
Golem do concurso público
- Gustav seu tolo!!! Chamaste a atenção da guarda!
- Rá! A alabarda de Graythorn dará cabo deles mais rápido do que eles podem gritar!
- Vocês esquecem dos abutres que delatarão cada passo da nossa fuga ao feiticeiro que comanda esta cidade?
- A flecha de Gustav pode acertar as asas de um beija-flor! Ora Haramond, não se preocupe, são só mais uns soldadinhos de papel… – diz o guerreiro.
-O que não posso é compactuar com as violações estúpidas de ambos contra os costumes e códigos de cada cidade deste reinado!
- Tá,tá! Vá logo preparando umas daquelas suas magias de fogo, nesta cidade vamos precisar.
Esta introdução serve para demonstrar que nem sempre o BEM representa a ORDEM. Em virtude disto, ocorrerá que os personagens poderão estar à margem da lei local, independente da forma de conduta ou tendência que seguirem. Um mundo vasto e estranho apresentará vários aspectos legais e isto será um obstáculo à vida de aventuras, desafio tão grande quanto qualquer monstro.
Certos atos são claramente errados, outros obviamente malignos e alguns nitidamente caóticos, contudo a gravidade de tais atos ou as condições de punibilidade para algumas ações poderão ser muito diversas. Culturas diferentes teriam diversas abordagens para os mesmos fatos. Exemplos:
I) Matar criaturas da mesma espécie seria abominável, mas de outras raças permitido sob quaisquer circunstâncias;
II) Matar do próprio povo ou de raças aliadas seria permitido desde que em auto-defesa, mesmo que a auto-defesa seja preventiva;
III) Matar seria crime apenas em caso de um combate desleal, em duelos justos, sem problema;
Salienta-se que tais permissões legais (reguladas pela ORDEM) não eximem de maldade (ou neutralidade) os atos praticados. Caso as noções de certo, errado e dúbio sejam similares entre povos, aventureiros podem se envolver em confusões policiais já tencionando o que esperar das autoridades. Porém, dada à diversidade cultural, os heróis podem estar do outro lado da lei por vários motivos:
A) Opção pessoal e ciência do risco.

Apontar para mulheres é crime
O personagem conhece as leis e sabe das punições se for pego. O PJ poderá infringir as leis por estas o prejudicarem ou achar que tais são injustas. Leis que afetem as liberdades e o patrimônio da população costumam ser facilmente manipuláveis por uma tirania. Nesses locais, os aldeões honestos ficam à mercê de um regime corrupto, que impõe severas penalidades aos opositores. Quando personagens lutam para derrubar uma tirania, eles estão conscientemente se mantendo fora-da-lei.
B) Opção pessoal e incerteza dos riscos.
O personagem geralmente sabe que esta fazendo algo de errado, mas duvida que possa ser algo grave. Geralmente comete o ato por certeza da impunidade ou por saber que não vai ser pego fácil! Quando é apanhado, eis a surpresa, sofre uma dura pena! Muitas vezes ele acha a pena injusta ou desproporcional. Roubar frutas no bosque da duquesa, pena de morte! Matar uma dúzia de vagabundos, multa!
Nestes casos os personagens não enfrentam ou desafiam as leis, procuram fugir dela ou tentar reparar o dano com uma punição alternativa. A Duquesa do exemplo anterior poderia perdoar o “ladrão” caso os amigos encontrassem um diário de família, que se encontra em uma torre mal-assombrada. Para leis e costumes absurdos, é interessante o mestre justificar tal lei ter punição tão grave. A dura lex poderia advir do entendimento que um furto a posses de um nobre ser interpretado como uma desafronta a toda a Nobreza. Isto seria reflexo da influência e poder da classe alta naquela região.
C) Contra a própria vontade.

LIVRE!!!
Em alguns incidentes o personagem é levado a ficar contra a lei por conta de algum integrante do grupo, que faz algo errado e acaba arrastando todos na enrascada. Exemplo: Um bárbaro rouba uma tenda de frutas, é cercado por guardas e o grupo o defende. Acabam ficando por cúmplices e todos são vistos como criminosos.
Coação por algum vilão é outro. Forçados a cometer alguma infração, que de outra maneira não o fariam. Há ainda a possibilidade de receberem uma missão de alguém confiável, que não teria consciência dos fatos e ordenaria ao grupo cometer algo incorreto, supostamente em estrito comprimento do dever.
Nesse tipo de aventura, seja em qual cenário for, haverá sempre a possibilidade de muita interpretação e combates. Os jogadores terão seus dilemas morais confrontados entre eles e as habilidades intelectuais postas à prova, para resolver problemas em que nem magia, nem força ajudariam. Já o Mestre poderá usar a oportunidade para enriquecer o cenário, criar um gancho de aventura ou mesmo para iniciar uma crônica.

Comentários (19) »
Nossa o primeiro!
TExto curto, mas com ótimas ideias, e também fora do tradicional presente nos livros!
É bom saber que existe material assim disponível. A gente encontra cada atrocidade xDD eu mesmo já passei sufoco na mão de jogador pq eles mataram um ladrão e não queriam ser punidos. Esste tipo de detalhe complementa a história, torna o jogo mais envolvente e divertido – Quando os jogadores não são frescos =P
Depende um pouco do estilo do jogo. Tem jogador que acha que rpg é só matança de monstros. Quando a campanha envolve política, jogo de interesses e bons diálogos, o jogo fica muito mais interessante, pelo menos pra mim. Muito bom ^^
evanhenrique.blogspot.com
É um problema comum, aventureiros lidarem com problemas legais. Um reino rigoroso com com o cumprimento das leis pode ser um péssimo lugar para passar as férias. Infelizmente em jogos orientados à pancadaria fazem com que os jogadores desliguem o cérebro para aspectos mais realistas. Mas nada impede que existam “terras de ninguém”.
Droga, estou com mais idéias!
Preciso de tempo!! Tempoooooooo!!!
Mesmo em lugares “civilizados” podem haver aldeias onde a espada vale mais que a lei, ou cidades em que a lei pode ser distorcida por nobres, clero, ou qualquer pessoa que tenha poder (ou o poder de chantagear), como vc bem frisou nas leis da duquesa doida. =P
Também preciso de mais tempo! Vixe!
Se inspirou com a história do julgamento do Kender em Palanthas e a solução jurisprudencial encontrada pelo cavaleiro de Solamnia na minha campanha de Dragonlance Daneil?
Como sou operador do direito, sempre que posso incluo aspectos legais nas minhas campanhas. Não sei se ja te contei, mas na última de Lobisomem que mestrei, além de mim mesmo haviam quatro advogados na mesa. Lá para as tantas o pessoal começou a discutir o espírito da lei garou (a litania), a hermenêutica da coisa e também começaram a anotar precedentes para depois invoca-los quando necessário. E tudo em “on”, muito legal… contanto que você seja do ramo.
kkkk
Ótimo texto ;D
O negócio é sempre deixar claro que você vai cobrar a lei e a ordem dos jogadores dentro da aventura, porque todo mundo está acostumado a sair tocando o terror e ficando impune (ao menos até o próximo vilão aparecer pra descer a lenha).
Na nossa campanha atual de 4E (no mundo de Westeros, de A Song of Ice and Fire), os personagens são nobres que vivem sob a ordem do regente do norte e apenas o regente pode proferir as penas para os criminosos, então eles não podem matar os mentecaptos, tem que semore os levar perante o regetne pra que ele mesmo diga qual a pena (e a execute, se for caso de pena de morte). Eles estavam caçando um bando de espiões e quando finalmente o combate começou (e os vilões vieram bem armados e prontos pra matar), eles ó podiam bater com a espada “de chapa”, já que eles não poderiam ser mortos sem um “julgamento justo”
Foi muito engraçado ver os “putaquepariu” e “esse nojento vai me matar”, enquanto eles sangravam e os outros caras só tomavam dano não letal \o/
Na verdade, lido com problemas judiciais na minha campanha há tempos! Como um dos meus jogadores é um Imperador, o cumprimento da lei (e inclusive a legislação destas) nunca deixa de estar presente.
Mas vc tem futuro garoto (LOL)!
Acho que o sistema legal do mundo de jogo já está subentendido, não é preciso reforçá-lo. Se o seu personagem ou grupo ao passar por uma grnade cidade de um reino com que não está familiarizado e equecer de perguntar quais as leis locais, problema deles. Torçam para que não infrinjam nenhuma lei sem querer.
No final as clássicas: não roubar, matar, ofender o regente, estuprar e conjurar magias em praça pública sempre funcionam.
Mas é difícil de se encontrar explicações de como a lei funciona em livros de cenário de campanha e não dá pra achar que em reinos de fantasia medieval elas funcionem do mesmo jeito que no nosso mundo.
Foi até uma coisa que eu achei bem interessante no cenário de campanha de A Game of Thrones, ele explica exatamente como a lei funciona, quais são as atividades tidas como criminosas e quais são as penas e quem é responsável por as aplicar, coisa que eu não lembro de ter visto em Forgotten Realms ou Tormenta, por exemplo.
Depende, depende muito. Quando menos “globalizado” for o cenário, mais as leis variam de local pra local, sendo que na fazenda do vizinho ou na cidade vizinha elas podem ser completamente diferentes.
Tipo, a Terra contemporânea só tem leis mais ou menos universais por causa de decretos e mais decretos da ONU e afins (ex.: Declaração Universal dos Direitos Humanos), mas cada país, cada estado, província ou cidade sempre têm suas próprias leis, mesmo que subentendidas. É só pensar no que é crime na China e como são as punições de Israel, ainda hoje em dia.
Um outro exemplo é Esparta, com suas leis de Licurgo, enquanto Atenas era completamente diferente (e todos os estados do Peloponeso também).
Então eu acho que os cenários deveriam reforçar como são suas leis – digo, não detalhar, mas ao menos dizer como é que funcionam as formas de legislações, se são “globais”, o quanto mudam de local pra local, etecétera.
Disso eu sei. O que eu falei é que na dúvida sobre como proceder em um local o personagem jogador deve pelo menos seguir as leis “clássicas”, o notoriamente errado. Matar gente é sempre complicado, por exemplo.
E quem detalha as leis a que o seu mundo está submetido é o mestre não precisa constar uma tabuleta de leis em cada cidade do cenário.
Mas quando aparece em um material, dá uma livrança danada. =P
No livro de Cormyr e em alguns reinos de FR, em Corvis (Trilogia do Fogo das Bruxas), além de nos livros de Mystara, eles colocam as leis. =D
Na minha ambientação (a famosa feita no Excel) todas as cidades do mundo têm um nível de burocracia&justiça associado. Em cada reino há parâmetros gerais de punições os crimes mais genéricos e qual são as classes, raças e sexos favorecidos no sistema judiciário. Detalhes mais específicos são conhecidos/criados a medida que os jogadores conhecem os costumes locais.
Quando mestro D&D uso uma regra um pouco alterada sobre tendências, e o leal sempre é leal as leis pois a lei é tudo que lhe importa. Se tem alguma coisa que lhe desagrada (por exemplo um paladino num reino tirânico onde o bem entra em conflito com o leal), ele prefere mudar a lei ou deixar o reino do que desrespeitar alguma regra.
O neutro é aquele que segue quando quer, faz o que lhe dá na telha, o que for melhor para ele.
E o caótico é o rebelde, faz de tudo para desorganizar e desrespeitar a lei, pois para ele a ordem está no caos. Se as leis são boas, ele vai desconfiar delas e burlá-las, se são ruins vai burlá-las justamente porque são ruins, se não existem leis então ele se sentirá em paz.
Desse modo é fácil imaginar um char maligno que obedece as regras ao pé da letra, deixando os heróis saírem vivos, porém no dia seguinte faz um dossiê da vida deles para ter um mandato de prisão e fazer eles passarem o resto da vida presos.
Ou chars boms que depois de muito lutar para o reino melhorar, preferem sair do reino ou derrubar o estado para que novas leis sejam postas no lugar.
Vixi falei de mais já, esse assunto é muito legal XD
[...] PS2: Coincidência ou não outros dois blog falaram deste mesmo assunto. Então se você gostou do que leu aqui, ou se não gostou, quer ver uma abordagem melhor escrita, visitem os artigos escritos pelo Valberto no seu lote e o do Danielfo no Pensotopia, nosso parceiro! [...]
[...] e acabar na cadeia, a não ser que seja muito poderoso e/ou sortudo (apesar de que sábio é esse post do Danielfo: aventureiro nunca liga para as leis!), ou que vocês estejam nas terras maléficas sem lei ou [...]
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