
Inspirado na seção de Diários de Campanhas apresentada por Danielfo, resolvi, então, acrescentar minha parte, pois muito do que falamos quando nós RPGistas estamos juntos é sobre as histórias construídas na mesa de jogo. Negar isso ao blog seria negar a própria arte de contar histórias do RPG. Bem… O que farei aqui não é descrever as aventuras das minhas campanhas, mas apresentar narrativas, poemas e textos relacionados às campanhas, sagas e aventuras que mestrei e joguei nos últimos anos.
Postarei histórias que de alguma forma se originam nos personagens criados pelos jogadores e mestres, e em toda a ambientação que deu alicerce ao meu grupo durante esses anos. Falo aqui de todos os mundos construídos nas várias edições de D&D e, claro, nas interferências que a eles fizemos e continuamos fazendo. Os textos postados aqui serão atribuídos a um bardo gnomo do mundo de Forgotten Realms que nomeei Kantelleki. Um bardo, que pequeno conhecedor do multiverso, expõe através da arte acontecimentos que revelam aquilo que todos os seres, indiferentes de suas origens, partilham entre si, sejam ideais, sentimentos, crenças etc. Dessa forma, como perceberemos no decorrer da leitura, esses textos fazem parte de uma coletânea que remonta pela perspectiva do personagem os acontecimentos que perpassam toda a ambientação utilizada pelo meu grupo.
Contos de Kantelleki – Introdução

Cosmologia de D&D 1ed. A criação da Great Wheel. Manual of the Planes (1987)
Com essa pequena introdução apresento alguns pensamentos meus e corôo minha primeira coletânea poética. Chamo-me Kantelleki Aldus Janahed Dalk Rustek Rutvor e antes de tudo, digo que desenvolver essa arte dos bardos foi bastante difícil, uma vez que minha fala guarda uma característica bastante particular do meu povo, a rapidez na enunciação das frases, esta que me persegue até hoje e põe-me bastante trabalho e concentração para declamar o poético de maneira adequada.
Essa arte se tornou essencial em minha vida quando abri uma pequena livraria, Kantelleki’s Inkhorn, que recebia bardos, trovadores, aedos e rapsodos de vários lugares de Faerûn. Lua Argêntea, minha cidade natal, permitiu-me aproveitar de seu aspecto cosmopolita e progredir com meu estabelecimento. A partir disso pude desenvolver a minha arte na linguagem escrita, pois através dela eu podia narrar tão bem quanto qualquer outrem, uma vez que a velocidade da leitura é dada pelo leitor e não pela minha enunciação das palavras.

Cosmologia de D&D 3ed. Nova roupagem da Great Wheel. Manual of the Planes (2001)
A procura por grandes histórias que compusessem minhas obras me fez sair das fronteiras dos Silver Marches, dos limites de Abeir-Toril, fez-me vislumbrar o antigo Multiverso. E é devido à importância desse antigo mundo que mantenho minha livraria, pois esse novo esconde e sufoca o anterior. Por ser velho, muitos me chamam de saudosista. Mas como não o seria? Pois tiraram de mim meu Multiverso conhecido e o transformaram em algo sem sentido Guvner. Prefiro, sim, a simetria da era Hashkar e a cosmologia da Fraternidade da Ordem. Por essa perda culpo acima de tudo os deuses descomedidos. Lamento grandemente a morte de Primus que regia ordem como a um maquinário. Ó Senhor dos Modrons, levaste contigo a Grande Roda? Levaste contigo o lar dos Inevitáveis? Maldito seja Orcus e a Última Palavra, maldito seja o sacerdote Quah-Nomag. Que as Profundezas Tártaras de Carceri os devorem. Ó Mãe de Toda Magia, lamento também por ti. Que os Gehreleths possam também aprisionar o Príncipe da Loucura. Maldita seja a SpellPlague. Ilumina-me, Deusa, se tua morte junto à do Exilado afirma o discurso Incanterium. Pois, como pode a Succubus ser natural aos Baatezu? Seria esse um ardil Diabólico? Boccob conheceria tal absurdo? Só tu, Corin, poderia guardar tal segredo. Pudera eu, com a antiga pena de Baalice, cem mil vezes escrever que nada disso tivesse acontecido. Infelizmente não posso. Resta a mim cantar o velho mundo e revelar o entrelace entre este e o novo. Alguns bardos dizem que há três maneiras de contar uma história: narrá-la como a contam; narrá-la como deveria ser e; à maneira que faço, narrá-la como realmente aconteceu. Assim, cantá-las-ei até que as folhas de minha árvore da vida se tornem bronze.
Kantelleki A. J. D. R. R.

Comentários (2) »
Gostei muito do estilo do seu alter ego! (não é isso, alguem me corrija, como chama mesmo as varias personalidade de um escritor?).
E Pelo bisto também não gostou da novo FG, pelo menos não de inicio…
@Arquimago,
Eu também estou esperando Felipe se manifestar sobre o que ele achou da nova versão…
Espero que instalem logo a internet de “alta velocidade” no lar dele, para que ele possa contribuir com todo o potencial que tem.