Nossa Senhora de Aparecida

Nossa Senhora de Aparecida

Depois de excelente crítica do público, resolvi dar uma olhada novamente, desta vez com mais seriedade, nesse jogo-conceito, que criei aqui no Pensotopia, na época de São João. Conversando com os demais integrantes daqui, especialmente Will Figueiredo, debatemos sobre a qualidade da ideia, boa o suficiente para deixar o plano da ficção e parte para um lado mais material.

A proposta inicial de Lajedos & Lagartos é bem simples: um jogo fácil, baseado nos pilares de Dungeons & Dragons (com classes, raças, níveis, monstros e magia). O diferencial é que ou invés de nos basearmos na  cultura medieval mítica como pano de fundo para as aventuras heróicas, seria a cultura popular nordestina o palco para as aventuras. Como a cultura nordestina é um destilado da cultura europeia mascarada pelas influências judias, afro e tapuia talvez à primeira vista, não se perceba a similaridade dos cenários.

Dada a premissa básica, comecei nestes meses a reunir elementos para concretizar o jogo-conceito. Nas postagens anteriores, fiz um pequeno resumo do que seriam os livros, mas não publiquei tudo porque achei que ficaria grande demais. A parte de magias e equipamentos deixei de lado, pois o leitor já deveria ter compreendido a intenção da trindade de livros. Para ampliar o livro e deixá-lo jogável tive que beber de algumas fontes sertanejas, que são bem mais aquíferas do que os rios da região.  Um leque de grandes historiadores, romancistas, poetas, jornalistas e anciões me assessorariam nesse trabalho inicial. Quanto mais me aprofundava nas pesquisas, mais rico se tornava o Nordeste. O sistema estava ficando gigante e estava na hora de parar nas pesquisas.

L&L: suplementos

L&L: suplementos

Uma das caraterísticas que gostaria que o sistema peculiar gira um pouco em torno da ambientação. Mesmo que o RPG não tenha uma cenário explícitos ele carrega alguma coisa do mundo, nas descrições das raças.  Um jogo de fantasia pode ser muito distinto em relação a outro similar, apenas se mudarem as raças que compõem o módulo básico. O próprio D&D sofre com isto por mudar  a cada edição os elfos ( e também outras raças menos cotadas como os gnomos e halflings). Não pretendo escrever o cenário detalhadamente nos cordéis iniciais, mas quero deixar evidente o que é um verdadeiro jogo de RPG Nordestino.  Para os leigos, o Nordeste lembra cangaço e seca, o que é um sofrível estereótipo para algo muito mais amplo. Uma análise histórica revela nomes de peso no cenário nacional, desde os tempos de Brasil colônia. Ler a literatura regional, romances e biografias, nos mostra a incrível sagacidade e força das pessoas, com grande senso de nordestinidade, cada vez mais minimizada pela massificação dos tempos modernos. Em tempo, todos nós brasileiros perdemos um pouco as nossas identidades culturais em prol de uma cultura de massa, essa coisa amorfa, inodora e tóxica, camuflada sob um véu de integração nacional. O jogo tem por obrigação resgatar estas sagas pessoais, dando oportunidade tanto para ação, quanto para a interpretação.

Ainda estou muito incipiente no projeto de tamanha envergadura, muito dificultoso porque não tenho de quem copiar, portanto tudo terá que ser feito do alicerce.  Creio que jogo fique como Mutantes & Malfeitores, que aboliu algumas regras para funcionar melhor, mas é cedo para dizer. Algumas ideias que tenho podem sugerir a necessidade de novas regras para que o clima do jogo se revele na mecânica do sistema.

Sinto informar mas o post está bem vago mesmo. Só queria informar com mais classe que o projeto precisa ser retomado, depois das mudanças de cabeças no blog, que tinham outros projetos pessoais. Espero ter material mais palatável para os leitores, bem antes do próximo São João.

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