
E adivinha quem são os monstros?
As almas de nossas crianças estão sendo destruídas! – alerta do Pr. Jairo Gonçalves aos pais, psicólogos e educadores sobre a influências malignas de jogos e desenhos animados nas vidas de nossas crianças!
O Alerta Geral para as hostes celestiais soou a 19 de março de 2009, no site www.assembleiadedeusnl.org. O pastor de Nova Lima ainda enfatiza a vigília dos pais contra um jogo chamado de RPG pelas deformidade que estes provocam no “caráter das crianças, quanto à formação nelas do espírito de justiça social, solidariedade, respeito e obediência aos pais e autoridades, amor e confiança em Deus-Pai.” Num ensaio típico, o religioso exorta o jogo pela influência esóterica que ele projeta, além da profunda sede por conhecimento místico obscuro que provoca nas crianças, principalmente na era dos MMORPG.
Além disto,um colega de trabalho me indicou o livro, pela livraria GREI (da Assembléia de Deus), “R.P.G- RolyPlaying Game Jogo que pode envolver demônios, assassinos e todo o reino das trevas“, escrito pelo obscuro Tony Glin, que confesso, de quem não achei nenhuma referência pessoal pela internet para saber quem ele é (desconfio que seja um pseudônimo).

Rolyplaygame! Preciso dizer mais o que?
Objetivo do livro é transformar os rpgistas em membros de alguma seita satânica, como se a fama de assassinos espalhada por aquelas reportagens da Globo já não fosse mais que suficiente para queimar eternamente o nosso filme. Agora lutamos para voltar a fama de apenas doidos varridos, mas inofensivos, que tínhamos no século XX.
O problema de termos uma instituição religiosa militando contra um hobby é que se trata de um assunto delicado de se lidar. Rpgistas podem ser de qualquer cor, origem, sexo ou fé. Para nós, não há problema algum nisto, muito pelo contrário, apenas ampliamos nossas possibilidades de cor,origem,sexo ou fé, construindo personagens para o jogo, sem que isto possa influenciar nossa cor, origem, sexo ou fé. Estudar mitologia grega não nós torna Cavaleiros do Zodíaco!!! Mas não é assim que certos líderes religiosos pensam!
Certamente jogadores de RPG de comunidades religiosas que contenham restrições à prática do hobby só terão duas opções, ou desistem do jogo e se convencem de coração que aquilo era do diabo, tocando fogo nos livros ou se desgarram, deixando de levar o que o pastor diz tão literalmente (e sofre as consequências sociais da opção escolhida). O primeiro aspecto negativo de se lidar racionalmente com pessoas de crenças radicais é que eles estão certos e você errado! Segundo, não temos o direito de ser ofensivos em relação a eles, sob pena de reforçarem a tese do “RPG jogo do Cão”. Já estes podem usar de todas as armas da oratória para lhe convencer ou convencer uma platéia de que você está se desviando da salvação. “Vencer” um pastor em um debate público é muito mais difícil( a sensação é que ele dobra todos bônus que têm no “combate”).
Sem querer gerar nenhum embate, jihad,cruzada, ou guerra santa, atento aos colegas de hobby que a oposição religiosa é tudo que não precisamos no momento, em 2005 as Assembléias Legislativas do Distrito Federal e do Espírito Santo foram palco da apresentação de projetos de Lei que restringiam a comercialização de livros de RPG, devido a supostos crimes onde o réu foi o jogo, não os culpados. Quem duvida do que eu digo confira o que consta no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais,sobre o caso da morte de Aline Soares:
“De acordo com o MP, ela teria sido assassinada pelos acusados, que eram praticantes do jogo RPG, sendo que os estudantes seriam usuários de substâncias entorpecentes e adeptos de seitas macabras, cujos princípios encontrariam amplo relacionamento com o jogo RPG. O fato teria ocorrido durante a chamada ‘Festa do Doze’ em Ouro Preto.”
Com base no trecho acima, qual foi o estopim do crime: as drogas; o álcool da “Festa do Doze”; a maldade satânica; ou o RPG?

Eu avisei para ter cuidado com os Rpgistas!
Só para ter idéia, uma das indiciadas pelo crime, Camila Dolabella Silveira, teve o primeiro pedidos de habeas corpus recusado, sendo o último só conseguido no STJ, apesar do parecer contrário do Subprocurador-Geral da República que atuou no caso. O que me levanta dúvidas, será que a garota era tão perigosa assim, a ponto de ter que ser mantida presa enquanto aguardava o julgamento? De maneira alguma acredito que ele deveria estar impune, mas minha dúvida é se as convicções religiosas dos membros do judiciário poderiam influenciar caso o réu ser “um jogador de um jogo satânico”?
Se por acaso a intolerância religiosa se altivar, novos projetos poderão surgir e quem sabe, virarem leis.Lembrem-se que a comercialização do RPG já é restrita, regulado pelo Ministério da Justiça, em virtude do trabalho do DD. Procurador da República Fernando de Almeida Martins (o mesmo que recentemente proibiu o game Counter Strike). Por isso colegas, se preparem para mais uma rodada nesta briga de Davi e Golias, que iniciar-se-á após o julgamento previsto para março deste ano, por Juri Popular, dos quatro acusados pelo crime de Ouro Preto/MG. Caso não seja adiado novamente, estaremos infelizmente na mídia de novo!
Informações adicionais:
- Cópia da Ação Civil Pública do MPF contra o RPG
- Rapaz tenta matar garota em jogo de RPG
- Inexistência entre o nexo causal entre o RPG e morte de Aline Soares
- Portaria nº1.100, de 14 de Julho de 2006-Ministério da Justiça

Comentários (24) »
Bem,
Certa vez eu fiz uma palestra no colegial (2º ano) para todo o colégio com o tema: “RPG e Wargame um Lazer exclusivo de poucos?”
Foi interessante que no final a palestra acabou por ficar girando em torno de “O que é RPG?”… Meses depois fiz uma segunda palestra com o tema: “O que é RPG?” e essa chamou mais gente ainda.
Isso fez muitas pessoas mudarem suas percepções a respeito do jogo, e alguns que diziam o jogo ser a “coisa do demo” acabaram por perceber que era justamente o oposto.
Na faculdade ainda não consegui a liberação do palco para poder fazer essa palestra, mas assim que tiver liberado irei também mostrar ao mundo “academico” o que é RPG. Só que dessa vez a coisa precisa ser embasada em livros… Mas já estou me organizando.
Abraços
Que medo deste tal de Errepege. Deusmilivre!!!
nao tem muito o que dizer, né? isso pra mim é falta de educação. até cansa, pensar numa resposta.
Sei lá, já fui vítima de preconceito por andar com camisa de banda de metal, ter carro preto com fumê preto e roda preta (é, o policial disse que me parou porque era suspeito…), ser espírita, mas nunca por ser jogador de RPG.
Sinceramente?
Esses projetos de lei são risíveis e se rolar alguma coisa mesmo, as editoras vão ter que ir atrás. Pra nós que só jogamos, é só ignorar que esses fanáticos religiosos são iguais aos trolls da internet, se não der atenção, eles desaparecem. Ou ficam lá só falando abobrinha pro culto deles.
Quantas lan-houses por aí vocês já viram sem Counter-Strike? Eu nunca vi nenhuma
Fizemos um trabalho grande no CEFET sobre RPG, foi bem bacana. Depois eu posto por aqui, se alguém tiver interesse.
Uma observação!
“O que me levanta dúvidas, será que a garota era tão perigosa assim, a ponto de ter que ser mantida presa enquanto aguardava o julgamento? De maneira alguma acredito que ele deveria estar impune, mas minha dúvida é se as convicções religiosas dos membros do judiciário poderiam influenciar caso o réu ser “um jogador de um jogo satânico”?
Sobre essa declaração, vale a pena esclarecer que até 2006 não tinha sido encontrado ( e duvido que tenha sido agora) NENHUM indício incriminando QUALQUER um dos acusados. O grande argumento da promotoria sobre a culpabilidade dos jovens é que os quatro acusados eram contumazes jogadores de RPG!!!
E, embora um deles declarar que era jogador e mestre de RPG (inclusive tentou pacientemente explicar o que é RPG nos autos), a própria Camila declarou mais de uma vez que não era jogadora.
Mas o importante é enfatizar que não há prova alguma sequer de que os acusados estivessem no local do crime, quanto mais se foram eles que o cometeram.
Hmem, posts logo isso, agora posts completo, porque tá todo mundo esperando as outras fichas…
É complicado tentar debater racionalmente com pessoas cujos argumentos são totalmente irracionais. Infelizmente, nossa justiça e nosso governo não são nada laicos, nesse paizinho católico-evangélico de terceiro mundo no qual vivemos. E se por acaso priibirem a comercialização de livros de RPG, vamos parar de jogar? As editoras não vão poder publicar RPGs como se fossem “livros de literatura fantástica”? E a internet, está aqui para quê? Sei que sou um dos poucos realmente a favor da distribuição PDFs escaneados (pirataria, mesmo!), mas essa pode ser a nossa saída (é a minha, por falta de recursos).
Maurício…. como sempre você é a exceção. Existe muito preconceito com jogadores de RPG. E mesmo que eu concorde que RPG não é um culto onde os jogadores tenham que trazer outros jogadores para o hobby, é nosso direito e dever defender nosso ponto de vista.
Se deixarmos por conta das editoras logo poderemos ser presos por gostar de um hobby sadio.
O que quis enfatizar é que o culpado(me refiro a ele, não a ela) não pode sair impune, e por isso entenda passar por todas as etapas de um julgamento justo sendo punidos apenas se for realmente culpado pelos atos praticados e não por suas opções de comportamento(a construção invertida ficou confusa, minha culpa). Agradeço a observação Jaime.
No caso específico deste julgamento pode ser que eles sejam inocentados por falta de provas e não por provas da inocência, isto se forem inocentados, em virtude do caso ir para Juri Popular e ter sido um crime que marcou a cidade.
Se a promotoria for irresponsável e quiser condenar à todos, basta associar os réus ao jogo e o jogo ao Diabo, o juri fará o resto.
Eu aguardo do desfecho deste caso, talvez a maior estória de RPG já contada!
Já arrumou a postagem de amanhã!
Eu já vi um grupo de RPG de 17 pessoas “morrer” por causa desses ataques. Para quem é de fora é muito fácil ignorar, já para quem está no furação…
É aquela coisa, quando nós éramos pirralhos, tomamos até banho de água gelada da vizinha chata, mas não era porque estávamos jogando RPG, mas sim porque estávamos perturbando a paz pública gritando feito loucos na calçada alheia.
Agora eu acho que ser preso é um negócio meio exagerado né
Mas esse grupo era de pessoas que participavam de cultos em uma igreja extremista por vontade própria?
Se for, realmente é difícil de s eesperar que o grupo não “morresse”. Mas eu nem botaria a culpa no pastor sabe, eu acho que a culpa é das pessoas que não são capazes de discenir o certo do errado e esperam que um outro alguém faça isso pra elas.
E bem, se elas não jogam mais, provavelmente foi uma coisa feita de forma consciente, por mais que tenha havido a pressão externa da “igreja”, eles poderiam simplesmente ignorar isso e procurar um lugar onde os ministros tivessem uma mente mais aberta e não faltam igrejas assim por aí não, especialmente as igrejas evangélicas.
Tem muita gente que fala que evangélico é tudo doido, que pastor é psicopata, mas as coisas não são assim não. Obviamente vão haver aqueles que atingem os extremos (assim como existem também nas igrejas católicas), mas também existem os moderados que são capazes de entender o que é um jogo de RPG e vídeo-game.
Pois é, rola de preconceito puro a discriminação descarada.
E se um dia esses projetos toscos de lei forem aprovados, poderíamos ser presos mesmo. Mas fica tranquilo, que se a gente for olhar, tem projeto de lei desde pra tirar 13º e férias da CLT quanto pra tornar a circuncisão obrigatória. =P
Sim, só complementando o outro comentário, eu não acho que o pre-conceito seja contra o RPG em si, mas certas atitudes dos RPGistas, como se vestir de “vampiros” pra ir a lugares públicos, jogar RPG em praças de almentação de shoppings gritando e perturbando a paz alheia (um dos shoppings daqui, inclusive, já teve que proibir o jogo na praça de alimentação por causa disso).
A maior parte das pessoas não sabe o que é RPG e termina dando de cara com essas criaturas bizarras que populam o meio e ficam com essa imagem de que RPG é coisa do demônio.
Não acho os jogadores de RPG bizarros, a maioria é de pessoas normais, que trabalham e estudam. Alguns podem adreir a um estilo, mas isso nem é pelo RPG e sim por um movimento social.
Você deve ter visto por exemplo que em diversos pontos do artigo o pastor não sabe diferenciar MMORPG de RPG e Card-Game. Isso é falta de informação e preconceito puro. Se você nunca viveu um preconceito por causa do RPG, acabou de viver agora lendo esse texto.
Esse tipo de atitude deve ser combatida. E cabe a nós que gostamos do hobby defender e não ficar em cima do muro.
Calma
Eu não disse que todos os jogadores de RPG são bizarros, eu disse que alguns jogadores se vestem e se portam de forma a causar abominação por pessoas “normais” intencionalmente e esse é o tipo de gente que normalmente é associada a RPG e vídeo games (as pessoas nem ao menos entendem o que é um card game e como ele se diferencia dos outros jogos).
São essas pessoas que causam o preconceito contra o jogo e não o jogo em si. Duvido muito que se não houvessem esses imbecis os pastores/padres/sejaLáOQueFor soubessem que jogos de RPG exisiam.
Preconceito com RPGista eu já vi! Só que como NERD, como crianção, como infantil e bitolado.
Acho que se RPGista tivesse fama de malvado isso acabaria sendo um atrativo (até as garotas que curtem bad boys hehehe) tipo Rock nos anos 60!
Abraços!
Só uma observação,irônica,por sinal:
No Livro está escrito – RolyPlaying Game.
Abaixo está escrito – RolyplayGame?…
Preciso dizer mais o que?
No mais,paro agora de jogar RPG se parte dos donativos das Igrejas ser depositada em minha conta bancária,claro,tudo por uma causa nobre!
Sigam-me os Bons!
Eu vejo a coisa por outro ângulo, quando uma tribo, religião, hobby, wathever é muito combatida, ironicamente ela tenda a crescer.
Alguns exemplos bastantes conhecidos são, os Cristãos (Católicos inicialmente e depois evangélicos), rock, e até os emos, que parecem se reproduzir mais que indiano sem TV em casa.
Logo quando eu vejo um Idiota (desculpem a expressão, mas é a adequada), critica uma coisa para ganhar meia dúzia de palmas de 3 babões de plantão… eu acho ótimo, porque constantemente as críticas exacerbadas atraem muita curiosidade e abrem espaço para respostas e etc.
Portanto se o senhor pastor Fulano da Silva, que nunca leu nada alem das “sagradas” escrituras, e os seus 1d6 lacaios, quiserem continuar criticando dessa forma, eu agradeço a publicidade… já é bem mais que a Devir consegue.
Sofrer preconceito de ordem racial ou religiosa é terrível e criminoso, e sofrer preconceito por hobbie é descabido. Na época em que eu era adolescente e jogava ativamente, minha família já possuía bibliografias de uma autora crente dizendo q RPG era do cão. Rebecca Brown dizia que ‘os clérigos do jogo são pastores do demônio”! Eu passava um ano tentando convencer q o jogo era algo bacana e uma editora safada cortava o meu barato em uma linha.
De qualquer forma, lutar contra o preconceito dos evangélicos fanáticos é uma batalha perdida, não adianta mesmo. Basta mostrar para as pessoas normais (isso, pq anormal não é o rpgista, e sim o fanático religioso) que rpg é um hobbie como pôquer ou dominó, só que com regras mais elaboradas.
Recentemente mudei minha opção religiosa, após ter contato com o candomblé tradicional da Bahia e, como esperado, sofro preconceito e levo nome de macumbeiro. Ou seja, agora não jogo o jogo do cão, sou o próprio.
O mais interessante na mudança é a impressão deixada pelo RPG. Sabem o que minha família crente e fanática comentou? “Ele já gostava de uns livros de montro quando era adolescente”..
Como se o absurdo já não tivesse limites, o exército de Israel está retirando jogadores de RPG dos cargos delicados do seu exército -> http://forum.clubedohardware.com.br/exercito-israel-dispensa/188123?s=e1531f7f6df6fee559db89911363aa82&p=1005553
Quando li a chamada da matéria até achei que fosse sério, mas logo vi que tudo não passa de mais uma manobra de alienação da IURD. Com um canal de televisão a serviço da manipulação mental deles, pouco me preocupa um livrozinho de merda lançada apenas nas livrarias onde só os paspalhos seguidores dessa seita entram. Falo com um certo conhecimento que as pessoas que seguem a IURD sofreram lavagem cerebral profunda e irreversível, moro bem ao lado de um estabelecimento comercial dessa corja, e o que vejo aqui é de dar ânsia de vomito. Pessoas que dificilmente recebem mais do que R$ 450 por mês deixando pelo menos metade desse valor, se não mais, nas mãos do “pastor” deles todos os meses, ludibriados por um demonio oniciente e onipresente, um demonio criado pela própia IURD, que está em tudo, de gibis ao cinema, da TV a música, e que precisa ser expulso da vida dos infelizes para que esses alcancem sucesso financeiro (o mote da seita é libertar os fieis para que esses tenham sucesso financeiro), para assim doarem ainda mais a IURD, e assim vai. Já me perdi no meu texto, mas o que eu quero dizer é, deixem esses idiotas pra lá, esse tipo de gente não merece atenção.