O espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Sua missão de cinco anos: explorar novos e estranhos mundos, procurar novas formas de vida, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.
Estão são as palavras emblemáticas, do Capitão da Enterprise, James Tiberius Kirk, que nos lançavam em um mundo além da nossa imaginação. Quem nunca sonhou em ir para uma galáxia muito, muito distante, levando apenas uma toalha e seu exemplar do guia do mochileiro? Se você nunca pensou em se perder no espaço, saiba que a família Robinson, sim.
No século XIX, quando o nosso mundo era remoto e inexplorado, a literatura se contentava em nos lançar a jornadas na África Negra, na Selvagem América do Sul, no Wild West Norte-Americano e nas terras perdidas de Shangrilla, Avalon, Mu ou Atlântida. Na Era Industrial, a Terra era desconhecida o suficiente para prender a curiosidade da humanidade nestes locais ermos. Com o advento da tecnologia: navios e aviões, o mundo foi “encolhendo” e isto fez com que os homens buscassem o desconhecido fora do nosso planeta. Apesar de já no século XVIII, Voltaire narrar a saga de um Gigante Espacial vindo à Terra (Micromegas) e Júlio Verne, cem anos mais tarde, mandar o homem numa viagem sem retorno para uma ainda obscura Lua (Da Terra à Lua) e H.G Wells declarar uma guerra contra marcianos (Guerra dos Mundos) foi no século seguinte que começaria de fato a jornada nas estrelas.
No início do século XX, meu avô já lia as estórias de Flash Gordon (meu avô materno devia carregar um gene nerd recessivo, eu tenho um tio chamado Namor!) e meu pai (e toda a geração dele) era fã de Perdidos no Espaço. Já a nossa geração estava mais familiarizada com os phasers e sabres de luz. Por um breve momento na história, acreditamos que as famílias dos século XXI viveriam como os Jetsons: com carros voadores e trabalhando apenas apertando um botão. Hanna-Barbera até erraram a parte dos carros voadores, mas a de trabalhar apertando botões, eles certamente não imaginavam o quanto iriam acertar!
A corrida espacial nos anos de 1960 propeliram a humanidade às estrelas, se chegamos à Lua nos anos sessenta, nos setentas seria marte, oitenta sistema solar, noventa saindo dele e no ano 2000, espaço profundo. O fim da corrida espacial, contudo, jogou um balde de poeira e gelo nas aspirações da raça humana, que relegou o espaço novamente à ficção. Uma perturbação na Força sinto eu.
O LHC (Grande Colisor de Hádrons) pode renovar a esperança mais uma vez, e de um jeito que sequer imaginávamos ser possível. Propulsão de Hiper-Espaço!!! Veja o que espera testar o físico Franklin Felber:
Em 1924, quando o matemático alemão David Hilbert publicou um artigo chamado Os Fundamentos da Física, onde ele descreveu um extraordinário efeito colateral da teoria da relatividade de Einstein.
Hilbert estava estudando a interação entre uma partícula relativística movendo-se na direção de uma massa estacionária, ou distanciando-se dela. Sua conclusão foi que, se a partícula relativística tivesse uma velocidade maior do que cerca de metade da velocidade da luz, a massa estacionária iria repeli-la. Ou, ao menos, assim pareceria para um observador inercial à distância.
Este é um resultado interessante, e que acabou mais ou menos esquecido, afirma Felber, que não tem ligação com instituições acadêmicas.
Felber inverteu o raciocínio de Hilbert e concluiu que o efeito oposto também deve ser verdadeiro: uma partícula relativística deve ser capaz de repelir uma massa estacionária.
Segundo ele, este efeito poderá ser utilizado para impulsionar uma massa inicialmente estacionária – uma nave espacial – fazendo-a atingir uma fração significativa da velocidade da luz.

LHC
Mais interessante ainda, Felber prevê que essa velocidade pode ser alcançada sem gerar um sério estresse que poderia danificar a espaçonave ou ferir seus ocupantes.
É o que ele chama de “propulsão em hipervelocidade”, ou propulsão hiperdrive.
É aí que entra o LHC. Felber afirma que sua teoria pode ser testada pelo Grande Colisor de Hádrons sem nenhuma interferência com os experimentos científicos que lá estarão sendo conduzidos.
O LHC irá acelerar partículas a um nível de energia capaz de gerar as forças repulsivas previstas por Hilbert. A ideia de Felber é colocar uma massa de teste junto do anel do LHC e medir as forças que incidem sobre essa massa conforme as partículas passem zunindo pelo túnel.
A força repulsiva que Felber prevê é minúscula mas, se ela de fato existir, poderá ser detectada usando uma massa de teste ressonante. E, como o experimento não interferirá com o trabalho principal do LHC, a teoria poderia ser testada “sem nenhum custo.” (extraído do link)
Eu estou fazendo votos para que o doutor esteja certo, apesar de saber que como ele faz parte de uma empresa privada, com aspirações espaciais, não podemos desconsiderar o marketing associado à divulgação da notícia na New Scientist, porém como o sucesso da nave Space Ship One em chegar ao espaço, quem sabe em 2100 não poderemos alcançar dobra 9?

Comentários (6) »
Espero que as experiências dele dêem certo!
A comprovação dessa teoria pode até servir para alguma coisa, criar uma grande maquina no espaço que aceleraria uma nave, mas seria quase impossivel viajar pelas estrelas assim. Se alcançassem metade da velocidade da luz chegariamos em 42 anos na estrela mais proxima.
É um grande avanço terico/pratico mas não muito promissor.
Geradores ionicos já poderiam acelerar a grandes velocidades, bastando uma forma de criar ions em grande escala (através da possivel geração de anti-matéria ou outras elementos/particulas, maquinas como o LHC).
@rsemente,
Alfa-centauri a estrela mais próxima fica a apenas 4 anos-luz de nós. E as aplicações mais interessantes seria das missões não tripuladas, a sonda Voyager2 está desde os anos setenta mandano sinais para nós e só a pouco anos saiu do nosso sistema solar. Uma viagem de décadas que podería ser feita em horas, cientistas que iniciarem um projeto poderão colher os próprios frutos, na tranqüilidade do seu referencial inercial.
Isso sem falar nas exploração do nosso próprio sistema solar, já que em missões fora dele, mesmo com as vantagens da dilatação temporal para os astronautas, ainda seria um severo obstáculo.
Nossa! Agora poderemos refazer o percurso de Kessel em menos de 12 parsecs! Você leu isso Chewie?
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