Agenda Corporativa

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A vida imita a arte

A vida imita a arte

O filme Speed Racer, dirigido pelos irmãos Wachowski (de Matrix), conta a história de um piloto muito jovem, talentoso e arrojado. Speed (Emile Hirsch) é de uma família de viciados em velocidade, o irmão dele, Rex Racer, morreu em uma corrida e é em memória do irmão, que ele encontra motivação para correr e se superar sempre.

Speed é leal aos negócios da família no ramo das corridas, administrados pelo pai, Pops Racer (John Goodman), o projetista e construtor do lendário Mach 5 de Speed. Porém, quando o piloto recusa uma lucrativa e promissora oferta da Royalton Industries, ele não só deixa o maníaco dono da empresa (Roger Allam) furioso, como lhe é revelado um segredo terrível – algumas das corridas mais importantes são pré-determinadas por certos magnatas, que manipulam os corredores para obter lucros escusos.

Mas porque eu estou falando de um filme de 2008 só agora, que apesar de legal, foi mal nas bilheterias? Vamos acelerar um pouco mais.

Neste semana, na F-1, estourou uma bomba, muito similar a de Speed Racer. Assim como no filme, uma acidente altera completamente o resultado da corrida, fazendo Fernando Alonso ganhar o GP de Cingapura, em 2008, após um aparente acidente de Nelsinho Piquet, no início da prova. Será que Speed Racer deu idéias a Flávio Briatore?

Bem, a idéia do artigo não é nem falar tando dos eventos que chocaram a F-1. Um local de tanta tecnologia pesada, só pode ser um paraíso para os grandes interesses comerciais. O tapa de realidade serve para dar algumas idéias para criação de agendas para as MegaCorps, como as que existem em Shadowrun, ou mesmo no Mundo das Trevas, no caso a Pentex.

Omni Consumer Products

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As corporações, como rivais, são adversários formidáveis. Possuem uma rede de contatos vasta, dinheiro praticamente ilimitado, vários meios de usar o poder coercivo e são praticamente indestrutíveis. E a pior parte, seus objetivos não precisam ser racionais, aliás, elas nem precisam de objetivo. Ter lucros maiores do que no ano passado é o fim em si mesmo.

As grandes Corps acabam se tornado uma espécie de “organismo vivo”, crescendo seus tentáculos e se ramificando o máximo que puderem e sem medo descartar alguma cauda, se for necessário para sobrevivência do todo. Mesmo um ancião Ventrue pouco poderia fazer para controlar uma empresa, já que os acionistas com poder de voto podem influenciar as decisões e mesmo dissolver uma diretoria, cheia de leais carniçais. As decisões corporativas podem atropelar os interesses imediatos do vampiro.

Mexer ilegalmente nos lucros também é perigoso, existem vários auditores para fiscalizar as finanças, para conseguir fazer uma façanha destas, só com uma rede de colaboradores associados na fraude. Então, nem pense que logo de cara, hipnotizando meia dúzia de sujeitos, se consegue controlar uma empresa. Matar diretores também é pouco eficaz, você só tirou uma peça, e há milhares de substitutos pelo mundo, que fariam a mesma coisa que o antecessor.

Fabricando Agente Laranja desde 1961

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Há também a hipótese de um rival comprar ações e se tornar sócio majoritário da empresa que aquele fundou. Isto só para mostrar como é difícil manter o controle sobre uma Mega-empresa. Pode-se considerar que a influencia do vampiro seja bem flutuante, migrando de uma empresa para outra gradativamente. Para desespero dos caçadores, esse efeito colateral – a falta de controle sobre a corporação – faz o sanguessuga se tornar invisível. Como ele migra a influência de um local para outro, rastreá-lo se torna tarefa muito mais complexa.

Um CEO bonzinho também é algo que não existe, se for bonzinho não dá lucro, e se não der lucro, ele logo será despedido. Mesmo que dê lucros, ele precisa se superar a cada ano, daí surgem as várias estratégias nefastas para aumentar os ganhos, seja manipulando resultados esportivos, fraudando balanços financeiros, plantando notícias falsas para abalar a concorrência ou, o já clássico, poluir o meio-ambiente, para não ter que gastar com o próprio lixo. Para a Pentex, compensa pagar as multas ambientais e continuar as práticas sujas, no fim, o saldo compensa, senão ela já teria falido. E mesmo que esteja prestes a falir, uma grande corporação poderá pedir socorro aos Governos para evitar a demissão em massa de trabalhadores. Após firmar o acordo, poderá continuar a ser incompetente como antes.

E em que lado você prefere ficar nessa briga: eco-terroristas como os Garou; operar nas sombras com em Shadowrun; ou tomar a pílula azul e ser um agente do sistema…

 

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10 Comentários para “Agenda Corporativa”

  1. Ivan diz:

    Sensacional!
    uma grande corporação é mais dificil de derrotar que qualquer monstro de D&D! Ainda mais se rolar uma corrupção governamental junto!
    Shadowrun rules!

  2. Thiago diz:

    Só uma correção: o acidente foi no GP de Cingapura :)

  3. Arquimago diz:

    Muito bom! Nem tinha me ligado que vampiros anciões não são quase nada perto de uma mega corporação!!!

    • Danielfo diz:

      @Arquimago,
      Por isso que geralmente é preciso que um clã inteiro se organize para exercer este tipo de controle corporativo, com rígidas regras de conduta.

  4. Thiago diz:

    Já pensou bolsa de valores no mundo vampírico ? Acontece muito no nosso mundo real(real ???) de grandes empresas criarem grandes especulações no mercado financeiro. Isso em um mundo vampírico seria até engraçado de se ver.

  5. Hugo Paceli diz:

    Faltou a referência a SLA Industries. Esse RPG me assusta.

E você, o que pensa?