Faz um tempinho que não postava resenha de algum RPG por aqui por total falta de tempo, pois é mais rápido “parir” artigos da minha cabeça do que reler trechos dos meus livros para não errar na resenha. Tenho uma resenha do Robin’s Laws pela metade, também uma do “core book” de Rifts, e mais outra proto-resenha de Nobilis. Dei uma fuçada nisso aí este fim de semana, mas nada me animou. Resolvi escrever sobre um RPG de Star Wars, pois andei falando dele estes dias com o pessoal do meu grupo e estava com a idéia na cabeça. Demorei uns três ou quatro segundos para escolher se iria puxar da prateleira o d20 ou o d6 e o jogo da West End Games quase pulou na minha mão antes de eu puxá-lo: é meu favorito entre os dois!
Pois bem. O livro, de autoria de Bill Snith, tem 176 páginas, pontualmente exibindo fotos dos filmes clássicos para ilustrar aspectos do jogo. As gravuras não têm a qualidade das dos livros mais atuais, mas fazem bem seu papel. O livro é escrito em um inglês de fácil compreensão e as regras estão em linguagem direta e muito clara, não deixando muita margem para dúvidas (afinal, com o sistema d6 da WEG, não tem erro). O livro traz muita coisa baseada nos filmes originais, como equipamentos, veículos, raças alienígenas, descrição de planetas e etc. Tudo o que você precisa para jogar está no livro básico.
Cenário
Bem, você já assistiu Star Wars, não é? Sabe do que tratam os filmes, não é? Imaginei que sim. Pois bem, conhecendo ou não o universo expandido (as histórias à parte das exibidas nos filmes), creio que não seja necessário explicar a que passo andam as coisas no jogo.
Portanto, no espaço em que geralmente eu dou uma visão geral do cenário, vou me ater a dar meu testemunho de que no Star Wars da West End Games, se alcançou grande sucesso em transpor o “feeling” das telas para a mesa de jogo. O sistema e o cenário têm uma excelente sinergia e isto é especialmente verdade quando se está jogando no período do Império ou da Nova República, embora possa dizer aqui por experiência própria que o jogo também manda bem no quesito Velha República.
Sistema

Minha coleçãozinha #1.
Resolver as ações no sistema d6 é bem simples, basta rolar os dados e comparar o resultado com a dificuldade. Os atributos são “força”,“destreza”, “percepção”, “conhecimento”, “técnica” e “mecânica” (creio que os nomes já explicam tudo) e cada raça tem uma escala base para eles (no caso da humana, por exemplo, os atributos variam de dois a quatro d6, que progridem com bônus de +1 e +2 intercalados – ou seja, 2d6, 2d6+1, 2d6+2, 3d6, 3d6+1…). Cada perícia é computada com a mesma fórmula, de modo que você soma a quantidade de dados do atributo com a da perícia e rola tudo de uma vez.
O sistema d6 também é conhecido às vezes por “sistema do dado selvagem” (eu mesmo o chamei assim por anos). Isto por conta de em cada teste você escolher um dos dados da parada (preferencialmente de cor distinta dos demais) e este dado indicar resultados aleatórios decorrentes do teste. Este resultado pode variar de efeitos meramente diversos do esperado, mas bons, a falhas críticas desastrosas.
O combate é muito rápido, muito simples e também muito divertido. Todo tipo de ataque tem um valor de dificuldade próprio e este valor é substituído pela “defesa passiva” do defensor ou substituído por sua “defesa ativa”. Quando alguém é atingido, a diferença entre o resultado do teste de dano e de defesa (mais ajustes decorrentes de armaduras) é comparada com uma “tabela escalonada” de dano, que informa os efeitos. Neste jogo, o dano é muito perigoso para os personagens, pois a maioria dos armamentos é capaz de derrubar um humano médio com apenas um disparo (lembra dos “Stormtroopers” invadindo os lugares e caindo às turras, cada um levando um tiro só?).
Todos os personagens no jogo têm “pontos de força” e o jogador pode utilizá-los para dobrar todas as características do personagem por um turno (Luke, use a força! Hehehehe). No entanto, nem todos os personagens são “sensíveis à força”. Os personagens com sensibilidade à força começam com dois pontos de força ao invés do normal, que é um, e não tem limite para o número de pontos, ao contrário dos demais personagens, que podem contar um máximo de cinco pontos de força.

Minha coleçãozinha #2.
O problema dos personagens sensíveis à força é que inicialmente são bem mais fracos que os demais, a exemplo do Luke no comecinho do episódio 4, pois eles usam pontos que seriam utilizados em atributos e perícias, no momento da criação do personagem, para pagar pela sensitividade à força. Além disso, há a questão do lado negro e o lado da luz. Enquanto personagens normais ganham pontos de lado negro apenas quando fazem algo de reprovável utilizando seus pontos de força, os personagens sensíveis à força ganham estes pontos sempre que fazem algo egoísta ou maldoso, quer tenham gasto ponto normais de força para tal ou não. Isso ilustra bem a questão de o lado negro ser mais fácil e rápido de ser trilhado, pois quem é sensível a força e se entrega ao mal, ganha pontos de lado negro em uma velocidade assombrosa.
Conclusão
Este é um excelente jogo para fãs ou não fãs de Star Wars. O sistema é fácil de mestrar e simples de ser compreendido pelos jogadores, eu diria até que é um bom jogo para se ensinar alguém a jogar RPG, pois o jogo é fácil de pegar e traz um cenário no mínimo vagamente conhecido por quase todo mundo.
Conforme os atributos vão crescendo ao longo da campanha, algumas pessoas menos providas de talento matemático podem ter problemas para somar os valores das jogadas, o que tira um pouco do ritmo da ação e pode deixar as coisas mais lentas, mas mesmo assim não é nada demais. Outro “problema” é a iniciativa, que é rolada para cada grupo envolvido na ação ao invés de ser testada individualmente, mas isto é facilmente contornável (basta combinar com o grupo). Fora isto, não vejo pontos negativos no sistema, que em geral é muito bom e só precisa de um toque pessoal aqui e acolá para ficar mais ao gosto do grupo que está jogando.
Enfim, excelente jogo, muito bem apresentado, em minha opinião, bastante superior ao d20 (exceto graficamente, claro) e, superados alguns probleminhas, recomendável a qualquer um que goste de ficção ou simplesmente queira dar uma escapada da fantasia medieval ou dos vampiros da vida.

Comentários (17) »
Nossa de segunda as coisas são meio paradas… quase sempre sou o primeiro a comentar…
Bem desculpe a ignorancia, mas eu boiei no significado dos atributos “técnica” e “mecânica”…
Mesmo você considerando esse sistema superior teremos uma resenha da versão d20? Espero que sim!
Gosto muito das suas resenhas, gosto de conhecer jogos novos. Pena não ter muito tempo, só eu no grupo querer experimenta de verdade cosias novas e o principal impedimento, só eu vou atrás e leio para mestrar…
Bem espero as próximas!
Velho e Bom Star Wars. Tenho saudade das minhas antigas partidas como parte da tripulação da Secular Eagle, a segunda nava mais rápida da galáxia.
@Arquimago,
Pois é, segunda é tudo quase parando.
kkkk
Técnica representa o quanto o personagem é bom em utilizar tecnologia em geral. Mecânica se relaciona com controle e reparo de veículos, maquinário e coisas relacionadas. São no fim das contas atributos pouco ortodoxos mas adequados ao jogo e que levam jeitão de perícia.
Tenho livros do d20 e eventualmente deve sair resenha. Não se preocupe!
@Danielfo,
Segunda nave mais rápida da galáxia é ótimo!
kkkkk
@Luiz RGF,
É uma pena que não poderia entrar neste seu grupo de Star Wars. Este tinha vontade de jogar de novo.
muito boa a resenha! se possivel, gostaria de ver uma comparação entre este e o SAGA, acho q seria muito elucidativo (acho q se escreve assim, ehehe)
Aew Luiz. Excelente resenha cara. Deu vontade de jogar.
Este ano joguei umas aventuras no sistema SAGA, putz velho, no way! Campanha lvl 5-8. Pra morrer, só se for com a estrela da morte disparando no cara. As lutas com sabre-de-luz simplesmente perdem a magia.
Depois vou dar mais uma pesquisada nesse sistema. E o “dado selvagem”, lembra muito o “check digit” usado no InNomine da SJG.
Valeu
o/
@rafael beltrame,
Cara, o Star Wars Saga não me apeteceu… hehehe.
Eventualmente vou acabar comprando o livro para posteridade (ímpeto de colecionador é f***). Mas sei que será dos livros de RPG que vou adquirir e não jogar. Bom, ao menos vai servir para resenha. :p
@Danielfo,
Rapaz, hoje fui ver Extermindor e nas conversar rpgísticas de praxe se decidiu que o próximo jogo que vamos encarar (em parte por lobby de Rodolfo e em parte por conta da resenha – hehehe) vai ser Star Wars.
Sempre jogamos no sábado, quem sabe você não pega um personagem secundário e joga de vez em quando para matar a saudade. Tudo indica que vamos de nova república com um grupo de caça-recompensas.
@Rodolfo Wiioshiki,
Pois, também não me animei muito com o Saga. Meu gosto é mais clássico.
kkkk
InNomine, boa pedida…
Fala Luiz! Bela Resenha! O SWD6 é desde sempre o meu sistema favorito. Nem o AD&D me fez gastar tanto dinheiro com RPG quando o SW. Resultado? Uma coleção de mais de 20 livros! Muito bom! \o/
Na resenha uma coisa que me saltou aos olhos, mas ao mesmo tempo não tenho certeza para apontar como equívoco.
O “Wild die” é adicionado ou na verdade é um dos dados do rolamento que deve ser lançado com cor diferente? Não me lembro de termos de adicioná-lo ao teste!
No mais, um grande artigo! Bateu o Pendragon que era o meu favorito anteriormente!
Abraços
@Antonio Sá Neto,
Cara, sua coleção deve ser muito legal, poste umas fotos! Quer ver!!!
Eu só dei uma geral no livro para a resenha e escrevi conforme me lembro que jogava. Não tive tempo de ler tudo novamente, mas assim que chegar em casa hoje de noite vou pegar o livro e conferir.
Vou ver se na regra oficial o dado é um dos da parada ou um extra. Eu sempre utilizei um extra, cujo resultado não era somado e que servia apenas para o efeito aleatório. Mas não lembro se isso era regra minha ou do jogo, pois tenho mania de mudar os sistemas para refletir meus gostos. :p
Mas como a resenha tem de refletir o oficial, seu comentário é muito pontual e vou emenda-la se necessário.
Um abração e valeu por apreciar os artigos!
@Antonio Sá Neto,
Ah, como meu grupo está querendo jogar Star Wars depois da minha campanha atual de Dragonlance (que já está no último arco de eventos), encomendei o Star Wars 2nd Edition Revised and Expanded.
Excelete meu amigo! Estou ansioso pela próxima resenha e torço por uma do Star Wars d20!
@Angus,
Tambem espero uma do sw d20!!!
@Arcanjo,
Vou rolar “willpower” e saindo um decisivo providencio isso.
kkkk
:p
[...] preparando uma campanha de Star Wars e enquanto lia novamente o livro básico, me lembrei de uma das coisas que mais é criticada no sistema da West End Games: a preocupação [...]