O Comum é incomum

brueghel-tower-of-babelNestes tempos de reforma da Língua Portuguesa (que só o Brasil se apressou em fazer) estamos ainda confusos com as famigeradas novas regras. Enquanto uns defendem-na por representar avanços na unificação da língua de Camões, outros acreditam se tratar de medida inoportuna, mais em sintonia com interesses econômicos das Editoras do que com as culturas locais.

Enquanto os lusófonos debatem, os rpgistas não se preocupam com isto. Tudo é bem mais simples no nosso reino. Em campanhas de Sci-Fi, basicamente só existem dois idiomas na Galáxia, “A língua humana” e “ A língua alienígena”. Apesar dos Dróides de Protocolo conhecerem mais de dez mil delas, uma parca meia dúzia é mostrada. Se sua raça não fala “humanês” ou “alienês”, é porque deve ser muito exótica! Em Star Wars, os mais famosos exemplos são Wookie e o Ewok. O restante das raças acabam tendo mais uma variação no modo humano de falar (como Yoda e Jar Jar Binks) do que uma língua materna.


Já nos mundos de Fantasia Medieval, surgem muitas raças díspares. Cada uma com seu vernáculo, comum a todos os povos desta raça, apresentando poucas variações regionais, de forma que qualquer falante desse compreenda quaisquer outras variações lingüísticas sem maiores dificuldades. Em D&D, 1ªedição, existia a “linguagem do alinhamento”, uma forma de comunicação corporal que abarcava todos os seres de mesma tendência. Mais “antibabel” impossível, era quase uma conexão cósmica, foi abandonada na edição seguinte.

Esta inverossimilhança se deve a simplificação na maioria dos jogos e estórias. Isaac Asimov, em um dos seus contos sem-robôs, fornece uma boa explicação para uma linguagem universal. As crianças eram todas alfabetizadas por máquinas, que estimulavam os neurônios, fazendo que todas aprendessem a ler automaticamente, isto matou todas as outras línguas, deixando uma única na Terra e nas colônias terrestres. O inglês se tornou a língua oficial do Universo. E no cinema!? Já percebeu como todo E.T sabe falar inglês? O trabalho do Centro de Cultura Americano Alienígena esta cada dia melhor!

Por outro lado, é possível sofisticar, sem se perder em complicações. É sempre mais charmoso encontrar línguas antigas inscritas em velhas construções. Nos “Reino Esquecidos”, o Comum dos humanos foi precedido pelo Thorass, o que dá uma idéia de evolução lingüística. No mundo do Senhor dos Anéis, os elfos tinham várias línguas que foram se desenvolvendo (Quenya, Sindarin, Telerin) e os homens tinham as deles próprias. O velho J.R.R era lingüista e não ia deixar este detalhe passar batido.

kirkguide

Ele nunca teve problemas de comunicação

Mas até que ponto ramificar a “Língua Comum” de D&D? É improvável que povos que vivam isolados e distantes culturalmente mantenham o modo de falar após séculos. O baixo-Latim conseguiu se despedaçar em tantos pedaços quanto nações desde a queda o Império Romano, num intervalo de alguns séculos. Quando visitei o Museu da Língua Portuguesa, achei muito engraçado duas visitantes, prováveis alunas de Direito, se surpreendendo ao descobrir que o Latim Jurídico que elas estudavam, deriva do Latim vulgar e não do Clássico, um balde de água fria no ego aristocrático-bacharelesco.

Os povos de mundos de fantasia são muito isolados e seria bem possível existir uma miríade de línguas distintas ou aparentadas. O Mestre poderia escolher os reinos principais ou localidades geográficas e definir para tais, línguas predominantes. No jogo Exalted, a divisão idiomática é regional e cultural, cada região tem uma linguagem majoritária (na minha ambientação própria de AD&D, Aexis, há doze línguas humanas).

O único problema realmente sério das línguas faladas e na questão da representação escrita. Nem todas línguas possuem formas escritas e nem todas formas escritas têm Alfabeto próprio, muitos idiomas compartilham o mesmo. Alguns pergaminhos mágicos* poderiam ser lidos por alguém que não soubesse aquele idioma, mas conhecesse o alfabeto.

alfabets1Mesmo que em sua campanha a quantidade de idiomas seja muito vasta, ela poderá ser reduzida em termos de jogo. Uma crônica inteira poderá se passar em um só reino ou pequena região, na qual haja somente um idioma corrente. Nestes casos, o mestre deveria alertar os jogadores sobre os sotaques locais. Um viajante experiente poderia identificar a procedência de qualquer um, apenas ouvindo a pronúncia de algumas palavras, um guarda esperto perceberia que soldados disfarçados falam com sotaque do reino vizinho, o que levantaria suspeitas sobre um aparentemente perfeito plano de ocultação. O mestre deveria considerar que cada cidade, vila ou aldeia possui um sotaque típico. Sotaques de habitantes de grandes cidades apresentariam variações internas, o distrito do norte falaria mais rápido do que o do Sul ou a classe nobre tem um tom de voz diferenciado em relação à casta dos artífices.

Aprendendo Novos Idiomas

A consequência mais prática no RPG é a forma de aprendizado das novas línguas. Os personagens dificilmente saberão todas, mas no decorrer do jogo poderão dominar outras. Você poderá fazer este domínio surgir em etapas conforme sugerido abaixo, evoluindo a cada teste de Inteligência bem sucedido:

uma semana

Apenas frases podem ser ditas (nada de verbos).Não sabe escrever.

uma quinzena

O personagem conhece os verbos, mas não as conjugações. Todos os verbos usados estarão no infinitivo. Sabe ler e escreve algumas palavras isoladamente, mas ainda é incapaz de escrever orações.

um mês

Domina o idioma, contudo só se comunica por meio de orações de sentido literal, Escreve com muitos erros de conjugação.

um trimestre

Compreende o sentido conotativo das frases. Ainda não entende expressões locais. Já lê e escreve bem.

um ano

A linguagem local, dialeto, gíria e expressões regionais estão assimiladas. Escreve com domínio completo da língua básica.

Sotaque

Para cada quantidade de meses equivalente a Sabedoria do personagem, em que este viver em contato com um grupo ou povo diferente do dele, há uma chance deste assimilar permanentemente o sotaque daquele povo. Um pc de Sabedoria 10 faria testes a cada dez meses.

Um teste de Carisma é feito para preservar o sotaque original, em caso de falha no teste perde-se o sotaque. Um indivíduo só pode possuir um sotaque de cada vez. Para recuperar o sotaque nativo a regra é a mesma, mas o teste de Carisma poderá ter uma falha automática se o jogador desejar (o chamado das raízes). Peritos em idiomas ou em disfarces podem reproduzir os sotaques das línguas que saibam falar. Um imitador perfeito poderá confundir até um especialista em idiomas.

Assim como a casa é o nosso lar concreto, nossa língua é o nosso lar abstrato. A nossa forma de falar é a nossa carteira de identidade cultural. Quando um povo se sobrepuja sobre outro o reflexo é ouvido e lido. Ter orgulho do próprio vernáculo é símbolo da força cultural, mas isto só pode ocorrer se houver diferenças (mesmo que de sotaques). A língua é viva demais para se manter tão estática no RPG. Viva a diferença e quando voltar para casa veja como fala!

* Em AD&D, pergaminhos de clérigos são feitos em linguagem comum e mágicos nas runas dos magos.

Comentários (32) »

  • Allana diz:

    Eu acho esse lance de idiomas diferentes muito legal – em um jogo de Daniel, houve um momento em que passamos por um portal e ninguém entendia o que eles estavam falando lá (porque era a capital de um outro reino, que falava um idioma diferente do lugar onde estávamos).

    E em um finado jogo de Exalted, também aconteceu uma coisa legal: os personagens moravam na Ilha Imperial, e quando “despertaram” tiveram que fugir de lá. E advinha: quando chegamos nas outras terras, a pobre da fazendeira que nem sabia ler não tava entendendo nada. E um outro npc ainda tentou dar em cima dela… :P Foi muito engraçado.

    Em resumo, eu acho interessante respeitar diferenças culturais entre reinos e lugares diferentes – uma língua sempre é um reflexo de processos históricos vários pelos quais um povo passa; e se em reinos de fantasia, que normalmente têm uma história tão rica, não houvessem diferenças, seria até difícil de engolir. No entanto, eu entendo a opção de simplificar as coisas em um “idioma comum” -> Eberron tem até uma justificativa para isso, uma vez que todos os reinos que hoje compõem o continente principal já foram um só, e hoje, há diferenciações de sotaque entre os lugares.

    Ok, isso não é um comment, é uma carta. =P

  • Eu escrevo esporadicamente para o blog Rapsódia. Lá, um dos colegas postou sobre um assunto parecido, que pode ajudar no seu texto.

    http://rapsodiaanjosedemonios.wordpress.com/2009/02/15/reinos-e-idiomas-proprios-ou-abaixo-o-idioma-comum/

    Eu penso um pouco dferente. Acho que todo cenário deve ter a sua língua ‘universal’. Com um enorme sotaque e com dificuldades para alguns povos, é claro.
    Exatamente como acontece com o mundo real. Ou você conhece alguém que não sabe falar nada mesmo de inglês?

  • Elisa diz:

    Eu gosto de abordar línguas diferentes em jogos. Dificuldades de comunicação sempre dão situações ótimas, engraçadas e algumas memoráveis.

  • balard diz:

    A língua universal Comum ou galática costuma ser implementada da mesma maneira que o Latim(ou o inglês) foi. Uma império domina e impõe a língua deles. Que vira o Comum ou o Galático. Já na segunda edição eles mencionam esse método.

    Agora se vc reparar, mesmo o mestre das línguas Tolkien, não vemos uma confusão lingüística em quase momento algum. Gondor, hobits, Rohan, todo mundo fala a mesma língua. Mesmo os seres de outras raças sabem falar a língua dos homens com fluência. Até orcs falam língua dos homens, entre si! Vc não ter uma língua universal, gera problemas mais que soluções. Normalmente vc vai querer que haja problema de comunicação somente quando isso for interessante pra história(como no caso ali que o grupo entrou num portal e foi pra outro reino). Na maioria das vezes vc quer q os jogadores interajam com os npcs, sejam monstros ou gringos, e vice-versa. O simples fato dos goblins falarem goblim e conversarem entre si, tira um método padrão de passar informação obscura da campanha pros jogadores(que podem estar entreouvindo).

    A maioria dos RPGs trata línguas da maneira adequada. Uma língua universal pra amarrar, umas bizarras pra definir diferenças . Apesar de usar mais línguas na minha versão de eberron que a 4E, eu gosto da maneira que eles trataram. Se tentar botar muita “realidade” nas línguas, acaba virando filme de Hollywood, onde todo mundo sabe falar inglês :)

  • moloch diz:

    Q idéia de uma lingua geral se aplica muito bem se fizermos um paralelo com a nossa realidade. Quem fala inglês é quem precisa realmente se comunicar com outras pessoas. Não tem porque a fazendeira perder tempo da vida dela aprendendo idiomas de viajantes que so passam perto das terras que ela toma conta uma vez pra salvar o filho dela e outra pra descobrir o que esta acontecendo na região. O bom taverneiro lida com gente de todos os lugares, é bom para ele saber se comunicar em varios idiomas, ou ao menos na lingua mais comum que os viajantes usam. Um idioma comum é um bom ponto para um cenário, acredito que um deva existir, mas que este não seja obrigatório a todas as pessoas (sem mais idiomas brindes alem do racial/regional para os PJs =D ).

  • Allana diz:

    @Nordestinus, Nordestinus, vai por mim que tem. Tem muito nego aí que o que fala de inglês se limita a catchup, shoppig center e McDonalds. E tem gente que nem isso.

  • moloch diz:

    @Nordestinus,
    Eu discordo de você sabe (nada pessoal rsrs), tenho uma familia grande e da pra contar nos dedos quem sabe falar inglês (eu posso falar virtualmente o que eu quiser com meu Pai em ingês que ele não entender absolutamente nada!)

  • danielfo diz:

    Milhões de pessoas não sabem inglês, nenhuma palavra, e é a lingua mais universal que temos, com meios de propagação mais amplos do que qualquer outra na história da Humanidade. Mundos de fantasia não teriam para o Comum,tantas facilidades que o inglês-idioma tem. Numa abordagem Lamarckiana, mesmo que existisse uma origem em comum, o uso-e-desuso e o isolamento liqüidariam a uniformidade, muito além do sotaque.

    Outrossim, a abordagem do artigo, apesar da sua introdução similar a outros textos supracitados, não se limita a possibilidade de existir ou não existir uma língua universal, e sim as conseqüência desta existir no cenário ou não.

  • @moloch, Sei que muita gente não saber ler em inglês. Eu mesmo sei muito pouco e detesto quando sou obrigado a ler qualquer coisa.

    Mas usando um exemplo básico do meu pensamento, se você chegar ao seu pai e disser “I Love Voleyball”, ele entenderia o que?

    É esse tipo de entendimento básico que eu digo que existe.
    Não digo que todos saibam inglês, mas o inglês está presente no nosso cotidiano.

    Quantas vezes você ouviu o seu pai comentar sobre um jogo de ‘bola na cesta’? Tenho certeza de que Basketball ele conhece.

    Acho que assim esta melhor explicado. Não que saibamos falar, mas o idioma está infiltrado na nossa sociedade.

  • @Elisa, Só acho um pouco broxante personagens saírem de seu reino e não poderem conversar com ninguém da ‘terra distante’ por não conseguir entender uma palavra que seja.

    Mas limitações como, algumas palavras trocdas, sotaque e esses detalhes, podem ser muito interessantes de se trabalhar.

  • @danielfo, [Milhões de pessoas não sabem inglês, nenhuma palavra].
    Daniel, desculpe-me, mas tenho que discordar com veemência.

    Vide os nomes de esportes. Quantos deles você acha que derivam do português? Como disse ao Moloch, quantas pessoas você já ouviu chamando: Bola na cesta, bola no pé, bola na mão, bola na base. Internet, existe nome mais americano que esse? São coisas que todo mundo conhece, mesmo que não saiba falar inglês. As pessoas podem não saber conversar, mas com certeza ‘absoluta’ sabem muita palavras inglesas.

  • danielfo diz:

    Prova de quem nem todo mundo é um reino de fantasia onde tudo cai do céu!

    Existem muitas magias de idiomas para contornar problemas de comunicação. A questão é o grupo estar preparado e como mencionei no artigo, aprender novas palavrinhas.

    Dê um viagra ao seu vocabulário, não broxe quando não souber falar uma língua diferente da sua. Deixe os jogadores usarem a criatividade na comunicação corporal. A idéia é para quem quer fugir do trivial.

  • danielfo diz:

    @Nordestinus,
    Tenho que refutar sua contestação. O anglicismo não tem nada a ver com conhecer outro idioma. Quando vc pede uma tapioca e não um “pão não-fermentado à base de fécula de mandioca com adição de coco ralado” vc não sabe falar Tupi, vc está usando uma palavra de origem indígena, o que é beeeem diferente.

    Há uma diferença vertiginosa entre conhecer meia dúzia de palavras e compreender o idioma, Futebol é Soccer para os americanos, falar futebol pode gerar uma confusão neste caso.

    Minha sugestão, como vc deve ter lido no artigo, é fazer com que os personagens aprendam rapidamente o idioma de um reino distante.

    O que vc sugere, inclusive, já consta no meu texto. Em termos de jogo, vc pode exigir que os jogadores usem apenas palavras (sem verbos) para tentar se comunicar. Garanto que a aventura ficará bem desafiadora.

  • Daniel R diz:

    @Nordestinus, pergunta ao pipoqueiro se ele sabe o que significa Basketball, ou se ele sabe a origem do nome basquetebol.

    As expressões existem e as pessoas usam sem saber – isso não é entendimento básico do idioma de forma alguma.

  • Daniel R diz:

    @danielfo, parece que o Nordestinos não gosta muito de dificuldades na campanha rs

  • @Daniel R,Ok, continuo achando que eu me expressei muito mal.

    Se eu falar sobre basketball para o pipoqueiro ele não vai saber a origem nem o significado exato da palavra, mas vai ligar ela ao esporte [que numa situação desse tipo, é o que interessa].

    Com o exemplo da tapioca [hunnnn, adoro...] fica ainda mais fácil de explicar. Caso eu me perdesse no meio de indios que só falassem tupi e pedisse tapioca, tambaqui e côco, eu comeria bem [dependendo do humor deles, é claro hehehe] e se eu pedisse uma oca eu dormiria. Isso tudo sem saber falar tupi.

  • @Daniel R, Claro que gosto, aliás, tem mestre que não goste? hehe.

    Só acho que tem que se existir uma lingua universal que os personagens saibam o mínimo necessário para sobreviver, assim como é o inglês para o mundo ou o tupi para o Brasil.

  • @danielfo, Você falou que discorda de mim, mas na verdade você concorda. Você disse com outras palavras o mesmo que eu falei acima, mas o ponto de vista é o mesmo.

    “As pessoas podem não saber conversar, mas com certeza ‘absoluta’ sabem muita palavras inglesas.”

    “Em termos de jogo, vc pode exigir que os jogadores usem apenas palavras (sem verbos) para tentar se comunicar.”

    Esse é o ponto correto. Concordo 100% com você aqui. Os caras não precisam compreender o idioma, mas algumas palavras simples [comida, água, dormir, cerveja, hidromel, prostitutas, etc] acho que eles devem saber…

  • danielfo diz:

    @Nordestinus,
    Entre haver comunicação (conhecer algumas palavras) e saber falar uma língua (se expressar fluentemente) é um longo caminho. Este foi o ponto que discordei de vc, mas posso estar sendo mais meticuloso do que vc. Talvez Allana ou Elisa possam dar uma ajuda neste ponto.

    No seu exemplo, de estar perdido Amazônia, foi bom vc conhecer palavras em tupi. Mas vc estava defendendo o contrário, que os índios soubessem algo em português. Mesmo sem eles saberem nada, vc pedindo tapioca para comer, uma oca para repousar, se saiu bem na aventura.
    Já pensou com seria sem graça, a aldeia de índios falando português com um sotaque fajuto.

    Sem mais nhen-nhen-nhen.

  • @Nordestinus, Danielfo.

    “Mas vc estava defendendo o contrário, que os índios soubessem algo em português.”

    Se eu repetir várias vezes as palavras que eu citei [côco, tambaqui, tapioca e oca] creio que qualquer índio entenderia, sem precisar falar ‘nada’ em português. Nada mesmo.

    Concordo no que disse sobre meticuloso. Acho que estamos pensando parecido, mas em níveis diferentes. Nada que vá gerar discussão além da conta, né :p!

  • Daniel diz:

    @Nordestinus, o pipoqueiro vai ligar a palavra ao esporte, mas geralmente nem sabe a origem. Tipo, ele sabe o que é um garçom e um guidão, mas porque ele estando na França saberia que essas palavras são de origem francesa?

    No exemplo da tapioca, repito: pergunta a uma pessoa menos informada (99% da população do Brasil e da maioria dos reinos medievais rs) qual é a origem da palavra tapioca. É mais provável que nem tupi ele saiba o que é. Se cair numa aldeia que fale tupi/guarani, duvido que lembre de qualquer uma dessas palavras.

    Ou seja, é muito mais provável que os yudenianos fiquem putos quando chamados de iaques (na minha campanha, é um pejorativo que os habitantes de outros reinos usam pra irritá-los), mas eles não sabem a origem da palavra (no caso, Valkar), logo não necessariamente conseguiriam se virar usando a palavra em outros reinos.

  • Daniel diz:

    @Nordestinus, mas para ter o mínimo necessário para sobreviver não é necessário um idioma global como o comum, certo?

    Um personagem de um grupo que mestro era de outro reino, então convencionamos que os personagens sempre entendiam uns 40% do que ele dizia e sempre que era divertido (mas não o tempo todo), fazíamos situações em que o idioma gerava coisas engraçadas. (eu vou te fatiar com minha margarida!)

  • @Nordestinus, Hehe. Só agora entendi o que você quis dizer com ‘origem’.

    Sim sim, nesse ponto eu concordo sim. O pipoqueiro pode saber sobre o esporte, mas não precisa saber que a palavra é inglêsa.

  • @Nordestinus, Esse é o ponto. Esses 40% [que eu ainda acho muita generosidade. Eu opitaria por uns 20 ou 15%] é o que eu acho que serve como idioma universal. Nem todo mundo entende uma frase inteira, mas o básico da conversa as pessoas entendem.

    “eu vou te fatiar com minha margarida!” Com certeza é bem engraçada para nós que sabemos o significado [e deve ter ficado hilário na sessão], mas mesmo sendo cômico a frase deixa bem claro que alguém está prestes a atacar alguém.

  • Danielfo diz:

    Ótima discussão e no fim o q ficou?
    - Vc pode ter um universo, mundo, reino com o mesmo idioma? SIM
    - Vc pode ter um universo, mundo, reino com muitos idiomas? SIM
    - Vc pode ter um meio-termo disto? Claro.
    - É realista um mundo medieval com uma língua única? Não.
    - É possível num mundo futurista haver uma língua universal? Certamente.
    - Vc precisa ser tão realista nas suas campanhas?Não, só se não lhe atrapalhar.
    - É preciso ser fluente em outra lingua para haver comunicação? Não, mas ajudaria bastante.
    - Colônias tendem a ter línguas uniformizadas, com pitadas do idioma nativo? SIM.
    - As metrópoles tendem a ser influenciadas por idiomas das colônias? Sim, pois muitos insumos chegam das colônias, mas em grau menor que o contrário.
    - Reinos próximos,possuem idiomas parecidos? Mentira, vide Europa.
    - É fácil conhecer outra língua? Não é, só mesmo quem tem negócio.

    ufa! Tudo isto para gerar um post 25

  • Conclusões bem feitas. Acho que, lendo assim, com mais simplicidade, não há como discordar…

    E parabéns ao Danielfo. Posts que geram discussões e posts com puras opiniões são os melhores…

  • Danielfo diz:

    @Nordestinus,
    E parabéns também pela participação! Suas palavras deixam claro que é possivel haver embates sem que ninguém saia ferido. Muita gente já devia achar que seríamos inimigos.

  • @Danielfo, Você só tá falando isso por que não recebeu o envelope com Antrax que mantei pro seu endereço… hahaha

    É isso mesmo. Discussões são sempre boas, desde que não gerem confrontos particulares e sim de idéias. Quem ganha são os leitores e o RPG em si.

    Até o próximo post…

  • Sir Ollam diz:

    Não sei se cheguei meio tarde para falar, mas nós nunca fomos muito a longe com idiomas diferentes em cenários medievais, apesar de tudo. Nossos PC´s de AD&D eram poliglotas natos e nossos garus sempre tiveram muitos pontos de idiomas, para incômodos ocasionais ;-)

    Não sei não, se o GM não souber administrar muito bem o jogo não fica chato e cheio de pessoas que não se compreendem? Por outro lado, e se for como Guerra nas Estrelas, em que os estrangeiros falam outros idiomas mas são entendidos? Não pouparia tempo?

    São apenas perguntas, haja visto!

  • Daniel diz:

    @Sir Ollam, eu não acho. Existem muitas situações divertidas que podem surgir dessa barreira, bem como limitações de plot úteis (você vai ter que ir no sábio da montanha pra ler este pergaminho), entre outras coisas.

    Se você achar chato que os seus jogadores não consigam se comunicar entre si, chegue pra eles e diga o que eu disse pros meus: “vocês entendem mais ou menos 60% do que o fulano diz, blz? Considerem sempre isso, mas podem conversar normal.” É a mesma concessão que se faz a personagens com sotaque ou uma voz rouca, eu vou lá exigir que o cara faça a voz rouca o tempo todo?

  • Danielfo diz:

    @Sir Ollam,
    A mágica do RPG é uma coisa linda. No caso da construção do grupo é recomendável que todos falem um idioma em comum. Outra coisa é que os jogadores no começo, vão viajar por regiões comuns a eles.

    Caso eles visitem outros reinos, de línguas diferentes, considere o tempo de viagem dentro deste reino como tempo de aprendizado da outra língua. Vc não narra, mas é possível que eles encontrem viajantes pela estrada, alguns pontos de parada, onde podem ir se familiarizando com o idioma.

    Isto apenas se o mundo for povoado de línguas diferentes.

  • Danielfo diz:

    @Nordestinus,
    Acho q não recebi pq a correspondência-bomba que te mandei pq ela explodiu acidentalmente a agência dos correios, o antrax foi junto!

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