Bastardos Inglórios-resenha

Bastardos Inglórios-resenha

Nos últimos dias, fui assistir ao último filme de Tarantino, Bastardos Inglórios. O diretor reúne ao lado de Brad Pitt, grande elenco e com toque de Midas que lhe é costumas, transforma em ouro a carreira do obscuro ator Christoph Waltz, assim como tinha ressuscitado a carreira do finado David Carradine, em Kill Bill.

Esperando que Bastardos Inglórios fosse um filme de vingança, achei que assistiria a um novo Kill Bill. A marca Tarantino estava realmente lá, vilões que amamos odiar, capangas babacas, heróis fdp e sangue para tudo quanto é lado. Poderia dizer que neste filme, houve apenas uma mudança, havia um capanga que amamos odiar e vilões babacas. Não entendeu, então continue, a não ser que você não queira saber de partes do filme.

Em primeiro lugar, preciso elogiar o diretor, ele teve o dom de criar uma estória divertida em cima de um tema delicado: o Nazismo. É uma pena que tenha sido apenas isso, divertido, assim como eu achei o primeiro filme do Quarteto Fantástico. Apesar de ser um filme de Tarantino, este foi feito com o propósito de ser um filme padrão americano, onde o final é sempre o mais feliz possível e todos os vilões são castigados. Só que quando Quentin está gravando, este final feliz pode ficar muuuito sangrento.

Anão nazista

Anão nazista

Em segundo lugar, tenho que elogiar as interpretações, protagonistas e vilões estavam excelentes, disso não tenho do que me queixar. Agora eu explico o que quis dizer no segundo parágrafo sobre os vilões. Quanto mais alta a patente, mais imbecil; e não é apenas burro, é retardado mesmo. Hitler é retratado como um anão fanfarrão e Goebbels, como um estudante de publicidade, de 1º período de faculdade particular, conceito 1, com mensalidade paga pela avó! Não havia vida inteligente no 3º Reich. Assim ficou muito fácil, com tremendos imbecis no poder, não sei como o Füher conseguiu sequer conquistar a Áustria. Seria mais fácil Mussoline ter conquistado a Alemanha inteira.

No exército alemão, nos escalões mais baixos, por sorte nossa, existiam os capangas, digo capangas porque eles recebiam ordens deste patético alto comando. Preste atenção neles, onde aparecem, roubam a cena. Este é o pessoal, que verdadeiramente inferniza os protagonistas do filme, destaque para Hans Landa (Christoph Waltz), a alma da película, se este personagem não tivesse existido, me sentiria no direito de pegar o meu dinheiro de volta. Opa! Mas não se desespere, o antagonista principal possuía um jeitinho gay, que deixava evidente que ele não poderia ser um dos “heróis”.

Arrivederci, Nazi

Arrivederci, Nazi

Em terceiro lugar, há a questão da moral dos “mocinhos”. Este tópico foi a sensação do filme, colocado com muito estardalhaço na mídia, “não há mais espaço para heróis bonzinhos” diziam os anúncios. Neste filme, nós torcemos pelos vilões legais. Apesar de ser uma história de vingança, na prática este é um filme de eugenia. Os Nazis exterminam os judeus por serem superiores e os judeus exterminam os nazistas pelo mesmo motivo, só para mostrar superioridade, não vontade de vencer, o que fica claro no final. Marcar um inimigo à faca, com a insígnia suástica é tão segregador quanto numerá-los com códigos numéricos para serem registrados em computadores IBM. Os bastardos são mesmos uns filhos da mãe, no ato de massacrar seres humanos da forma mais horrível possível, tirando um escalpo, se igualam à crueldade dos carrascos nazistas, com a lógica de que iam intimidá-los; uma justificativa imbecil para a maldade praticada por eles. Será que os inglórios não tinham coragem de afirmar que torturavam por que se divertiam com isto? Sendo assim, a diferença entre os nazistas e os bastardos era apenas esta, uns tinha coragem para ser maus, os outros eram maus, mas sem coragem de admitir.

Em quarto lugar, tenho que dizer que Bastardos Inglórios é um típico filme propaganda militar. Isto é, propaganda militar para uma nação em guerra. E como tais, os americanos tem que se sair bem, e quanto mais tipicamente americano você for, melhor você se sairá. E se este cara, americano típico, for Brad Pitt, aí não tem perigo de se dar mal! Se em A vida é bela os nazistas não perderiam a chance de fuzilar, à sangue frio, qualquer engraçadinho, isto não ocorrerá neste filme com o cidadão americano típico. Perceba que do time de bastardos, não sobra nenhum estrangeiro alistado.

Eu sou o que sou, e é isto que sou!

Este tipo de filme-propaganda era muito comum durante a 2ª Guerra Mundial, onde não só os soldados lutavam, mas também super-heróis e muitos outros personagens fictícios. Veja o caso do marinheiro Popeye, que a partir de 1941, se alista na Marinha de Guerra e vai combater japoneses, a carga de preconceito neste simples desenho, destinado à crianças, considero superior a todo o filme de Tarantino. Era muito comum padronizar os japas e os nazis, naquela época, só estávamos desacostumados a ver aquilo. E como em todo bom desenho animado, o desfecho de Bastardos Inglórios é cômico. Todos os nazistas do mais alto escalão morrem, em uma vingança quase inexpressiva da única pessoa no filme que tinha realmente algum motivo para se vingar, a judia Shosanna Dreyfus(Mélanie Laurent) , que só se conclui por bondade por parte do diretor, que construiu inimigos muito burros. Para mim, só faltou o papai bin Laden estar naquele teatro em chamas, para o final ser o mais fantástico possível e todos viverem felizes para sempre.

Arrivederci!!!

 

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15 Comentários para “Bastardos Inglórios-resenha”

  1. Ivan diz:

    Pior que eu gostei do filme! Talves por ter assistido pensando “é filme do Tarantino”.
    Na real a unica parte que achei mais falha foi o final (não a do Hitler morrendo, pois achei muito louco ele mudar a história! Me pegou desprevinido!) em que o Hanz simplemente faz uma burrada sem tamanho e se entrega!! Como isso?!!? O cara mais inteligente do mundo nazi faz uma coisa dessa e acha que vai se dar bem?
    Fora isso achei que o filme cumprio seu papel: Um filme autoral, com grandes momentos de tensão e tomadas de câmeras inusitadas. Tarantino total.
    Além disso acho que ele se baseou muito em filmes de velho oeste quando fez o Inglorious, e é de se esperar que o Cowboy Sulista Americano (Brad Pitt) se desse bem no final (o que concordo com você, não deveria ter acontecido).

    Gostei da resenha! Me mostrou um ponto de vista diferente! Abraço!

    • Danielfo diz:

      @Ivan,

      Eu n achei ruim, mais foi apenas divertido, nem chega perto de Pulp Fiction, mas o filme é dele né, o cara tem direito de fazer algo diferente do que fazia.

      O problema é que somos muito criticos com os mestres de rpg e acho que o GM Tarantino ia dar um tpk, e quando percebeu, abriu as pernas e facilitou,pra o pessoal completar a missão.

  2. Dan Ramos diz:

    Percebo uma dose exagerada de jaborismo nessa resenha. (mas gosto é gosto). Mas realmente o Fuhrër era arrogante, burro e teimoso, pirou na metade da guerra e deu tanta cagada que perdeu.

  3. Ricardo diz:

    Eu não acho que a crítica do @Danielfo se aproxime das do Jabor… E o problema do Jabor não é exatamente o de ser “tão exagerado e acha(r) pêlo em ovo”, talvez você devesse pesquisar mais sobre o que aquele imbecil fala. Enfim, o que eu queria dizer é que achei a resenha muito boa. Sua crítica ao filme do Tarantino foi pontual e perspicaz e concordo com muito do que está escrito nas suas linhas. Saí da sala de cinema a um só tempo empolgado (com o velho Caçador de Judeus) e desapontado (com o próprio filme, num aspecto geral e avaliado na sua resenha, e com a atitude do Hans Landa no fim do filme). Um bom filme, mas não excelente.

  4. Daniel diz:

    Eu acho q vc não entendeu o filme. O filme é uma PARÓDIA da guerra, não um incentivo, e se vc realmente acha q o filme é propaganda militar, vc falhou no teste de observar.
    Esse é o primeiro filme sobre a II Guerra a não mostrar os judeus como coitadinhos, e é esse um dos seus méritos. Não entendi todo esse papo de “vilões” e “mocinhos”, VOCÊ foi assistir pensando que os Bastardos eram heróis e os Nazi, vilões; mas o que Tarantino mostra é que são só dois lados de uma guerra, e que ambos são capazes de crueldades para vencer. Eu acho, e minha opinião é inteiramente baseada na sua resenha, que você foi assistir o filme com muitas expectativas e preconceitos, e os viu sendo frustrados e derrubados um a um. Por isso não gostou.
    Tente ver o filme de novo, com a mente aberta, e verá que é um dos maiores filmes do Tarantino, com o melhor personagem.
    Comparar esse filme com o do Quarteto, dizendo que os dois estão no mesmo patamar de qualidade, só pode ter sido uma piada.

    • Danielfo diz:

      @Daniel,
      Eu acho que vc falhou no seu teste de sentir motivação, em relação a minha pessoa.

      Filmes de propagando militar são realmente paródias, a graça é esta.

      A grande maioria, e acho q vc também, sabe que os judeus formaram fortes grupos de resistência contra os nazi, mas eles eram do leste europeu e auxiliados pelos russos, e costumavam participar de missões de sabotagem, que complicaram a vida dos nazi. Há ton de livros contando estes relatos, agora realmente, não sei se alguém já contou isto em filme os lançando a protagonistas. Se alguém souber avisem!

      E digo mais, Pulp Fiction bota BI no bolso.

      • Daniel diz:

        @Danielfo, É, posso ter falhado, não tenho muitas graduações nisso XD !
        Mas quando vc diz “propaganda militar” me vêm a mente filmes q glorificam a guerra, como “Pearl Harbour”, daí a minha crítica.
        Em BI Tarantino brinca com a História, ele não liga para o que “realmente aconteceu”, só usa o cenário da IIGM para construir seus personagens e SUA história.
        E eu não acho q BI fique devendo algo a Pulp Fiction, só pq ele tem um roteiro linear e cenas mais “paradas” (embora seja muito mais tenso que PF) não quer dizer q seja pior.
        Eu ainda te aconselho a rever o filme, e sem nenhuma expectativa de ver um Pulp Fiction ou Kill Bill na IIGM, só veja o filme e verá q ele é MUITO bom.

  5. Ὀδυσσεύς diz:

    Bastardos Ingloriosos cult??? Comparado com Pulp Fiction??? Nossa, quanta pretenção. O filme é bom. Só não é o melhor filme de Tarantino.

  6. Olivia diz:

    Gostei muito do filme… me diverti e ri muito. De todo modo, também não acho que seja a melhor obra de Tarantino.

    Mas que seja dado o braço a torcer, Pitt realmente deu uma musicalidade impar ao seu italiano (ri sempre que se lembra).

  7. Chacon diz:

    Tal como Olivia, assitir o filme com Olivia e ri muito, Hans Land é realmente um personagem Impar, Aldo é pura satirização e o filme fez vale o ingresso… no entanto… BI não chega perto nem de Kill Bill, imagine de Pulp… e entendo os argumentos de Elfo, não concordo com todos, mas entendo eles… no entanto deixo a frase do dia: “gosto é igual a C.%$@# cada um tem o seu” xD

E você, o que pensa?