Em um momento de conjunção astrológica, quando a constelação do Amapá entrou em alinhamento com a Paraíba, no momento em que Campina Grande estava ascendente em João Pessoa e Cabedelo estava descendente em São Paulo. Não entendeu, nem eu! Pois foi neste clima de confusão, que conseguimos reunir parte do elenco do Pensotopia, em João Pessoa, no último sábado.
E por que uma postagem só sai hoje? Bem, nossa política é de reservar o RPG para todo o final de semana, e nesta semana o final deu uma esticada pelo começo. Junte-se isto com alguns problemas técnicos e voilà! Postagem atrasada.
Independente disto, aproveitamos a reunião com 4 dos 6 integrantes, para bater-papo e discutir, junto com os não convidados especiais, os rumos do RPG no Brasil e outras coisas. Cada um de nós (Murilo, Felipe, Will e eu) apresentou suas considerações sobre o tema, mas prefiro apenas fazer o meu próprio brainstorm e deixar que os outros façam o deles, se acharem que devem. Como sabem, fiz uma pequena pesquisa, sobre a nossa pequena blogosfera e aproveitamos para conversar um pouco sobre isto. Os dados foram mostrados e achamos legal interpretar o que eles querem dizer.
O que notei, depois de ler todos os comentários, foi que a blogosfera é maior do que imaginava e o que mostrei é apenas uma parte do todo, já que tem muita gente que ficou de fora. O problema é que isto pode causar uma falsa impressão de que o número de jogadores de RPG está aumentando, quando isto não possui nenhuma relação lógica. A blogosfera mundial está se expandindo em números impressionantes, de algumas dezenas de milhares no início da década para dezenas de milhões atualmente. Apesar de impressionante, o número de usuários que entraram na rede, também é fantástico, de cerca de 350milhões de usuários, para 1,5 bilhões de almas conectadas, tudo em menos de 10 anos.
O nosso Brasil tem 24,5 milhões de brasileiros regularmente conectados e destes cerca de metade leem blogs. E neste pálido blog azul, desta galáxia brasileira, que se encontra toda a blogosfera do RPG. E no meu artigo anterior, apesar de ter falado de várias características geomórficas dos blogs, não falei da mais importante, por falta de dados precisos: a massa.
A massa da blogosfera
Quantas pessoas ainda jogam RPG? Quantas pessoas estão aprendendo? Quantas pessoas deixam de jogar a cada ano? Qualquer pessoa com conhecimento matemático, já pode perceber que é possível criar uma equação que preveja a evolução da população do RPG.
Essa foi uma questão que abordei na reunião, e que pretendo trabalhar melhor posteriormente{se possível até criando um modelo matemático de dinâmica de populações[mas só se estiver muito desocupado(o que pode ocorrer)]}. O máximo que podemos fazer agora é criar alguma estimativa. A comunidade RPG Brasil, no Orkut, a maior relacionada ao tema, possui, até a presente data 46.029 usuários, o que nos dá uma boa base. Considerando que o Brasil possui uma taxa de inclusão digital na ordem de 13%, usando uma indução podemos chegar a um número de 340mil jogadores de RPG espalhados pelo país. Este número se concentra na faixa de idade entre 12-30 anos, com ligeiras flutuações.
Outra metodologia exige uma diferente fonte de informação. O recorde de público do Encontro Internacional de RPG foi declarado em 30 mil participantes, sendo que em 2007, o público oficial foi de só 11mil, em São Paulo (com uma população de 11 milhões), 0,1% da população da cidade. Se tomasse esta estimativa, existiram apenas 180mil jogadores de RPG por aqui.
Filhos de Krypton
Se por um lado, a blogosfera do RPG parece um planeta nascente, com centenas de blogs ativos e interessantes por outro, o RPG em si parece perder gás, por estas praias. O que estamos assistindo é apenas mais um fenômeno: o da explosão dos blogs, que está ocorrendo agora, em substituição a explosão do RPG, na década passada.
Daí a importância de modernizar e divulgar o jogo, da New School e das próximas que virão, que decidiram se o jogo merece estar nas prateleiras das vitrines virtuais na próxima década ou será só mais um entre os companheiros dos jogos, outrora tão populares, Gamão e Scrablle.

![P101009_15.42_[01] P101009_15.42_[01]](http://pensotopia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/P101009_15.42_01-300x225.jpg)
![P101009_15.42_[02] P101009_15.42_[02]](http://pensotopia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/P101009_15.42_02-300x225.jpg)

Comentários (12) »
São Paulo, com um nível de renda maior, pode ter uma concentração MAIOR de jogadores do que o resto do país.
“A comunidade RPG Brasil, no Orkut, a maior relacionada ao tema, possui, até a presente data 46.029 usuários, o que nos dá uma boa base. Considerando que o Brasil possui uma taxa de inclusão digital na ordem de 13%, usando uma indução podemos chegar a um número de 340mil jogadores de RPG espalhados pelo país.”
ACHO que quem joga RPG tem internet…
uma estimativa melhor (mais ainda longe de ser boa) talvez fosse calcular o percentual de internautas que tem orkut, e daí multiplicar o número da comunidade.
Se 50% (não sei!) dos internautas brasileiros tem orkut, talvez tenhamos 80.000 rpgistas.
Abraço.
E o Zé, filha da mãe, sacripantas foi para o mato de novo sem me encontrar.
Um pouco difícil se fazer um senso RPGístico por meio de deduções e especulações, não? Só podemos supor e inferir. Já a blogosfera é mais possível de ser analisada já que existem dados bem concretos como número de blogs e de participantes por blog.
@Elisa,
Estatística.
@salvador,
É uma boa suposição. Não sei se é mais próximo da verdade, já que a condição social é fator determinante para inclusão digital.
Estima-se que o número de perfis brasileiros do orkut seja da ordem de 6 milhões (o que pode ser um erro tremendo, já que os brasileiros se registram em outros países e há também um monte de fakes).
Pela sua estimativa, temos 24,5 milhões de internautas e cerca de 25% tem orkut, logo teríamos perto de 184mil jogadores de RPG.
@Danielfo, com que amostragem? Existem jogadores que não acessam a net, e usuários de blog de RPG que não são jogadores. Pessoas que jogam no interior da vida…
Não acho que quem joga RPG acessa internet.
Moro no litoral norte do Ceará e posso garantir que existem muitos jogadores por essas bandas, mas nem 30% deles tem acesso à internet com frequência. Acredito que a grande maioria tem e-mail, acessa algo como umas duas horas por semana, mas nada muito além disso.
PFazer estatística pelo Orkut realmente não dá. Tem fakes, contas duplas, tem gente que entra na comunidade só por entrar, etc.
Não nasceria dai uma boa idéia de como fazer um censo rpgistico? A ludus fez algo assim no passado, não?
@Alexandre Fnord,
Certamente Alexandre,foi o que considerei na pesquisa, apenas 13% usam internet no Brasil, a minha suposição é que os jogadores ativos de rpg estão distribuídos igualmente entre os que possuem e os que não possuem acesso regular a internet. Devido as limitações do orkut erros inerente a metologia evidentemente ocorrerão, mas qual seria a margem deste erro?
Do mesmo modo que podem existir fakes, também tem gente que tem internet, tem orkut e n tá na comunidade.
Creio que deve ter acertado ao menos a ordem de grandeza do público, devemos ser alguns centenas de milhares.
@Elisa,
Ué, falei no texto as duas que usei. E Salvador(acima) sugeriu outro método. Inclusive a sua sugestão foi uma das que computei, a mais otimista.
Talvez a turma do Paragons, o maior em número de acessos possa fornecer alguns dados (média de nº de acessos/dia) para saber em que direção apontam os números.
@Danielfo, Acho que 340k deva ser um número acima do correto [e isso nunca vamos saber, né!] mas ele não deve ser muito maior.
SP com certeza tem o maior aglomerado de jogadores, mas as outras regiões contam com muitos jogadores. Muitos mesmo. Quem mora no sul-sudeste não tem idéia do público que teria um encontro de grandes propoprções no nordeste, por exemplo.
A um tempo dei a idéia para alguém da Devir que tentassem fazer versões não internacionais do EIRPG em outros estados, mas eles não acham que o investimento valha a pena. Acho que o problema das editoras é que cada uma delas só leva em consideração as suas vendas. Esquecem que o jogador de RPG joga qualquer coisa que o divirta, basta ter a oportunidade.
@Alexandre Fnord,
Eu sou gaúcho mas moro em joão pessoa. Também já morei em MT e SC, além de ter passado alguns meses a direto em SP e no PR e ter feitos longas visitas ao MS, RJ e diversos estados no Nordeste.
Obviamente, tenho amigos rpgistas em todos estes lugares em que morei ou fiquei por bastante tempo e, no mínimo conheci alguns rpgistas na maioria dos outros lugares que visitei. Então é com certa propriedade que digo que o pessoal aqui é muito mais “hardcore” que os de outros cantos. Quem curte RPG por aqui pelo Nordeste, curte MUITO.
A relação dos nordestinos com o RPG é bastante diferenciada. Prova disso foram as 3 edições do RPG & Cultura, um encontro realizado aqui em João Pessoa que recebeu alguns milhares de visitantes em todas as suas edições. Eu fui nos primeiros EIRPG em SP uso os próprios internacionais como parâmetro para avaliar os encontros daqui.
Em menor escala, havia aqui os Avalon, organizados pelo próprio Danielfo. Eram encontros mais simples, mas que lotavam de gente batiam fácil por exemplo, os Tchê RPG lá do RS.
@Luiz RGF, Ohh, sim! Pura verdade! Eu tambem já singrei por estes rincões afora e o nordeste tem muitos jogadores de rpg dedicados.
Quem poderia fornecer dados mais precisos sobre os jogadores de rpg e seus habitos seriam as próprias empresas que dependem de pesquisas de mercado para poderem realizar seus projetos.
Veja o caso da Devir, todo mundo reclama de suas ações muito distintas em territorio nacional sobre lançamentos de livros (que destoam de suas diretrizes relacionadas a europa por exemplo), mas estas ações são baseadas na quantidade e perfil de consumo de jogadores de rpg (e outros hobbies) distribuidos pelo pais inteiro.
Lá fora, as empresas nunca divulgam estes dados. Mas e a Devir, Jambô e adjacências?
A sugestão é indaga-los.
Abraços grandes!
Will de longe muito longe…
[...] como foi a última reunião, o profissionalismo acabou logo quando nos juntamos. Blog? Que blog ? Com um bando de nerds [...]