Metrópoles

Metrópoles

Vende-se casa com vista para Mordor

Vende-se casa com vista para Mordor

Aldeias, vilarejos e cidades são alguns dos tipos de aglomerados populacionais que os personagens encontram em mundos de fantasia. Podem ser locais do tamanho de uma quadra ou vastas selvas de pedra. O LdM de D&D, na sua terceira edição, explica vagamente algo a respeito. Todavia, algo me intrigou: a população das cidades grandes são muito pequenas, cerca de 20.ooo almas.

Como o jogo é baseado na Idade Média, eles tomaram as informações históricas para orientar a construção dos mundos fantásticos. Jogos de fantasia, contudo, podem ser mais amplos que isto, afinal as formações históricas desses mundos devem ter sido bem distintas do nosso. Logo, grandes impérios podem ter sido fortes o suficiente para conter invasões bárbaras que o arruinariam ou estar no auge do poder.

Não é impossível ver cidades com mais de 100 mil habitantes espalhadas pelo mundo. Na Idade Antiga tínhamos assim Roma, Wanhsien, Anuradhapura e Cartago, já no século I.  Em mundos onde os Deuses e a Magia podem intervir e  grupos de aventureiros podem conter grandes catástrofes, é de se esperar que tais números possam ser maiores.

A existência de várias grandes cidades é algo que não deve ser descartado.  Magias podem diminuir o problema com doenças e até monstros podem ser utilizados para conter o problema do lixo urbano (já imaginou garis usando monstros da carniça domesticados?). A iluminação pública pode ser feita com magias de luz, que são de fácil acesso até para magos iniciantes. Tratamento de esgoto seria igualmente fácil, com preces de purificação de água.  O controle e a criação dos quatro elementos solucionaria grandes questões do urbanismo. Manipular as plantas afetaria o paisagismo.

Em contrapartida,  gerir este sistema seria muito difícil. O rei da cidade dependeria de vários auxiliares que poderiam se rebelar ou se organizar e ter grande influência.  Clérigos têm seus próprios objetivos, que nem sempre seriam concordantes com o do gestor da cidade. Mesmo os magos que cuidassem da iluminação das vias, talvez preferissem usar a magia luz temporária, do que luz permanente só para gerar uma dependência diária a sua categoria. Lidar com corporativismo seria algo recorrente e grande fonte de intrigas na corte.

 Mille viae ducunt hominem per secula Romam.

Mille viae ducunt hominem per secula Romam.

No aspecto geográfico, tais cidades cobririam vastas extensões de terra. Uma aproximação para cidades medievais é que  500 habitantes podem viver em boas condições sanitárias em 1 hectare (um quadrado de 100x100m).  Já uma com 200 mil pessoas, precisaria de 400hectares (um quadrado de 2×2 km) de área urbana. Para manter essas metrópoles, é preciso de áreas de cultivo e exploração consideravelmente maiores, mas que não precisam estar imediatamente próximas. Muitos dos bens e alimentos  que elas necessitam  podem ser trazidos de outras partes do mundo, através das famosas rotas comerciais.

Em grandes cidades há grandes mistérios ocultos: guildas de ladrões, sociedades de magos, clãs de vampiros, irmandades secretas, demônios ocultos e nem precisa jogar no  mundo das trevas! Os becos estreitos de uma cidade equivalem a desfiladeiros, os canais são os rios, os telhados das casas as árvores e as galerias o subterrâneo mostrando a grande variedade de terrenos que existem nelas. Quando se abrirem os portões e cruzarem as grandes muralhas você ingressará em um mundo incrivelmente novo.

Ps: Para mais informações sobre o número de habitantes das  cidades históricas clique aqui.

 

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19 Comentários para “Metrópoles”

  1. Daniel diz:

    Engraçado que as próprias ambientações da Wizards traem o paradigma dos livros básicos, FR mesmo tem uma penca de cidades com mais de 100 mil habitantes, às vezes quase todas as cidades descritas em um reino são consideradas metrópoles assim.

    Valkaria (de Tormenta) é um bom exemplo de metrópole de fantasia construída seguindo esses pensamentos que vc citou e mais alguns outros, incluindo sistemas mágicos de esgotos e coisas assim (o Marlon fez um artigo do tipo no .20). A parada do corporativismo e das relações entre poderes é interessante para ser mais explorada, e é uma coisa que já venho empregando nas minhas mesas. Meus PJs vão jogar uma aventura inteira baseada na relação entre magos com novas ideias vs. burocracia mágica vigente.

    Dá mesmo pra rolar uma campanha inteira em uma cidade, vide PTOLUS, de Monte Cook, aquele livro é uma enciclopédia.

  2. Muito bacana o artigo. Mas eu queria comentar uma coisa.

    “No aspecto geográfico, tais cidades cobririam vastas extensões de terra.”

    Principalmente levando em conta a magia, isso não precisa ser bem verdade. Uma cidade pode ser verticalmente grande, algo como as grandes metrópoles atuais (ou Coruscant de Star Wars), onde a palavra são torres residenciais com centenas de metros, principalmente em seu centro. Mesmo a altura pode ser considerada um fator de elitização — quanto mais alto se encontra o seu lar, maior a sua posição social na metrópole.

    Claro que, quanto maior (principalmente no sentido de “mais populosa”) for a cidade, mais recursos ela necessitaria, mas mesmo a área de onde vêm estes recursos não precisa ser grande — por exemplo, não é necessário grandes extensões de terras cultivadas para prover produtos agropecuários à população; mesmo métodos melhores de produção, maximizando a quantidade e minimizando a área de cultivo (ou seja, nada de latifúndio), já podem dar conta do recado, mesmo sem magia. Por exemplo o Japão, que possui poucas áreas cultiváveis mas que consegue uma boa produção agrícola interna devido a maquinário e fertilizantes, entre outros fatores (http://en.wikipedia.org/wiki/Agriculture,_forestry,_and_fishing_in_Japan).

    Desculpem o comentário grande, mas comigo é assim mesmo, gosto de explicar bem o que quero dizer. E eu bem que gostaria de ver uma cidade BEM verticalizada em um cenário de fantasia (Sharn, de Eberron, é assim, não é?).

    Abraços.

    • Danielfo diz:

      @Pedro Gabriel,
      Mas isto aponta outro incidente. Atualmente, estima-se que toda a população do globo poderia viver, em prédios,ocupando o estado americano do Texas, deixando o resto do mundo um recanto selvagem.

      Poder não é querer…

      Se for muito fácil construir mega-construções, elas não necessariamente vão fazer as pessoas se condessarem. Mega-contruções comuns implicariam em construções sendo banais, as pessoas não precisariam morar em seus locais de trabalho.

      O que ocorrerria então:
      -Prédios altos e largos onde poucos viviriam, apenas servindo de trabalho.
      -Os ricos teriam opulentos e grandes moradas. Vide as mansões no nosso mundo.
      -Os pobres poderiam morar em coisas maiores que cubículos.

      Todo isto implica nas áreas da cidade serem maiores do que o esperado. A estimativa de tamanho medieval é muito concentrada, todos apinhandos dentro das muralhas.

      Nos EUA o tamanho médio das casas da classe média é bem maior que a do Brasil em termo de área ocupada. Veja as comparações:
      João Pessoa/Paraíba: pop 693 milhab/3.293,3 hab./km²
      área:210,45 km²
      Boston/ Massachusetts:pop 609mil hab /2.624,4 hab./km²
      área: 232,1 km²
      Típica fictícia medieval:pop 600.000hab/50.000hab/km²
      área:12km²

      Como vc pode ver, as cidades medievais são muuuito compactas. Boston é menos densa que João Pessoa, mesmo sendo mais vertical. Um cidade medieval seria minúscula comparada a estas. O uso de magia apenas aumentaria a área da cidade, assim como fez a nossa engenharia moderna.

  3. Só corrigindo uma coisinha que eu mesmo disse (não tava em casa na hora =P):

    Coruscant é uma cidade-planeta, ou seja, uma megalópole que ocupa toda a extensão de um planeta. Logo, é uma cidade verticalizada, repleta de torres, mas com grande extensão. Mas apenas uma área de Coruscant, com o mesmo tamanho de uma vila medieval, com suas imensas torres, mas adaptada para a presença de magia, já é algo certamente digno de nota em um cenário de fantasia, não?

    • Luiz RGF diz:

      @Pedro Gabriel,

      Coruscant é uma cidade planeta tão absurdamente ocupada que uma pessoa pode viver a vida toda sem ver a luz do sol. As construções tem vários quilômetros de altura e de profundidade e praticamente nada é produzido no planeta, que se ocupa apenas precipuamente da burocracia da galáxia (conforme consta em “Star wars Empire” e no “Heir of the empire”).

    • Danielfo diz:

      @Pedro Gabriel,
      Como o meu comentário anterior, q ficou enorme, vou só esclarecer uma coisa. Quando em referi ao tamanho da cidade, quis me referir ao impacto que uma grande metrópole causaria ao seu redor, conforme é concluído no parágrafo em questão.

      O Japão para manter suas grande produção agrícola precisa trazer fertilizando, um derivado de petróleo, que vem do oriente médio. E importar o aço para construir os seus pretroleiros. É a pegada ecológica da população.

  4. Luiz RGF diz:

    Um dos melhores exemplos de metrópole que conheço no quesito fantasia medieval é Palanthas de Dragonlance.

    Tenho um livro aqui em casa que é o manual da cidade e nele o leitor “passeia” acompanhado de um guia por praticamente toda ela, conhecendo a burocracia, as personalidades, os locais de nota e por ai vai. Muito jóia.

    A cidade é o equivalente a Roma no cenário e sua história é bem documentada em uma linha de tempo que cobre alguns milhares de anos.

    Mapinha:
    http://www.dlnexus.com/gfx/lexicon/15349-0.jpg

  5. Arquimago diz:

    O artigo da só uma pincelada sobre o tema, mas já é o baste para deixar os Narradores/Mestres pensando. Eu mesmo estou pensando em fazer algo assim fica “mais fácil”(pelo menos não tenho que me preocupar com viajem) e ao longo do tempo os jogadores terem muitos lugares com histórico para ficar visitando e conhecendo os NPC’s até criando laços com eles.

    Os comentários dos colegas que vieram antes de mim foram bem interessantes também!

    A cidade do Monte é fodastica mesmo, agora do Planet-cidade, eu não imaginava que a coisa era tanto assim para alguem ficar sem ver a luz do sol!

    • Luiz RGF diz:

      @Arquimago,

      Estou mestrando uma campanha de Star Wars atualmente e fui me meter a ler o material de referência sobre os locais mais famosos do cenário.

      O grupo é todo de caçadores de recompensa (nada de jedi de coração mole – hehehe) e estou concluindo uma aventura justamente em Coruscant.

      Incluí buscas nos imensos complexos subterrâneos, perseguições de repulsorlift (aqueles carros que voam),saltos sem paraquedas dos arranha-céu, encrencas com a máfia, com os burocratas, com os políticos, com tecnologia e por ai vai. É legal ter bastante referencia sobre a cidade/cenário (ou pensá-la bem) justamente para poder preencher a aventurar de um modo mais dinâmico.

      • Arquimago diz:

        @Luiz RGF, Concordo plena mente! quanto mais referencias mais fácil se torna o trabalho do mestre/narrador e mais possibilidades da historia ser interessante.

        Sua campanha deve estar bem interessante!

        • Danielfo diz:

          @Arquimago,
          Estimando a população do planeta Coruscant em 1trilhão de habitantes e considerando que o planeta é similar a Terra, mas totalmente construído. A densidade populacional deste planeta 2125 hab/km².

          • Arquimago diz:

            @Danielfo,

            Isso é quase inimaginavel!!!

            Mas não construíram ele do nada ao menos né? Ele tem nucelo como o nosso, e devia ter oceanos também, verdade o que fizeram com as calotas e com o mar?!?!?!

          • Danielfo diz:

            @Arquimago,

            Um planeta desses precisaria desanilizar o oceano e reaproveitar toda água para consumo dos habitantes. A Terra tem cerca de 1,5 bilhões km³ de água (1km³ equivale a 1 trilhão de litros), sendo só 2,5% de água doce.

            Nós consumimos em 2000, cerca de 4000km³, Coruscant com população de 1tri, gastaria por ano 667mil km³.O que esgotaria a água doce do mundo em 5 anos.

            Logo o planeta precisaria de um grande sistema de aproveitamento tanto de água do mar, quanto de reaproveitamento de toda água consumida.

      • Rodolfo diz:

        @Luiz RGF,

        É bom saber disso. XD

      • Arquimedes diz:

        @Luiz RGF, Gostei de saber disso Luiz!!!!!!

        Heehehehehhe.. vou comprar um JatPack!

  6. Nino X. diz:

    Só acrescentando ao que o Pedro Gabriel disse:

    No cenário de Eberron (que tá mais pra fantasia pós-mágico-industrial) existe a cidade de Sharn, que, por ser localizada em uma região de natureza mágica (um local onde o Plano Material e o “Plano Elemental do Ar” se encontram) permite alguns avanços mágicos além do normal.

    A cidade é construída para cima, contando com torres de centenas de quilômetros. A altura de seu lar é uma boa indicação de seu status social, com as pessoas que vivem no chão sendo uma camada parecida com favelas e os milionários vivendo no topo das torres, ou mesmo no luxuoso Skyway, que levita acima da cidade em uma nuvem permanente.

E você, o que pensa?