Shogun: O War 2.0!

pic145843_mdSexta passada, fui ao CDD dos correios ver se ainda havia correspondência atrasada por conta da greve e lá estava uma das famosas e temidas cartinhas da Receita Federal… Já sabia que era o Shogun (já que a única coisa que faltava chegar era ele), mas pensei que teria de deixar para buscar segunda, por conta da aula que teria no mestrado. Eis que, 15 minutos depois, me telefonam cancelando. O universo conspira a favor da nerdice!

Lá fui para a receita ter meu rico dinheirinho arrancado pelo leão. Mas uma vez superada a dor da perda financeira, fui atrás de organizar o pessoal para jogar. Segui para a casa de um amigo que está de férias. Peguei uma cópia do manual em inglês, ele uma em espanhol e coisa de meia hora depois já estávamos na fase de testes.

Pois bem, vamos ao que interessa. Shogun é um belo jogo de tabuleiro onde cada um dos jogadores representa um Daimyo (espécie de senhor feudal) e candidato ao shogunato (chefe militar) do Japão do Século 16, na disputa pelo poder no período Sengoku (1467 a 1573). A idéia básica do jogo é administrar risco e recursos com o objetivo de somar mais pontos em um período determinado, de modo a adquirir a supremacia no território.

Cada jogador posiciona seus exércitos conforme uma tabelinha ou utilizando um baralho com as províncias japonesas e em seguida o jogo pic163728_mdcomeça de verdade. Uma partida inteira tem oito rodadas, cada qual representando uma estação do ano por um período de dois anos, ou seja, a primeira rodada é na primavera, a última no inverno e se passa por cada estação duas vezes. Na primavera, verão e outono de cada ano, os jogadores coletam tributos, arroz, guerreiam, movem tropas, tomam províncias desocupadas, constroem templos, teatros, castelos… No inverno, consomem o arroz e lidam com os camponeses que se rebelam se o arroz faltar. No inverno também são contabilizados os pontos, onde a quantidade de províncias e a qualidade das construções nelas garantem mais ou menos pontuação. Quem soma mais pontos no final do segundo inverno (8º turno) vence.

No início de cada rodada, para determinar a ordem de jogo, cada jogador aposta parte do seu tesouro (representado por bauzinhos de madeira), de modo que quem der mais tem direito a escolher a ordem em que joga, pegando também um trunfo para a rodada. O problema aqui é que a ordem é definida por cinco cartas e nem sempre a carta mais adequada à estratégia do jogador é aquela que o colocará em melhor posição para a rodada. Às vezes o jogador se vê forçado a jogar por último para ter uma vantagem adicional ou jogar primeiro em troca de um bônus que não é atraente. Além disso, para cada estação do ano é revelada uma carta de evento (que altera as regras do jogo, reduzindo ou adicionando recursos) e uma carta de condição (que impõe ônus e bônus para quem realizar certas ações). Por falar em ações, cada jogador pode fazer até 10 delas por rodada, uma em cada província sua, em uma ordem que é sorteada cada turno.  Estas vão de construir a guerrear e nos casos das coletas de arroz e dinheiro, são colocados marcadores de revolta nas províncias. Uma segunda coleta pode deflagrar uma rebelião.

pic195481_mdUm dos pontos altos do jogo é a guerra. Cada unidade militar no jogo é representada por cubinhos de madeira. Quando há luta, cada jogador envolvido pega suas unidades, e as lança em uma torre cujo interior é parecido com um labirinto. Aquele cujos exércitos saírem do outro lado em maior quantidade é o vencedor. Os exércitos do que ficarem presos no interior da torre, permanecem ali dentro e servem de auxílio para batalhas futuras. Isto obriga todos a saberem sempre mais ou menos quantos exércitos cada um tem dentro da torre. Simples, elegante e livre de dados.

Há muito mais coisas no jogo e creio que sem jogar efetivamente tudo parece meio efêmero, mas acreditem, isto é o War 2.0! Segundo o manual do jogo, cada partida dura em média de duas a duas horas e meia, mas nas duas vezes em que jogamos este fim de semana as partidas duraram de quatro a cinco horas. As primeiras rodadas são até bem rápidas, mas conforme o jogo progride e você começa a controlar suas ações de acordo com as províncias alheias (o que é importante, pois umas aceitam mais construções, outras produzem mais arroz e outras mais dinheiro) o jogo vai ficando mais devagar.

Moral da história. É um excelente jogo, tão bom que este fim de semana nem jogamos RPG aqui em casa, apenas Shogun. Todo mundo no grupo quis testar a novidade e, a despeito do jogo ser demorado, não é cansativo. Cada um faz tanta coisa em todo turno e tem tanta necessidade em se ligar no que os outros estão fazendo, que o tempo literalmente voa. Mal posso esperar para jogar novamente!

Comentários (16) »

  • Delibriand diz:

    Muito interessante! Onde foi que adquiriu o jogo? Estou procurando uma loja que mande para o Brasil alguns wargames.
    Abraço!

  • Arquimago diz:

    Gostei da torre!

    Porque no mapa algumas provincias tem a mesma cor?

    Verdade, como comprou essa belezinha.

    Agora um loja que ja tem esse tipo de jogo é a: http://loja.legendsdobrasil.com.br/

  • Matheus Medvedeff diz:

    Podem jogar até quantos jogadores?

    Em alguns pontos eu achei semelhante ao wargame de Angus, como por exemplo ter número limitado de turnos e ganhar aquele que tiver mais “pontos”.

    Parece ser realmente interessante.

  • esse é um da minha lista de desejados, se vc curte o estilo, procura A Game of Thrones e se quer um verdadeiro WAR 2.0 Ultra Super Plus, procura Axies and Allies :)

  • Luiz RGF diz:

    @Delibriand, Opa. Comprei em uma loja especializada em Magic, a mtgfanatic.

  • Luiz RGF diz:

    @Arquimago, Rapaz, eu vivo comprando troço de fora. Todo mês peço alguma coisa, livro de RPG, material de Magic, jogos de tabuleiro… Eu ja comprei do Sandro na Legends do Brasil, mas atualmente acho os preços dele salgados demais. Como tenho acesso a importados “direto da fonte” acho mais negócio encomendar eu mesmo.

  • Luiz RGF diz:

    @Matheus Medvedeff, Cinco. Nunca joguei Angus, então não tenho como comparar.

  • Luiz RGF diz:

    @PuTaH_clUbBEr_Mor, Ja encomendei o Game of thrones uma vez, mas foi extraviado. Ia pedir novamente este mês, mas acabei comprando um GPS.
    kkkk

  • Dan Ramos diz:

    @Luiz RGF, a única coisa daquele universo que prestou.

  • Leisses diz:

    Olá Luiz!

    Sabe me dizer se este Jogo dos Colaboradores é cópia do Shogun?
    http://www.boardgamegeek.com/boardgame/24069
    Estou querendo comprá-lo mas só se for igual ou bem semelhante…se puder me passar essa informação vou ficar MUUUITO agradecido =D
    No link existem muitas informações sobre o jogo, incluindo fotos.

  • Luiz RGF diz:

    @Leisses, Rapaz, ja dei uma olhada neste jogo em lojas de brinquedos. Ao que me parece, a partida nele se dá em turnos e você conta pontos de acordo com recursos dos territórios que ocupa… Mas as semelhanças com o Shogun acabam por ai. Nada de construir, lidar com clima, reoltas populares, se organizar para a guerra, coletar tributos, administrar alimentos…

    Portanto, não acho que o Conquistadores tenha espaço para estratégias muito aprimoradas ou que permita partidas tensas como o Shogun. Mas claro, isso não quer dizer que não possa ser divertido.

  • Leisses diz:

    @Luiz RGF, hummmm…
    Acho que vou ficar com o War mesmo dessa vez…rsrs…minha esposa não saca nada de inglês e por isso tenho preferência por jogos em português.

    Sabe de algum no estilo que tenha modelo em português?

  • @Leisses,

    não precisa vc se preocupar com isso, a maioria desses “jogos modernos” possuem manuais traduzidos na net, quando o jogo não possui muito texto in-game (q é o caso do shogun) é so ter um manual em portugues q resolve :)

    como o shogun é um jogo desse ano, ainda não tem o manual, mas já deve ter alguém traduzindo-o, caso você queira, você mesmo pode traduzir :)

  • Leisses diz:

    @putah_clubber_mor,
    Pensei em traduzir mesmo algum…mas vou começar com o War para que ela se acostume com jogos de tabuleiro. Depois eu parto para outros ^^

    Obrigado pelas dicas…

  • Luiz RGF diz:

    @Leisses, Cara, o Shogun tem regras simples e vem com manuais em Ingles, Espanhol, Alemão, Francês e Japonês.

    As cartas que são utilizadas no jogo não trazem texto e uma vez que você as entenda pode dispensar a tabela com o significado de cada uma delas (so usei a tabela no teste e na 1a partida).

  • Guto diz:

    Existe alguma versão on-line?

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