
Semana passada peguei um leviatã!
- Te devo uma por me livrar a pele daquele estripador, Seith!
- Saudações aos Deuses por me trazerem em boa hora. Não me permitiria vê-lo desvanecido Alex! Atormentador seria se vossa força plena não se fizesse. Em treva Doros preso se encontra e perdemos a maça. Onde está o gnomo?
- Foi com o corpo do maluco que você flechou, acho que ele irá investigar quem aquele ‘cara’ era?
- Requererás que Endranplik seja prudente e nos encontre em nossa nau. Hei de relatar algo de eminente relevância!
-Elfos! Faaalam como se tivessem todo tempo do mundo!
1ºlugar -O Pescador
Peter Hook é um obscuro contador de estórias da costa esmeralda. Um ancião entre os humanos, o Sr. Hook não é um vate. Não se induzam a supor que seria ele um pirata ou, de certo, um corsário. O Sr. Hook era um pescador. E ele me relatou esta verídica odisséia:
“Eu ainda era jovem naquela noite de lua cheia. Saí para pescar com uns amigos – a lua atrai muitos cardumes e por isso levamos uma rede. Fomos com nosso barquinho para o alto-mar.
Se não fosse o alto preço pago pelos peixes grandes, nunca teríamos ido! Os construtores nunca perdiam tempo construindo barcos de travessia, só embarcações de rio e costeiras. Barcos grandes no alto-mar são presas fáceis para os krakens. O casco do nosso veleiro era aberto e contávamos com isto para que os krakens não nos confundissem com um peixe grande.
Lembro de uma vez, que o príncipe herdeiro montou uma expedição com sete caravelas para explorar a Ilha Brilhante. Não tiveram sequer a sorte de cair da beira do mundo. A primeira caravela naufragou no primeiro ataque de trolls marinhos. Soube disto quando um mago que estava na esquadra teleportou-se para a costa para trazer as más notícias! Não soube do paradeiro das outras caravelas, mas me lembro, como se fosse hoje, do mago reclamando que não devia ter “memorizado” bola de fogo em viagens ao mar.
Sabendo dos riscos, fomos pescar. No oceano lançamos rede e ao puxá-la veio uma mulher-peixe! Ela nos ameaçou, praguejando a rede. E antes que ela se pusesse a falar, lembrei de outra pescaria minha.
Recordei que anos antes pegávamos lagostas em um recife, quando um dos nossos companheiros achou um estranho caranguejo que parecia feito homem. Por ser bem pequeno, o colega que achou aquilo hediondo cortou e jogou o monstrinho fora. Pouco depois apareceu a mãe. O enorme caranguejo humanóide agarrou e partiu este pescador ao meio com as afiadas pinças. Lancei-me ao mar e nadei tão rápido que só parei quando estava na terra seca.
Essas imagens fortes me vieram à mente num lampejo! Cortei o pescoço da sereia com um gancho antes que ela reagisse. Manobramos para a costa com medo de alguma outra sereia viesse. Porém, o sangue dela atraiu tubarões – e alguns dos tubarões tinham criaturas escamosas montadas neles. Disseram-se Suhuagins, riram quando viram a mulher-peixe e achei que poupariam nossas vidas por ela estar morta.

Alguém me passa o xampu de algas!
Eu e meus três amigos íamos jogar o corpo ao mar, mas vi uma concha reluzente na rede e a peguei antes que o corpo fosse lançado nas águas. Um dos monstros notou o reluzir e me arpoou, mas o arpão varou um dos meus amigos e me acertou de raspão. Por instinto, soprei a concha.
Foi água pra todo lado! Tinha convocado um gênio da água. Preso na concha mágica ele me concedeu três desejos! Antes que eu tivesse tempo de pensar, o Marid foi atacado pelos monstros, que foram liquidados pelo gênio. A fúria das águas que o poderoso gênio controlava destruiu nosso barco e nós lançou às águas bravias. Só pude dizer uma única palavra. “Socorro!“
Aquela mão enorme me emergiu das águas. Zonzo, olhei para os lados e só vi sangue, pedaços de corpos e destroços.
O gênio me olhou nós olhos e disse:
- Você agora só tem mais dois desejos! – disse, com olhar medonho.
Sem pensar muito pedi o mais acertado para o momento. Desejei que ele me tirasse dali em segurança e que me tornasse muito rico!
Passei longos quinze anos preso em castelo subaquático, todo feito de corais e pérolas, cercado por uma redoma mágica de ar. O local era habitado por metamorfos leões-marinhos e guardado por baleias. Os monstros me tratavam muito bem, pois segundo uma lenda deles só o mais puro poderia ser o rei soberano entre eles. Como eu era o único humano lá, interpretaram a lenda com se eu fosse o ser puro que aguardavam e me coroaram.
Os Selkies me ensinaram tudo que precisava para governar e viver com eles. Não havia fogo lá e aprendi com eles a preparar suculentos pratos de peixe cru e algas. Com o tempo vi que ser rei era um fardo cruel, pois nunca poderia sair da minha cidade. Enjoei da comida, das mulheres, das pérolas, das festas. Tive uma idéia para fugir deles: ordenei que fosse levada uma oferenda de peixes a uma das baleias que nos defendiam e me escondi nelas. Engolido pela baleia, fiquei abrigado no grande estômago do animal e escapei.

É só aparecer um clérigo e eles fogem!
Esperando que a baleia buscaria a superfície para respirar, imaginei a loucura do meu ato intempestivo e sem saída. Senti um grande ranger e contorcer. A minha baleia foi pescada por Gigantes dos corais.
Os gigantes começaram a cortar a carne ainda na praia e aproveitei para escapar pelo corte na cauda. Nadando por de trás da baleia, julguei ter passado desapercebido. Engordurado, nadei até umas pedras. Vi-me em uma baía e lá haviam seis caravelas, ou ao menos, o que restou delas. Pelas flâmulas reconheci que eram da expedição do príncipe! Olhei para a ilha e vi uma montanha de cujo cume saia fumaça: o vulcão da Ilha Brilhante.
À noite, quando os gigantes se foram, nadei para um dos barcos, mas a luz da lua me revelou que piratas esqueletos eram agora a nova tripulação! Sem saber o que fazer, resolvi escalar o vulcão para o templo do cume. Ao subir, vi uma revoada de harpias, que se dirigiram todas aos restos da baleia que os gigantes haviam deixado.
A entrada era protegida por uma cascata de mephits de água fervente. “Apenas o rei poderá passar“, diziam em uníssono! Cruzei! Nada me ocorreu, nem uma queimadura! A sala tétrica era fria. E um flutuante rubi vermelho pulsava acima de um pentagrama invertido.
O valor do rubi em nada me atraiu, mas sentia um chamado da pedra, pedindo para ser danificada. Como não levei sequer uma faca, não pude atender o confuso chamado. Ignorei a pedra, mas notei o nome do rei inscrito nela, Pérfidus, O Grotesco.
Desci pela encosta e olhei os barcos. Vi uma canoa em bom estado na areia. Joguei o barco n’água e tentei fazer a minha viagem de volta. Já estava fraco e desidratado quando conheci Ianassa, esta bela nereida, que se apaixonou por mim e me salvou. Nos casamos e desde aquele dia jurei nunca mais pescar dentro do mar.”

Comentários (12) »
Vida de pescador é difícil! Muito difícil! =P
Muito bom o texto XD
Você acorda cedo hein garota!
Muito legal o texto!! Mas os outros eram mais engraçados!
A aventura de um pobre pescador no mundo cheio de perigos da fantasia medieval! Hehehehe, muito bão!
Eita pessoal para querer ver a desgraça alheia!
nereida?????
Gostei, porque mostra um final “feliz”, e também por ligar as outras.
Mas realmente não foi a mais hilaria, mas é muito boa, e com sacadas espertas!
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nereida
Além de ser uma criatura de AD&D (e deve ter em algum suplemento obscuro da 3.5 por aí)
Mas eu acho que esse pescador também não se saiu muito bem, temos que lembrar que história de pescador é EStória de pescador… =)
Pescador deu sorte, podia ter sido bem pior, veja seus amigs!
Valeu!
Eu suspeitei, mas não tive certeza.
Cara, vida de não-herói em mundo de fantasia medieval só pode ser um inferno mesmo, todo canto que o cara vai pode ter alguma coisa prontinha pra jantar ele.
Pobres mortais, deveriam criar vergonha e fazer treinamento pra herói, imagina aí um padeiro épico? ;D
Realmente Ramos, a nereida ficou de fora das 3.X ! Chequei todos os livros de monstros publicados e caso ela não esteja no rodapé da descrição de outro monstro perdida em algum livro a coitadinha simplesmente foi extinta! Ponto para o pescador que casou com a última nereida do mundo.
Quem quiser a wizards disponibiliza uma ilustração bacana da criatura:
http://www.wizards.com/dnd/images/storm_gallery/90757.jpg