Não, não estamos fazendo um jabá deste blog (isto aqui é jabá). Estou pegando carona no último texto de Allana, para dirigir-me, desta vez, aos jogadores. Falo do momento mágico em que a sorte está conosco e obtemos um sucesso decisivo nos dados, seja ele 3,10 ou 20.
No último capítulo da Sonata das Sombras ela narra:
Percebendo a brecha na defesa do morto-vivo, o meio-elfo rapidamente se aproximou, aplicando um golpe certeiro no joelho da criatura.
Veja a diferença para esta cena:
Theros brandiu seu martelo pesado de batalha de maneira certeira, esmagando o crânio de um dos zumbis. Isso não foi capaz de desabitá-lo por completo…
Em ambas as narrativas, os monstros não foram destruídos, mas na primeira, há uma uma aura de perfeição no ataque desferido. Onde quero chegar com isto?
Em alguns casos, desafios são quase impossíveis, mesmo para todo um grupo de aventureiros. Veja esta cena do Hobbit:
O dragão arremeteu mais uma vez, mais baixo do que nunca e, no momento em que se voltava para o mergulho, sua barriga brilhou, branca, as chamas das gemas, faiscando no luar – exceto num ponto. O grande arco zuniu. A flecha negra voou da corda direto para o vazio do lado esquerdo do peito, perto de onde saía a pata dianteira….Com um guincho que ensurdeceu os homens, derrubou árvores e partiu pedras, Smaug arremessou-se em chamas pelo ar, virou-se e caiu das alturas, derrotado.
No livro, Bard é aclamado, como salvador. E no jogo de RPG, já imaginou o que teria acontecido?
Mestre: Para multiplicar o dano no dragão você precisa acerta em um ponto específico do corpo dele, que só se revela quando ele voa.
Fulano, jogando com Bard: Tudo bem, meu personagem sabe deste detalhe. O dragão não já está voando quebrando tudo? Vou tentar o tiro, com a minha flecha negra, ela é mágica e causa dano dobrado em dragões.
Mestre: Tudo bem, você pode combinar os multiplicadores se acertar a falha das escamas. Mas o dragão está voando alto e você está tentando atingir uma parte específica muito pequena do corpo dele.
Fulano: Tá! Eu espero ele descer para baforar. Quando ele tiver bem baixo, eu atiro.
Mestre: Ok! Ele veem vindo e vai baforrar em você.
Fulano: Não ainda! Eu atrasei minha ação e vou flechar agora.
Mestre: É mesmo. Faça o ataque, depois ele te ataca.
Beltrano: Tu só acerta com 20 e o dragão te mata em uma rodada! É melhor pensarmos em outra coisa.
Sicrano: Agora já foi! É melhor a gente fugir e encontrar os anões…
Fulano: Lá vai…20!!! 20!!!20!!!
Certamente -em jogo- ao contrário de toda a cidade de Esgaroth, os demais pjs serão os únicos que não aclamarão Bard. Eles sabem que o dragão só morreu porque o jogador conseguiu um acerto decisivo, o mestre fez o dragão cair e levar o dano da queda também. Se não fosse isto, Bard estaria morto.
Reparem na inconveniência de um jogo de muitos protagonistas. Todos querem todos os méritos o tempo todo, mas nem sempre isto é possível. Há sessões em que apenas um jogador poderá ter o momento decisivo. E quando tem êxito, isto obscurece os demais.
Os jogadores poderiam gastar um pouco da interpretação para enaltecer os colegas pelos feitos deles, de vez em quando, mesmo que eles saibam que foi tudo fruto de uma sorte imensa nos dados. Ou pelo menos se calarem. O que fica chato é ter um cara sempre cortando a onda do jogador sortudo. Fica muito estranho, dizer por aí, em ON, que o colega deu um golpe de sorte, já que no RPG, tudo é sorte. E essa nunca fica do lado dos incompetentes.




Comentários (22) »
Aclamar? eu num falo é nada quando os pcs sao os herois, mas tambem nao perco a oportunidade de queimar eles ainda mais quando sao responsaveis por uma burrada. É o árduo trabalho do halfling Isiscarus, que é apenas um propagador da verdade!
Sacanagem os outros jogadores fazerem isso. É tão raro tirar um 20 (tá, é 5% de chance, mas quem garante?), que quando isso acontece deve ser comemorado por todos (Mestre também), que nem gol da Seleção Brasileira em Copa do Mundo! Pelo menos ajuda os outros PCs a admirarem o feito do sortudo.
E viva o 3 X 2 do Brasil contra os EUA na Copa das Confederações! RPGista sim, mas torcedor também!
No D&D isso acontece direto. Vc jogando de defender, tá a vários rounds tankando o boss. Aí qdo o monstro tá bloodied, chega o striker e rouba teu frag, ficando com a glória.
Aí jogador fica tirando onda…
Então meu grupo gritava de comeração sempre! Ainda bem, não eramos fominhas, espero que a formação nova continue assim!
Meus grupos nunca tiveram esse lance de querer ser o último a bater, e usam bastante a técnica do Focus Fire: inimigos vão caindo de um a um. Muito menos cinematográfico (onde cada mocinho pega um bandido pra brigar), mas muito mais eficiente.
No mais, o momento de precisar tirar um número específico no dado é sempre massa; numa das últimas sessões dos escamas púrpura, tinha uns basiliscos. Quase que vários membros do grupo foram petrificados. Tirar aquele 10+ na última hora é sempre uma emoção!
Caramba, quase esqueço que rpgês é um dialeto! XD
Meu grupo grita cada 20. Mas o lado fominha existe sim. A pergunta é: em on, será que uma vitória com 20 não pode também ser vista como combinação de competência e sorte? Meio que como as esquivas absurdas em Transformes 2 onde os humanos quase nunca sagram? XD
“Ei Bard, você é bom arqueiro, mas os deuses estavam com você neste dia!”
Normalmente na minha mesa quando sai o 20, não tem mais ON
Todos gritam e comemoram os PVs adversários indo pelo ralo na mão do sortudo. Duas observações: 1- Na 4a Edição o 20 realmente ficou muito mais divertido, quando o jogador percebe q vai dar dano máximo mais dadinhos extras mais bonus é muito legal
2- É só na minha mesa mais alguns jogadores claramente tiram mais 20s que outros?
20, não sei, mas por aqui temos um campeão em “1″. Normalmente ele tira dois ou três por sessão e, mais de uma vez, dois “1″ seguidos. Juro! Foram as cenas mais ridículas e engraçadas de nossas campanhas…
(Ele se diz tocado por Beshaba! XD)
@balard,
Se tem uma coisa que aprendi na minha longa “carreira” de mestre, é que existe sorte (e má sorte também). E como existe!!!
Tenho um amigo famoso por suas falhas críticas regulares (Seja Gurps, 2020, Rifts, D&D… não importa). Ele sempre consegue a falha crítica, as vezes duas ou três em seqüencia e no momento menos adquado! A gente até usa o nome do pobre como adjetivo pra dizer que fulano ou cicrano está especialmente azarado. Mesmo ele não jogando conosco há algum tempo, ainda hoje dizemos “hoje beltrano está karizado”. Hehehehe.
Agora, há um outro especialista em sucessos. O danado já conseguiu ter três sucessos decisivos seguidos… em Gurps! No Rifts era absurdo, o fdp conseguiu 6 (isso seis) vinte seguidos! Em storyteller toda rolada de dados sempre sai no mínimo com um par de dez, no cyberpunk sempre ganha dado extra, no d6, sempre tira 6, em Tagmar, conseguiu dar 20/20 em um dragão e fez o bicho sangrar até a morte com um golpe só… É de longe o cara mais sortudo que conheço. Só vendo para crer!!!
@balard,
Só para ilustrar, a chance de se tirar 20 em 1d20, é de 5% (1/20). A chance de se tirar 3 em 3d6, é de 0.463% (1/216)e de 4 em 3d6 (que em Gurps é crítico também se a perícia for melhorzinha), de 1.389% (3/216)!
Falando em 20…
Agora parei para lembrar que ontem (29/06) meu personagem estava envenenado e eu falhei em oito saves throws seguidos.
Ele ficou inutilizado por oito rodadas.
Cheguei em casa, peguei minha calculadora e fui calcular a probabilidade disso acontecer, dava cerca de 0,17%.
Coisas do rpg…
já teve sessão que eu rolei três acertos críticos consecutivos.
@Pedro Gabriel,
Eu acho que aquele primeiro gol dos EUA foi um 20. Aquele gol de canela ter entrado só pode ter sido sorte.
@André,
Uma vez em D&D (faz tempo) tiramos oito 20’s seguidos. A má notícia é que não estava valendo.
O mestre vendo nossa “mão boa” aumentou o nível da aventura e morreu todo mundo Moral da estória: não gaste sua sorte à toa.
Na última mesa, eu como mestre, tirei três 20. E eu rolo aberto.
Vcs precisavam ver a cara dos players. Felizmente ninguém morreu.
Agora, como jogador, teve uma vez que fiquei dois encontros sem acertar quase nada. Felizmente sou defender e faço pouco dano mesmo, tava lá mais para segurar os monstros, mas isso ferrou meu jogo.
No meu grupo, o defender segura os monstros pra eles não chegarem perto dos ranged e o bárbaro vai correndo pra ferrar os ranged/controller deles. Os outros players fazem o possível para ajudar o defender e o bárbaro meio q joga sozinho.
@Tsu, o incrível é que a maioria dos jogadores que eu conheço quer jogar de striker. Aí o q pega leader sempre fica emburrado.
É igual futebol, todo mundo quer ser atacante. Ninguém quer ser beque
Eu sou a rainha das falhas. É sério – Nino fica tirando onda que eu devia fazer teatro, onde eu não tenho que jogar dados. ;P
[...] de um bom artigo do Danielfo do Pensotopia, intítulado como Rolando Vinte. O texto descreve um jogador que ao combater um dragão é afortunado com um acerto decisivo e [...]
A Riana já tirou 4 x 20 seguidos o.O
Pior, pra matar um monstro vários níveis abaixo dela.
Independente disso, o post foi ótimo, mais uma vez parabéns! =)
@Gran Kain,
Estas coisas acontecem…Lembro de uma vez ter surpreendido o grupo com um Lich. E a sessão a acabou. Durante a semana os jogadores planejaram como vencer o morto-vivo, já q eles ja´vinha de outras batalhas.
O líder do grupo imaginou o seguinte plano: “eu tiro um 20…depois tu dá um crítico…”
Passei 2 semanas dando risada com este plano idiota.
E não é que o plano maluco funcionou e Lich não conseguiu dar 1 de dano em ninguém.
rivalidade no grupo !!
so bullshit !