Resenha: OG – Unearthed Edition

untitled-1OG: Unearthed Edition é um jogo de RPG vendido em formato de livreto em que os jogadores encarnam homens das cavernas e passam apuros em decorrência das dificuldades de comunicação. O jogo é de autoria do consagrado Robin Laws (autor de, entre muitos outros, do estupendo Robin’s Laws of Good Game mastering – resenha em breve) e tem texto simples, sistema minimalista mas intuitivo e a arte divertida, tudo formando um conjunto muito legal.

Cenário

Em Og, o jogo se passa na idade da pedra e cada jogador assume o papel de um homem das cavernas. A idéia da coisa é brincar com a dificuldade de comunicação dos homens primitivos, de modo que cada personagem dispõe de um vocabulário mínimo e que não necessariamente tem palavras em comum com o dos outros. Nesse mundo primitivo, há dinossauros, coisas grandes e carnívoras mas que não são necessariamente dinossauros, outros homens das cavernas e várias outras coisas, todas sem nome, mas que em geral você vai querer matar e comer (ou das quais vai correr).


Se você já assistiu algum filme sobre a pré-história (especialmente se assistiu uma comédia), já tem uma perfeita imagem de como é o ambiente do cenário. O resto é comida ou não-comida. Falando em comida e não-comida, o livro traz um mini bestiário muito legal, com mamutes, tigres dente de sabre, dinossauros de toda sorte e etc, todos nomeados dentro do reduzidíssimo vocabulário que pode ser dominado pelos personagens.

Sistema

Ok, todos os personagens são homens das cavernas. Mas nem todo homem da caverna é igual. Og, veja só, tem classes. Há homens das cavernas eloqüentes, velozes, fortes, sabidos, durões e muitos outros. Cada classe da alguma vantagem ao personagem e a primeira providência do jogador é escolher qual o seu tipo de homem das cavernas. O eloqüente, por exemplo, recebe palavras extras em seu vocabulário e o forte leva mais jeito para erguer e carregar coisas.

Escolhida a classe, cada jogador rola 1d6 e soma dois ao resultado. Este é o número de palavras inicialmente conhecidas pelo personagem, que deve escolher a quantidade apropriada de uma lista de 18 palavras. No jogo, o jogador pode se comunicar apenas através das palavras que seu personagem conhece e de gestos. Depois disso o jogador rola para determinas seus pontos de “Ugggh” (os pontos de vida), ataque, dano, evasão e habilidades especiais. Dependendo da classe do personagem, os valores de teste das características sofrem uma grande modificação em relação ao valor básico.

Para fazer um teste basta rolar 1d6. O 1 sempre significa falha crítica (que em Og deve ser o mais desastrosamente engraçada que for possível), enquanto o 2 é uma falha normal. Se o personagem tem habilidades relevantes à ação pretendida, ele é bem sucedido com 3,4,5 e 6. Se não tem, ele só obtém sucesso com um resultado 5 ou 6 no dado. O combate se resume ao de sempre: role iniciativa, role o ataque e reduza o dano (usualmente 1) do total de pontos de “Ugggh” do oponente.

Conclusão

Este é um jogo muitíssimo divertido, ótimo para jogar vez por outra e desopilar com o grupo. É muito jóia ver os jogadores se virando para trocar idéias sem dispor do vocabulário apropriado ou esperneando para tentar  alertar os companheiros de algum perigo com um vocabulário de três ou quatro palavras. A dificuldade na comunicação gera muitas situações engraçadas e divertidas.

É um grande jogo de comédia, facilmente recomendável a qualquer um. Aqui no Brasil, encontra-se com facilidade o “Terra de Og”, que é a versão antiga do Og: Unearthed Edition, por apenas R$5,00 ou R$10,00, uma merreca! O “Terra de Og” traz basicamente a mesma premissa, salvo por algumas diferenças pequenas nas regras e alguma coisa da ambientação a menos (de fato, ia fazer a resenha dele, mas acabei optando pelo material mais recente). Portanto, não ter acesso a jogos importados ou não dominar o inglês não é desculpa para ficar sem jogar na idade da pedra.

Comentários (6) »

  • Esse jog é muito engraçado. É bacana o vocabulário básico que o personagem começa.

    Eu tenho o Terra de Og que deram no finado Sampa RPG… :D

  • Danielfo diz:

    Bem que vc disse q o tamanho do texto iria ser proporcional ao tamanho do livro. Bem legal o livro e ainda há quem pense que não dá para se divertir quando não dá pra se comunicar.

  • Luiz RGF diz:

    @Danielfo,

    Pois é Daniel. Quanto menor o jogo, menor a resenha! Se meu tempo encurtar mais vou começar a apelar para Mulheres Machonas e congêneres.
    hehehe

  • Daniel diz:

    Caracoles, esse jogo deve ser muito engraçado.

    Já imagino as situações escrachadíssimas com a galera imitando uns broncos que só falam algumas palavras e descem o tacape pra cima de monstrengos.

    Opa, isso não é D&D? =O

  • Eu pensei que isso fosse Vampiro Daniel? A descrição de um herói OG é a cara de um Brujah, Gangrel, Assamita, ou Samedi (Quietus?), ou qualquer um do Sabá!

    Falar pouco e bater muito!

  • [...] Por aqui temos Terra de Og, supercerveja mesmo, feito a partir do Og original, lançado em livreto em um encontro em são paulo em 2002. O original já tem sua unearthed edition lançada e ja resenhada claramente pelo Luiz da pensotopia. [...]

Publicar um comentário

XHTML– Allowed tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>