde Argon treinava a cavalaria dos Guerreiros da Aliança, um grupo de soldados provenientes dos reinos aliados, que formaram uma tropa mista, com o melhor dos reinos centrais: os anões de Karmapá, os elfos de Celine, os homens de sangue-azul de Ayoria e os valentes de Yoria. O comandante daquela tropa se dirigiu ao paciente guerreiro que o esperava e antes que o glorioso paladino se pronunciasse, Hagen,  servilmente, à moda oriental,  se curvou:

-Eu vim aqui pedir desculpas por meus pensamentos sobre você. Agora entendo suas palavras e sei da importância delas.e erguendo a cabeça, fitando os olhos do homem prosseguiu. - Argon de Lentis, por favor, me treine!


Notas

A estória antecipada na introdução, inicia-se para os jogadores a partir de agora com um novo grupo.  Antes de começar Ventos da Guerra, os jogadores ainda jogaram um ano com os velhos e queridos personagens, os novos personagens eram todos NPCs que passaram a ser jogáveis.

De volta ao 1º nível.

Comentários (3) »

  • Theo diz:

    Ha hahahahahhahaah Começa agora a saga do Guerreiro supremo do céu, Hagen Tum tum tum!!!!

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  • Guto diz:

    Bom dia.

    Mantenho também uma campanha no bom e velho AD&D. Foi ótimo saber que mais jogadores se aventuram no advanced.

    Deixo meus cumprimentos pelo site e pela campanha.

  • Danielfo diz:

    @Guto,
    Obrigado, pela força. Também é bom saber que ainda há pessoas avançadas pelo Brasil.

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